Manuel Castells em Porto Alegre
by
Tauana Jeffman
- junho 16, 2013
No dia 10
de junho de 2013, no salão de atos da UFRGS, tive o privilégio de assistir uma
palestra com o pesquisador Manuel Castells, promovida pelo Fronteiras do
Pensamento.
O
pesquisador inicia sua fala afirmando que irá sintetizar os novos tipos de
movimentos sociais atuais, contexto presente em seu livro Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na internet,
que será lançado no Brasil em setembro deste ano.
Castells
afirma que a internet permitiu-nos pensar outras formas de mudanças sociais e
polÃticas. Estas novas formas podem ser mal vistas pelo sistema, porque são
difÃceis de controlar. As mensagens são vivas, disseminam-se se rapidamente,
então, os repressores caçam os mensageiros.
Para o
pesquisador, cada um dos movimentos sociais que analisou surge em um contexto
polÃtico e social único. No entanto, todos eles possuem um padrão. E é este
padrão, entre outras caracterÃsticas, que Castells se propõe a entender, colocando-se
como um investigador, que precisa de tal entendimento, antes de tomar alguma
posição. Ele se
questiona: quais são os mecanismos que formam esses movimentos? Como eles
crescem? Como se organizam?
Castells
explica-nos que as mudanças sociais se fazem de maneira espontânea; e o que
produz essa mudança social é uma emoção, é a sensação de algo insuportável. Mas
essa sensação de algo insuportável, quando transformado em revolta, pode ser
perigoso, pois somos ameaçados e coagidos através do medo. Por isso, essa
emoção é preciso ser coletiva, é preciso ser ampla e forte, para superar o
poder do medo imposto pelos repressores. Para o pesquisador, a indignação e a
solidariedade são maiores que o medo. A indignação individual leva à ação
coletiva, e esta ação, esse movimento, precisa de comunicação para
articular-se. A comunicação em rede, neste contexto, permite-nos uma conexão em
tempo real; e as redes sociais, uma interação contante e livre. Portanto, estar
conectado nos permite unir-se independentemente dos poderes de monopólio.
Castells
apresenta-nos algumas razões comuns em todos os movimentos:
1. todos
são movimentos em rede, pois geralmente nascem na internet.
2. Suas
mensagens são rápidas e não podem ser reprimidas.
3. Os movimentos
utilizam-se tanto das redes sociais na internet, como o Facebook, o Twitter e
outros, quanto das redes sociais presenciais, tais como um clube de futebol, um
grupo de amigos, etc. Para o pesquisador, há um hibridismo entre estas duas
redes.
4. O
movimento não precisa de um lÃder, ele auto gerencia-se.
5. Todo
mundo pode falar, não há barreiras.
6. Não
possui uma estrutura formal, demonstrando capacidade de reconfigurar-se
conforme as necessidades de seus participantes.
7. Surgem
de uma indignação.
8. Há uma
interação constante entre o espaço público (que Castells chama de espaços
autônomos) e as redes sociais.
9. Há uma
busca por dignidade.
10. Estes
movimentos são locais e globais, pois nascem localmente mas crescem
globalmente.
11. As
imagens são o que mais indignam e o que mais afetam nosso consciente (pelas
imagens nos identificamos com a dor do outro).
12. Estes
movimentos estão reconstruindo a democracia (as novas formas de democracia não
se definem, se pratica).
13.
Promovem o sentimento de “estar-junto” (onde há uma horizontalidade na
comunicação).
14. São
movimentos rizomáticos (como rizomas, que florescem).
15. São
altamente reflexivos.
16. A
provocação à violência se converte em mais violência (se o movimento atuar com
violência, sempre perderá, porque o sistema é mais violento).
17. Movimentos
sociais são incompatÃveis com a guerra civil.
18. Os
meios de comunicação de massa querem mostrar a violência. Querem ver sangue.
Neste
contexto, a internet também é um produto cultural. Uma cultura da autonomia,
uma cultura da liberdade, onde o mais importante não é o produto a que se
chega, mas o processo que se percorre. Este processo mostra outras formas de
interação humana. Procura mudar os valores da sociedade, para depois mudar as
instituições.
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Minhas considerações
Acredito que a palestra de Castells não poderia ter vindo em melhor hora, ou momento mais oportuno. Suas palavras, suas considerações, foram vistas e percebidas nos telejornais e nos feed de notÃcias na última semana. É incrÃvel perceber como nossa sociedade pode evoluir e ter tecnologias e aparatos incrÃveis, e ao mesmo tempo, pode retroceder de forma alarmante. Pois é, não sei se voltamos à ditadura, me parece mais que voltamos a era das cavernas, onde uma morte era apenas menos um no bando.






