A Web 2.0
by
Tauana Jeffman
- outubro 09, 2012
Durante uma conferência
em outubro de 2004, O’Reilly (2005) cunhou o termo Web 2.0, utilizado para se referir à uma segunda fase da Web, ou dos serviços online. O autor argumenta que apesar
deste termo ter sido utilizado essencialmente como um chavão de marketing, é
necessário conceituá-lo, para que assim, diminua-se a grande quantidade de
desacordos sobre o que este significa. Contudo, O’Reilly (2005) considera que o
termo não é algo fechado e concreto, não possui um “limite rÃgido” nem demarcações,
mas sim, um constitui-se como um “núcleo gravitacional”, onde podem ser
inseridos, alguns princÃpios e práticas relativos aos sites e à s plataformas.
Um destes princÃpios
fundamentais é entender a Web como
uma plataforma, e não mais como uma oferta de sites comerciais e seus serviços
tradicionais. Ou seja, as plataformas agora podem ser geridas de forma online, não mais necessitando que o
usuário instale algum tipo de programa ou software
para realizar tal ação. Além de uma maior usabilidade, Primo (2007, p. 02)
lembra-nos que O’Reilly (2005) destaca a “arquitetura da participação”, isto é,
uma plataforma que atue unindo interconexões e compartilhamentos. Com isso,
cada plataforma torna-se melhor para o usuário, na medida em que mais usuários
a utilizam e a aperfeiçoam.
Nesta segunda fase da Web, estamos presenciando uma maior
interatividade[1],
possibilidades de estruturações para as relações entre os usuários, ou seja,
ambientes comunicacionais como as redes sociais; e a possibilidade destes
gerenciarem as informações das plataformas. Esta segunda fase, de acordo com Primo (2007,
p. 01), caracteriza-se pelo poder de potencializar “as formas de publicação,
compartilhamento e organização de informações, além de ampliar os espaços para
a interação entre os participantes do processo”. Porém, a Web 2.0 também se refere a este novo perÃodo da Web, onde presenciamos um novo “conjunto
de estratégias mercadológicas” e um contexto de comunicação e relação mediada
pelo computador.
Nas palavras de Lemos
(2010, p. 52), “a computação social da Web
2.0 aporta para uma modificação essencial no uso da web. Enquanto em sua primeira fase a Web é predominantemente para leitura de informações, esta segunda
fase cria possibilidades de escrita coletiva, de aprendizagem e de colaboração
na e em rede. Exemplos estão em expansão hoje, como comprovam a popularidade de
redes sociais como Facebook, Orkut, My Space, Multiplay, os wikis, blogs, microblogs, os
instrumentos de publicação coletiva de fotos, vÃdeos e músicas [...] e a
emergência de redes cooperativas de ‘etiquetagem’ do espaço urbano com mapas
digitais [...]”. Através das plataformas da Web
2.0, a colaboração virtual é
potencializada.
Na Web 2.0, os usuários
têm a possibilidade de construir uma “escrita coletiva”, aperfeiçoar as
plataformas, ou até mesmo, “targear[3]”
conteúdos para outros usuários, como afirma Primo (2007, p. 03). Com isso,
percebemos que outra caracterÃstica da Web
2.0, é que esta potencializa também a organização, a criação e a
distribuição de conteúdos e informações compartilhadas, por meio de
“associações mentais”, sendo que, o que torna tal produção fidedigna é a
construção coletiva.
Apesar de um dos
aspectos fundamentais da Web 2.0 ser a tecnologia, Primo (2007, p. 05)
lembra-nos que uma rede social não se forma apenas com “conexões de terminais”,
pois uma rede social é um “processo emergente que mantém sua existência através
de interações entre os envolvidos”, isto é, “uma rede social não pode ser
explicada isolando-se suas partes ou por suas condições iniciais. Tampouco pode
sua evolução ser prevista com exatidão”. Além disso, percebemos que tal
interação entre os sujeitos, gera também uma coletividade, nas plataformas da Web 2.0, pois como afirma Primo (2007,
p. 13) “a coletividade não é apenas um mecanismo tecnológico e um estoque
digital”. Quando alguém “escreve em um verbete na Wikipédia, ele está a
princÃpio interagindo com a coletividade”. Neste sentido, Lemos (2010, et.al.,
p. 38) afirma que a Web 2.0 nos
possibilita o “aperfeiçoamento da inteligência coletiva”.
Fala-se hoje também na
Web 3.0, que segundo Lemos (2010, et.al., p. 38), trata-se de um termo que
designa o desenvolvimento futuro de uma “Web semântica”, sendo que tal termo é
criticado por alguns, que o consideram apenas mais uma “jogada de marketing[4]”. Já
Burkeman (2011), quando fala em Web 3.0,
quer dizer que a Web é o mundo. De acordo
com o autor, “a grande ideia de que fala O’Reilly é ‘inteligência coletiva
movida a sensores’. Se a Web 2.0 era o momento em que a promessa colaborativa
da internet parecia finalmente realizar-se – com usuários comuns criando em vez
de apenas consumir em sites que vão de Flickrs ao Facebook e à Wikipedia –, a Web 3.0 é o momento em que eles esquecem
que o estão fazendo”. O autor explica-nos tal constatação:
Quando o sistema GPS em seu telefone ou em seu iPad pode relatar sua
locação a qualquer site ou dispositivo que você preferir, quando o Facebook usa
reconhecimento facial nas fotografias lá postadas, quando suas transações
financeiras são gravadas e quando a localização de seu carro pode influenciar
um esquema em mutação constante movido por sensores, tudo em tempo real, algo
mudou em termos de qualidade. Você ainda está criando a web, mas sem uma necessidade
consciente de fazê-lo. ‘Nossos telefones e câmeras transformam-se em olhos e ouvidos
para aplicações’, escreveu O’Reilly. ‘Sensores de movimento e de localização
dizem onde estamos, para o que estamos olhando e o quão rápido estamos nos
movendo... Cada vez mais, a web é o mundo – tudo e todos em seu mundo projetam
uma ‘sombra de informações’, uma aura de dados, que quando capturados e
processados de modo inteligente, oferece oportunidades extraordinárias e
implicações que afetam a mente’.
Enfim, pensar a Web
também implica pensar as suas modificações, suas novas formas de interação, de
construção coletiva de conhecimento e inteligência, além de pensarmos também, o
importante papel que o sujeito desempenha em tal evolução. Pois como já
mencionou Primo (2007), na Web 2.0, o viés tecnológico é de suma importância, mas
não é nada sem as pessoas, suas interações, relações e participações.
Referências
O’REILLY, Tim. What Is Web 2.0: Design Patterns and
Business Models for the Next Generation of Software. Set. 2005.
DisponÃvel em: . Acesso em: 08 out. 2012.
KOTLER, Philip,
KARTAJAYA, Hermawan; SETIAWAN, Iwan. Marketing3.0:
as forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2010.
PRIMO.
Alex. O aspecto relacional das interações na Web 2.0. E. Compós (BrasÃlia), v. 9, p. 1-21, 2007. DisponÃvel em:
. Acesso em: 08 out. 2012.
BURKEMAN, Oliver. A Web é o mundo. Zero Hora. 2011. Caderno Cultura. (Texto Original).
Notas de Rodapé
[1] De acordo com Primo (2007, p. 07)
“A interação social é caracterizada não apenas pelas mensagens trocadas (o conteúdo)
e pelos interagentes que se encontram em um dado contexto (geográfico, social,
polÃtico, temporal), mas também pelo relacionamento que existe entre eles”.
[2] Ver mais em: JEFFMAN, 2012.
DisponÃvel em: . Acesso em: 08 out. 2012.
[3] Advém da palavra “tagging”, que se refere a “novas formas
de etiquetagem” (LEMOS, et. al., 2010, p. 77)
[4] Podemos entender a relação da
Web 3.0 com o marketing através da publicação de Kotler, um dos mais
conceituados autores da área e conhecido como o “pai do marketing moderno”. Na
obra Marketing 3.0 (2010), o autor defende que tal termo é o “novo modelo de
marketing”, que agora, dirige sua atenção aos valores, e não mais aos produtos
(marketing 1.0), ou ao consumidor (marketing 2.0).
































