Vida para consumo

by - maio 17, 2014


Para quem estuda consumo, eu acredito que Bauman não pode faltar na referência bibliográfica. E nada melhor do que começar a leitura por este livro para entender a percepção (negativa) do autor sobre consumo. Obviamente, este livro é a leitura inicial, pois a reflexão pode - e deve - ser complementada com obras como Modernidade Líquida, O mal-estar da pós-modernidade, Capitalismo parasitário, Vida a crédito, entre outros. 

Sabe-se que há, em termos gerais, duas vertentes dos estudos do consumo, e Bauman é um dos principais autores da vertente que vê o lado negativo do consumo, pois como ele mesmo fala, estamos nos tornando mercadorias. 

Para o autor, "na sociedade dos consumidores, ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro virar mercadoria, e ninguém pode manter segura sua subjetividade sem reanimar, ressuscitar e recarregar de maneira perpétua as capacidades esperadas e exigidas de uma mercadoria vendável" (p. 20).  Ou seja, a característica mais evidente desta nova sociedade é quando o indivíduo "mercadoriza-se". Ele precisa vender-se e existir enquanto valor de mercado para pertencer a esta sociedade. 

E assim, "'consumir', portanto, significa investir na afiliação social de si próprio, o que, numa sociedade de consumidores, traduz-se em “vendabilidade”: obter qualidades para as quais já existem uma demanda de mercado, ou reciclar as que já se possui, transformando-as em mercadorias para as quais a demanda pode continuar sendo criada. A maioria das mercadorias oferecidas no mercado de consumo deve sua atração e seu poder de recrutar consumidores ávidos a seu valor de investimento, seja ele genuíno ou suposto, anunciado de forma explícita ou indireta" (p. 75).

Bauman esclarece de modo compreensível como passamos de um consumo a um consumismo, como as identidades e as relações sociais se modificam na era digital e na sociedade do consumo, e o que de fato é existir enquanto consumidor. Há, e os pobres nessa sociedade, são ervas daninhas, são inúteis. 

Esse post dá uma noção bem rasa sobre a obra, por isso é sempre bom ler resenhas publicadas, ou, melhor ainda, ler a obra em si. 


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