Azul é a cor mais quente
by
Tauana Jeffman
- março 07, 2014
Sobre o livro:
Eu tinha ouvido falar apenas no filme, foi depois que descobri que ele era baseado em uma história em quadrinhos escrito pela Julie Maroh. Ouvi coisas boas sobre o filme, mas fiquei mais interessada quando vi um vÃdeo resenha sobre o livro no canal da Tati Feltrin. Eis que estou eu, vasculhando as prateleiras da minha livraria preferida aqui em Santa Maria - RS, e descubro essa lindeza (foi uma felicidade porque aqui é complicado achar os livros que quero). Depois que eu cheguei em casa, comecei a ler e só larguei quando terminei. Em menos de duas horas a hq já constava no meu "lidos" no Skoob. A história é demais! A arte também é impecável, com tons de cinza e o destaque do azul.
Sobre a história:
Ela é simples e complexa ao mesmo tempo. Simples porque fala de amor; complexa porque fala sobre preconceitos, famÃlias, descobertas, vergonhas, medos, recusas, aceitações.
À la Cidadão Kane, a história começa no fim, e no decorrer das páginas, vamos descobrindo como as coisas foram acontecendo até chegar ali. As protagonistas da história são Clementine e Emma (a menina do cabelo azul). Clen é uma adolescente no ensino médio, que ainda não sabe muito bem qual a sua concepção em relação aos meninos. Ela até namora, mas não se sente confortável com a situação. Andando em uma calçada, cruza por Emma, troca olhares e fica com a imagem daquela menina de olhos e cabelos azuis. Desde aquele dia, Clementine passa a ter sonhos eróticos com a menina até então desconhecida.
Graças a um amigo gay, Clementine começa a frequentar alguns lugares diferentes, e em um bar, acaba reencontrando Emma. Ela a reconhece e oferece uma bebida. Entre uma conversa e outra, descobre onde Clen estuda.
A partir daÃ, o desenrolar da história se dá na compreensão de Clementine sobre os seus sentimentos, sobre os seus desejos. Ela sente o preconceito dos amigos, recusa sua homossexualidade, mas não tira Emma da cabeça. Não para de desejá-la.
Os pais de Clen descobrem sua relação com Emma, e a expulsam de casa, motivo que leva as duas a morarem juntas e viverem anos como companheiras.
Clen acaba ficando doente, e morre com seus 30 e poucos anos. Antes de partir, deixa uma carta para Emma, declarando o seu amor ~eterno~.
"Emma, você tinha me perguntado se eu acreditava no amor eterno. O amor é abstrato demais, é indiscernÃvel. Ele depende de nós, de como nós o percebemos e vivemos. Se nós não existÃssemos, ele não existiria. E nós somos tão inconstantes ... Então, o amor não pode não o ser também. O amor se inflama, morre, se quebra, se reanima .... mas reanima. O amor talvez não seja eterno, mas a nós ele torna eternos ... Para além da nossa morte, o amor que nós despertamos continua a seguir o seu caminho".
Claro que a história é muito mais bela e complexa do que esta resenha, então vale a pena a leitura da HQ.
Claro que a história é muito mais bela e complexa do que esta resenha, então vale a pena a leitura da HQ.
Referências:
TÃtulo original: Le bleu est une couleur
Autor: Julie Maroh
Tradução: Marcelo Mori
Editora: Martins Fontes
Ano: 2013
Local: São Paulo
Páginas: 160
CDU: 843 - Literatura Francesa
Preço: 39,00 -42,00
Resenhas:
VÃdeo:
Sobre o filme:
Prefiro mil vezes a HQ. Já sabemos que, geralmente, o filme não consegue alcançar a grandiosidade do livro, e este caso não é uma exceção. Além de não começar e nem terminar do mesmo modo que na HQ, o filme não consegue expressar os dilemas, as descobertas e as difÃceis decisões que Clen precisa tomar. Também não mostra a relação conflituosa que possui com a famÃlia, ao contrário de Emma. No filme, Clementine se chama Adèle, mas Emma continua Emma. Achei incoerente. Em suma, o filme destaca muito mais o lado sexual das duas, ao meu ver. Lógico que há cenas de sexo na HQ, mas elas não são as principais, ou as que mais se destacam.
Filme completo \o/



