Eleanor & Park
Sobre o livro:
No início da semana eu pensei: "tô precisando de um livro!". Não um livro acadêmico (porque esse tem aos montes pra eu ler), mas um livro que me deixe acordada sem perceber, que eu não queira deixar, um livro que eu não consiga largar.
Avaliei a minha estante o encontrei O chamado do Cuco, do Robert Galbraith, pseudônimo da J. K. Rowling. Cheguei na página 20, me arrastando nas palavras, o que me levou a desistir (por ora) do livro. Então, comecei a me atualizar da minha vlogueira literária favorita, a Tati Feltrin. Em um de seus últimos vídeos, a Tati falou sobre três livros da autora Rainbow Rowell, e um deles, Eleanor e Park, me parecia ser interessante. Comecei a pesquisar mais e achei MUITA coisa sobre: resenhas, vídeos, trilhas sonoras, booktrailer, todos falando mil maravilhas do livro.
No dia seguinte entrei em uma livraria assim que eu pude e voltei com o livro pra casa. Bom, isso foi ontem, e hoje estou aqui, integrando-me ao grupo das pessoas que se apaixonaram pela obra. Eu não conseguia largar o livro, eu não conseguia parar de ler, dormi 3 horas porque hoje precisava trabalhar. E tudo que eu pensava era: preciso ir pra casa e ler.
A história tava tão linda, tão perfeita e tão real que isso começou a me deixar preocupada (acho que tô meio ressabiada, depois de tanto chorar com as minhas últimas leituras). Eu só pensava: por favor, não morrão!, por favor, não sofram um acidente!, por favor, não descubra que tem uma doença terminal! por favor, não deixem que nenhuma vaca estrague isso!. Bom, acontecem coisas ruins, muito ruins, mas temos um final feliz. Ufa!
Talvez eu tenha gostado demasiadamente do livro porque vivi algo parecido nos meus 16/17 anos. Porque também sou gordinha, meio desajeitada e tenho um cabelo crespo (que quase sempre tá bagunçado). Tá, ok, não faço isso de propósito, ao menos. Por isso, cada cena, cada fato, cada passo que Eleanor e Park davam eu sentia como se já tivesse vivido isso, como se o livro me fizesse voltar no tempo e reviver aquela época novamente. Isso doeu, porque minha vida não foi um livro YA. Enfim, fiquei feliz porque Eleanor e Park se saem melhores do que eu, mas também fiquei feliz porque aqueles sentimentos faziam sentido pra mim.
Sobre a história:
Eleanor é nova no colégio, e, ao contrário dos outros alunos, não tem lugar marcado no ônibus da escola. Intimidada pelos valentões e pelas patricinhas, que tiravam sarro dela por ter que ficar em pé, ela é "salva" por Park, um "mestiço lindo" que detinha a propriedade de um banco só pra ele. No dia em que conheceu Eleanor, o garoto foi um pouco estúpido, mandando-a sentar logo no lugar vazio. Ela obedeceu.
E toda ida e volta do colégio era assim: Park sentado no banco ao lado da janela, Eleanor ao lado. Numa dessas idas e vindas, o garoto percebeu que ela não tirava os olhos do colo dele, então se deu conta que ela tentava ler os gibis e HQ's que ele lia no caminho. Passou a demorar mais em cada página, passou a abrir mais a revista. Quando a garota se levanta para descer, ele não pensa em nada e entrega o exemplar pra ela.
No outro dia, Eleanor entra no ônibus e encontra um gibi no seu lugar e Park ao lado. Ela o guarda com todo cuidado. E assim os dias foram se passando, com Park trazendo cada vez mais gibis e Eleanor lendo cada vez mais. Depois de tanto gibi, finalmente começam a conversar. O garoto percebe que ela tinha nomes de músicas escritos nos livros escolares. Ela não conhecia nenhuma delas, eram apenas listas de músicas que um dia queria conhecer. Ele então, começa a gravar fitas pra Eleanor.
Os dias vão passando e os dois vão conversando cada vez mais, descobrindo um pouquinho do outro, em cada viagem. Em uma delas, Park pega na mão de Eleanor e ela então descobre quantas terminações nervosas a mão pode ter. Quantos sentimentos o toque de dedos podem causar. No momento em que encostou nela, ela desmantelou-se. A cada dia, os dois apaixonavam-se cada vez mais, necessitando cada vez mais um do outro. Até que Park a salva, pela segunda vez (paro a história aqui para não ter mais spoiller do que já tem).
Talvez pareça que esta é mais uma historinha boba sobre adolescentes. Talvez. Mas pra mim foi impossível não me envolver com a história de Eleanor, uma menina que tem 4 irmãos menores, uma mãe submissa e que apanha calada e um padrasto nojento, grosseiro, bêbado e tarado. Eleanor tinha o cabelo bagunçado porque o lavava com sabão de louça, se vestia de forma esquisita porque não tinha o que vestir, passou longe da família por um ano porque foi expulsa de casa pelo padastro, tomava banho com pressa porque o banheiro não tinha porta e a mãe dela tinha que ficar vigiando, pra ninguém espiar. Era perseguida e ridicularizada constantemente na escola, e mesmo assim mantinha-se firme, com a cabeça erguida e só chorava se ninguém estivesse vendo. A vida de Park era o contrário. Era perfeita, com uma família estruturada, com pais que se amam, com uma casa organizada e com uvas falsas na mesa de centro. Ali, Eleanor sente o que é ter uma família, o que é ter uma vida tranquila. Claro, a tranquilidade não dura pra sempre, mas as coisas acabam se ajeitando.
Além da história dos dois, o livro nos envolve porque fala coisas do nosso contexto (música, HQ's, filmes), coisas que Park apresenta para Eleanor, presentes que ele nem sabe o quanto significam pra ela. A vida não é a mesma depois que se conhece os X-man, Watchmen e as músicas do The Smiths, U2 e The Cure e aquela pessoa que precisamos pra existir.
"Teve vontade de dar filhos pra ele.
Além dos próprios rins".
Trilha sonora:
Referências:
Título: Eleanor & Park
Autora: Rainbow Rowell
Páginas: 328
Editora: Novo Século
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Vídeos:
Booktrailer



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