Free - Grátis: o futuro dos preços

by - março 07, 2014



Sobre o livro:

Eu comprei esse livro há mais de um ano, já tava na hora de tirar ele da estante e compreender um pouco mais sobre essa nova economia. Chris Anderson é conhecido no mundo acadêmico por ser autor do livro (e da teoria) da Cauda longa. Free é a continuação de um assunto que ele considerou não muito bem explorado em sua obra: o Grátis. Nesta obra, compreendemos por que o Google nos oferece serviços gratuitos e ainda assim fatura bilhões, como átomos e bits atuam em economias de abundância e escassez, por que trabalhamos e fazemos coisas de graça para os outros, como editar verbetes do Wikipédia ou blogar. Enfim, compreendemos a complexidade de elementos que estão disponíveis à nós, são valiosos mas tão baratos que não se tem por que calcular. O grátis existe faz tempo, mas o novo Grátis é a economia da era digital. 


Resumo:


Aqui reside o paradoxo do Grátis: as pessoas estão ganhando muito dinheiro sem cobrar nada. Não nada por tudo, mas nada pelo suficiente para criarmos uma economia tão grande quanto a de um país de tamanho razoável a um preço em torno de $00,00. p. 3

O resultado foi o nascimento de uma nova cultura radicalmente diversificada e uma ameaça às instituições da cultura existente, da mídia de tendência dominante às gravadoras. p. 3

[…] esse 'grátis' não era apenas um artifício de marketing como as amostras grátis e os brindes no varejo tradicional com os quais estamos acostumados. Esse grátis parecia vir sem qualquer restrição: não era apenas uma isca para uma venda futura, mas algo oferecido verdadeiramente de graça. p. 3

O Grátis do século XXI é diferente do Grátis do século XX. Em algum ponto na transição de átomos a bits, um fenômeno que achávamos já conhecido se transformou. O 'grátis' se transformou no Grátis. p. 3


1 – O nascimento do Grátis

* O Grátis no século XXI

A nova forma de Grátis não é uma isca, um truque para transferir dinheiro de um bolso para o outro. Ele é impulsionado por uma extraordinária nova capacidade de reduzir os custos dos bens e serviços a quase zero. p. 12

Na economia dos átomos – em outras palavras, a maioria das coisas que nos cercam -, tudo tende a ser mais caro com o tempo. Mas na economia dos bits, que é o mundo on-line, as coisas ficam mais baratas. A economia dos átomos é inflacionária, enquanto a economia dos bits é deflacionária. O século XX representou, em grande parte, uma economia dos átomos. O século XXI será igualmente uma economia dos bits. p. 12

Bandas de rock como o Radiohead e o Nine Inch Nails passaram a disponibilizar suas músicas on-line, percebendo que o Grátis lhes permite atingir mais pessoas e criar mais fãs, alguns dos quais vão aos shows e até mesmo (!) pagam por versões premium da música. p. 13


2 – Grátis: uma introdução

[…] uma 'amostra grátis' é puro marketing. p. 19

E depois temos todo o universo da mídia paga pela propaganda, desde rádio e televisão abertos à maior parte da Web. O conteúdo grátis pago pela propaganda é um modelo de negócios que remonta há mais de um século: um terceiro (os anunciantes) para a alguém (o consumidor) para obter o conteúdo gratuitamente. p. 20

“economia dos presentes” > reputação.

* O mundo todo é um subsídio cruzado

Os subsídios cruzados constituem a essência da frase 'não existe almoço grátis'. Isso significa que, de uma forma ou de outra, a comida precisa ser paga, se não diretamente por você, então por alguém cujo interesse é dar-lhe comida de graça. p. 20

Os blogs são grátis e, em geral, não têm anúncios, mas isso não significa que algum valor não esteja sendo transferido a cada visita sua. Em troca do conteúdo grátis, a atenção que você dá a um blogueiro, seja numa visita ou com um link, aumenta a reputação dele. p. 21

Os subsídios cruzados podem atuar de várias formas diferentes:
> Produtos pagos subsidiando produtos grátis
> Pagar mais tarde subsidiando o grátis agora
> Pagantes subsidiando não pagantes p. 22

No amplo universo dos subsídios cruzados, os modelos Grátis tendem a pertencer a quatro categorias principais:

Grátis 1: Subsídios cruzados diretos
O que é grátis: qualquer produto que o induza a pagar por algum outro item.
Grátis pra quem: qualquer pessoa disposta a pagar mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra.
[Ex: aparelho grátis, para pagar o pacote de ligações]

Grátis 2: o mercado de três participantes
O que é grátis: conteúdo, serviços, softwares e muito mais.
Grátis pra quem: todo mundo.
[Exemplo: jornais, revistas]. p. 24

As empresas de mídia ganham dinheiro em função do conteúdo grátis de dezenas de formas, desde a venda de informações sobre os consumidores a licenciamentos de marcas, assinaturas 'de valor agregado' e e-commerce direto. p. 24-25.

Os economistas chamam esse modelo de 'mercado bilaterais', porque existem dois grupos distintos de usuários que sustentam um ao outro de forma sinérgica. Os anunciantes pagam pela mídia para ter acesso aos consumidores, os quais, por sua vez, sustentam os anunciantes. p. 25

Grátis 3: Freemium
O que é grátis: qualquer coisa que acompanhe uma versão paga premium.
Grátis pra quem: usuários básicos p. 26

No modelo freemium, isso significa que, para cada usuário que paga pela versão premium do site, outros 19 usam a versão básica gratuita. p. 27

Grátis 4: Mercados não monetários
O que é grátis: qualquer coisa que as pessoas escolhem dar sem expectativa de pagamento.
Grátis pra quem: todo mundo.

Isso pode assumir várias formas:

> Economia dos brindes
[…] o dinheiro não é o único motivador. p. 27

Em certo sentido, a distribuição de custo zero transformou o compartilhamento em uma indústria.
Os incentivos para compartilhar podem variar de reputação e atenção a fatores menos mensuráveis, como expressão, bom carma, satisfação e interesse próprio. p. 27

> 'Venda' de mão de obra
Captchas | buscas no Google

Sabendo ou não, você está pagando com seu trabalho por algo que recebe de graça. p. 29

> Pirataria

* Um teste do grátis na vida cotidiana

* Os três preços

alguma coisa, nada, menos que nada. p. 30-31

Na Dinamarca, uma academia de ginástica oferece um programa no qual você não paga nada se aparecer pelo menos uma vez por semana. Mas falte uma semana e você terá de pagar o preço cheio pelo mês. A psicologia é brilhante. p. 32


3 – A história do grátis

* O problema do nada

O Grátis é o buraco no qual o preço deveria estar, o espaço vazio na caixa registradora. p. 35

Os babilônios precisavam de uma marca representando o nada. Eles precisavam, na verdade, inventar o zero. p. 36

A matemática grega teve seu melhor exemplo em Pitágoras e em seu culto pitagórico, que fez descobertas tão profundas quanto a escala musical e a proporção áurea. p. 36

Com efeito, a palavra 'zero' tem origem indiana: a palavra indiana para zero era sunya, que significava 'vazio' e os árabes transformaram em sifr. Os estudiosos ocidentais latinizaram a palavra para zephirus, a raíz de nosso zero. p. 37

* O problema do grátis

A palavra 'economia' vem do grego antigo oikos ('casa') e nomos ('costume' ou 'lei'), daí 'regras da casa'. p. 37

* O capitalismo e seus inimigos

Cobrar pelas coisas era a forma mais eficiente de garantir que elas continuariam a ser produzidas – a motivação do lucro é tão forte na economia quanto o 'gene egoísta' na natureza. p. 40

Karl Marx defendia a alocação de propriedade coletiva de acordo com a necessidade e não a capacidade de pagar. p. 40

Ao dar algo de graça, ele [Kropotkin] argumentou, o que se ganha não é dinheiro, mas satisfação. Essa satisfação se baseava na comunidade, ajuda mútua e apoio. p. 40
Número de Dunbar > 150 membros.

Foi necessário esperar pela chegada dos mundos virtuais para finalmente podermos ver economias mais amplas desenvolvidas a redor do benefício mútuo realmente funcionando. p. 41

* O primeiro almoço grátis

Longe de ser a origem de todo o mal, o dinheiro provava-se catalisador de crescimento e a chave para a prosperidade. p. 41

Na época em que King Gillete e Pearle Wait fizeram fortunas com base no Grátis, os consumidores estava acostumados a ouvir 'não existe essa coisa de almoço grátis'. A frase se refere a uma tradição antes comum em tabernas dos Estados Unidos, que começaram a oferecer comida 'grátis' a qualquer cliente que comprasse pelo menos uma bebida. p. 41

Em São Francisco, o costume chegou com a Corrida do Ouro e permaneceu durante anos. Em 1886, um artigo do Times sobre a evasão dos mineradores em São Francisco, chama o viciado no almoço grátis de 'o único resquício do passado'. p. 42

* Amostras, presentes e brindes

No início do século XX, o Grátis ressurgiu com a nova indústria de produtos embalados. Com o surgimento de marcas, propaganda e distribuição nacional, o Grátis se tornou um artifício de vendas. As amostras grátis não eram novidade, mas seu marketing de massa se deve a um gênio do marketing do século XIX chamado Benjamin Babbitt. p. 43

* O grátis pode ser uma arma

O modelo de negócios de cobrar uma fortuna de estações de rádio pelo direito de tocar músicas foi por água abaixo. Em vez disso, o rádio passou a ser conhecido como o principal canal de marketing para os artistas, que ganhariam dinheiro vendendo discos e shows. p. 45

Em vez de acabar com o negócio da música, como a ASCAP temia, o Grátis ajudou a indústria musical a crescer e prosperar significativamente. p. 45

* A era da abundância

Quando eu era criança, a fome era um dos principais problemas da pobreza na América. Hoje em dia, é a obesidade. p. 46

* Um monte de milho

Economia do milho > abundância > excedente social.

[…] a abundância do milho fez dos astecas uma civilização guerreira. p. 47

* A péssima aposta de Ehrlich

Simon acreditava – e com razão – que a engenhosidade humana e a curva de aprendizado da ciência e tecnologia tendem a criar novos recursos mais rapidamente do que nós os utilizamos. Ele também ganhou [a aposta] porque Ehrlich era pessimista demais. Ehrlich havia previsto uma escassez de alimentos 'em proporções inacreditáveis' que ocorreria até q975, com centenas de milhões de pessoas morrendo de fome nas décadas de 1970 e 1980, o que significaria que o mundo estaria 'entrando em uma autêntica era da escassez'. p. 50

* A cegueira da profusão

Na década de 1960, bens descartáveis representavam a modernidade, o triunfo da tecnologia industrial sobre a escassez material. Jogar fora bens manufaturados não era desperdício; era o privilégio de uma civilização avançada. p. 52

Uma nova geração começou a reciclar. Nossas atitudes em relação aos recursos abundantes passou da psicologia pessoal ('não vou precisar pagar por isso') à psicologia coletiva ('precisamos pagar por isso'). p. 52

* A abundância vence

> Seth Godin
Somente 32 das 100 principais empresas de hoje fazem coisas que você pode segurar, de equipamento aeroespacial a automóveis a substância química e comida, moldagem de metal e indústria pesada. As outras 68 empresas processam na maior parte ideias, e não recursos. p. 53


4 – A psicologia do Grátis

Ninguém acha que o Google é uma ferramenta de busca inferior porque não cobra nada. p. 58

A resposta mais simples é que o ato de preencher um cheque ou fornecer o número de um cartão de crédito, independentemente do valor, é um ato voluntário do consumidor que muda completamente a forma como um anunciante vê um leitor. p. 59-60

* A lacuna do centavo

Então, cobrar um preço, qualquer preço, cria uma barreira mental que a maioria das pessoas não se dá ao trabalho de cruzar. O Grátis, por outro lado, acelera essa decisão, aumentando o número de pessoas dispostas a experimentar alguma coisa. O que o Grátis garante, em troca do faturamento direto, é o potencial da amostragem em massa. p. 62

Depois de analisar os custos da transação mental, Clay Shirky, escritor e palestrante da NYU, concluiu que os criadores de conteúdo seriam mais espertos se desistissem do sonho de cobrar por suas ofertas. p. 62

Em um regime no qual a maioria dos participantes está cobrando, dar o conteúdo de graça proporciona vantagem competitiva. p. 62

Qualquer um que ofereça conteúdo gratuito ganha uma vantagem que não tem como ser superada, só igualada, porque a resposta competitiva ao Grátis – 'Eu lhe pagarei para ler meu blog!' – é insustentável ao longo prazo. p. 62-63

A verdade é que o zero constitui um mercado e qualquer outro preço constitui outro. p. 64

Economistas comportamentais explicam grande parte de nossas reações desconcertantes ao Grátis estabelecendo a distinção entre as decisões tomadas no 'âmbito social' daquelas tomadas no 'âmbito financeiro'. p. 67
* Sem custos, sem comprometimento

Essa é uma das implicações negativas do Grátis. As pessoas muitas vezes não valorizam muito as coisas pelas quais não pagam e, em consequência, não pensam muito sobre o que consomem. O Grátis pode incentivar a gula, o acúmulo, o consumo impensado, o desperdício, a culpa e a ganância. […] Cobrar um preço, por menor que seja, pode incentivar um comportamento muito mais responsável. p. 68

Esse é o trade-off do Grátis: o Grátis é a melhor forma de maximizar o alcance de algum produto ou serviço, mas se isso não for o que você estiver tentando fazer […], pode ter efeitos contraproducentes. p. 68

* A equação tempo/dinheiro

Em psicologia, isso é chamado de 'desejo mimético', que basicamente significa que queremos fazer o que os outros fazem porque as decisões alheias validam as nossas, o que explica tudo, desde o comportamento da multidão a bonés de caminhoneiros. p. 71

* O cérebro pirata

[…] no mercado digital, o Grátis quase sempre é uma escolha. Se você não oferecê-lo explicitamente, outras pessoas encontrarão uma forma de fazer isso por si mesmas. p. 73


5 – Barato demais para fazer diferença

* Adiante-se ao barato

* Por que a lei de Moore funciona

Na sociedade, essas ideias que se espalham são chamadas 'memes'. p. 85

E quanto mais os produtos são feitos de ideias, e não de matéria, mais rapidamente eles barateiam. Essa é a base da abundância que leva ao Grátis no mundo digital, que hoje chamamos apenas de Lei de Moore. p. 85

* A lei de Mead

Figura p. 87

* O rato que rugia

Kay percebeu que o trabalho do tecnólogo não pe descobrir as utilidades da tecnologia. Em vez disso, é fazer a tecnologia ser tão barata, fácil e popular que qualquer pessoa possa utilizá-la, de modo que ela se propague ao redor do mundo e em todos os nichos possíveis. Nós, os usuários, decidiríamos o que fazer com ela, porque cada pessoa é diferente: necessidades diferentes, ideias diferentes, conhecimento diferente e formas diferentes de interagir com o mundo. p. 89

A questão não é o custo do equipamento nas prateleiras do centro de informática, mas o que esse equipamento pode fazer. E todos os anos, como se um despertador tivesse magicamente sido colocado para tocar, esse equipamento faz cada vez mais por menos, aproximando de zero os custos marginais da tecnologia que as pessoas consomem. p. 90
* Ferro e vidro

* O que a abundância pode fazer

Antes do IPod, ninguém pedia para carregar toda uma coleção de músicas no bolso. p. 92

Agora a informação influencia a economia praticamente na mesma extensão que a eletricidade. p. 93


6 – 'A informação quer ser grátis'

Em 1984, o jornalista Steven Levy publicou Hackers: Heroes ofthe computer revolution. > “toda a informação deve ser grátis”. p. 95

Foi quando Brand reelaborou a regra número 3 de uma forma que viria a definir a era digital que despontava na época. Ele disse: 'por um lado, a informação quer ser cara, por ser tão valiosa. A informação certa no lugar certo muda a sua vida. Por outro lado, a informação quer ser grátis, porque o custo de acessá-la está sempre caindo. Então você tem essas duas forças lutando uma contra a outra'. p. 97

A informação commoditizada (todo mundo recebe a mesma versão) quer ser grátis. A informação customizada (você recebe algo único e que faz sentido para você) quer ser cara. p. 98

* Brand explica

Até a era da informação, a palavra 'informação' costumava ser utilizada no contexto de notícias: 'Tenho algumas novas informações'. Ou simplesmente 'fatos'. p. 100

[Claude Shannon] definia informação como o oposto de ruído – sinais coerentes versus incoerentes – e calculava como extrair um do outro. Isso pode ser feito na forma de sinais analógicos ou digitais, mas hoje, quando falamos de informação, normalmente estamos falando de bits digitais: aqueles sinais on/off que não significam nada ou significam tudo, dependendo de como os decodificamos. p. 100


7 – Competindo com o grátis

* Períodos gratuitos de experiência

* O pinguim ataca

Linus Torvalds, na época com 29 anos, também estava presente na reunião. Sete anos antes, em Helsinque, ele começara a trabalhar em um modesto projeto para criar uma variação simplificada do sistema operacional UNIX, que chamou de Linux. Devido à combinação de bom código, sua personalidade forte, habilidades organizacionais e, o mais importante, a Web como um veículo de colaboração global, o projeto decolou (os temores em relação ao domínio da Microsoft e o sentimento geral anti-Redmond dos puritas do software também ajudaram). p. 107

* Estágio 1: negação
* Estágio 2: raiva
* Estágio 3: negociação
* Estágio 4: Depressão
* Estágio 5: Aceitação

* Caso 2: Yahoo versus Google

Figura p. 117


8 – Desmonetização

O Google ganha tanto dinheiro com a propaganda em alguns produtos essenciais – em sua maioria, resultados de buscas e anúncios que outros sites divulgam em suas páginas, compartilhando o faturamento com o Google – que pode adorar em todo os demais. p. 121-122

A empresa não somente foi a pioneira de um modelo de negócios construído em torno do Grátis, como está inventando uma forma totalmente nova de usar a computação, transferindo cada vez mais funções que costumavam rodar em nosso computador para a 'nuvem', isto é, rodando essas funções em centros de dados remotos e acessados on-line por meio de nossos navegadores da Web (e, de preferência, no navegador do próprio Google, o Chrome). p. 123

[…] a cada 18 meses, o custo do Google para oferecer uma caixa de entrada do Gmail cai mais ou menos pela metade. p.124

Estima-se que, hoje em dia, o Google tenha meio milhão de servidores espalhados em mais de 36 centros de dados, em sua maioria localizados em pontos nos quais a eletricidade é barata, perto de usinas hidroelétricas no Noroeste do Pacífico. p. 125

* Estratégias de maximização

Por que o Google prefere o Grátis? Porque é a melhor forma de atingir o maior mercado possível e a adoção em massa. Schmidt chama a isso de “max strategy”, ou estratégia de maximização, do Google e acredita que essa estratégia passará a definir os mercados de informação. p. 125

[…] nas palavras de Nicholas Carr, autor de A grande mudança: “O Google quer que a informação seja gratuita porque, quanto menor for o custo da informação, mais a empresa ganha dinheiro”. p. 127

* Um enorme som de sucção

Como diz Jeff Zucker, líder da NBC Universal, a indústria televisiva está aterrorizada com a ideia de 'trocar dólares analógicos por centavos digitais'. p. 128

Mas o Grátis não é tão simples – nem tão destrutivo – quanto parece. Só porque os produtos são grátis não significa que alguém em algum lugar esteja deixando de ganhar muito dinheiro ou que muitas pessoas estejam deixando de ganhar um pouco de dinheiro cada. p. 129

Em geral, pensa-se em 'liquidez' apenas como um termo financeiro, mas, na verdade, ele se aplica a qualquer sistema de partes conectadas. Na tecnologia, isso é chamado de 'escala'. E isso se resume ao conceito de que mais é diferente. p. 130

A ideia é que a Internet, ao proporcionar acesso grátis a um mercado de centenas de milhões de pessoas no mundo todo, é uma máquina de liquidez. Pelo fato de atingir tantas pessoas, ela pode trabalhar com taxas de participação que seriam desastrosas no mundo tradicional dos custos marginais acima de zero. p. 130

É isso que o Grátis faz: transforma indústria de bilhões de dólares em indústria de milhões de dólares. Mas normalmente a riqueza não vira pó, como parece. Em vez disso, ela é redistribuída de formas difíceis de medir. p. 132

* O custo do grátis

A Internet é um excelente exemplo de um mercado dominado pelo que os economistas chamam de 'efeito de rede'. Em mercados assim, em que é fácil para os participantes se comunicarem entre si, tendemos a seguir a liderança dos outros, o que resulta em comportamentos de manada. Como pequenas diferenças na participação de mercado podem transformar-se em grandes diferenças, a distância entre a empresa número 1 de qualquer setor e a empresa que ocupa o segundo lugar e as outras tende a ser grande. p. 133


9 – Novos modelos da mídia

A milagrosa capacidade da transmissão de atingir milhões de pessoas simultaneamente estava forçando as estações de rádio a inventar o que viria a se tornar a mídia de massa – entretenimento, notícias e informações com o mais amplo apelo possível. p. 137

Algumas décadas mais tarde, a televisão seguiu o mesmo caminho. Tanto o rádio quanto a televisão eram gratuitos e pagos pela propaganda. Era o início do chamado modelo de mídia para o Grátis: um terneiro (o anunciante) subsidia o conteúdo, de modo que uma das partes (o ouvinte ou espectador) possa recebê-lo gratuitamente. p. 139

* Anúncios além da mídia

O apelo do programa AdSense do Google, de sucesso fenomenal, é justamente a correspondência entre anúncios e conteúdo. As pessoas pagam muito dinheiro ao Google para fazer exatamente o que nós proibimos: colocar anúncios da Sony perto de análises de produtos da Sony. E os leitores adoram – isso se chama relevância. p. 140

As revistas são montadas por pessoas, e as pessoas podem ser corrompidas por dinheiro. Mas a propaganda na Web é posicionada por algoritmo e, de alguma forma, isso atribuiu certa pureza ao processo. Isso, claro, é ficção. Muitos anúncios da Web são posicionados manualmente e é muito fácil corromper um algoritmo. Mas quando o Google é que está exibindo o anúncio no conteúdo de alguém, a relação entre conteúdo e anúncio é tão óbvia que as pessoas não parecem se preocupar com a possibilidade de influência indevida. p. 140

* Como a nova muda a mídia antiga

* O fim do conteúdo pago

Essa mudança faz parte de uma maior desvalorização do conteúdo, motivada não apenas pela mudança de preferências de uma nova geração, mas também pelas tendências tecnológicas. p. 142

Existe outro tipo de propaganda, epitomizado pelos anúncios de texto que o Google exibe com os resultados de suas buscas e em sites de terceiros. Os anunciantes só pagam quando os leitores clicam no anúncio. O Google não vende espaço. Ele vende intenções dos usuários – em que eles indicam ter interesse, por meio de uma busca. E esse é um recurso escasso. p. 144

* O triunfo do modelo da mídia

[…] a extensão da propaganda ao ambiente on-line criou várias novas formas de anúncios além do modelo tradicional de 'impressões', que precifica o pagamento por milhares de espectadores ou ouvintes, conhecido como 'custo por mil'. p. 145-146.

* A economia dos ogros

Pensamos em 'mídia' como rádio, televisão, revistas, jornais e sites de notícias. Mas na verdade, a mídia não passa de conteúdo de qualquer natureza, e a melhor maneira de mensurar seu impacto em nossa sociedade é em função de quanto tempo as pessoas passam com ela. p. 146

5 categorias de maior sucesso:

1. Venda de itens virtuais

2. Assinaturas

3. Propaganda

4. Imóveis

5. Produtos relacionados

* Música grátis
Figura p. 156

* Livros grátis

A indústria de livros não está em queda, felizmente, mas isso não impediu centenas de autores (e alguns editores) de conduzir os próprios experimentos com o Grátis. A grande diferença entre livros e música é que, para a maioria das pessoas, a versão superior ainda se baseia em átomos e não em bits. Apesar de todas as desvantagens em termos de custos, as árvores mortas transformadas em papel ainda apresentam uma excelente vida de bateria, resolução de tela e portabilidade, sem mencionar o efeito decorativo na estante. Mas o mercado para os livros digitais – audiobooks, e-books e download na Web – está crescendo rapidamente, em grande parte para atender a demanda que os livros físicos não suprem, da necessidade de algo para consumir enquanto dirige à necessidade de algo que pode ser obtido instantaneamente, onde quer que você esteja. p. 159

[…] a forma digital é uma maneira de permitir que o maior número possível de pessoas tenha uma amostra do livro, na esperança de que algumas delas venham a comprar. p. 159

Neil Gaiman > Deuses americanos

O livro digital de baixo custo marginal é uma boa ferramenta de promoção da palestra ou do serviço de consultoria de alto custo marginal, da mesma forma que a música grátis promove os shows. p. 161

Como diz o editor Tim O'Reilly, 'o inimigo do autor não é a pirataria, é a obscuridade'. O Grátis é a forma de mais baixo custo de atingir o maior número possível de pessoas e, se a amostra funcionar, alguns comprarão a versão 'superior'. Enquanto os leitores continuarem a querer livros feitos de átomos, continuarão a pagar por eles. p. 161


10 – Qual é o tamanho da economia grátis?

No início de 2009, o Burguer King lançou uma de suas campanhas subversivas de marketing que se tornaram sua marca registrada. p. 164

Os 'amigos' no Facebook representam uma unidade clássica de moeda de reputação. p. 164

[…] o Grátis é uma economia do tamanho de um país – e não estamos falando de um país pequeno. p. 169


11 – Voltando às raízes da economia

Em um mercado competitivo, o preço cai até o custo marginal. p. 174

[…] e mercados abundantes, onde é fácil fazer mais produtos, Bertrand tende a vencer; o preço muitas vezes de fato cai até o custo marginal. p. 174

Se 'o preço cai para o custo marginal' é a lei, então o grátis não é apenas uma opção, mas o inevitável ponto de chegada. Essa é a força da gravidade econômica, a qual só poderá ser combatida por tempo limitado. Nossa! p. 175

* Os monopólios não são mais o que costumavam ser

A internet, ao combinar ferramentas democratizadas (redes), concretizou exatamente o que Bertrand só conseguiu imaginar um mercado verdadeiramente competitivo. p. 177

* O grátis é só mais uma versão

A ideia fundamental por trás dessa segmentação em versões envolve vender produtos similares para diferentes clientes a preços distintos. Quando você decide entre a gasolina comum e a aditivada, está vivenciando um exemplo de segmentação em versões e o mesmo se aplica quando você assiste a um filme à tarde pela metade do preço ou recebe um desconto para estudantes. Este é o coração do freemium: uma das versões é grátis, mas as outras são pagas. Ou, para deturpar Marx, para cada um de acordo com suas necessidades, para cada um de acordo com a sua capacidade de abrir a carteira. p. 178

“preço marginal” | custo marginal quase zero p. 179

* O não problema do carona

O problema do carona é o lado negro do almoço grátis. Como o 'viciado no almoço grátis' que se demora no salão, os caronas são aqueles que consomem mais do que sua parcela justa de um recurso ou contribuem com menos do que uma parcela justa dos custos de produção. p. 180

Mas no ambiente on-line, em que os números são muito maiores, a maioria das comunidades de voluntários prospera quando apenas 1% dos participantes contribui. Longe de ser um problema, um grande número de consumidores passivos constituiu a recompensa para os poucos que contribuem – eles são chamados de público. Nas palavras de Lee: 'Esse grande público atua como um poderoso motivador para a contribuição continuada ao site. As pessoas gostam de contribuir para uma enciclopédia com um grande público leitor; com efeito, o enorme número de 'caronas' – também conhecidos como usuários – é uma das maiores seduções para ser um editor do Wikipédia. p. 181


12 – Economias não monetárias

[…] a abundância de informação gera carência de atenção. p. 183

O PageRank é uma ideia enganosamente simples com enorme poder. Basicamente, ele afirma que os links recebidos são como votos e que os links recebidos de sites que também têm muitos links recebidos contam mais do que os de sites que não têm. p. 186

Em termos econômicos, fazemos a conversão da economia da reputação à economia da atenção e ao dinheiro utilizando a seguinte fórmula: o valor econômico de seu site é o tráfego que seu PageRank (um número entre 1 e 9) traz a partir dos resultados da busca do Google para qualquer determinado termo, multiplicado pelo valor de palavra-chave para esse termo. p. 186

Jogos on-line. p. 187

* A economia dos presentes

Adam Smith estava certo: o interesse próprio esclarecido é a maior força da humanidade. As pessoas fazem coisas de graça basicamente por suas próprias razões: para se divertir, porque têm algo a dizer, porque querem que as pessoas prestem atenção, porque querem transformar suas opiniões em dinheiro e inúmeras outras razões pessoais. p. 191

[Pesquisa de Andy Oram] A principal motivação era a 'comunidade' – as pessoas se sentiam parte de uma comunidade e queriam contribuir para a sua vitalidade. A segunda era 'desenvolvimento pessoal', que diz respeito ao nível mais alto da pirâmide de Maslow, a realização pessoal. Em terceiro lugar, vinha a 'ajuda mútua', que sugere que muitos desses colaboradores são o que os sociólogos chamam de especialistas – pessoas com conhecimento e que gostam de compartilhá-lo. p. 191

E como as pessoas arranjam tempo? Deixando de fazer algumas outras coisas – abandonando coisas que não proporcionam as mesmas recompensas sociais e emocionais. Imagine se pudéssemos explorar só uma fração do potencial humano perdido assistindo à televisão. p. 191

'ciclos ociosos' > excedentes cognitivos

Em resumo, fazer coisas que gostamos sem sermos pagos muitas vezes nos traz mais alegria do que o trabalho que realizamos por um salário. p. 192


13 – O desperdício (algumas vezes é bom)

* A natureza desperdiça vida

* Tornamos o mundo seguro para vídeos de gatos

a bobagem está nos olhos de quem vê. p. 197

* Administração da escassez


14 – Mundo grátis

A China e o Brasil são as fronteiras do grátis.

* A economia das imitações
China

A pirataria não destruiu o mercado – ela preparou o mercado para uma onda de consumidores da nova classe média. p. 208

* O poder dos camelôs brasileiros

Hermano Vianna > Banda Calypso. p. 209

> Genéricos brasileiros


15 – Imaginando a abundância
Experimentos mentais em sociedades 'pós-escassez', da ficção científica à religião.

Livro: A máquina parou

> Whuffie : moeda digital > Cory Doctorow

* Vida após a morte


16 - “Você recebe pelo que paga”

[nesta parte do livro o autor coleta algumas citações com 'acusações' ao grátis e as contesta com argumentações e exemplos].

Depois de ter mostrado ao mundo inteiro fotos suas totalmente bêbado na festa de sua turma de faculdade e descrito os altos e baixos de seu último namoro, qual é o problema se uma empresa lhe der um desconto em uma linha de roupas se você informar suas preferências? p. 227


Conclusão
O grátis em uma época de crise econômica

As regras do grátis
Os 10 princípios da mentalidade da abundância

1. Se for digital, mais cedo ou mais tarde será grátis
2. Os átomos também gostariam de ser grátis, mas não fazem tanta questão
3. Não há como impedir o grátis
4. É possível ganhar dinheiro com o grátis
5. Redefina seu mercado
6. Arredonde para baixo
7. Mais cedo ou mais tarde, você concorrerá com o grátis
8. Adote o desperdício
9. O Grátis faz as outras coisas terem mais valor
10. Administre para a abundância 



Referência:
ANDERSON, Chris. Free – Grátis: o futuro dos preços. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
  
Resenhas:
Resenhas Skoob
Resenha 2
Site do Chris Anderson

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