O Oceano no Fim do Caminho
by
Tauana Jeffman
- janeiro 19, 2014
"Ninguém realmente se parece por fora com o que é de fato por dentro.
Nem você. Nem eu. As pessoas são muito mais complicadas que isso.
É assim com todo mundo" (Lettie).
Então, finalmente li Neil Gaiman (antes tarde do que mais tarde). Eu já tinha visto esse livro pelo Skoob, pelas livrarias, e a capa dele já tinha me despertado interesse. Mas aà um dia publiquei uma reportagem em que o autor falava sobre bibliotecas e comentei: preciso ler alguma coisa desse cara. Minha orientadora, meus amigos (principalmente a Tati), umas quantas pessoas comentaram: "Como tu nunca leu Neil Gaiman???". A Tati ficou horrorizada (tá, só um pouquinho), por eu desconhecer um dos autores preferidos dela, se não O preferido. Na casa dela eu vi que ela não tava pra brincadeira. Tinha muitos livros do autor, principalmente as HQ's, que, segundo a Tati, é um dos ramos que o autor mais se destaca. Pra quem entende de HQ's, é só comentar que ele é o autor de Sandman, que tudo mundo fica tipo "ai meu Deus". Pois bem, resolvi conferir a obra do cara, iniciando pelo O oceano no fim do caminho. Pra completar o incentivo que faltava para eu ler esse livro, alguns canais literários (os booktubers) o escolheram como o melhor livro do ano (não é pouca coisa, né minha gente).
Bem, comecei a confirmar o que estava evidente: Gaiman é muito foda. Não que eu seja uma entendedora de literatura ou algo do gênero, longe disso. Mas nós, leitores "quase" assÃduos, já conseguimos sacar quem manja e quem não manja dos paranauês literários.
Sobre o livro (Spoiler alert):
Segundo o canal Cabine literária, o livro é "fundamentalmente sobre escapismo". Sobre este contexto, Gaiman comenta: "Eu ouço o termo utilizado por aà como se fosse uma coisa ruim. Como se ficção “escapista” fosse um ópio barato utilizado pelos confusos e pelos tolos e pelos desiludidos e a única ficção que seja válida, para adultos ou crianças é a ficção mimética, espelhando o pior do mundo em que o leitor ou a leitora se encontra. Se você estivesse preso em uma situação impossÃvel, em um lugar desagradável, com pessoas que te quisessem mal, e alguém te oferecesse um escape temporário, por que você não ia aceitar isso? E ficção escapista é apenas isso: ficção que abre uma porta, mostra o sol lá fora, te dá um lugar para ir onde você esteja no controle, esteja com pessoas com quem você queira estar (e livros são lugares reais, não se enganem sobre isso); e mais importante, durante o seu escape, livros também podem te dar conhecimento sobre o mundo e o seu predicamento, te dar armas, te dar armaduras: coisas reais que você pode levar de volta para a sua prisão". O protagonista dessa história é um amante dos livros, considerando-os como seus melhores amigos, e durante as situações que o garoto não sabe o que fazer, ou o que dizer, ele recorre à s histórias que lera. A literatura lhe dá as armas e a armadura para enfrentar sua prisão.
A história é narrada em 1ª pessoa, por um garoto de 7 anos que não sabemos o nome (aliás, alguns booktubers mencionaram que talvez essa seja uma obra "meio" autobiográfica), no entanto, no inÃcio da história percebemos que esse garoto já é um adulto e está, aparentemente em um velório. Ele decide sair dali e começa a dirigir. Quando se dá por conta, está no caminho de sua antiga casa, onde morava durante sua infância, mas a casa já não está mais ali, então ele vai até o fim da estrada, até o fim do caminho onde sua amiga morava.
Lá chegando, encontrou uma das senhoras Hempstock (e confesso que não ficou claro para mim se era a filha, a mãe, a neta ou se as três era uma só). Chegando lá, perguntou por Lettie, sua amiga de infância, mas a senhora lhe informou que a menina não se encontrava, ele então pediu permissão para ver o lago que ficava nos fundos da casa (e que a menina o convencera de que era um oceano). Perdido em pensamentos, olhando a paisagem, o garoto nos leva à sua infância, e as coisas fantasmagóricas que começaram a acontecer quando ele conheceu Lettie.
Na época em que tinha 7 anos, a famÃlia do garoto começou a enfrentar dificuldades financeiras, e, tentando amenizar a situação, passa a alugar o seu quarto. Um dos locatários é um minerador de opalas sul-africano. O tal minerador (apresentando-se como um homem que sempre pagava suas dÃvidas) enfrentava problemas financeiros, pois perdera o capital que seus amigos haviam o enviado para um investimento. Por conta disso, ele se mata, pois não se perdoava por não conseguir cumprir suas dÃvidas.
A morte do minerador parece ser um sacrifÃcio, que, em troca da vida, ele pede à uma criatura estranha que dê dinheiro para as pessoas. Lettie e o garoto se conhecem porque o corpo do minerador é encontrado dentro do carro dele, em frente à casa dela. Aà começa os mistérios e as fantasias do mundo de Lettie, pois nos terrenos dela há um mundo diferente do nosso.
A menina tenta capturar a criatura, na companhia do menino, mas não dá muito certo. O pior de tudo é que a criatura consegue ir para o mundo do menino, na forma de um verme entranhado no seu pé.
Em casa, o garoto tira o verme do pé e o joga pelo ralo, sem ter noção alguma de que o verme era a tal criatura. No dia seguinte, sua mãe o comunica que conseguiu um emprego e que contratou uma babá para cuidar dele e da irmã. Apresenta Úrsula Monkton às crianças, mas o garoto sente algo de estranho naquela linda mulher, enquanto sua irmã cai de amores pela babá.
Aà começa a infelicidade do menino. Úrsula o persegue, diz que vai tranca-lo no porão, lhe tirar os livros, vigia sua mente, faz sua famÃlia ficar contra ele, leva seu pai a quase matá-lo afogado na banheira. Mas o garoto consegue fugir, e antes que a criatura lhe alcance, ele chega à s terras de Lettie, que manda a criatura sair de suas propriedades.
Resumindo a história, Lettie, sua avó e sua mãe ajudam o garoto a se livrar da criatura, entre uma das táticas utilizadas, foi recrutar os faxineiros, os pássaros vorazes que comem criaturas como Úrsula Monkton. A criatura tenta obedecer Lettie e voltar ao seu mundo, mas não consegue, pois o fim do caminho está no menino, em seu coração. Ela então é destroçada pelos pássaros, que agora focam no menino, pois precisam fazer um "serviço completo". Lettie tenta salvar o garoto, carrega o oceano até ele, e a água lhe dá a sabedoria que a menina, de alguma forma, também possui. Ele comenta: "o oceano de Lettie Hempstock fluiu dentro de mim e preencheu o universo inteiro".
No entanto, os faxineiros não desistiram do garoto, e começaram a destruir o mundo para que as Hempstock o entregassem. O menino, vendo a destruição que estava sendo causada por sua culpa, decidiu entregar-se e saiu correndo, na direção da escuridão. Ele sentiu o ataque dos pássaros tentando alcançar seu coração, mas logo sentiu Lettie, que se jogara em cima de seu corpo para protegê-lo. Ela é brutalmente ferida. Para sobreviver (ou voltar a viver), ela é entregue pela sua mãe ao oceano, que a devolverá quando ela estiver curada. A memória do garoto é retorcida, e ele acredita que sua amiga tinha se mudado para a Austrália, como a mãe de Lettie contou a sua mãe.
Ao final da história, o homem que fugira do velório percebe que passou muito tempo relembrando sua infância. Ali, conversando no banco em frente ao oceano com a senhora Hempstock, ele descobre que já tinha voltado àquele lugar algumas vezes, chamado por Lettie. A senhora então lhe diz: "ela quer saber se valeu a pena".
(PS: nunca uma resenha, quem dirá minha, fará jus ao conteúdo do livro).
Bem, confesso que estava cheia de expectativas com relação a esse livro, e quando li a última palavra eu fiquei meio: "é isso?". Não me assustei, não me emocionei, não chorei como eu achei que choraria, não senti quase nada. Pensei que talvez eu não tivesse captado a essência do livro, não tinha prestado atenção. No café da manhã, então, contei para a minha irmã sobre a história, lhe explicando como tudo acontecera. Foi aà que eu senti a história e comecei a chorar muito, e óbvio, minha irmã também, só pelas coisas que lhe contei. E o fim dessa resenha, claro, eu escrevo com lágrimas nos olhos.
Spoiler alert

