As tecnologias do imaginário
by
Tauana Jeffman
- julho 19, 2011
de Juremir Machado da Silva
Imaginários. Apenas uma palavra, mas com uma ampla gama de significação e enquadramentos. Muitos são os autores que expõem sobre esse tema, como podemos observar no livro As Tecnologias do Imaginário, de Juremir Machado da Silva (2006). O referido autor, ao falar de tecnologias de imaginários, nos oferece uma ampla oferta de autores que explanam ou tem alguma relação com o tema, tais como Lacan, Maffesoli, Adorno e Morin, que são referenciados para que possamos ter uma visualização de tal conceito.
De acordo com Silva (2006, p. 07) “todo o imaginário é real. Todo real é imaginário”, dando-nos uma pista de que imaginários não é sinônimo de ilusões, ou mentiras. Os imaginários são, de acordo com Silva (2006, p. 11-12), um reservatório/motor. De acordo com o referido autor (2006, p. 11-12), o imaginário é um reservatório porque este “agrega imagens, sentimentos, lembranças, experiências, visões do real que realizam o imaginado, leituras de vida e, através de um mecanismo individual/grupal, sedimenta um modo de ver, de ser, de agir, de sentir e de aspirar ao estar no mundo”.
O imaginário também é um motor, na medida em que, de acordo com Silva (2006, p. 12), “é um sonho que realiza a realidade, uma força que impulsiona indivÃduos ou grupos”. Segundo o mesmo autor (2006, p. 12), o imaginário não é uma “projeção irreal”, ele “emana do real, estrutura-se como ideal e retorna ao real como elemento propulsor”.
Para Silva (2006, p. 14), o imaginário é uma “’bacia semântica’ que orienta o ‘trajeto antropológico’ de cada um na errância existencial”. Ele é determinado “pela idéia de fazer parte de algo”, de acordo com Maffesoli (apud SILVA, 2006, p. 14). Maffesoli afirma que podemos compartilhar desde uma mesma filosofia, até uma visão de algo, ou de alguém. O imaginário é, de acordo com Silva (2006, p. 57) “uma memória afetiva somada a um capital cultural”, é “a presença do indivÃduo no inconsciente coletivo” (SILVA, 2006, p. 64).
Maffesoli (apud SILVA, 2006, p. 16-17), retoma palavras de Walter Benjamin, ao afirmar que o imaginário é uma aura. Para Benjamin (apud SILVA, 2006, p. 17), a aura é “uma figura singular, composta de elementos espaciais e temporais: a aparição única de uma coisa distante, por mais perto que ela esteja”.
Maffesoli (apud SILVA, 2006, p. 03) interpreta a “aura” para Benjamin e afirma que esta é “algo que envolve e ultrapassa a obra”. Silva (2006) entende obra como a arte, a existência, uma vida, uma realização, “aquilo que existe virtualmente e clama por concretização”. Silva (2006) complementa afirmando que o imaginário é uma aura sem peso unitário, em constante mutação.
Já as tecnologias do imaginário, são “dispositivos de reprodução de mitos, de visões de mundo e de estilos de vida”, são considerados também como “dispositivos de alimentação de ‘bacias semânticas’” segundo Silva (2006, p. 22-26). De acordo com Silva (2006, p. 32), “o homem moderno tardio continua querendo tornar-se senhor das técnicas e da natureza. Acontece-lhe, com freqüência, de engendrar novos mitos (...) a humanidade é uma indústria mitológica”.
Para Silva (2006, p. 49), “não se crê no imaginário. Vive-se nele”. O autor afirma ainda que não existem verdade nos imaginários, pois neles “tudo é invenção, narrativa, seleção, modo de ser no mundo”.
O autor explica-nos que o “imaginário é um estilo, uma impressão digital do indivÃduo ou do grupo na cultura”. Ele “surge da relação entre memória, aprendizado, história pessoal e inserção no mundo dos outros. Nesse sentido, o imaginário é sempre uma biografia, uma história de vida” (SILVA, 2006, p. 57).
Quando Silva (2006, p. 64) fala que as tecnologias do imaginário são “dispositivos de reprodução de mitos”, traz-nos uma aproximação do conceito de imaginários. De acordo com ele, são “os mitos que se tem na cabeça (Durand), os mitos que se tem no inconsciente (Lacan), os mitos que se tem no espÃrito/mente (Morin), as mitologias que se tem no aparelho psico-afetivo (distorcendo Maffesoli)”. E então, “se o imaginário é uma usina de mitos, as tecnologias que os engendram são fábricas de mitologia”. Morin argumenta “um mito é um conjunto de condutas e de situações imaginárias”.
Silva cita Morin ao expor a “industrialização do espÃrito”, e de acordo com o autor, “esta penetração se efetua segundo as trocas metais de projeção e de identificação polarizada nos sÃmbolos, mitos e imagens da cultura como personalidades mÃticas ou reais que encarnam os valores (os ancestrais, os heróis, os deuses)”. Em conseqüência, o “narrador do vivido é um desmistificador, um desconstrutor de imagens e de elaborações do social sobre si mesmo”. De acordo com Silva (2006, p. 86), “as sociedades produzem representações e passam a acreditar nelas como se fossem naturais”.
Para Silva (2006, p. 93-98), “o imaginário é um hipertexto”, “é uma fabulação coletiva”. Contudo, sabemos que “não há mais imaginários sem tecnologia. Tampouco há tecnologia sem imaginário”.







