Etnografia e Observação Participante

by - setembro 30, 2014


Livrinho bem-bão pra aprender sobre etnografia e observação participante. 

Michael Angrosino (2009, p. 16) conta-nos que os estudos etnográficos tiveram o seu início no fim do século XIX, início do século XX, quando os pesquisadores começaram a perceber que não bastava entender a sociedade através das “especulações acadêmicas dos filósofos sociais”. Era preciso ir a campo e “encontrar verdadeiramente a dinâmica da experiência humana vivida”. Neste início, pesquisadores britânicos como Radcliffe-Brown e Malinowski, nortearam seus estudos etnográficos para a compreensão de “instituições duradouras da sociedade”, caracterizando-se como antropólogos sociais. Já nos Estados Unidos, antropólogos como Franz Boas interessaram-se na compreensão dos “índios norte-americanos, cujos modos de vida tradicionais já haviam sido drasticamente alterados, se não completamente destruídos”. Assim, a memória histórica e a cultura deste povo eram contadas por seus sobreviventes, o que levou a antropologia americana a ser conhecida como antropologia cultural. Boas e Malinowski eram, de acordo com Angrosino (2009, p. 17), “fortes defensores da pesquisa de campo e ambos defendiam aquilo que veio a ser conhecido como observação participante, um modo de pesquisar que coloca o pesquisador no meio da comunidade que ele está estudando”. A etnografia, em sua origem na antropologia, ocupava-se da compreensão da diferença, eixo central desta área. Malinowski, por exemplo, considerado o “pai da antropologia”, conta-nos na obra Argonautas do Pacífico Ocidental (1978), o seu fazer etnográfico entre os habitantes das ilhas Trobriand. No livro, o autor deixa claro o seu “mergulho na cultura do outro”.
Com o passar dos anos, a etnografia deixou de focar-se apenas nas diferenças, nos grupos oprimidos e/ou isolados, interessando-se também em desenvolver estudos nos bairros e nas cidades, compreendendo seus habitantes e suas especificidades. Mais precisamente, foi nos anos 20 que a etnografia passou a dedicar-se também à compreensão de grupos sociais “modernos”, a partir dos preceitos dos antropólogos da “Escola de Chicago”; feito que acabou por influenciar a utilização da etnografia em áreas como comunicação, enfermagem, saúde pública, negócios e educação. 

Conceitualmente, Angrosino (2009, p. 30) afirma que “a etnografia é a arte e a ciência de descrever um grupo humano – suas instituições, seus comportamentos interpessoais, suas produções materiais e suas crenças”. Desta forma, não há etnografia de um único indivíduo, visto que, “etnografia significa literalmente a descrição de um povo”. Isabel Travancas (2009, p. 98, grifo do autor) conta-nos que, de acordo com o dicionário Aurélio, etnografia é “parte dos estudos antropológicos que corresponde à fase de elaboração de dados obtidos em pesquisa de campo e estudo descritivo de um ou de vários aspectos sociais ou culturais de um povo ou um grupo social”. Para Clifford Geetz (1997, p. 15), o fazer etnográfico não se limita apenas a “estabelecer relações, selecionar informantes, levantar genealogias, mapear campos, manter um diário, assim por diante”. Para que haja de fato uma pesquisa etnográfica, o pesquisador deve empenhar um esforço intelectual, desenvolvendo uma “descrição densa” sobre o grupo. Tal descrição é um “processo de interpretação que pretende, e espera-se que consiga, dar conta das estruturas significativas que estão por trás e dentro do menor gesto humano".  


Referência:
AGROSINO, Michael. Etnografia e observação participante. Porto Alegre: Artmed, 2009.

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