Oportunidades Disfarçadas

Eu sei, eu sei. Quem me conhece vai dizer: "Lá vem ela fala desse livro de novo". Mas vou sim, porque esse livro é uma das melhores leituras que fiz nesses últimos anos, e foi o único livro sobre comunicação-administração, que li por vontade, e não por necessidade. Ele foi escrito pelo publicitário Carlos Domingos (fundador e sócio da agência Age), que o escreveu, a partir de reunião de artigos que escreveu para o Valor Econômico. Em agosto de 2001, ele publicou seu primeiro artigo intitulado Oportunidades Disfarçadas. O texto relatava como as marcas Fanta, Nescafé, Bombril, Dixie e Swatch triunfaram na adversidade. Com o crescente sucesso de seus artigos, Domingos tomou a decisão mais sábia: publicou um livro com a descrição de todos os casos que pesquisou. O livro ficou fenomenal.
Então, trago aqui algumas histórias que eu considerei mais relevante, ou mais surpreendente:
Com 16 anos, David tentava ganhar a vida em Nova York vendendo enciclopédias de porta em porta. Mas, era só as donas de casa darem uma olhada em seus livros, que já iam logo falando "Não estou interessada, obrigada". David pensava que se ao menos as mulheres lhe ouvissem, poderiam se interessar pelos livros. Em uma conversa com um amigo, ele ouviu que as mulheres não queriam saber de livros, e sim ficar mais bonitas e atraentes (has). David pensou, e resolveu que se oferecesse um brinde, de repente um perfume, para a dona de casa que comprasse suas enciclopédias, elas topariam ver os livros. Ele e um amigo farmacêutico, depois de muito trabalho, chegaram a uma fragrância que ambos julgaram agradável. quando foi vender suas enciclopédias, a primeira frase que David falava era: "
- A senhora aceita uma amostra grátis de um delicioso perfume?
- Perfume??
Enquanto a dona de casa se entretia com o brinde, David aproveitava para falar das vantagens dos livros, suas ilustrações, acabamento de luxo. Mas, após o período de encantamento com o brinde, ele sempre ouvia:
- Lamento moço, mas não posso comprar livros agora. Até gostaria, mas o orçamento está apertado. Adorei o perfume, posso ficar com ele?
David sentia-se decepcionado e alegre, pois não realizou a venda, mas conseguiu ser ouvido. E assim distribuindo seus brindes, continuou insistindo. As mulheres aceitavam o perfume, mas não queriam saber das publicações. Quando estava quase desistindo, , uma senhora o parou na rua,
- Moço, você ainda tem aquele perfume maravilhoso?Meu marido adorou. Eu queria comprar dois frascos. Uma luz iluminou a cabeça do rapaz, e assim David McConnell criou a Avon. As vendas de porta em porta foram fortes desde o início, o rapaz incrementou sua linha de
produtos, após o sucesso. Em pouco tempo, já haviam mais de 5 mil mulheres vendendo os produtos da Avon nos Estados Unidos.
No início do século XX, os produtores de açúcar de São Paulo entraram numa guerra de preços quase suicida. Prevendo o fim trágico, um dos refinadores resolveu procurar os concorrentes e propor uma trégua. Do encontro entre eles, surgiu uma ideia ainda melhor: unir os pequenos fabricantes e criar uma empresa maior, mais sólida e forte, capaz de competir em outros mercados e representar o setor perante o governo. Não por acaso, a nova companhia recebeu o nome de: UNIÃO.


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