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by - abril 01, 2011

     A caverna de Platão Digital - Victor Gonçalves




     Encontrei esse artigo muito legal, no jornal virtual Relatividade, depois que eu vi que um resumo que estou "tentando"fazer sobre o livro Cibercultura: tecnologia e vida social na cultura contemporânea, do André Lemos, apareceu lá. Ae então, achei esse artigo, e me interessei, já que o assunto de minha próxima aula de Teoria da Comunicação é sobre a caverna de Platão. Como vocês já perceberam, o autor do artigo é o Victor Gonçalves. Aqui, você pode baixar o artigo e o ler na íntegra. Então, vou tentar fazer um resumo, que servirá tanto de fonte de pesquisa, para mim, quanto um disparador de curiosidade para vocês. (Já perceberam que eu adoro fazer resumo? kkk)
    Gonçalves inicia seu artigo argumentado que os fatores que nos diferenciam dos outros seres vivos, bípedes e mamíferos, é o nosso tele-encéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor, fazendo menção ao curta "Ilha das Flores". Então, podemos pensar, raciocinar, nos comunicar e ainda fazer movimentos com precisão. 
     O autor fala-nos então, sobre os desmoronamentos e alagamentos que ocorreram no Rio de Janeiro, no início do ano, onde as pessoas se mobilizaram, para auxiliar em todos os sentidos, através das mídias sociais. Gonçalves afirma que "as pessoas começaram a compartilhar fotos da tragédia da região serrana, notícias, atividades de mapeamento das zonas abaladas via Google maps, etc. Utilizaram os recursos 2.0 para que, em colaboração, notificassem ao mundo do que estava acontecendo" (pg. 02). 
     Ele argumenta que faz parte da nossa condição humana ajudar o outro, e então, por que não utilizar os recursos que dispomos? Isso seria hipocrisia. Porém, há críticas de que o ser humano tem gastado tempo em relações secundárias, por meio destas mesmas mídias sociais. E assim, com relações secundárias, estamos criando um mundo com necessidades singulares e desnecessárias. E essas novas necessidades, unida a realizações irrelevantes, produz um efeito direto no bolso do consumidor.
     Gonçalves mostra-nos então, uma entrevista com 2 pessoas que possuem um IPad e 2 que não o possuem. Ele percebe que o IPad não era necessário para a vida dos que o tem, nem mesmo eles sabem explicar porque compraram um. Mas o que ressaltam, é o fato de "possuírem" um artigo, que poucos tem acesso. Os que não o possuem, não sentem essa necessidade, mas não escondem o desejo de posse.
     Eis aí, a linha tênue que existe entre o desejo e a necessidade. As pessoas não possuem necessidade de possuir um IPad, mas o desejam e o compram. Temos aí, o perfil do consumidor da Era contemporânea: "um consumidor que não sabe diferenciar um produto de que realmente precisa daquele que gostaria de ter. As pessoas querem possuir, elas sentem prazer em adquirir, e não precisam saber qual o benefício esse consumo lhes trará. O que lhes basta é a sensação de posse.
    Podemos, até mesmo, sermos proprietários virtuais, não estamos falando de uma Fazenda Feliz no orkut, mas de algo que não existe fisicamente. Quando assistimos um comercial de um carro, com pessoas felizes e bem sucedidas, nos imaginamos naquela situação, e tornamo-nos proprietários desse carro, de uma forma virtual. Nos tornamos proprietários parciais.
    É fato que a globalização nos trouxe uma série de benefícios, mas ela também moldou nosso comportamento de acordo com seus interesses. Somos diariamente bombardeados por informações, mas "você se questiona sobre as informações que recebe? Você sabe filtrar as suas escolhas?". Você precisa de um Priority Inbox, para filtrar seus email e decidir quais são os mais importantes para você, ou você precisa sair da caverna? 
    Como afirma o autor, "você obedece as regras do sistema; e se você obedece a esse tipo de regra provavelmente está vivendo em um aprisionamento tecnológico". O que podemos chamar de Caverna de Platão Digital, pois "a humanidade vive imersa naquilo que lhe é apresentado, deixando de questionar a utilidade de serviços ou produtos pra lá de capitalistas. Tudo acontece por estarmos orientados a operar na facilidade – na zona de conforto – ou como diria Platão, no mundo sensível".
     Enfim, "a elevação conceitual de coisas óbvias, a aceitação de padrões sem o mínimo de questionamento, a criação de necessidades e a busca pelo prazer através do consumo são pilares que sustentam esse mundo de aprisionamento moral e racional. A pergunta que lhe faço é: você também quer fazer parte deste mundo?".  



 
Victor Gonçalves é Designer Gráfico, especializado em Mídias Interativas, e certificado como Scrum Master (CSM) em treinamento oficial da Scrum Alliance.  Atua como Coordenador de Projetos Interativos na Add Technologies, colunista do Blog Add Tech, criador do Panela Eventos e âncora do DesignCast.




       

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