Metade

by - fevereiro 25, 2011



Que a força do medo que tenho 
não me impeça de ver o que sinto. 
Que a morte de tudo que acredito 
não me tape os ouvidos e a boca, 
porque metade de mim é o grito, 
mas a outra metade é o silêncio.

Que a música que ouço ao longe 
seja linda e que a pessoa que EU AMO 
esteja sempre amada, 
mesmo que distante, 
porque metade de mim é partir 
e a outra metade é SAUDADE.

Que as palavras que falo 
não sejam ouvidas como prece 
e nem repetidas com fervor, 
apenas respeitadas, como a única coisa 
que resta numa pessoa inundada de sentimentos, 
porque metade de mim é o que ouço 
e a outra é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora 
se transforme na calma e na paz que eu mereço, 
que essa tensão que me corrói por dentro 
seja um dia recompensada, 
porque metade de mim é o que penso 
e a outra metade é o vulcão.

Que o medo da SOLIDÃO se afaste 
e que o convívio comigo mesmo 
se torne ao menos suportável, 
que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso 
que eu me lembro de ter dado a minha face, 
porque metade de mim é lembrança do que fui 
e a outra metade...eu não sei.

Que seja preciso mais que uma simples alegria 
para me fazer aquietar o espírito, 
e que o teu silêncio me fale cada vez mais, 
porque metade de mim é abrigo, 
mas a outra metade é cansaço.

Que a arte aponte uma resposta 
mesmo que eu não saiba 
e que ninguém atende complicar, 
porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer, 
porque metade de mim é platéia 
e a outra metade é canção.

Que minha LOUCURA seja PERDOADA, 
porque metade de mim é AMOR 
e a outra... Também....



(Oswaldo Montenegro - Poesia extraída da musica "Metade") 

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