O potencial da colaboração virtual
De acordo com o Dicionário do Aurélio Beta, colaboração significa "Ato ou efeito de colaborar; concurso, ajuda, auxílio: trabalhar em colaboração. O trabalho feito pelos colaboradores, contribuição". Trazendo o conceito de colaboração para a internet, percebemos que este é um tema muito rico, digno de um estudo maior, mas que pode ser explicitado neste trabalho, onde poderemos explanar sobre alguns conceitos acerca do tema, teorias, exemplos e demais conhecimentos que podem nos auxiliar, para percebemos o potencial da internet para colaboração.
Buscamos então, perceber o que significa “colaboração virtual”, no que ela nos afeta, nos adiciona. Por que colaboramos se não estaremos recebendo para isso? (teoricamente). Qual é o elemento propulsor que incentiva as pessoas a dedicar horas de seu tempo, para trabalhos colaborativos, que na maioria das vezes, não lhe gera lucro? Talvez não encontremos respostas concretas para nossas perguntas, mas, através de pesquisas, podemos perceber o porquê da existência dessa “cultura da colaboração”.
Spyer (2007, p. 29) fala-nos sobre a cultura da colaboração, através de explanações para tentarmos compreender como existe “algum tipo de resultado positivo na internet levando-se em consideração que as pessoas que interagem são relativamente anônimas e desconhecidas entre si [...] e que seja difícil ou impossível impor sanções físicas ou monetárias a algum usuário”. O referido autor cita Howard Rheingold, um pesquisador que participou da WELL, uma das primeiras comunidades virtuais em grande escala. Após observações, Rheingold formulou a teoria da “economia de doação, no qual ajuda e informação são oferecidas como presentes, sem a expectativa de retribuição direta e imediata” (SPYER, 2007, p. 30).
O autor Juliano Spyer (2007, p. 29) cita também o professor e pesquisador Peter Kollock, do Departamento de Sociologia da Universidade da Califórina, em Los Angeles. Kollock, segundo Spyer (2007, p. 29), “se especializou no estudo de fatores que favorecem ou dificultam a emergência da cooperação, comunidades e trocas”. O pesquisador deseja entender por que as pessoas oferecem gratuitamente on-line, o que podem vender off-line. A resposta nos leva à economia de doação, que é o ponto de partida das pesquisas de Kollock.
O referido autor afirma que um presente “é como uma transferência obrigatória de objetos ou serviços inalienáveis entre negociantes com vínculos e obrigações entre si”. O pesquisador afirma ainda que a economia de doação “funciona pelo aumento e pela diversificação dos relacionamentos sociais” (SPYER, 2007, p. 31-32). As pessoas contribuem para estreitar e/ou solidificar relacionamentos sociais, além de contribuir para a construção de um bem comum. O conhecimento na rede.
Falando sobre conhecimento e colaboração, leva-nos a lembrar da Web 2.0, na qual seria a web onde os usuários "colaboram" com as plataformas, são os mediadores e produtores de conhecimento e informação. É a nova era da comunicação e da informação, pois o usuário deixa de apenas ser receptor de conteúdo e passa a ser produtor, receptor e mediador. De acordo com um infográfico publicado no Blog Tecla, tendo como fontes o Censo 2010, a F/Nazca e o Ibope Net Rating, cerca de 57% dos internautas produzem conteúdo e 70% compartilham (Midia8). Ele passa a ser a platéia, o diretor e a peça, por assim dizer.
Através do conceito de colaboração virtual e Web 2.0, chegamos ao conceito “crowdsourcing”, que pode nos auxiliar na tarefa de compreender melhor qual é o potencial da internet para colaboração. De acordo com Costacurta (2011), crowdsourcing “é um modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela internet para resolver problemas, criar conteúdo e soluções ou desenvolver novas tecnologias”. Percebemos aí, três situações diferentes, mas que são produzidas pela colaboração virtual. Muitos são os exemplos que aqui poderiam ser citados, para afirmar o potencial da internet para colaboração, destacaremos alguns para representarem, esses três âmbitos em que colaboração e internet andam juntas, objetivando mesmo ideal.
Potencial colaborativo para resolver problemas
No dia 26 de junho de 2011, uma notícia tomou conta da maioria das timelines dos usuários do Twitter. Descobriu-se que pessoas de má índole criaram, através de uma conta no Blogger.com, um site contendo conteúdo pedófilo. Após do descobrimento deste, os usuários do Twitter começaram uma mobilização de denúncia para retirar o referido blog do ar.
As pessoas retuitavam a mensagem de denúncia e solicitavam que os usuários enviassem um email, denunciando tal blog. Em pouco tempo, o fato se espalhou fervorosamente pelo Twitter, até que este chegou ao conhecimento do diretor do Google no Brasil, retirou o blog do ar, pouco tempo depois, do início dos twittes.
Percebemos que alguns famosos ajudaram na causa, como Preta Gil, Rafinha Bastos e Marcelo Tas. Mas foi a união destes, com pessoas anônimas, que fez com que os responsáveis pelo Blogger.com percebessem o que estava acontecendo. O blog Vírgula, da UOL, confirma que o Google tomou conhecimento desse fato através do twitteiros. O post intitulado “Após manifestações de twitteiros, Google remove blog com conteúdo pedófilo”, afirma que “os twitteiros pediam que o blog fosse denunciado às autoridades e que fosse deletado. As hashtags ‘#pedofilianao’, ‘morteaopedofilo’ e ‘denunciem’ estiveram entre os tópicos mais comentados da rede social”. Após a grande mobilização que os twitteiros provocaram no microblog, na tarde de segunda-feira o Google anuncia oficialmente a remoção do o “blog contendo vídeos de pedofilia”. Os representantes do Google afirmaram: Com referência ao site hospedado no www.blogspot.com recentemente denunciado por conter pornografia infantil, O Google, que administra a ferramenta Blogger, informa que o removeu assim que notificado por meio do botão de reporte de abuso disponível em todos os blogs. A ação segue as políticas de notificação e remoção do Blogger. Alertamos aos usuários que, em casos como esses, o procedimento mais adequado a seguir é não divulgar o link em hipótese alguma e reportar o abuso imediatamente por meio das ferramentas adequadas para que as providencias sejam devidamente tomadas (Vígula.uol.com, 2011).
Isso só aconteceu porque o Google recebeu um grande número de denúncias, e essas denúncias só chegaram a ele porque os usuários tomaram conhecimento através do Twitter. Podemos perceber que foi através da colaboração destes usuários, que um blog com conteúdo com repugnante foi retirado do ar, e assim, não se propagou mais. Este fato é apenas um exemplo de resultados positivos conquistados através da colaboração dos usuários deste microblog. O que nos mostra o potencial de colaboração de seus usuários, famosos ou anônimos, todos foram de suma importância para a solução do problema.
Potencial colaborativo para criar conteúdo
Um dos maiores exemplos de colaboração virtual, para produção e divulgação de conhecimento é a Wikipédia. A Wikipédia se intitula enciclopédia online e comunidade virtual "formada por pessoas interessadas na construção de uma enciclopédia de alta qualidade, num espírito de respeito mútuo". Foi criada em janeiro de 2001 e é gerida pela Wikemedia Foundation.
Você pode encontrar conhecimento referente a praticamente qualquer coisa que procura na Wikipédia, mas o perigo é que qualquer pessoa pode "editar" esse conhecimento. De acordo com a Wikipédia, ela é uma "enciclopédia livre, que todos podem editar". Como? De acordo com o próprio site, o Wikipédia é “um projeto que agrega conteúdo enciclopédico escrito de modo colaborativo”. Tal projeto “busca um mundo em que cada ser humano tenha livre acesso à soma de todos os conhecimentos”, em busca desse objetivo, a Wikipédia incentiva que seus usuários editem e tenham acesso a seu conteúdo, por isso disponibiliza todo o seu acervo gratuitamente, sob licença livre.
Quando alguém edita um artigo no Wikipédia, pode colaborar no aperfeiçoamento deste, seja no conteúdo, gramática ou formatação. Se o colaborador se arrepender do que acrescentou ele pode reverter o que fez, e até mesmo corrigir. O site Wikipédia afirma: “siga em frente, edite um artigo e ajude a fazer da Wikipédia em língua portuguesa a melhor fonte de informações da Internet”.
Então, todos produzem e editam conteúdo, colaboram para o projeto, mas apesar de a Wikipédia pedir para não vandalizar, infelizmente há pessoas que se divertem editando a Wikipédia de maneira "particular". Isso descaracteriza todo um conceito de colaboração mútua em prol de um mesmo objetivo. E esse é o principal motivo, que citar a Wikipédia em trabalhos é vista com maus olhos, apesar do fato de os administradores do Wikipédia poderem aceitar ou não as alterações.
Não considerando esse detalhe, a Wikipédia é a forma mais rápida de você ter noções ou conhecimentos sobre algo na internet, e convenhamos que é muito mais fácil compreender algo quando "alguém" te explica de uma forma prática, do que através de termos técnicos e conceituais.
Tratando também desse tema, Tiago Cordeiro publicou na revista Super Interessante (Nov. 2007) uma matéria intitulada "Dá para confiar na Wikipédia?", e a resposta é curta e grossa: "Não". Pelo simples fato de que não se pode confiar 100% em nenhuma única fonte de pesquisa. De acordo com a reportagem, o nome Wikipédia vem de wiki-wiki, termo havaiano para “veloz”. Fernanda Viegas, pesquisadora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, afirma em tal reportagem, que a “a Wikipédia dá certo porque tem uma hierarquia definida e regras claras de conduta. O vandalismo é corrigido com rapidez”.
Porém, a reportagem afirma o que já havia sido mencionado aqui:
Mas ainda há furos. No início deste ano, veio à tona um esquema de sabotagem e autopromoção na enciclopédia, com gente da Apple editando o verbete da Microsoft e o site MySpace removendo informação negativa de seu próprio verbete, entre outras coisas. Para evitar coisas assim, medidas extremas estão sendo estudadas: a Wikipédia alemã, por exemplo, deve limitar a edição a colaboradores pré-selecionados (CORDEIRO, 2007).
Na construção colaborativa do site, podemos perceber os diferentes tipos de colaboradores. De acordo com o site, o leitor é aquele “usuário que visita o site para se informar”, sendo que o site chega a contabilizar aproximadamente 7,8 milhões por dia. O leitor não tem interesse em procurar erros ou editar artigos, no máximo, posta algum recado na página de discussões, que pode influenciar os editores.
O editor é qualquer internauta que entre em um artigo para alterá-lo, fato que se repete 3 milhões de vezes por dia. Suas atribuições são acrescentar, retirar ou corrigir informações de um verbete, ou até mesmo, criar novos tópicos.
O administrador é um super editor eleito ou indicado por outro editor, por causa da frequência e da qualidade de suas colaborações. O site contabiliza cerca de 1.350 editores, que possuem como atribuições, “apagar ou bloquear páginas problemáticas e recuperar versões anteriores de verbetes que foram vítimas de vandalismo”.
O burocrata é o chefe dos administradores, e contabilizam o total de 22 no mundo inteiro (algumas línguas não possuem administradores). Suas atribuições dividem-se entre resolver pendências entre administradores e podem “demitir” editores mal intencionados. E por fim, o Steward é o juiz da Wikipédia, e são um total de 30. Suas atribuições é resolver eventuais conflitos que possam acontecer entre burocratas e administradores, por exemplo. É ele quem decide quem tem razão, e ainda, pode promover ou rebaixar pessoas de seus cargos, sem votação.
Havia um movimento para tornar a Wikipédia patrimônio da humanidade. De acordo com o site Estadão.com, "o comitê da Unesco se reunirá entre os dias 19 e 29 de junho, em Paris", e tem uma remota possibilidade de reconhecer uma iniciativa virtual como patrimônio da humanidade. A Wikipédia é uma das candidatas a esse título, iniciando sua campanha no dia 25 de maio de 2011. Apesar da Wikipédia estar fazendo um abaixo-assinado para conseguir apoio, as palavras de Lucía Iglesias, que faz parte da Unesco, transmitem que a Unesco mostra distância da proposta. Segundo Lúcia, "por enquanto, não se considera que um bem intangível possa se tornar parte do patrimônio mundial". Bem, só nos resta acompanhar o desenrolar desta história, e/ou apoiar a iniciativa da Wikipédia e participar do abaixo-assinado, que já conseguiu mais de 6 mil assinaturas.
Outro exemplo de colaboração virtual para construção de disseminação de conhecimento é o site Qwiki, que de acordo com o site Web Tags, "é uma plataforma que mescla toda forma de conteúdo disponível na internet e o transforma em uma nova experiência da informação de forma automatizada. O Qwiki é uma espécie de enciclopédia que, quando se faz uma busca nele, vasculha todo conteúdo aberto da internet, ex.: fotos no Picasa, vídeos no Youtube, textos na Wikipédia, localização no Google Map, informações que são compiladas em um vídeo com áudio e legendas. Tudo é gerado automaticamente, não existe a produção manual deste material, ou seja, ele transforma conteúdo estático em dinâmico''.
De acordo com o site Info, na Qwiki "o usuário também pode colaborar com a elaboração do conteúdo sugerindo novas fotos, vídeos e apontando palavras mal pronunciadas para a correção". Quando você escolhe algum tema para visualizar, lhe aparece a opção “improve this Qwiki” que significa “melhorar essa Qwiki”. A ferramenta possibilita que você contribua com a sugestão de imagens, vídeos e até explane se alguma palavra foi mal pronunciada pela narração.
Não poderíamos deixar de explanar aqui, sobre o Youtube, pois, apesar de não ter sido arquitetado somente para construção e disseminação de conhecimento, esse site é muito utilizado por pessoas que querem aprender, ou querem ensinar algo. Um dos sites mais populares no compartilhamento de vídeos, de acordo com Wikipédia, foi criado em fevereiro de 2005, numa garagem de San Francisco, e cerca de 20 meses depois, a invenção foi comprada por US$ 1,65 bilhão pelo Google, segundo a reportagem da G1. O nome Youtube vem do inglês, You: você e Tube: tubo, que seria uma gíria para designar a televisão.
Qualquer pessoa com uma conta Google pode criar uma conta no Youtube, e assim, realizar suas postagens de vídeos, selecionar os seus favoritos, se inscrever em canais de outros usuários, configurar o layout do canal, entre outras coisas. No Youtube podemos encontrar os mais diversos tipos de vídeos possíveis. E um desses tipos, são vídeos em que pessoas ensinam a fazer alguma coisa. De forma gratuita, os usuários ensinam e compartilham seus conhecimentos com quem possa necessitar.
No exemplo acima, podemos conferir que o usuário Marcos Dupra postou um vídeo seu ensinando a tocar violão. Ele dividiu sua aula em 10 vídeos, sendo que o primeiro destes, já foi visualizado por 724.815 vezes. Marcos compartilhou o conhecimento que tinha, de forma gratuita, e assim, colaborou com a construção contínua do Youtube, e com milhares de pessoas, que buscavam por tais conhecimentos.
Ao pensarmos sobre conhecimento na rede, nos vem a mente o conhecimento que buscamos e construímos enquanto estudantes. Antigamente, colegas de trabalho necessitavam se encontrar fisicamente, para produzir trabalhos, para estudo ou para a área mercadológica. Eram necessárias reuniões, conversas e debates para a produção de materiais. Com o uso do email, essa dinâmica melhorou, pois os integrantes do mesmo grupo de trabalho poderiam enviar suas contribuições pela rede. Porém, hoje isso evoluiu muito mais, pois podemos conversar com todos os integrantes do grupo, simultaneamente e em tempo real, além de poder construir um único arquivo, ou conteúdo, de forma online e colaborativa.
Um exemplo de plataforma que possibilita isso é o Google Docs. Através dele, você pode editar arquivos (textos, planilhas e apresentações, formulários, desenhos de vetores simples) de forma on-line, a partir de qualquer computador com acesso a internet. A partir de uma conta do Google, você pode acessar o Google Docs, e importar algum arquivo, para trabalhar de forma on-line e colaborativa, ou até mesmo, criar um novo documento dentro da plataforma, após fazer o login.
Podemos perceber, visualizando o sistema, que o layout da plataforma é praticamente, a mesma que encontramos no programa Word, contando também com as mesmas ferramentas. Porém, a plataforma oferece o plus de ser on-line e colaborativa. Através da ferramenta Share, você pode compartilhar e contar com a colaboração de pessoas que você adicionou, digitando seus emails separados por vírgula. Além disso, essas pessoas podem ser convidadas como editores ou apenas visualizadores do arquivo.
De acordo com o site Olhar Digital, em março deste ano, o Google potencializou o Google Docs, possibilitando que seus usuários fizessem comentários na barra lateral dos arquivos, incluindo até mesmo, resposta de outros participantes do grupo. De acordo com o blog do Google Docs, essa mudança tornará as interfaces mais intuitivas, facilitando assim, as discussões rápidas. O Google Docs possibilitou que diversas pessoas colaborassem com um projeto em comum, onde pessoas que moram na Amazônia, ou no Rio Grande do Sul trabalhassem juntas, de forma gratuita, segura, eficaz e colaborativa.
Outra plataforma que também pode auxiliar em trabalhos, apesar de não ter sido projetada para esse fim, é o Facebook. Através da criação de grupos fechados dentro da plataforma, os integrantes deste podem conversar trocar informações, tomar decisões a cerca do trabalho em questão, ou até mesmo produzi-lo.
Assim, o trabalho flui de maneira mais eficaz, pois os integrantes do grupo tem a sua disposição todas as informações que necessitam a respeito deste, podem conversar com os demais integrantes e até mesmo, produzir. Colaborativamente, o grupo vai construindo e lapidando o trabalho, cada um de um local. A localização geográfica e a falta de tempo para reuniões não é mais um empecilho para a produção de um bom trabalho.Blogs também são exemplos de construção e disseminação de conteúdo através da colaboração coletiva. Muitos são os casos em que o blog é gerido por mais de um autor, e assim, uma equipe inteira é responsável pela construção do conteúdo daquele espaço.
Apresentamos aqui como exemplo, o blog do GEISC – Grupo de Estudos sobre Imaginário, Sociedade e Cultura, do Programa de Pós-graduação da PUCRS. O grupo possui encontros quinzenais, e o relato destes são publicados de maneira colaborativa no blog deste. Cada pesquisador contribui com sua parte, seja em publicações, ou até em informações relevantes para o grupo.
Potencial colaborativo para criar soluções
A Ruffles é um ótimo exemplo para explanarmos aqui sobre a colaboração para soluções. Em seu aniversário de 25 anos no mercado brasileiro, a marca utilizou, de acordo com Costacurta (2011)
crowdsourcing para criar novo sabor de batata. Além de ver seu sabor nas gôndolas de todo o país, o criador escolhido irá receber um prêmio de R$50 mil em barras de ouro e vai se tornar uma espécie de sócio da PepsiCo, recebendo 1% sobre todo faturamento líquido gerado pelo novo produto, durante pelo menos seis meses (COSTACURTA, 2011).
Assim, com a colaboração de seus consumidores (onde estes entravam no site da promoção, se cadastravam, sugeriam seu sabor, com a descrição dos ingredientes e uma foto, fonte de sua inspiração), a Ruffles conseguiu, além de divulgar sua marca, estreitar laços com seus consumidores e lançar novos produtos no mercado, solucionando assim todos esses problemas de uma vez só (divulgação, relação com o cliente e desenvolvimento de novos produtos).
Potencial colaborativo para desenvolver tecnologias
De acordo com o blog Crowd o quê? o “Linux é um dos maiores exemplos de crowdsourcing funcional”. Segundo informações do Wikipédia, esse sistema foi desenvolvido pelo finlandês Linus Torvalds e seu código fonte está disponível sob licença GPL, “para qualquer pessoa que utilizar, estudar, modificar e distribuir de acordo com os termos da licença”.
Sob a filosofia de criar um sistema gratuito, o Linux permite que qualquer usuário possa modificá-lo de acordo com suas necessidades, mas sob a condição de não torná-lo um programa fechado, nem comercializá-lo. Todos os usuários contribuem, já que, de acordo com seu fundador, seu objetivo não era o lucro, mas sim, fazer um sistema para seu uso pessoal, de acordo com informações do site Brasil Escola.
Através dos cases que explicitamos aqui, podemos perceber o que todos esses exemplos possuem em comum: são plataformas virtuais que possuem especializações de acordo com seu propósito, mas que possuem a colaboração virtual, como requisito principal para sua atuação e seu sucesso. Explicitamos aqui, uma visualização básica do potencial colaborativo na internet. Colaboramos, ajudamos, cooperamos cada vez mais. E com a internet, isso se tornou muito mais fácil, dinâmico e produtivo. Como afirma Dimantas (2006, p. 15)
Colaboração tem a ver com o tempo, pois colaboramos com as gerações passadas, dando continuidade, modificando, melhorando ou piorando os projetos. Mas colaboramos também com as próximas gerações. Colaboração é processo, trata-se de fazer acontecer independentemente do retorno financeiro a curto prazo.
Assim, evoluímos reciprocamente ao compartilharmos aquilo que sabemos, ou aperfeiçoamos aquilo que conhecemos. A era do egoísmo está cada vez mais ultrapassado, e cada vez mais o conhecimento, a informação e a cultura estão ao alcance de todos. Colaborando, ensinamos e aprendemos. Aprendemos, evoluímos e nos desenvolvemos, mutuamente.






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