O Efeito Facebook
Depois desse livro, vejo o Facebook com outros olhos. Adorei a leitura. O autor tem uma redação tranquila e de fácil compreensão. Se você se interessa pela história do Facebook, suas peculiaridades e sua evolução enquanto plataforma, este é o livro certo.
Explica minuciosamente como o Facebook surgiu e qual foi o
seu trajeto até se tornar uma das maiores empresas do mundo, com mais de 1
bilhão de usuários. David escreveu a obra com base em sua experiência
profissional, mas também entrevistou diversas pessoas, almoçou diversas vezes
com Mark, sendo uma testemunha ocular desta história. Todo esse conhecimento,
aliado ao privilégio de tais companhias, renderam uma obra que mostra-nos a genialidade de um garoto arrogante, mas que sabe a hora de dar um passo para trás, mesmo
sem nunca perder os olhos no futuro.
Uma parte chatinha do livro, mas fundamental para entender o
efeito Facebook, é o vende-não-vende. Diversas empresas como Microsoft,
Yahoo! e Google fizeram de tudo para adquirir o Facebook, oferecendo quantias
exorbitantes. Apesar de poder voltar para casa com bilhões em sua conta, Mark era convicto
de que não queria vender sua empresa, pois ele não desejava apenas uma empresa, desejava ajudar o mundo a ser um lugar mais aberto e transparente. Aliás,
se você conferir no Facebook, sua missão é
“tornar o mundo mais aberto e conectado”.
Como a edição do livro é de
2010, obviamente ele apresenta duas informações defasadas: O Facebook ultrapassou o Orkut
no Brasil e possui mais de 1 bilhão de usuários em todo o mundo (na época do
livro, ele tinha cerca de 700 milhões).
Outra informação: o filme "A Rede Social" é baseado em outro livro sobre o Facebook (que não vale a árvore que foi derrubada). Segundo David, o filme "distorceu a história das origens do Facebook em Havard em uma simples fábula sobre a moralidade, com Zuckerberg, o gênio do mal" (p. 355).
Uma breve história sobre o Facebook:
Mark Zuckerberg, enquanto aluno de Harvard, foi o idealizador desta rede social. O Facebook surgiu com o intuito de tornar-se uma plataforma online para interação dos alunos da universidade, e desta forma, fortalecendo conexões antigas e criando conexões novas. Foi oficialmente lançado no dia 04 de fevereiro de 2004 para os alunos de Harvard, e conforme seu crescimento foi ocorrendo e seus desenvolvedores foram se aperfeiçoando, a rede social acrescia novas universidades. Em 2005, o acesso ao sistema foi permitido também para estudantes de escolas secundárias. Para ter um perfil na rede, inicialmente era necessário ser aluno de Harvard ou de outra universidade assimilada pela plataforma, pois era necessário que o usuário efetuasse seu login com seu e-mail acadêmico. Tal exigência permitiu que a rede social controlasse quem acessava o sistema, além de garantir a identificação dos usuários com suas reais identidades (KIRKPATRICK, 2011). De acordo com informações fornecidas pelo Facebook, sua missão é “tornar o mundo mais aberto e conectado”.
Esta plataforma funciona por meio de perfis de usuários, grupos, eventos e páginas. Cada usuário pode realizar inúmeras atividades, com o acréscimo de aplicativos e ferramentas ao seu perfil, bem como adicionar os seus “amigos”. As páginas possuem diversas finalidades, sendo utilizadas tanto por usuários, como quanto por artistas, empresas, produtos ou marcas. Aliás, o marketing está se tornando presença constante em tal. O Facebook oferece o botão “curtir”, para o usuário afirmar que gostou, ou visualizou uma publicação. Os usuários também podem curtir as páginas e assim, receber o feed de notícias desta. Além de poder publicar suas próprias informações, o Facebook permite ao usuário compartilhar as publicações de outros usuários. Tal plataforma é hoje, a maior rede social do mundo. Além disso, passou a “interligar milhões de páginas da internet”, pois “mais de 10 mil sites adicionam o botão ‘curtir’ por dia”.
No dia 4 de outubro de 2012, o Facebook comemorou o marco de 1 bilhão de usuários, e nesta data, a rede social publicou em sua fan page o vídeo “As coisas que nos conectam”. De acordo com a plataforma, esse número de usuários ativos mensais foi computado no dia 14 de setembro às 12h14min, no horário de Brasília. Dentre os países que mais se destacam em número de usuários, estão o Brasil, a Índia, a Indonésia, o México e os Estados Unidos. Neste marco, o Brasil foi o país que mais cresceu, sendo que, no primeiro semestre de 2012, cerca de 16 milhões de pessoas aderiu à rede social, desta forma, o país contabiliza em torno de 54 milhões de usuários, ou seja, 1 em cada 4 brasileiros possui um perfil no Facebook.
Uma breve história sobre as Redes Sociais:
David Kirkpatrick (2011, pp. 79-81), conta-nos que foi no ano de 1997 que as redes sociais na internet tiveram seu início. A pioneira neste ramo foi a sixdegrees, que tentou mapear e identificar relações sociais inspirada na teoria “seis graus de separação”. Através do recurso “conecte-me”, a rede social estabelecia um mapa de relacionamento entre o usuário e uma determinada pessoa, por meio dos membros de sua rede. Percebemos aqui, uma dinâmica muito semelhante ao do “Jogo do Kevin Bacon”. Outro recurso que a plataforma também oferecia, era o “ponha-me em rede”, onde o usuário entrava em contato com pessoas que tivessem gostos em comum ou algum outro tipo de afinidade. Porém, a sixdegrees enfrentou vários problemas de funcionamento. Apesar do grande sucesso e dos seus 3,5 milhões de usuários no ano de 1999, a internet nesta época ainda não oferecia suporte para tais conexões. O acesso ao sistema era lento, poucas pessoas tinham acesso às tecnologias, e não havia fotos de perfil, visto que, uma pequena quantidade de pessoas possuía câmera digital. Deste modo, em 2000 a empresa foi fechada.
Contudo, os investidores perceberam que a sixdegrees não estava no caminho errado, apenas tinha começado cedo demais. Assim, outras redes sociais seguiram o caminho desbravado por esta. No início do ano 2000, uma rede social sueca chamada LunarStorm foi lançada, e encerrada no ano de 2010. No final de 2001, Adrian Scott lançou uma rede social chamada Ryze. Em fevereiro de 2003, o Friendster foi inaugurado e logo se tornou popular. Em pouco tempo, já contabilizava milhares de usuários, porém, seu sistema não foi capaz de gerir a demanda que sua crescente popularização acarretava. Reid Hoffman, um dos investidores do Friendster, funda em maio de 2003 o LinkedIn. Na mesma época, Mark Pincus, também colaborador do Friendster, lança o Tribe.net. No dia 15 de agosto de 2003, o MySpace foi lançado, destacando-se das demais redes sociais existentes até então, devido às suas peculiaridades e à perspicácia de seus fundadores. Além de o MySpace aceitar que os usuários se cadastrassem com perfis falsos (o que era combatido pelo Friendster) e apresentar novas funcionalidades, também permitia que seus usuário personalizassem seus perfis, por meio de configurações no HTML da página (KIRKPATRICK, 2011, pp. 81-88).
No entanto, Kirkpatrick (2011, p. 88) lembra-nos que, ainda no ano de 2001, surgia a primeira rede social destinada aos universitários, e, segundo o autor, “a primeira verdadeira rede social lançada nos Estados Unidos”. Esta rede se chamava Club Nexus e era utilizada pelos estudantes de Stanford, porém, contabilizando cerca de 2.500 membros, a plataforma parou de crescer. Orkut Buyukkokten, seu idealizador, torna-se um funcionário do Google e apresenta uma nova proposta de rede social: o Orkut. Lançado em janeiro de 2004, esta plataforma ainda mantêm-se popular, principalmente entre os brasileiros. Duas semanas após o seu lançamento, Mark Zuckerberg lança o Facebook, que veio a se tornar a maior rede social mundial, conectando mais de 1 bilhão de pessoas. Kirkpatrick (2011, p. 96) afirma que, “começando com o sixdegrees, passando pelo Friendster e chegando até o Facebook, as redes sociais tornaram-se uma parte familiar e onipresente da internet”.
Informações e trechos interessantes:
"Nós começamos a nos perguntar: 'como informar as pessoas com o que mais lhes interessa?'", diz Moskovitz. "Queríamos construir uma tela que mostrasse tudo. Então nos ocorreu a ideia do Feed de notícias".
Enquanto o Google - a alma mater corporativa de Sandberg e o rei indiscutível da publicidade na internet até agora - ajudava as pessoas a encontrar as coisas que já haviam se decidido a comprar, o Facebook as ajudaria a decidir o que queriam. Quando se pesquisa algo no Google, aparece um anúncio que é uma resposta às palavras que você digitou na caixa de pesquisa. [...] Na linguagem da publicidade, os anúncios do AdWords do Google "preenchem demanda". O Facebook, por sua vez, geraria demanda [...]. p. 278
Fazer marketing não pode mais significar empresas de publicidade empurrando anúncios na cara das pessoas, e isso não porque seja errado, mas porque não funciona mais. A palavra publicidade já não é a palavra certa para o que está acontecendo no Facebook. É apenas um atalho útil [...] para se referir a um processo no qual as empresas gastam dinheiro para conseguir que as pessoas se interessem mais por seus produtos. p. 282
O Facebook é o meio mais direcionável da história. Os anunciantes querem mostrar seus anúncios para as pessoas mais propensas a responder. p. 285
Em meados de 2008 a palavra Facebook ultrapassou a palavra sexo como termo de busca no Google em todo o mundo. p. 294
Zuckerberg resumiu sua estratégia internacional: "simplesmente criar o melhor e o mais simples produto que permita às pessoas compartilhar informações com a maior facilidade possível". p. 295
Sean Parker [...] fala com veemência sobre a importância do Facebook para alterar o panorama da mídia. Em sua opinião, os indivíduos agora determinam o que seus amigos veem, assim como fazia o editor de um jornal local em tempos mais simples. Na verdade, o Facebook permite que seus amigos criem para você um portal de notícias personalizadas que funciona um pouco como os portais do Yahoo, da Aol ou da Microsoft. p. 316
Se uma mensagem é poderosa o suficiente, pode se espalhar por um vasto oceano de indivíduos interligados, independentemente de quem os originou. Chris Cox, vice-presidente para produtos do Facebook e protégé de Zuckerberg, diz: "Queremos dar a todo mundo o mesmo poder que a mídia de massa tem de transmitir uma mensagem. "A igualdade de condições para todos está muito em evidência. p. 316
Gary Hamel, um dos grandes teóricos da administração moderna [...] diz que, historicamente, havia até agora apenas duas maneiras básicas de, em suas palavras, "agregar e ampliar capacidades humanas": a burocracia e os mercados. "Então, nos últimos dez anos, criamos uma terceira - as redes. Isso nos ajuda a trabalhar juntos em tarefas complexas, mas também destrói o poder da elite de estabelecer quem é ouvido". p. 318
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| Os três companheiros de quarto e parceiros em Havard na primavera de 2004. Da esquerda para a direita: Moskovitz, Chris Hughes e Zuckerberg [foto do livro]. |
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| O Facebook promoveu muitas festas, principalmente organizadas por Parker. Na foto, Zuckerberg, Snoop Dog e Parker, em um show exclusivo [fonte]. |
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| Eduardo Saverin (esq.) e Mark Zuckerberg (dir.) aparecem juntos com colegas de Harvard [fonte] |
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| Eduardo Saverin, o brasileiro que participou do início do Facebook |
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| David Kirkpatrick, o autor |









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