Anotações: Seminário do Maffesoli

by - dezembro 02, 2012



Nos dias 21, 22 e 23 de novembro de 2012, tive a oportunidade de ser aluna do professor Michel Maffesoli, durante o Seminário Internacional “A comunicação pós-moderna - O retorno do arcaico: tribalismo, nomadismo, hedonismo e imaginários do luxo”. Sou uma profunda admiradora das noções de Maffesoli, e uma leitura assídua de suas obras. Não precisa nem mencionar que foi incrível, ter a oportunidade de escutar um dos meus autores prediletos e principal referencial teórico do meu trabalho. Ouvir o próprio autor apresentando suas concepções foi sensacional. Abaixo, segue as minhas anotações (um tanto quanto conturbadas) do seminário. =D


5 pressupostos teóricos que dão um enquadramento geral das ideias e pesquisas de maffesoli dos últimos 30 anos. Com um campo de observação de cerca de 2000 anos. (grandes épocas)

Um parêntese pode abrir-se e fechar-se.

Não há uma lineariedade, mas ciclos, épocas. O problema da verdade é a questão de que esta verdade é uma verdade de época, ou uma constelação aleiteológica. Aleithéolgimé (a lógica da verdade).

Muitas vezes julga-se um determinado fenômeno social, utilizando a vdd de outra época.

Saber acadêmico e saber popular.

Para entendermos bem uma determinada época, nós precisamos identificar o seu espírito princípio. Princípio: fundamento / aquilo que dá autoridade. Príncipe: aquele que governa.

Um dos aspectos inconscientes da modernidade deu mais ênfase a uma concepção 
Materialista > marxismo. 
Maximização das mentalidades.

As verdadeiras mudanças são percebidas na mente, na cabeça.
Há uma crise espiritual.

Dá ênfase a consequência sem se buscar a causa. Precisamos buscar a causa, a raiz das coisas.

“cosa mentale” >  A sociedade é uma coisa mental.

Simmel > não pertence ao seu tempo. O estilo é aquilo que vai descrever e apontar uma época. A ideia de escrever e acentuar.

Momentos clássicos e momentos barrocos.  Em todas as áreas. No modo de ser e de pensar.

Haltos: tátil. Toctili, ótico.

A visão, algo se põe a distancia. Ótico na visão da verticalidade. Proximidade.
Não mais algo que esteja no ópitco na verticalidade, mas na horizontalidade.

Gilbert Durand: sociologia do imaginário > regime diurno e regime noturno do imaginário.

A distância remete ao regime diurno do imaginário. Não uma metáfora, mas uma figura identificada pelo regime.

Objetos contundentes que separam, cortam, dicotomizam. Aqui há uma consequência fálica, da razão que corta, separa. Um falo que repousa nessa concepção de separação.

No regime noturno do imaginário, temos a figura de um cálice. Envaginação do sentido. 

Primeiro nós temos o conteúdo e depois o continente, aquilo que contém, não podemos pensar a comunicação em termos de conteúdo preciso, mas em continente. Estar juntos por estar juntos. Estar ali, estar com os outros, é a fusão, a confusão.
Afurmão (a multidão junta) flashmobs.

Como entender o saber? O que necessário para entender a passagem do ótico para o tático? Qual o discurso do método?  > um saber orgânico (organicidade).

O momento fundador de uma determinada época, observando o momento que realmente se funda a cultura. (cultura diferente de civilização).

A cultura é o fundamento do estar junto. Ela é fundadora, sendo que, somente em um modo progressivo, esta cultura vai se amornar em civilização. A cultura é a paixão repentina, o cimento da relação entre duas pessoas. Esta cultura amorosa amorna, tornando-se uma espécie de civilização conjugal.  Sai-se da paixão, para a ternura conjugal.  A cultura vai se acalmando em uma forma civilizacional.

Os séculos 16 e 17 são os séculos dos choques amorosos, e depois disso, vivemos a civilização moderna.  Até o momento que começa um novo ciclo, até onde se faz necessário um novo saber, um saber orgânico.

É preciso encontrar um saber que esteja de acordo com a experiência vivida.

Standel > cristalização. Cristalizar o espírito da época e do momento.
Mulier > o seu teatro é uma cristalização da comédia popular.

Existem estereótipos enraizados em arquétipos. Na moda, na publicidade. Estamos na ordem da apresentação e não da representação. Nós estamos deixando as representações modernas, para passarmos as apresentações. É aí que o saber acadêmico precisa se integrar e se unir a esta apresentação.   

Os mitos da vida cotidiana. A publicidade é a mitologia da época. Ela precisa cristalizar as expectativas populares. Não se cria necessidades (representação), responde-se a expectativas (apresentação).

Organicidade: elementos ligados entre eles. Não há mais divisão, mas uma razão sensível.
O retorno exacerbado do emocional > o homo eróticos, deixando de ser um homo sapiens.

Temos grandes momentos, uns dramáticos (modernidade), outros trágicos (pós-modernidade). Peças de teatro, dramas, uma construção onde há sempre uma resolução, consegue-se resolver o problema que se apresenta.

A construção do mundo moderno é dramático, onde sempre há uma resolução. É a mentologia do progresso.

Enquanto que nos momentos trágicos, não há solução, resolvemos como podemos.

Lévi Strauss: bricolagem.

Dar o jeitinho: Brasil, o laboratório da pós-modernidade. Não há uma resolução racional, mas a gente se vira.

Período de passagem do dramático pra o trágico.
O cotidiano e o imaginário.

Temos a ideia de quando há uma grande mutação, isso pode ser observado na vida cotidiana. 

O próprio do cotidiano é o seu caráter instituinte.  O cotidiano é o continente. “as revoluções andam em passos de pombos”.

Quando queremos observar as grandes mutações, devemos observá-las em seu princípio.

Símbolo: o modo de reconhecer o outro, pelo modo como ele se veste, como se alimenta, como mora.

Gilbert Durand e Foucault > episteme: as especificidades da nossa espécie animal é o fato de nos contarmos, nos narrarmos. É o conhecimento que uma época tem de si mesmo é o que vai engendrar o conhecimento e a construção de tal civilização. 

O amor e a amizade só existem, pelo fato de poderem ser narrados. Um país só é um país, porque há uma história a ser contada.

Tal narrativa e tal história podem ser falsas, podem apenas pertencer ao imaginário.

As palavras agem sobre as coisas. E vice-versa. Voltamos às palavras para entender as coisas.

A mitologia grega cria o estar-junto. Mas é de acordo com a interpretação dessa mitologia, que vamos entender o estar-junto.

A interpretação da mitologia é diferente de uma cidade/civilização, para outra.

Assim como teve a mitologia, teve a teologia.

Temos um processo de interpretação, de conhecimento, e assim, a sociedade organiza-se.

A lógica contemporânea é elaborada após a mitologia, a teologia, e a filosofia.

Quando não se tem consciência do saber de uma época, teme-a.

O imaginário é o clima. Assim, há mudanças climáticas.

PARADGMA: ele funciona bem, até o momento que deixa de ser eficaz.  No fundo, o paradigma é uma matriz.

As coisas do passado (que achávamos estar solucionado) voltam a ser discutidos e repensados no presente.

O passado fecunda o presente.

O mal é uma privação do bem.

É preciso darmos a parte que cabe ao diabo

Em todos os campos da vida social, há um retorno das paixões. O papel da paixão da vida política: a essência do político, a convicção.
Baudrillard: da convicção à sedução. Essa passagem é o papel da comunicação política.  Algo que tem a função de atrair de seduzir, deixa de solicitar o cérebro e passa a solicitar o ventre.
A paixão tem a sua racionalidade.

Pós-modernidade: oximoro.

70% das redes sociais, há conceitos filosóficos, religiosos e políticos.

Estamos em uma época de consumição: ato de queimar as coisas.

Cada época possui um totem.

Caráter particular e caráter coletivo.  

Bacia semântica: como se forma os sentidos

A água que corre nas encostas das montanhas. A água encontra a corrente central, então temos o rio nomeado, em seguida, as margens são canalizadas, e por fim, há o delta, a água evapora e dá origem a outro ciclo.

Quais são os valores modernos e quais são os valores pós-modernos?
Judaico-cristão / ocidente / modernidade.

O algarismo 1, a partir do qual vai se constituir essa análise da modernidade. É a ideia de uma homogeneização nos modos de pensar e de ser.

No nascimento do indivíduo, temos o atestado do início de toda a comunicação moderna.

O individuo, se tem uma educação bem sucedida, torna-se autônomo auto : mono > eu msm faço a minha própria lei.
As duas grandes noções da modernidade é: autonomia e homogeneidade. Há um contrato. 

Invenção do indivíduo: o sujeito indivisível.

Todos nós temos a nossa identidade individual, na modernidade.

Devemos pensar na lógica

Instrumentalidade. Uma das especificidades do animal humano é agir sobre o seu meio ambiente. A partir do século 19, essa ação sobre o meio ambiente (a sociedade e si msm) vai ser uma ação instrumental.

Tu deves trabalhar: imperativo categórico. É a realização de si e do mundo, só se é alguém, se houver ação sobre si e sobre o mundo.

No século  19, o grande valor é o trabalho, o que Marx fala por meio da expressão “valor  x trabalho”. Leva ao auge da época moderna.

Racionalismo, sistematização da razão.
Há uma evacuação dos aspectos lúdicos, oníricos e imaginários. Há uma racionalização generalizada da existência. Tudo é submetido à razão, tudo deve apresentar suas razões.

O indivíduo uno se realiza pelo trabalho e cujo instrumento essencial é o racionalismo. As duas palavras chaves são consequências dessas outras. É a ideia de prevalência de um utilitarismo.

Pessoas que atuam como meros utensílios, como os de cozinha. Algo manipulável e manobrável.

A lógica da dominação. Um produtor, um consumidor > mcluhan.

Encontramos no mkt, na publicidade.

Ultima palavra: temporalidade.

Existem culturas onde o importante é o passado, outras, o importante é o presente. A 

Temporalidade dos modernos é o futuro.

Toda a episteme é pensado, nos modos de organização, pelo futuro, pelo por vir.

A humanidade partiu de um ponto de Baitalle, até um ponto de observação absoluta.

A condição pós-moderna de Lyotard: o fim das grandes narrativas que se elaboraram no séc. 19: o marxismo e o froidismo.

5 palavras chaves para caracterizar a sociedade oficiosa (emergindo):

Ubiquidade: não há mais um endereço da identidade. O que esta emergindo não é mais o indivíduo, mas a persona. Ou seja, a persona como máscaras múltiplas e diversas. Podem ser avatares, indícios, uma série de coisas.

Muda-se a lógica da comunicação. Tudo repousa na modificação entre os indivíduos. O contrato social passa a ser o pacto emocional. 

A ideia do longo prazo é percebida na modernidade. Já o pacto, por repousar nos afetos, é efêmero.

A partir da pessoa, que leva ao pacto emocional, e a partir da convergência desses dois elementos, temos as tribos. Trata-se apenas de uma constatação empírica.

Pessoas que se reúnem em torno de gostos.

Fóruns de discussão, redes sociais, repousam no compartilhamento de um gosto. 70% que circula na internet, repousa em discussões acerca da discussão filosóficas, eróticas e religiosas.

A performance moderna é a partir de uma instrumentalidade de si. Ao passo que na tribalização, há um sentimento de pertencimento.

Elaboração de generosidade da ordem tribal.


Na pós-modernidade, há a heteronomia. Partilha.

Não podemos mais pensar o viver juntos com a fortaleza do espírito individual.

Nós temos a ideia de Morin de noosfera que nos remete a ideia do continente.

É a partir desse pivô da pessoa heterônomo, que nós podemos chegar a outras palavras da sociedade pós-moderna.

Não mais há a instrumentalidade. Precisamos encontrar uma palavra para a pós-modernidade para exemplificar a qualidade, algo que deixa de ser quanti e passa a ser quali.

Apetite e apetência (instiga)

Gilbert Durand diz que a esquizofrenia é o pensamento do corte.

O racionalismo é esquizofrenia.

Na valorização do corpo, há uma valorização da moda, do corpo, das dietas, dos adornos.

É a partir desse crisol de aparência que vão se construir os pertencimentos. E temos então, uma outra lógica comunicacional, uma ordem simbólica que faz com que o outro passa a ser reconhecido por esta ou aquela aparência. Reconhecer-se a partir do outro.

Uma pessoa que valoriza o qualitativo. Epifanização do corpo: o corporeísmo, ou seja, é uma complementação e um enriquecimento da racionalização.

Estamos junto com os outros, sentidos emoções, experimentando emoções.

Esta estetização é observada nas redes sociais, é aí que ela aparece mais, e não mais um contrato social.

A temporalidade da pós-modernidade é o presente.

Resgate do gozo, da fruição.

Oficial e o oficioso. A administração social administra o futuro, mas não sabe administrar o presente.

Estamos entrando no momento cultural em que se valoriza o aqui e agora.

Nas redes sociais, há uma energia intensiva > entendere.

O imaginário é um clima.

As coisas falam na internet.

V. Páreto: é preciso perceber o resíduo, o instinto, os arquétipos.

Temos a história que narramos.

Bataille: gasto> o preço das coisas sem preço.

Inversão: uma mudança nas mentalidades.

Escola sobre a mentalidade: para compreender as mudanças históricas, era preciso buscar a respostas nas mentalidades.

Precisamos examinar tal contexto ao longo do período.

Lei dos 3 estados do Comte: humanidade estado místico > racional > positivista.
Lei dos 3 estados da pós-modernidade: secreto > discreto > exposto. O início se dá no romantismo do século 19, com grupos secretos, pequenas seitas secretas. O romantismo era contra a ideologia burguesa.

As coisas começaram a cozinhar lentamente, de uma forma secreta, no século 19.


O secreto vai se tornar discreto entre as 2 guerras mundiais, com todos aqueles movimentos culturais de vanguarda, como o surrealismo, o dadaísmo, envolvendo tanto a obra quanto a própria vida, com a ideia de experiência. Todos estes movimentos tomavam a perspectiva nitiana, de fazer de sua própria vida, uma obra de arte.

A perspectiva cultural contaminando a vida cotidiana.

A partir dos anos 50, o que marca a cisão da pós-modernidade. Temos a difusão daquilo q tinha sido cozinhado anteriormente, por pequenos grupos.

Nos anos 50, o protagonista dessa difusão são os situacionistas.

Os situacionistas e a condição pós-moderna.

“Tratado do saber viver para o uso das jovens gerações” > título do livro de R. Vaneigem
Estas são as raízes da pós-modernidade.

Não há ruptura, há um lento processo

Nesta lei, a técnica desempenha uma função importante.

A certidão de nascimento da pós-modernidade. Temos o design em 1950, o fato de estetizar os objetos da vida cotidiana. Embelezar a panela.

Uma arquitetura pós-moderna

Deixamos de ter o ou ou e passamos a ter o e e.
MOSAICO.

Enraizamentos.

Nas redes sociais, temos uma sinergia da técnica e da cultura > sede do infinito.

AVATARES E PSEUDOS > O DESEJO DE SER OUTRO.

O nomadismo é um elemento tradicional e encontra uma expressão contemporânea.

O barroco é um estado de espírito. Cada momento histórico há um barroco diferente.

A pós-modernidade é uma expressão barroca.

Estados nações  > tribos

O pós-moderno vem primeiro, é um arquétipo, é uma inversão de polaridades.

O nomadismo vem primeiro.

Vem primeiro a consciência coletiva e isso que cria os laços sociais.

Festa de tribos australianas : corrolori.

Eu quero me colar ao outro.

5 décadas para o surgimento de uma nova figura.

Da pedagogia, é preciso passar para uma outra forma de saber e de socialização.

Humanismo > húmus > humildade > humor : cadeia semântica que nos coloca em sintonia com o nosso tempo.

Os livros e o bar

Confronto >  apresentação do mundo

Sociologia compreensiva

Compreender: tomar tudo > com preender.

Atitude compreensiva: ambivalência da palavra sentido (significado e finalidade: ir para algum lugar).

Na s.c o sentido está no sentido.

As imagens tomam a vida cotidiana.

Fase das telas > descrição /  apresentação / fenômenos

Voyeur > voyant  (vidente da análise social)

Cenestesia : descreve o fenômeno wiki > a importância do saber coletivo > saber que tem ajuda do desenvolvimento tecnológico.
cenestesia: deslizamento semântico.
A cenestesia é a sensação do todo e do movimento. > ajuste entre todos os órgãos. Se esta bem no seu corpo, se esta bem na sua pele.
O verdadeiro saber engloba todos os saberes.
Cenestesia: o sentido de tudo e todos os sentidos. Um saber coletivo e ao msm tempo um saber que envolve todos os sentidos, e não somente o cérebro.

A totalidade da pessoa, e não simplesmente a razão individual.
Consciência coletiva

O racionalismo é um saber individual.
Holismo

O saber orgânico é apenas coletivo.

É preciso identificar o princípio da conectividade

O saber e a cibercultura: “religação” “confiança” > ser confiante. A confiança é o fundamento do estar juntos.

Graças a conectividade da cibercultura que se cria laço social.

A era do eu para a era do nós. > concepção tribal do conhecimento.

O que se mantem a coesão quando se tem agressividade. O que faz a cola do mundo?

Realização do saber em um projeto. Pensar unicamente no amanha, era o que fazia o laço social.

Hoje, essa cola do mundo se dá a partir do que eu vivo agora, aqui.

Telos (telefone / televisão) a visão a distância.

A cola do mundo moderna é a teleologia, aquilo que esta no futuro, que esta no amanha.

Com a tecnologia, temos uma aproximação do telos. Como aproximar o que esta distante?

Não ir buscar uma sociedade perfeita que venha mais tarde. Eu vejo o longe no próximo. Isso é a viscosidade.

Não é o conteúdo mas é estar em relação com o outro.

Aproximar, manter a reliança, a confiança.
Ecosofia: uma verdadeira ruptura entre a modernidade e a pós-modernidade.

Não há mais sujeito, há uma desubjetivação.

Tragetividade. Aquilo que vai e vem, que é reversível.
Sujeito que agia sobre o objeto. Aquilo que só vai.
Isso é o paradoxo do reencantamento do mundo. Aquilo que implica (implicação) a pessoa nesse mundo.

Estar implicado, estar dentro do mundo.

Dizer sim apesar de tudo

Heidegger: werwindning.

Pra entender a pós-modernidade, é preciso entender o fenômeno verwindjing

Aujhelung > eu vou superar, vamos chegar a perfeição.

Tese síntese antítese.

Ideia de completude.

Dar o jeitinho é algo geneológico. Ajustamo-nos

Retomada / torção / cura

Eu retomo alguma coisa que eu vou torcer, e isso me leva a cura.

Retomada: tribo

Torção: internet

Cura: a superação da crise, as novas formas de socialidade e generosidade

As coisas velhas são torcidas com um novo dinamismo e leva a uma nova cura.

O que é o homem sem a sua sombra? Sempre há uma sombra.

A sombra é correlativa à sociedade.

Estamos no retorno da sombra.

Concreto > crescer com.

Sociedade oficial e oficiosa.

Ideia de discrepância

Vida cotidiana: duplicidade. O ser duplo, eu sou isso e aquilo. Duas caras.

Fazer de conta.

Media (midia) > immedint : o imediato

Se há apetite, há competência.  > apetense competense

Progressismo  > progressividade.

Parâmetros humanos.

A realidade é mais complexa do que a dicotomia modernidade pós-modernidade

Oposição entre poder (social) e a potencia (societal)

O poder é a modernidade e a potencia é a pós-modernidade

Canetti (autor) > retomada por Jean Baudrillard

A causa e o efeito de um fenômeno específico, de um clima contemporâneo.

Morin > ação e retroação Maffesoli > dialogia: quando há o retorno ao fator que desencadeou alguma coisa.

A estética da recepção: causa e efeito.

Potencia é causa e efeito do clima atual. Um neologismo formista.

Heidegger: stimmung : o ambiente.

Somos determinados pelo clima.

Determinação: determinatio. Determinação significava limite: os limites delimitado o campo. 

É uma necessidade, uma limitação que dá a ser.

O clima estabelece o limite mas ao mesmo tempo dá a ser. Permite que haja vida, antes da determinação do deserto.

Não estamos mais na temática da determinação moderna, mas da determinação da pós-modernidade.

Steve Jobs: a parte de sonho que havia uma maça.

Potencia societal: consequência econômicas e tecnológicas.

Cada um de nós tem uma vida, uma obsessão teórica. Em torno de uma ideia se vai continuar a pensar.

A ideia que está nascendo é a orgia, “paixão comum”, do grego. Ou a tradição erótico sexual.

Homo eróticos.

Tal noção vai capitalirar-se

Libido da energia.

Cibercultura: o contágio afetivo.  

É o que se esta se propagando na sociedade atualmente. Contagio musical, esportivo, político.

Afeto: uma determinação coletiva, uma espécie de limitação que vai constituir o corpo social, isso é a orgia.

Pathos vs. phatique

A partir do eu penso cartesiano (sujeito: eu penso), tornou-se o eu falo: sou afetado por.

Escutar além das palavras. A palavra é apenas o sinal de outra coisa. Na minha opinião, é preciso encontrar palavras que possam ser traduzidas em discurso. A palavra é puramente racional e a palavra (discurso) é emocional.

Há uma forma de se entrar em contato com o outro, por meio do discurso. Não há mais apenas um conteúdo, mas tbm um continente.

Uma escorregada de um sentido para o outro. De uma simples realidade para um real mais simples. Como se pode compreender as explosões culturais. Vemos as explosões, mas pouco se verbaliza sobre.

Explosão: fervor que vai se exprimir. Como exemplo, as festas australianas.

A técnica era a refrigeração do mundo.

Flash mob, de maneira espontânea, há uma mobilização.

É o composto do sentimento. O crescer e o viver juntos.

Schutz: sociólogo da tenologia, que fala sobre a sintonia.

O problema é a capacidade intelectual que não permite perceber tais mudanças. Porque há um moralismo. A lógica do dever ser, mas não percebe-se o que ele é.

A moral não é o conteúdo, mas uma disposição de espírito.

Nós sempre estamos atrás de uma representação a priori, e a partir disso, tentamos dizer o que uma coisa deve ser.

Anorexia (alfa privativo / não desejo / não se deseja o alimento) intelectual:  não se deseja o mundo.

O fato de que há um moralismo exacerbado, pensamos o que o mundo deve ser, o que nos provoca uma falta de gosto pela vida.

Processo de negação: não ver aquilo que é. É um espírito de dizer não, a maximação dos espíritos. Boa parte dos intelectuais estão contaminados por esse espírito.

Para compreendermos esse fato, precisamos compreender a empatia, ou seja, a trajetividade. 

Não há um objeto que age sobre um objeto, mas que se conecta com o objeto.

Recebemos a ideia e a partir daí começamos a pensar. Relaciona-se com o outro.

Consenso social: consentimento, sentimento compartilhado. É a própria temática do desenvolvimento.

O envolvimentalismo e não o desenvolvimentalismo. O progressismo e o desenvolvimento é uma negação do mundo.

O progressismo é uma negação, em nome daquilo que deveria ser um mundo melhor.

Amor fati (amor daquilo que estamos a ver)> Amor mundi (amor por este mundo).

Envolvimentalismo: orgia.

Faça amor não só para fazer filhos, é uma energia que se esgota no ar, não é finalizada.

Mito da eterna criança: brinca ao mesmo tempo que é cruel

É exatamente o que está nas redes sociais: a brincadeira e a crueldade.

Lúdica: onírica e imaginária.

O loco (noção de local): lococentrismo. Levar a sério o local ao qual nos encontramos. Ser o aqui. O corpo no local.

O local, o sensível: perceber os mínimos detalhes, o bater da borboleta.

Aqui se poderia viver, posto que aqui se vive.

Processo de einstenização do tempo.

Nas salas de discussão de uma rede social, há uma fragmentação do tempo.

Isso pra mim é o trajeto antropológico: a noção de trajetalidade, o que é reversível, que vai e vem.

>>> lúdicos / onírico / imaginário: criação, presenteísmo e imaginação.

Há sempre um princípio de retorno gerador organizador.

>>> consequência: causa e efeito. Com sequencia, aquilo que segue com.

Primeira consequência: o curioso e surpreendente desenvolvimento do luxo. Surpreendente pq vivemos uma crise econômica.

Estamos gastando aquilo que não temos.

George Bataille: é no gasto que ocorre uma economia generalizada. (quem perde ganha).

Luxo: estrutura antropológica. Seria algo que está além de sua simples funcionalidade. O preço das coisas que não tem preço. A necessidade daquilo que é supérfluo. Não tem importância mas é de suma importância.

Luxo: é aquilo que é luxado, a luxação, deixa de ser funcional, operacional.

Há atualmente uma luxação, uma preocupação do sentido qualitativo.

Algo que nos preocupa, mas não profundamente. A importância da moda, a importância do culto ao corpo.

Gostos sociais, humores sociais. Secreções do corpo social.

Luxo: a luxação da funcionalidade.

A essência da astúcia da razão, astúcia da técnica, astúcia da economia, mostra uma inversão da poplaridade, o contrário daquilo que é oficial.

O fio vermelho da minha ideia teórica é o “ritmo da vida”.

Rythme: escorrer, mas que escorre a partir de um ponto fixo. Longe lá atrás, ou longe lá adiante.

A matriz ou o paradigma que agora está sendo gerado, é a sinergia entre o arcaísmo e o  desenvolvimento tecnológico.

Não há o simples desenvolvimento, crescimento.

A atmosfera: a causa e o efeito. Nos determina cada vez mais.






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