O Signo de Três
by
Tauana Jeffman
- maio 07, 2013
O livro é simplesmente fantástico. Eu precisava ler umas 150 páginas para uma aula, mas acabei lendo tudo (e negligenciando outras leituras). O Signo de Três faz referência ao livro O signo dos Quatro, de Arthur Conan Doyle. Achei o livro incrÃvel porque realiza uma leitura das histórias de Sherlock Holmes à luz de Peirce. Aliás, eu que nunca fui muito de histórias de detetive e investigativas, fiquei fascinada em conhecer como os métodos cientÃficos, literários, médicos, artÃsticos, psicanalÃticos podem se relacionar. Lendo a análise de Sherlock, também sabemos um pouco sobre Freud, Jung, Morelli, semiótica médica e o que tudo isso tem em comum.
Resuminho:
No que se refere a sua religião, Peirce cedo se converteu do unitarismo para o trinitarismo [...]. p. 6
Resuminho:
No que se refere a sua religião, Peirce cedo se converteu do unitarismo para o trinitarismo [...]. p. 6
[...] uma abdução nos permite formular um prognóstico geral, mas sem garantia de um resultado bem sucedido; ao mesmo tempo, a abdução, enquanto um método de prognosticação, oferece "a única esperança possÃvel de regular racionalmente nossa conduta futura". p. 9
[...] Realizo uma abdução quando procuro expressar em uma sentença algo que vejo. A verdade é que todo o edifÃcio de nosso conhecimento é uma estrutura emaranhada de puras hipóteses, confirmadas e refinadas pela indução. O conhecimento não pode avançar nem um pouco além do estágio do olhar que observa despreocupado se não se fizer, a cada passo, uma abdução". p. 20
Peirce nota que "a retrodução se funda na confiança de que há suficiente afinidade entre a mente do raciocinador e a natureza para tornar a suposição algo confiável, uma vez que cada suposição é confrontada com a observação através da comparação". p. 20
Peirce descreve a formação de uma hipótese como "um ato de introvisão", "a sugestão abdutiva" vindo até nós "como um relâmpago". p. 22
Abdução, ou "o primeiro degrau do raciocÃnio cientÃfico" bem como o "único tipo de argumento que inicia uma nova ideia", é um instinto que confia na percepção inconsciente das conexões entre os aspectos do mundo, [...] é a comunicação subliminar de mensagens. p. 23
O que torna Sherlock Holmes tão bem sucedido em suas investigações não é o fato de que ele não faz suposições, mas que ele as faz excepcionalmente bem. De fato, involuntariamente, ele segue o conselho de Peirce de selecionar as melhores hipóteses. p. 27
Sherlock não apenas seleciona as hipóteses mais simples e mais naturais mas, também, "fragmenta uma hipótese em seus menores componentes lógicos e apenas experimenta um de cada vez". p. 28
Peirce afirmava que uma hipótese deve sempre ser considerada como uma pergunta e, embora todo o conhecimento novo surja de conjecturas, elas são inúteis sem o teste de averiguação". p. 29
[...] a abdução persegue uma teoria, a indução persegue fatos. p. 32
À medida que a própria personagem Sherlock Holmes pratica os métodos da medicina, um elemento de arte e magia é mesclado à lógica da descoberta cientÃfica que ele persegue. Em nossa opinião, é isso que faz com que Sherlock se destaque, enquanto personagem, do método mais puramente lógico do detetive Dupin, de Edgar Allan Poe. p. 38
A imagem de Sherlock como epÃtome da aplicação da racionalidade e do método cientÃfico ao comportamento humano, é, certamente, um fator fundamental do talento do detetive para conquistar a imaginação do mundo. p. 59
"há na literatura certos personagens que passaram a possuir uma identidade independente e inconfundÃvel, cujos nomes e qualidades pessoais são familiares a milhares de pessoas que podem não ter nem mesmo lido qualquer das obras nas quais os personagens aparecem. Entre estas deve-se incluir Sherlock Holmes [...]". p. 60
Referindo-se
à s “qualidades necessárias ao detetive ideal”, Sherlock observa
que estas são: 1) conhecimento, 2) poder de observação, e 3) poder
de dedução. p. 69
Para Sherlock, "a grande coisa é saber raciocinar retrospectivamente". Raciocinar a partir de um conjunto de eventos em direção a suas consequências é o raciocÃnio o qual Sherlock chama de "sintético", enquanto que raciocinar "retrospectivamente", dos resultados para as causas, ele chama de raciocÃnio "analÃtico". p. 73
As abduções, como as induções, e ao contrário das deduções, não são logicamente completas, e precisam ser validadas externamente. p. 78
Sherlock [...] se revela próximo da ideia de arquétipo do inconsciente coletivo tal como posteriormente desenvolvida por Carl Jung: "Há, em nossas almas, vagas memórias de séculos nebulosos quando o mundo se encontrava em sua infância". p. 87
O especialista em arte [Morelli] e o detetive podem muito bem merecer uma comparação, cada qual fazendo descobertas a partir de pistas, despercebidas por outros: o autor, casos relacionados a crimes, o outro, pinturas. p. 92
Sherlock | Morelli | Freud: atenção aos detalhes; métodos próprios. p. 94
Em qualquer dos três casos, minúsculos detalhes proporcionam a chave para uma realidade mais profunda, inacessÃvel por outros métodos. Esses detalhes podem ser sintomas para Freud, ou chaves de mistérios para Sherlock, ou caracteres distintivos de pintura para Morelli. [...] Como explicarÃamos essa trÃplice analogia? Há uma resposta óbvia. Freud era médico, Morelli possuÃa graduação em medicina e Conan Doyle havia exercido a profissão médica antes de se estabelecer como escritor. Em todos os três casos, podemos invocar o modelo de semiótica médica, ou sintomatologia [...]. p. 98
Para o filósofo natural [Galileu], como para o filólogo, o texto é uma entidade profunda e invisÃvel, a ser reconstituÃda através e para além dos dados sensÃveis à disposição: imagens, números e movimentos, mas não odores, ou sabores, ou sons, os quais, acredito, fora do mundo animal, são meras palavras. p. 106
Purkyné: primeiro a fazer análises cientÃficas das impressões digitais. p. 124
Foi dito, certa vez, que apaixonar-se significava superestimar os pequenos detalhes pelos quais a mulher ou o homem diferiam dos outros. p. 128
Para Peirce, o processo cognitivo contém os três tipos de argumento: indução, abdução (ou hipótese) e dedução. Em suma, Sherlock começa observando, registrando e confrontando diversos dados observáveis (indução); ele, então, erige uma hipótese como ponto de partida ou interpreta os dados observados de modo a identificar possÃveis causas de eventos resultantes (abdução), ele demonstra de modo analÃtico as consequências necessariamente inerentes à s hipóteses formuladas (dedução), ele submete as hipóteses e as consequências daà deduzidas ao teste de observação e, em seu sentido mais amplo, "experimenta" (indução). p. 136
Sherlock Holmes > conhecimento enciclopédico. p. 163
A misoginia de Sherlock - à s vezes interpretada como homossexualismo - tem seu fundamento em uma necessidade teórica: se o detetive deseja que sua mente seja o espelho daquela sequencia de causas e efeitos que desembocam em um crime, então ele precisa se ver livre de todo e qualquer elemento subjetivo de estorvo. A pureza lógica de sua razão não deveria ser perturbada por sentimentos e pathos. A mulher, que tem o poder de detonar mecanismos ilógicos (isto é, apaixonados), na mente de um homem, deve ser completamente excluÃda da esfera do raciocÃnio analÃtico a abdutivo. p. 164
Dedução:
Regra: todos os feijões deste saco são brancos
Caso: estes feijões provêm deste saco
Resultado: estes feijões são brancos
Indução:
Caso: estes feijões provêm deste saco
Resultado: estes feijões são brancos
Regra: todos os feijões deste saco são brancos
Abdução:
Regra: todos os feijões deste saco são brancos
Resultado: estes feijões são brancos
Caso: estes feijões provêm deste saco
De fato, a maioria dos princÃpios do método de Dupin foi apropriada diretamente por Conan Doyle e imortalizada em sua criação de Sherlock Holmes. A base destes princÃpios, naturalmente, é o método abdutivo. O restante dos princÃpios é, de certo modo, um refinamento da abdução, um plano mestre para o uso mais frutÃfero da noção. p. 213
Ginzburg > Morelli Freud y Sherlock Holmes: Indicios y método cientÃfico
Dedução:
Regra: todos os feijões deste saco são brancos
Caso: estes feijões provêm deste saco
Resultado: estes feijões são brancos
Indução:
Caso: estes feijões provêm deste saco
Resultado: estes feijões são brancos
Regra: todos os feijões deste saco são brancos
Abdução:
Regra: todos os feijões deste saco são brancos
Resultado: estes feijões são brancos
Caso: estes feijões provêm deste saco
De fato, a maioria dos princÃpios do método de Dupin foi apropriada diretamente por Conan Doyle e imortalizada em sua criação de Sherlock Holmes. A base destes princÃpios, naturalmente, é o método abdutivo. O restante dos princÃpios é, de certo modo, um refinamento da abdução, um plano mestre para o uso mais frutÃfero da noção. p. 213
Ginzburg > Morelli Freud y Sherlock Holmes: Indicios y método cientÃfico
