Anotações: Seminário do Maffesoli
by
Tauana Jeffman
- dezembro 02, 2012
Nos dias 21, 22 e 23 de novembro de 2012, tive a oportunidade de ser aluna do professor Michel Maffesoli, durante o Seminário Internacional “A comunicação
pós-moderna - O retorno do arcaico: tribalismo, nomadismo, hedonismo e
imaginários do luxo”. Sou uma profunda admiradora das noções de Maffesoli, e uma leitura assÃdua de suas obras. Não precisa nem mencionar que foi incrÃvel, ter a oportunidade de escutar um dos meus autores prediletos e principal referencial teórico do meu trabalho. Ouvir o próprio autor apresentando suas concepções foi sensacional. Abaixo, segue as minhas anotações (um tanto quanto conturbadas) do seminário. =D
5 pressupostos teóricos que dão um enquadramento geral das
ideias e pesquisas de maffesoli dos últimos 30 anos. Com um campo de observação
de cerca de 2000 anos. (grandes épocas)
Um parêntese pode abrir-se e fechar-se.
Não há uma lineariedade, mas ciclos, épocas. O problema da
verdade é a questão de que esta verdade é uma verdade de época, ou uma
constelação aleiteológica. Aleithéolgimé (a lógica da verdade).
Muitas vezes julga-se um determinado fenômeno social,
utilizando a vdd de outra época.
Saber acadêmico e saber popular.
Para entendermos bem uma determinada época, nós
precisamos identificar o seu espÃrito princÃpio. PrincÃpio: fundamento / aquilo
que dá autoridade. PrÃncipe: aquele que governa.
Um dos aspectos inconscientes da modernidade deu mais ênfase
a uma concepção
Materialista > marxismo.
Maximização das mentalidades.
As verdadeiras mudanças são percebidas na mente, na cabeça.
Há uma crise espiritual.
Dá ênfase a consequência sem se buscar a causa. Precisamos
buscar a causa, a raiz das coisas.
“cosa mentale” > A
sociedade é uma coisa mental.
Simmel > não pertence ao seu tempo. O estilo é aquilo que
vai descrever e apontar uma época. A ideia de escrever e acentuar.
Momentos clássicos e momentos barrocos. Em todas as áreas. No modo de ser e de
pensar.
Haltos: tátil. Toctili, ótico.
A visão, algo se põe a distancia. Ótico na visão da
verticalidade. Proximidade.
Não mais algo que esteja no ópitco na verticalidade, mas na
horizontalidade.
Gilbert Durand: sociologia do imaginário > regime diurno
e regime noturno do imaginário.
A distância remete ao regime diurno do imaginário. Não uma
metáfora, mas uma figura identificada pelo regime.
Objetos contundentes que separam, cortam, dicotomizam. Aqui
há uma consequência fálica, da razão que corta, separa. Um falo que repousa
nessa concepção de separação.
No regime noturno do imaginário, temos a figura de um
cálice. Envaginação do sentido.
Primeiro nós temos o conteúdo e depois o
continente, aquilo que contém, não podemos pensar a comunicação em termos de
conteúdo preciso, mas em continente. Estar juntos por estar juntos. Estar ali,
estar com os outros, é a fusão, a confusão.
Afurmão (a multidão junta) flashmobs.
Como entender o saber? O que necessário para entender a passagem
do ótico para o tático? Qual o discurso do método? > um saber orgânico (organicidade).
O momento fundador de uma determinada época, observando o
momento que realmente se funda a cultura. (cultura diferente de civilização).
A cultura é o fundamento do estar junto. Ela é fundadora,
sendo que, somente em um modo progressivo, esta cultura vai se amornar em
civilização. A cultura é a paixão repentina, o cimento da relação entre duas
pessoas. Esta cultura amorosa amorna, tornando-se uma espécie de civilização
conjugal. Sai-se da paixão, para a ternura
conjugal. A cultura vai se acalmando em
uma forma civilizacional.
Os séculos 16 e 17 são os séculos dos choques amorosos, e
depois disso, vivemos a civilização moderna.
Até o momento que começa um novo ciclo, até onde se faz necessário um
novo saber, um saber orgânico.
É preciso encontrar um saber que esteja de acordo com a
experiência vivida.
Standel > cristalização. Cristalizar o espÃrito da época
e do momento.
Mulier > o seu teatro é uma cristalização da comédia
popular.
Existem estereótipos enraizados em arquétipos. Na moda, na
publicidade. Estamos na ordem da apresentação e não da representação. Nós
estamos deixando as representações modernas, para passarmos as apresentações. É
aà que o saber acadêmico precisa se integrar e se unir a esta
apresentação.
Os mitos da vida cotidiana. A publicidade é a mitologia da
época. Ela precisa cristalizar as expectativas populares. Não se cria
necessidades (representação), responde-se a expectativas (apresentação).
Organicidade: elementos ligados entre eles. Não há mais
divisão, mas uma razão sensÃvel.
O retorno exacerbado do emocional > o homo eróticos,
deixando de ser um homo sapiens.
Temos grandes momentos, uns dramáticos (modernidade), outros
trágicos (pós-modernidade). Peças de teatro, dramas, uma construção onde há
sempre uma resolução, consegue-se resolver o problema que se apresenta.
A construção do mundo moderno é dramático, onde sempre há
uma resolução. É a mentologia do progresso.
Enquanto que nos momentos trágicos, não há solução,
resolvemos como podemos.
Lévi Strauss: bricolagem.
Dar o jeitinho: Brasil, o laboratório da pós-modernidade.
Não há uma resolução racional, mas a gente se vira.
PerÃodo de passagem do dramático pra o trágico.
O cotidiano e o imaginário.
Temos a ideia de quando há uma grande mutação, isso pode ser
observado na vida cotidiana.
O próprio do cotidiano é o seu caráter
instituinte. O cotidiano é o continente.
“as revoluções andam em passos de pombos”.
Quando queremos observar as grandes mutações, devemos
observá-las em seu princÃpio.
SÃmbolo: o modo de reconhecer o outro, pelo modo como ele se
veste, como se alimenta, como mora.
Gilbert Durand e Foucault > episteme: as especificidades
da nossa espécie animal é o fato de nos contarmos, nos narrarmos. É o
conhecimento que uma época tem de si mesmo é o que vai engendrar o conhecimento
e a construção de tal civilização.
O amor e a amizade só existem, pelo fato de poderem ser
narrados. Um paÃs só é um paÃs, porque há uma história a ser contada.
Tal narrativa e tal história podem ser falsas, podem apenas
pertencer ao imaginário.
As palavras agem sobre as coisas. E vice-versa. Voltamos à s
palavras para entender as coisas.
A mitologia grega cria o estar-junto. Mas é de acordo com a
interpretação dessa mitologia, que vamos entender o estar-junto.
A interpretação da mitologia é diferente de uma
cidade/civilização, para outra.
Assim como teve a mitologia, teve a teologia.
Temos um processo de interpretação, de conhecimento, e
assim, a sociedade organiza-se.
A lógica contemporânea é elaborada após a mitologia, a
teologia, e a filosofia.
Quando não se tem consciência do saber de uma época, teme-a.
O imaginário é o clima. Assim, há mudanças climáticas.
PARADGMA: ele funciona bem, até o momento que deixa de ser
eficaz. No fundo, o paradigma é uma
matriz.
As coisas do passado
(que achávamos estar solucionado) voltam a ser discutidos e repensados no
presente.
O passado fecunda o presente.
O mal é uma privação do bem.
É preciso darmos a parte que cabe ao diabo
Em todos os campos da vida social, há
um retorno das paixões. O papel da paixão da vida polÃtica: a
essência do polÃtico, a convicção.
Baudrillard: da convicção à sedução.
Essa passagem é o papel da comunicação polÃtica. Algo que tem a função de atrair de seduzir,
deixa de solicitar o cérebro e passa a solicitar o ventre.
A paixão tem a sua racionalidade.
Pós-modernidade: oximoro.
70% das
redes sociais, há conceitos filosóficos, religiosos e polÃticos.
Estamos em uma época de consumição: ato de queimar as
coisas.
Cada época possui um totem.
Caráter particular e caráter coletivo.
Bacia semântica: como se forma os sentidos
A água que corre nas encostas das montanhas. A água encontra
a corrente central, então temos o rio nomeado, em seguida, as margens são
canalizadas, e por fim, há o delta, a água evapora e dá origem a outro ciclo.
Quais são os valores modernos e quais são os valores
pós-modernos?
Judaico-cristão / ocidente / modernidade.
O algarismo 1, a partir do qual vai se constituir essa
análise da modernidade. É a ideia de uma homogeneização nos modos de pensar e
de ser.
No nascimento do indivÃduo, temos o atestado do inÃcio de
toda a comunicação moderna.
O individuo, se tem uma educação bem sucedida, torna-se
autônomo auto : mono > eu msm faço a minha própria lei.
As duas grandes noções da modernidade é: autonomia e
homogeneidade. Há um contrato.
Invenção do indivÃduo: o sujeito indivisÃvel.
Todos nós temos a nossa identidade individual, na
modernidade.
Devemos pensar na lógica
Instrumentalidade. Uma das especificidades do animal humano
é agir sobre o seu meio ambiente. A partir do século 19, essa ação sobre o meio
ambiente (a sociedade e si msm) vai ser uma ação instrumental.
Tu deves trabalhar: imperativo categórico. É a realização de
si e do mundo, só se é alguém, se houver ação sobre si e sobre o mundo.
No século 19, o
grande valor é o trabalho, o que Marx fala por meio da expressão “valor x trabalho”. Leva ao auge da época moderna.
Racionalismo, sistematização da razão.
Há uma evacuação dos aspectos lúdicos, onÃricos e
imaginários. Há uma racionalização generalizada da existência. Tudo é submetido
à razão, tudo deve apresentar suas razões.
O indivÃduo uno se realiza pelo trabalho e cujo instrumento
essencial é o racionalismo. As duas palavras chaves são consequências dessas
outras. É a ideia de prevalência de um utilitarismo.
Pessoas que atuam como meros utensÃlios, como os de cozinha.
Algo manipulável e manobrável.
A lógica da dominação. Um produtor, um consumidor >
mcluhan.
Encontramos no mkt, na publicidade.
Ultima palavra: temporalidade.
Existem culturas onde o importante é o passado, outras, o
importante é o presente. A
Temporalidade dos modernos é o futuro.
Toda a episteme é pensado, nos modos de organização, pelo
futuro, pelo por vir.
A humanidade partiu de um ponto de Baitalle, até um ponto de
observação absoluta.
A condição pós-moderna de Lyotard: o fim das grandes
narrativas que se elaboraram no séc. 19: o marxismo e o froidismo.
5 palavras chaves para caracterizar a sociedade oficiosa
(emergindo):
Ubiquidade: não há mais um endereço da identidade. O que
esta emergindo não é mais o indivÃduo, mas a persona. Ou seja, a persona como
máscaras múltiplas e diversas. Podem ser avatares, indÃcios, uma série de
coisas.
Muda-se a lógica da comunicação. Tudo repousa na modificação
entre os indivÃduos. O contrato social passa a ser o pacto emocional.
A ideia do longo prazo é percebida na modernidade. Já o
pacto, por repousar nos afetos, é efêmero.
A partir da pessoa, que leva ao pacto emocional, e a partir
da convergência desses dois elementos, temos as tribos. Trata-se apenas de uma
constatação empÃrica.
Pessoas que se reúnem em torno de gostos.
Fóruns de discussão, redes sociais, repousam no
compartilhamento de um gosto. 70% que circula na internet, repousa em discussões
acerca da discussão filosóficas, eróticas e religiosas.
A performance moderna é a partir de uma instrumentalidade de
si. Ao passo que na tribalização, há um sentimento de pertencimento.
Elaboração de generosidade da ordem tribal.
Na pós-modernidade, há a heteronomia. Partilha.
Não podemos mais pensar o viver juntos com a fortaleza do
espÃrito individual.
Nós temos a ideia de Morin de noosfera que nos remete a
ideia do continente.
É a partir desse pivô da pessoa heterônomo, que nós podemos
chegar a outras palavras da sociedade pós-moderna.
Não mais há a instrumentalidade. Precisamos encontrar uma
palavra para a pós-modernidade para exemplificar a qualidade, algo que deixa de
ser quanti e passa a ser quali.
Apetite e apetência (instiga)
Gilbert Durand diz que a esquizofrenia é o pensamento do
corte.
O racionalismo é esquizofrenia.
Na valorização do corpo, há uma valorização da moda, do
corpo, das dietas, dos adornos.
É a partir desse crisol de aparência que vão se construir os
pertencimentos. E temos então, uma outra lógica comunicacional, uma ordem
simbólica que faz com que o outro passa a ser reconhecido por esta ou aquela
aparência. Reconhecer-se a partir do outro.
Uma pessoa que valoriza o qualitativo. Epifanização do
corpo: o corporeÃsmo, ou seja, é uma complementação e um enriquecimento da
racionalização.
Estamos junto com os outros, sentidos emoções,
experimentando emoções.
Esta estetização é observada nas redes sociais, é aà que ela
aparece mais, e não mais um contrato social.
A temporalidade da pós-modernidade é o presente.
Resgate do gozo, da fruição.
Oficial e o oficioso. A administração social administra o
futuro, mas não sabe administrar o presente.
Estamos entrando no momento cultural em que se valoriza o
aqui e agora.
Nas redes sociais, há uma energia intensiva > entendere.
O imaginário é um clima.
As coisas falam na internet.
V. Páreto: é preciso perceber o resÃduo, o instinto, os
arquétipos.
Temos a história que narramos.
Bataille: gasto> o preço das coisas sem preço.
Inversão: uma mudança nas mentalidades.
Escola sobre a mentalidade: para compreender as mudanças
históricas, era preciso buscar a respostas nas mentalidades.
Precisamos examinar tal contexto ao longo do perÃodo.
Lei dos 3 estados do Comte: humanidade estado mÃstico >
racional > positivista.
Lei dos 3 estados da pós-modernidade: secreto > discreto
> exposto. O inÃcio se dá no romantismo do século 19, com grupos secretos,
pequenas seitas secretas. O romantismo era contra a ideologia burguesa.
As coisas começaram a cozinhar lentamente, de uma forma
secreta, no século 19.
O secreto vai se tornar discreto entre as 2 guerras
mundiais, com todos aqueles movimentos culturais de vanguarda, como o
surrealismo, o dadaÃsmo, envolvendo tanto a obra quanto a própria vida, com a
ideia de experiência. Todos estes movimentos tomavam a perspectiva nitiana, de
fazer de sua própria vida, uma obra de arte.
A perspectiva cultural contaminando a vida cotidiana.
A partir dos anos 50, o que marca a cisão da
pós-modernidade. Temos a difusão daquilo q tinha sido cozinhado anteriormente,
por pequenos grupos.
Nos anos 50, o protagonista dessa difusão são os
situacionistas.
Os situacionistas e a condição pós-moderna.
“Tratado do saber viver para o uso das jovens gerações” >
tÃtulo do livro de R. Vaneigem
Estas são as raÃzes da pós-modernidade.
Não há ruptura, há um lento processo
Nesta lei, a técnica desempenha uma função importante.
A certidão de nascimento da pós-modernidade. Temos o design
em 1950, o fato de estetizar os objetos da vida cotidiana. Embelezar a panela.
Uma arquitetura pós-moderna
Deixamos de ter o ou ou e passamos a ter o e e.
MOSAICO.
Enraizamentos.
Nas redes sociais, temos uma sinergia da técnica e da
cultura > sede do infinito.
AVATARES E
PSEUDOS > O DESEJO DE SER OUTRO.
O nomadismo
é um elemento tradicional e encontra uma expressão contemporânea.
O barroco é
um estado de espÃrito. Cada momento histórico há um barroco diferente.
A
pós-modernidade é uma expressão barroca.
Estados
nações > tribos
O
pós-moderno vem primeiro, é um arquétipo, é uma inversão de polaridades.
O nomadismo
vem primeiro.
Vem primeiro
a consciência coletiva e isso que cria os laços sociais.
Festa de
tribos australianas : corrolori.
Eu quero me
colar ao outro.
5 décadas
para o surgimento de uma nova figura.
Da
pedagogia, é preciso passar para uma outra forma de saber e de socialização.
Humanismo
> húmus > humildade > humor : cadeia semântica que nos coloca em
sintonia com o nosso tempo.
Os livros e o bar
Confronto >
apresentação do mundo
Sociologia compreensiva
Compreender: tomar tudo > com preender.
Atitude compreensiva: ambivalência da palavra sentido
(significado e finalidade: ir para algum lugar).
Na s.c o sentido está no sentido.
As imagens tomam a vida cotidiana.
Fase das telas > descrição / apresentação / fenômenos
Voyeur > voyant
(vidente da análise social)
Cenestesia : descreve o fenômeno wiki > a importância do
saber coletivo > saber que tem ajuda do desenvolvimento tecnológico.
cenestesia: deslizamento semântico.
A cenestesia é a sensação do todo e do movimento. >
ajuste entre todos os órgãos. Se esta bem no seu corpo, se esta bem na sua
pele.
O verdadeiro saber engloba todos os saberes.
Cenestesia: o sentido de tudo e todos os sentidos. Um saber
coletivo e ao msm tempo um saber que envolve todos os sentidos, e não somente o
cérebro.
A totalidade da pessoa, e não simplesmente a razão
individual.
Consciência coletiva
O racionalismo é um saber individual.
Holismo
O saber orgânico é apenas coletivo.
É preciso identificar o princÃpio da conectividade
O saber e a cibercultura: “religação” “confiança” > ser
confiante. A confiança é o fundamento do estar juntos.
Graças a conectividade da cibercultura que se cria laço
social.
A era do eu para a era do nós. > concepção tribal do
conhecimento.
O que se mantem a coesão quando se tem agressividade. O que
faz a cola do mundo?
Realização do saber em um projeto. Pensar unicamente no
amanha, era o que fazia o laço social.
Hoje, essa cola do mundo se dá a partir do que eu vivo
agora, aqui.
Telos (telefone / televisão) a visão a distância.
A cola do mundo moderna é a teleologia, aquilo que esta no
futuro, que esta no amanha.
Com a tecnologia, temos uma aproximação do telos. Como
aproximar o que esta distante?
Não ir buscar uma sociedade perfeita que venha mais tarde.
Eu vejo o longe no próximo. Isso é a viscosidade.
Não é o conteúdo mas é estar em relação com o outro.
Aproximar, manter a reliança, a confiança.
Ecosofia: uma verdadeira ruptura entre a modernidade e a
pós-modernidade.
Não há mais sujeito, há uma desubjetivação.
Tragetividade. Aquilo que vai e vem, que é reversÃvel.
Sujeito que agia sobre o objeto. Aquilo que só vai.
Isso é o paradoxo do reencantamento do mundo. Aquilo que
implica (implicação) a pessoa nesse mundo.
Estar implicado, estar dentro do mundo.
Dizer sim apesar de tudo
Heidegger: werwindning.
Pra entender a pós-modernidade, é preciso entender o
fenômeno verwindjing
Aujhelung > eu vou superar, vamos chegar a perfeição.
Tese sÃntese antÃtese.
Ideia de completude.
Dar o jeitinho é algo geneológico. Ajustamo-nos
Retomada / torção / cura
Eu retomo alguma coisa que eu vou torcer, e isso me leva a cura.
Retomada: tribo
Torção: internet
Cura: a superação da crise, as novas formas de socialidade e
generosidade
As coisas velhas são torcidas com um novo dinamismo e leva a
uma nova cura.
O que é o homem sem a sua sombra? Sempre há uma sombra.
A sombra é correlativa à sociedade.
Estamos no retorno da sombra.
Concreto > crescer com.
Sociedade oficial e oficiosa.
Ideia de discrepância
Vida cotidiana: duplicidade. O ser duplo, eu sou isso e
aquilo. Duas caras.
Fazer de conta.
Media (midia) > immedint : o imediato
Se há apetite, há competência. > apetense competense
Progressismo >
progressividade.
Parâmetros humanos.
A realidade é mais complexa do que a dicotomia modernidade pós-modernidade
Oposição entre poder (social) e a potencia (societal)
O poder é a modernidade e a potencia é a pós-modernidade
Canetti (autor) > retomada por Jean Baudrillard
A causa e o efeito de um fenômeno especÃfico, de um clima
contemporâneo.
Morin > ação e retroação Maffesoli > dialogia: quando
há o retorno ao fator que desencadeou alguma coisa.
A estética da recepção: causa e efeito.
Potencia é causa e efeito do clima atual. Um neologismo formista.
Heidegger: stimmung : o ambiente.
Somos determinados pelo clima.
Determinação: determinatio. Determinação significava limite:
os limites delimitado o campo.
É uma necessidade, uma limitação que dá a ser.
O clima estabelece o limite mas ao mesmo tempo dá a ser.
Permite que haja vida, antes da determinação do deserto.
Não estamos mais na temática da determinação moderna, mas da
determinação da pós-modernidade.
Steve Jobs: a parte de sonho que havia uma maça.
Potencia societal: consequência econômicas e tecnológicas.
Cada um de nós tem uma vida, uma obsessão teórica. Em torno
de uma ideia se vai continuar a pensar.
A ideia que está nascendo é a orgia, “paixão comum”, do
grego. Ou a tradição erótico sexual.
Homo eróticos.
Tal noção vai capitalirar-se
Libido da energia.
Cibercultura:
o contágio afetivo.
É o que se
esta se propagando na sociedade atualmente. Contagio musical, esportivo,
polÃtico.
Afeto: uma
determinação coletiva, uma espécie de limitação que vai constituir o corpo
social, isso é a orgia.
Pathos vs.
phatique
A partir do
eu penso cartesiano (sujeito: eu penso), tornou-se o eu falo: sou afetado por.
Escutar além
das palavras. A palavra é apenas o sinal de outra coisa. Na minha opinião, é
preciso encontrar palavras que possam ser traduzidas em discurso. A palavra é
puramente racional e a palavra (discurso) é emocional.
Há uma forma
de se entrar em contato com o outro, por meio do discurso. Não há mais apenas
um conteúdo, mas tbm um continente.
Uma
escorregada de um sentido para o outro. De uma simples realidade para um real
mais simples. Como se pode compreender as explosões culturais. Vemos as
explosões, mas pouco se verbaliza sobre.
Explosão:
fervor que vai se exprimir. Como exemplo, as festas australianas.
A técnica
era a refrigeração do mundo.
Flash mob,
de maneira espontânea, há uma mobilização.
É o composto
do sentimento. O crescer e o viver juntos.
Schutz:
sociólogo da tenologia, que fala sobre a sintonia.
O problema é
a capacidade intelectual que não permite perceber tais mudanças. Porque há um
moralismo. A lógica do dever ser, mas não percebe-se o que ele é.
A moral não
é o conteúdo, mas uma disposição de espÃrito.
Nós sempre
estamos atrás de uma representação a priori, e a partir disso, tentamos dizer o que uma coisa deve ser.
Anorexia
(alfa privativo / não desejo / não se deseja o alimento) intelectual: não se deseja o mundo.
O fato de
que há um moralismo exacerbado, pensamos o que o mundo deve ser, o que nos
provoca uma falta de gosto pela vida.
Processo de
negação: não ver aquilo que é. É um espÃrito de dizer não, a maximação dos
espÃritos. Boa parte dos intelectuais estão contaminados por esse espÃrito.
Para
compreendermos esse fato, precisamos compreender a empatia, ou seja, a
trajetividade.
Não há um objeto que age sobre um objeto, mas que se conecta com
o objeto.
Recebemos a
ideia e a partir daà começamos a pensar. Relaciona-se com o outro.
Consenso
social: consentimento, sentimento compartilhado. É a própria temática do
desenvolvimento.
O
envolvimentalismo e não o desenvolvimentalismo. O progressismo e o
desenvolvimento é uma negação do mundo.
O
progressismo é uma negação, em nome daquilo que deveria ser um mundo melhor.
Amor fati
(amor daquilo que estamos a ver)> Amor mundi (amor por este mundo).
Envolvimentalismo:
orgia.
Faça amor
não só para fazer filhos, é uma energia que se esgota no ar, não é finalizada.
Mito da
eterna criança: brinca ao mesmo tempo que é cruel
É exatamente
o que está nas redes sociais: a brincadeira e a crueldade.
Lúdica:
onÃrica e imaginária.
O loco
(noção de local): lococentrismo. Levar a sério o local ao qual nos encontramos.
Ser o aqui. O corpo no local.
O local, o
sensÃvel: perceber os mÃnimos detalhes, o bater da borboleta.
Aqui se
poderia viver, posto que aqui se vive.
Processo de
einstenização do tempo.
Nas salas de
discussão de uma rede social, há uma fragmentação do tempo.
Isso pra mim
é o trajeto antropológico: a noção de trajetalidade, o que é reversÃvel, que
vai e vem.
>>>
lúdicos / onÃrico / imaginário: criação, presenteÃsmo e imaginação.
Há sempre um
princÃpio de retorno gerador organizador.
>>>
consequência: causa e efeito. Com sequencia, aquilo que segue com.
Primeira
consequência: o curioso e surpreendente desenvolvimento do luxo. Surpreendente
pq vivemos uma crise econômica.
Estamos
gastando aquilo que não temos.
George Bataille:
é no gasto que ocorre uma economia generalizada. (quem perde ganha).
Luxo:
estrutura antropológica. Seria algo que está além de sua simples
funcionalidade. O preço das coisas que não tem preço. A necessidade daquilo que
é supérfluo. Não tem importância mas é de suma importância.
Luxo: é
aquilo que é luxado, a luxação, deixa de ser funcional, operacional.
Há
atualmente uma luxação, uma preocupação do sentido qualitativo.
Algo que nos
preocupa, mas não profundamente. A importância da moda, a importância do culto
ao corpo.
Gostos sociais,
humores sociais. Secreções do corpo social.
Luxo: a
luxação da funcionalidade.
A essência
da astúcia da razão, astúcia da técnica, astúcia da economia, mostra uma
inversão da poplaridade, o contrário daquilo que é oficial.
O fio
vermelho da minha ideia teórica é o “ritmo da vida”.
Rythme:
escorrer, mas que escorre a partir de um ponto fixo. Longe lá atrás, ou longe
lá adiante.
A matriz ou
o paradigma que agora está sendo gerado, é a sinergia entre o arcaÃsmo e o desenvolvimento tecnológico.
Não há o
simples desenvolvimento, crescimento.
A atmosfera:
a causa e o efeito. Nos determina cada vez mais.



