Só as mulheres e as baratas sobreviverão

by - dezembro 27, 2010



    Ganhei esse livro de presente de Natal do meu pai. Bem interessante, li ele em dois dias. Não porque possui somente 125 páginas, mas porque a escrita de Claudia Tajes é envolvente, e você quer saber por que só as mulheres e as baratas sobreviverão. Bem, antes de ler o livro, já simpatizei com a escritora, pois além de publicitária, é gremista. Duas qualidades que, para mim, já atribuem muita credibilidade a alguém.
    Mas vamos à história. Nossa personagem principal é a Dulce, que sempre houve piadinhas de que ela é "como dulce de leche". Dulce está em casa, num sábado à noite, de banho tomado e procurando seu "vestido preto", aquele vestido que é O Vestido, que como Dulce diz, "vai sozinho para festas e jantares que a convidam".
    Quando Dulce encontra seu vestido, eis que encontra também uma barata, por cima do dito cujo. Nada demais, mas Dulce tem fobia de barata, e sua reação é sair correndo e trancar seu closet.
    Agora Dulce está em casa, num sábado à noite, só de toalha, e com uma barata de companhia. Ela tenta resolver a situação de todas as formas, mas ainda tem o motivo do tal vestido preto, um encontro com um carinha que Dulce finalmente deu uma chance.
    Após todos as tentativas, todas as ligações, a barata no vestido de Dulce faz ela refletir sobre sua vida, sua família, suas amigas, nela mesmo. Pensa no que cada amiga faz num sábado à noite, que não podem ajudá-la. Pensa que é uma moça sozinha, e então conta para a barata, alguns rapazes que passaram por seu apartamento, mas que ela não quis mais. Mas Dulce pensa que homem só serve para matar baratas, porque para todas as outras, existe Mastercard. Todas mesmo, e você escolher do tipo que quiser, aliás, deve da dinheiro esse ramo de negócios. Aí você pode contesta: "homem serve para abrir compota também", mas Dulce argumenta: 1º com tanto personal trainer, as mulheres estão cada vez com braços mais fortes, e depois, que mulher moderna ainda como algo em compota?
    Enfim, depois de ter aberto sua vida em um diálogo que durou toda a madrugada com a barata, Suzana, sua empregada que não quis a socorrer, liga para Dulce, para contar que havia esquecido de dizer que tinha colocado uns venenos no closet e que, aquelas alturas, a barata já teria partido dessa para uma melhor. Dulce entra no closet e encontra o defunto. Fica indignada com a barata, que teve a indelicadeza de deixá-la falando sozinha. Questiona, como uma barata que sobreviveu a extinção dos dinossauros, que sobrevive a uma bomba nuclear, não sobrevive a um simples veneno. Dulce chega a uma simples conclusão:

"A minha casca é mais grossa que a sua. A minha é, a da minha mãe era, e a de quase todas as mulheres que eu conheço também. Eu não me espantaria se, depois do estouro da bomba, mulheres viessem em horda de todas as partes para ajeitar a bagunça. E as mais fortes ainda varressem as baratas mortas para o meio da rua".

"Talvez as baratas sobrevivam a tudo. 
Mas as mulheres sobreviverão às baratas".         

Referências: TAJES, Claudia. Só as mulheres e as baratas sobreviverão. Porto Alegre: LePM, 2010. 

A autora também escreveu: 



 



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