Etnografia e Observação Participante
Livrinho bem-bão pra aprender sobre etnografia e observação participante.
Michael Angrosino
(2009, p. 16) conta-nos que os estudos etnográficos tiveram o seu início no fim
do século XIX, início do século XX, quando os pesquisadores começaram a
perceber que não bastava entender a sociedade através das “especulações
acadêmicas dos filósofos sociais”. Era preciso ir a campo e “encontrar
verdadeiramente a dinâmica da experiência humana vivida”. Neste início,
pesquisadores britânicos como Radcliffe-Brown e Malinowski, nortearam seus
estudos etnográficos para a compreensão de “instituições duradouras da
sociedade”, caracterizando-se como antropólogos sociais. Já nos Estados Unidos,
antropólogos como Franz Boas interessaram-se na compreensão dos “índios
norte-americanos, cujos modos de vida tradicionais já haviam sido drasticamente
alterados, se não completamente destruídos”. Assim, a memória histórica e a
cultura deste povo eram contadas por seus sobreviventes, o que levou a
antropologia americana a ser conhecida como antropologia cultural. Boas e
Malinowski eram, de acordo com Angrosino (2009, p. 17), “fortes defensores da
pesquisa de campo e ambos defendiam aquilo que veio a ser conhecido como
observação participante, um modo de pesquisar que coloca o pesquisador no meio
da comunidade que ele está estudando”. A etnografia, em sua origem na
antropologia, ocupava-se da compreensão da diferença, eixo central desta área.
Malinowski, por exemplo, considerado o “pai da antropologia”, conta-nos na obra
Argonautas do Pacífico Ocidental
(1978), o seu fazer etnográfico entre os habitantes das ilhas Trobriand. No
livro, o autor deixa claro o seu “mergulho na cultura do outro”.
Com o passar dos anos,
a etnografia deixou de focar-se apenas nas diferenças, nos grupos oprimidos e/ou
isolados, interessando-se também em desenvolver estudos nos bairros e nas
cidades, compreendendo seus habitantes e suas especificidades.
Mais precisamente, foi nos anos 20 que a etnografia passou a dedicar-se também
à compreensão de grupos sociais “modernos”, a partir dos preceitos dos
antropólogos da “Escola de Chicago”; feito que acabou por influenciar a
utilização da etnografia em áreas como comunicação, enfermagem, saúde pública,
negócios e educação.
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