Acessibilidade na Web

by - junho 01, 2012




         De acordo com Marco Antônio de Queiroz, "a primeira vez que nos deparamos com a palavra acessibilidade, pensamos, naturalmente, que ela seja proveniente ou derivada da palavra acesso. Mas, e daí? Em geral essa palavra não está sozinha, vem contextualizada de conceitos técnicos ou práticos, normalmente associados a pessoas com deficiência. Sua aplicação, de fato, teve origem na necessidade da transposição dos obstáculos arquitetônicos que impediam e impedem o acesso de pessoas com deficiência a lugares de uso comum e público. Mas, ao longo do tempo, o conceito de acessibilidade assumiu dimensão mais ampla. Qualquer tipo de barreira para qualquer pessoa, mesmo sem deficiências ou apenas com limitações temporárias, passou a ser relacionado à acessibilidade. Por exemplo, calçadas esburacadas, perigosas para mulheres grávidas que não podem enxergar os pés, ou um site na internet cujo código não permita o acesso por meio de celulares, passaram a ser inacessíveis. Uma grávida e um proprietário de celular com bons recursos não são pessoas reconhecidamente com deficiência, mas podem encontrar inacessibilidades comuns às pessoas com deficiência. Assim, o conceito adquiriu sentido mais amplo. Hoje, na prática, acessibilidade diz respeito à qualidade ou falta de qualidade de vida para todas as pessoas". Atualmente na prática, "acessibilidade diz respeito à qualidade ou falta de qualidade de vida para todas as pessoas". 


Acessibilidade na Web


Pensar a acessibilidade na web é perceber que isto não se trata de um custo, mas sim, de um benefício. O acesso à informação, e por tanto, à internet, é um direito do cidadão, deficiente ou não. Por isso, tendo em vista a inclusão digital, o site deve ser desenvolvido dentro de padrões que o tornem acessível para todos, incluindo pessoas cegas e pessoas com deficiência: isso é acessibilidade. Se determinado site não é desenvolvido de acordo com alguns padrões de acessibilidade, ele estará impossibilitando a navegação de seu conteúdo, para um amplo número de pessoas. Essa restrição é ruim para quem é banido da navegação, mas é ainda pior para o site, que perde um amplo número de acessos, ao dificultar tal navegação.

Para Marco Antônio de Queiroz, acessibilidade na Web “significa uma internet verdadeiramente inclusiva” e “com mais oportunidades de acessos e de negócios para todos”, de acordo com Leda Lúcia Spelta, ambos deficientes visuais. Leda Lúcia informa em entrevista ao acessodigital.net.com.br, que a internet é de extrema importância para os profissionais, principalmente para os deficientes visuais, pois lhe possibilita a comunicação, o acesso à informação, autonomia e independência pessoal.


Podemos perceber isso nas palavras de Marco Antônio de Queiroz:

Eu já era um entusiasta da Internet quando, em 1995, comecei a trocar e-mails com colegas com deficiência visual de todo o Brasil. Era uma loucura saber que estava escrevendo e obtendo respostas de cegos contando suas vivências de tão longe. No entanto, meu maior deslumbramento foi quando, em 1999, entrei no site de um conhecido jornal carioca e, com absoluta autonomia, sem precisar que alguém o fizesse para mim, li uma notícia! A princípio, dei um sorriso satisfeito e meio bobo mas, logo depois, a emoção me tomou totalmente. Minha liberdade! Após isso, por ser dia de aniversário de uma pessoa amiga, comprei um livro e o enviei de presente sem sair de minha cadeira em frente ao micro. A amiga recebeu o presente em casa e telefonou, agradecendo a lembrança e dizendo que eu não precisava me preocupar e ter tanto trabalho em deslocar alguém para fazer o que fiz. Disse-lhe que eu tinha feito tudo sozinho e ela começou a chorar. Para não estragar a emoção dela com "todo o trabalho que tive", calei-me sem contar que não necessitei me deslocar com minha bengala até a livraria e muito menos tinha ido ao correio. Mas, lá do fundo, minha emoção veio brotando novamente, ao ter a sensação de que eu estava, graças à internet, me tornando um sujeito mais comum.

Para possibilitar o acesso à internet aos deficientes visuais, existem programas leitores de tela, como o Jaws for Windows, que pode ser considerado como uma tecnologia assistiva, isto é, uma “tecnologia especificamente concebida para ajudar pessoas com incapacidades ou deficiência a executarem atividades do cotidiano”, de acordo com Marco Antônio de Queiroz. Tal programa, através de diversos mecanismos, lê o site para o deficiente visual, porém suas funcionalidades são podadas, se o site a ser lido, não se enquadra nas diretrizes e padrões da acessibilidade.    


A audição não é sintética como a visão, assim, o leitor de tela lê uma coisa de cada vez. O programa lê da esquerda para a direita, e de cima para baixo. Se há uma notícia no centro da tela, por exemplo, o programa irá ler tudo o que se encontra no site, antes desta. A navegação através do leitor de tela pode ser através da seta, que lerá o conteúdo do site e os links, ou pressionando a tecla TAB. Por isso, quanto mais cliques no TAB o deficiente visual necessitar, pior será seu acesso ao conteúdo principal do site. Para resolver esse problema de acessibilidade, de acordo com Marco Antônio de Queiroz, criador do site bengalalegal.com.br e deficiente visual, basta que o site possua um link no início da página que direcione o deficiente visual direto para o conteúdo. Tais links também são utilizados por pessoas que não são cegas, mas que possuam alguma deficiência motora e que só podem navegar no site através do teclado. 


Ronaldo Correia Junior, paralisado cerebral, que tem a necessidade


Um site que seja facilmente navegável via teclado é um site mais acessível e que proporciona um uso mais simplificado. Sendo que, de acordo com Marco Antônio de Queiroz, “a maior parte das pessoas com deficiência que necessitam de acessibilidade, usam o teclado para a navegação na internet”. Por exemplo, “uma pessoa cega, ou de baixa visão, não tem como posicionar o cursor, movido pelo mouse, nos links, ícones, formulários etc. das diversas páginas”. Podemos citar também uma pessoa com deficiência motora, que não possui destreza de movimentos nas mãos, não conseguirá posicionar o mouse para clicar em ícones e barras de rolagem, por exemplo. Elas utilizam mais frequentemente o teclado, navegando sem a utilização do mouse.


Subitens do menu do site também precisam ser acessíveis através da navegação via teclado, pois pessoas com deficiências visuais, por exemplo, não saberiam que o menu oferece mais categorias. Os links do menu também necessitam de uma descrição em texto. Sem isto, o leitor de tela dirá que em tal local só existe uma imagem, ou irá ler o link para onde o menu direciona, o que não é nada acessível. A solução para esse problema é inserir a descrição de textos em cada categoria do menu, tornando-o acessível à leitura do programa.
Em sites de banco, por exemplo, com gráficos ou imagens como dispositivos de segurança que precisam ser clicados com o mouse, torna inacessível o sistema, tanto para os deficientes visuais, quanto para aqueles que não podem utilizar o mouse. Uma solução para esse problema pode ser a utilização de um teclado virtual para a inserção de uma senha, pois o usuário pode acessá-lo pelo teclado, e o leitor de tela poderá ler seu conteúdo.
A utilização do código de segurança Captcha também é um problema para o deficiente visual. Para quem enxerga, o código do Captcha são letras, mas para o programa leitor de tela e para o deficiente visual, o código é uma imagem que o deficiente visual não consegue saber o que é. Uma alternativa de segurança é utilizar perguntas simples, como: “quantos dias tem uma semana?” “Quantos meses tem um ano?”. A utilização de Flash para a criação de um site torna-o totalmente inacessível, pois o deficiente visual não consegue ler nenhuma informação, e nem navegar com o site.
O site acessível é aquele que possui “equivalente textual”, ou seja, as informações do site, incluindo imagens, sons ou vídeos, devem possuir uma descrição textual, suas informações. A descrição textual de sons ou áudio, por exemplo, garantem o acesso à informação aos deficientes auditivos. A descrição textual de imagens, por exemplo, podem ser tooltips, como a imagem a seguir:

                   
                                         Imagem do Chaplin sem e com equivalência textual

Técnica de uso do teclado por pessoas cegas.

     De acordo com Marco Antônio de Queiroz, no caso específico de pessoas cegas ou de baixa visão, o uso do teclado comum se dá através dos dedos indicadores colocados nas teclas das letras "F" e "J" que, por padrão, possuem um relevo em sua parte inferior. A partir dessas referências, pode-se teclar decorando-se as posições de cada letra. Assim, seguindo-se o posicionamento do indicador esquerdo n a letra "F", onde existe o relevo, sabe-se que o dedo mínimo, também esquerdo, encontrará a letra "A", que subindo-se o dedo médio uma carreira, encontraremos a letra "E", e por aí em diante. Também teríamos exemplos para a mão direita, orientando-se a partir da tecla da letra "j". Caso não haja relevo nas teclas mencionadas, basta grudar um durex ou esparadrapo nas mesmas para poderem servir de referência. O número 5 do teclado numérico, à direita, também possui relevo. Tecnologias assistivas como os leitores de telas, associados a sintetizadores de voz ou monitores e linhas Braille, complementam o acesso dessas pessoas na internet; nesse caso, o teclado comum para escrever, e as tecnologias assistivas para ler.



Teclado de computador com a letra F e seu relevo.


     A acessibilidade para deficientes, em “portais e sítios eletrônicos da administração pública na rede mundial de computadores (internet)” é obrigatória através do decreto nº 5.296, de 02 de dezembro de 2004 


Cores, Daltonismo e Web
O WCAG 1.0, em seu item 2.1, sugere: "Assegure-se de que todas as informações fornecidas com cor estejam também disponíveis sem cor...1"

A cor pode ser útil para fornecer informações, mas não se deve basear nela como a única maneira de comunicar um significado. É importante mais do que somente a cor para informar, deve-se utilizar outros meios.

Para as "Diretrizes Irlandesas de Acessibilidade", que possui fundamentações e explicações técnicas para deixarem mais didáticas as diretrizes do WCAG 1.0, as informações baseadas na cor têm também a seguinte fundamentação:
"Nem todas as pessoas percebem facilmente as diferenças de cor, podendo ter dificuldades para entender as informações que são transmitidas somente através delas. Por exemplo: imagine dois botões em uma tela, ambos idênticos em termos de tamanho e forma. Um é verde, o outro vermelho. O clique no botão vermelho pode causar dano ao computador do usuário. Se o usuário não puder distinguir entre as cores e não houver textos equivalentes nos botões, ele não tem como fazer a escolha certa.
Os usuários têm dificuldade de perceber as cores se eles trabalham com monitores de baixa qualidade , monocromáticos ou se são daltônicos. Do mesmo modo, é difícil ler um texto sobre um fundo cuja cor seja muito próxima, ou sem contraste com a cor do texto. Algumas combinações de cores, tal como um texto vermelho sobre fundo verde, também são difíceis de diferenciar.
Não confie somente na cor para transmitir o significado. Escreva, por exemplo, 'Os botões desta páginaweb baseiam-se na capacidade do usuário distinguir entre o vermelho e o verde'"2.
Existem inúmeros exemplos de inacessibilidades baseadas nas informações transmitidas somente por cores. Por vezes, a própria incidência de luz na tela pode alterar as cores originais, assim como a qualidade da placa de vídeo, óculos inadequados, distância entre a tela e o usuário etc.
A diferença de contraste entre as cores de primeiro plano e de fundo, nas imagens, e entre texto e cor do fundo da tela, deve ser suficiente para que os usuários percebam corretamente as imagens e textos, inclusive os usuários que tiverem deficiências cromáticas de visão, com vista cansada ou que usem uma tela em preto e branco.

Repetindo e concluindo: Princípios de acessibilidades



Navegação via Teclado

Para o site ser acessível, é imprescindível que a página permita a navegação via teclado. Pessoas com deficiência visual e com algum tipo de deficiência motora, utilizam o teclado para navegar na página. Desta forma, se algum campo ou conteúdo dentro da página não for acessível via teclado, também não será acessível para tais usuários.   





Tooltip’s e equivalente textual

Os campos da página, junto com imagens, sons ou vídeos, precisam ter um equivalente textual, (que podem ser tooltip’s). Os programas leitores de tela, leem somente descrições textuais, por isso, tais campos necessitam desta descrição para que o leitor de tela informe-as ao deficientes visuais.


Chaves de segurança

Se for necessário a utilização de chaves de segurança no sistema, é recomendado a utilização de um teclado virtual ao Captcha. O Captcha, para o programa leitor de tela, é apenas uma imagem, não sendo acessível ao deficiente visual. Já o teclado virtual é acessível e encontrado pelo programa leitor de tela.                          

Links no início da página





Link’s no início da página

A audição não é sintética como a visão, assim, o leitor de tela lê uma coisa de cada vez. O programa lê da esquerda para a direita, e de cima para baixo. Se há uma notícia no centro da tela, por exemplo, o programa irá ler tudo o que se encontra no site, antes desta. A navegação através do leitor de tela pode ser através da seta, que lerá o conteúdo do site e os links, ou pressionando a tecla TAB. Por isso, quanto mais cliques no TAB o deficiente visual necessitar, pior será seu acesso ao conteúdo principal do site. Para resolver esse problema, basta que o site possua um link no início da página que direcione o deficiente visual direto para o conteúdo. Tais links também são utilizados por pessoas que não são cegas, mas que possuam alguma deficiência motora e que só podem navegar no site através do teclado.



Sub-itens do menu
Estes campos também devem ser acessíveis via teclado e possuir uma descrição textual. Sem este padrão, é como se tais campos não existissem para o deficiente visual.
                                                                 

Não utilizar Flash
O flash não possibilita a leitura da tela pelo programa, consequentemente, torna suas informações inacessíveis ao usuário deficiente visual.



Barras de Rolagem e ícones
Estes campos não podem ser muito pequenos ou com uma cor muito semelhante ao fundo da tela. Campos pequenas exigem muita destreza por parte do usuário, e a cor semelhante dificulta a encontrabilidade do campo.




Referências:
Super interessante sobre o programa leitor de tela Jaws for windows

You May Also Like

0 comentários