Rádio

by - setembro 22, 2013



O rádio e a publicidade

A festa do centenário da Independência do Brasil foi o marco para a inserção do rádio no nosso país, com a transmissão do discurso do presidente Epitácio Da Silva Pessoa, transmitido do alto do corcovado, na Praia Vermelha, por sistemas de alto-falantes. Na década de 1930 já havia mais de 50 emissoras em funcionamento. Foi em 1932, através do Decreto Lei nº 21.111, que Getúlio Vargas autorizou e regulamentou a publicidade e a propaganda no rádio. A publicidade trouxe uma verdadeira metamorfose para o meio, que de erudito, instrutivo e cultural passou a transmitir lazer e diversão popular. O rádio viveu sua "era de ouro" entre as décadas de 40 e 50. Na época, o rádio se apresentava como o meio mais popular e com possibilidades de atingir um público mais amplo. O meio entra em crise com a chegada da televisão, nos anos 60, começando a perder investimento publicitário. Em 1962, de acordo com pesquisas realizadas, havia um empate na distribuição da verba publicitária entre os dois meios, no entanto, nos próximos anos, a televisão adquiria o maior montante das verbas. O rádio passou a ser lembrado pelos anunciantes apenas quando a verba era muito pequena ou quando, depois de anunciar na televisão, ainda sobravam alguns recursos. O rádio só começa a mostrar uma recuperação na conquista de verbas publicitárias com a consolidação das emissoras de FM que se caracterizam pela seletividade de público. Com a internet, o rádio encontra outra oportunidade para a sua ascensão.  

(Fonte: José Gomes Júnior)

Jingles memoráveis 





O cenário atual
O rádio é um "segmento que tem se movimentado bastante nos últimos anos, investindo em uma série de iniciativas para assegurar a manutenção do seu espaço na disputa pela atenção da população e, consequentemente, do mercado anunciante". 

Segundo Fernando Pereira (Sistema Globo de Rádio), "no sudeste, temos uma alta demanda pelas informações sobre o trânsito, e o rádio cumpre muito bem seu papel, ajudando a orientar a população. Fora do eixo Rio-São Paulo não existe essa demanda, mas o desafio é o mesmo: investir em conteúdo de qualidade".  

Para Pedro Micheloni (Band FM e Nativa), "muitas novas emissoras têm aderido às redes, o que é importante para profissionalizar as operações". 

Outra iniciativa a destacar são as rádios customizadas. O Grupo Bandeirantes foi o pioneiro na área lançando o Bradesco Esportes FM. "No mercado internacional são comuns esses projetos focados em temas específicos, e agora conseguimos viabilizar o modelo no país, num momento extremamente importante para o esporte", afirma Vanderley Camargo (Band News).  

O rádio está caminhando para além do dial, contemplando iniciativas no meio digital. Segundo Maurício Jacob (Rádio Disney), "não há outro caminho para o meio. Houve uma mudança no hábito de consumo. Não importa a partir de qual aparelho a programação é acessada. O que nos interessa é o consumo da programação. E, neste sentido, considero positivo para o meio o fato de haver grandes marcas do país desenvolvendo projetos no rádio, independente na plataforma. Temos nos preocupado muito com mobile e outras opções digitais". 

"O rádio é fundamental como formador de opinião e, diariamente, ajuda a pautar os demais veículos de comunicação", "investimos bastante na criação de aplicativos próprios, justamente para facilitar o consumo do nosso conteúdo que, reconhecidamente, tem muita qualidade", diz Vanderley Camargo.   

Para Felipe Goron (RBS), "o principal aliado do rádio hoje é a internet". É "alto o nível de interação entre os ouvintes e os comunicadores, por causa do sucesso dos blogs". Tal fato leva as emissoras a investir em projetos, explorando melhor a interação que pode ser estabelecida com o ouvinte. 

Na RBS, "os melhores blogs e perfis disponíveis nas redes sociais são dos comunicadores das rádios", por isso, o grupo investe em suas personalidades. 

"Em torno de 95% dos anunciantes renovam seus contratos de patrocínio com as rádios", o que comprova que a publicidade neste meio dá certo, pois "o cliente não manteria estratégias que não dão retorno". 

Nas palavras de André Caribé (Jovem Pan FM), "a prioridade hoje para as rádios é valorizar a marca", pois "é importante promover a força nacional do rádio junto ao anunciante, que nem sempre tem noção da relevância do meio". 

"No mercado publicitário, a estratégia é valorizar cada vez mais o forte envolvimento que temos com o ouvinte", diz Caribé. 

A força do rádio nos mercados regionais é incontestável, e o crescimento no interior é impressionante, afirma Cristina da Hora (Alpha FM).

Algumas rádios aproveitam o amor dos ouvintes. Luiz Gustavo Vieira (89FM) afirma que o que as rádios têm de diferente são as lovers brands, pessoas que amam o rádio". A relação com os ouvintes fica mais próxima e evidente com as redes sociais. 

Ouvintes e profissionais

O rádio: quanto ao ouvinte 
* não exige instrução nem renda para ser consumidor
* por sua característica de portabilidade, acompanha o ouvinte em vários locais e momentos, por isso é considerado "companheiro"
* no caso da AM, de modo geral, apresenta características de prestação de serviços de interesse da comunidade, como informações sobre a situação do trânsito na cidade, previsão do tempo e informações de utilidade pública, por exemplo, locais de vacinação infantil
* no caso da FM, de modo geral, apresenta a música como forma de entretenimento e diversão
* amplia a capacidade imaginativa 

O rádio: quanto ao profissional de mídia

* é o segundo meio e termos de penetração, com índices de 90%, sendo 82% referentes a FM r 39% a AM
* é um meio ágil, pois permite a veiculação de spot no mesmo dia, e flexível, por possibilitar a participação do anunciante no conteúdo dos programas
* oferece a segmentação de público por gênero de programação
* favorece a estratégia de alta frequência, por ser instantâneo e possuir um dos menores custos absolutos de veiculação em comparação com os demais meios, o que permite a compra de várias inserções por emissora. 
(TAMANAHA, 2006, p. 57-58). 



As vantagens e desvantagens do rádio como meio publicitário

Vantagens
* emissoras líderes possuem programas com boa audiência
* cobertura razoável de público
* abrangência geográfica geral 
* atinge praticamente todos os públicos
* preços absolutos baixos
* CPM baixo
* Preço de produção baixo ou inexistente 
* oferece continuidade à veiculação
* portabilidade
* grande capacidade de reminiscência 
* rapidez para começar a veiculação 
* mexe com a imaginação das pessoas 
(VERONEZZI, 2009, p. 50).  

* as campanhas em redes de rádios locais permitem uma maior segmentação do público por região

* Em comparação com a tv, as campanhas no rádio são relativamente baratas, em termos de espaço publicitário e produção
* os orçamentos são mais flexíveis, permitindo que os comerciais sejam tocados com mais frequência e por mais tempo a fim de aumentar a cobertura e a conscientização 
* é possível comprar comerciais para falar com ouvintes diferentes e em diversos horários do dia, como no "horário de pico", chegando a pessoas que estão indo ou voltando do trabalho
* as pessoas podem ouvir rádio em circunstâncias nas quais assistir televisão ou ler uma revista seria impossível
* o rádio tende a ser uma mídia mais íntima e dialógica   
(BURTENSHAW, 2010, p. 57)

* alcance de tipos especiais de audiência-alvo (homens, mulheres, jovens, religiosos, fazendeiros ...)

* frequência alta (onde é necessário muita repetição, o rádio é o meio ideal)
* meio de apoio
* excelente para a população em trânsito
* exposição de verão
* flexibilidade
* disponibilidade de cobertura local
(SISSORS, 2001, p. 272-273)

* requer poucos investimentos em termos absolutos para a transmissão da mensagem

* permite grande frequência de exposição devido ao seu baixo custo unitário
(TAHARA, 2004, p. 35).  

Desvantagens

* necessidade de alta frequência de exposições no público
* não tem imagem
* audiências médias baixas
* pulverização do "total de ligados" em um grande número de emissoras, nas grandes cidades
* requer muitas cidades e muita verba para cobrir amplas áreas e os grandes Estados
* volatilidade   
(VERONEZZI, 2009, p. 50).  

* a audiência é relativamente baixa

* existe o risco de as pessoas cansarem de ouvir o mesmo comercial o tempo todo
* a grande quantidade de estações de rádio comerciais disponíveis pode diluir a participação de mercado de cada uma delas
* a falta de imagens significa que o comercial precisa se esforçar mais para alcançar o impacto dramático da televisão
(BURTENSHAW, 2010, p. 57)

* muitas estações em cada mercado

* mensagens efêmeras (é fácil o ouvinte perder ou ouvir pela metade uma informação, por isso, é preciso repetição)
(SISSORS, 2001, p. 272-273)

* devido à sua baixa cobertura por mensagem, numa campanha ampla, é necessária mais frequência de comerciais para aumentar a cobertura

* sua cobertura é lenta
* por ser uma mídia local, para as campanhas nacionais será preciso uma programação de centenas de emissoras e, neste caso, a vantagem do baixo custo unitário desaparece 
(TAHARA, 2004, p. 35).  



O rádio e a política Vargas

O rádio desempenhou um papel fundamental para a difusão dos princípios e ações governamentais de Getúlio Vargas. O ex-presidente aproveitou as potencialidades e as peculiaridades deste meio que a cada dia, ganhava popularidade e estava ao alcance de mais brasileiros. Através do rádio, a voz e as palavras de Getúlio Vargas chegavam aos quatro cantos do Brasil. Com a popularização, sua linguagem passou a ser coloquial, pois muitos de seus ouvintes eram analfabetos e necessitavam de uma linguagem mais popular para sua assimilação. Schmidt (1997, p. 295) nota que “milhões de pessoas grudavam a orelha perto das válvulas eletrônicas, saboreando cada pedacinho de música ou de novela. Nos anos 40 e 50, o Brasil entrou na era da cultura industrial de massa”. O rádio popularizava-se no país e democratizava a informação e o lazer, pois não era preciso saber ler para embalar-se com as músicas transmitidas, acompanhar as telenovelas e as informações do Brasil.
O rádio unia os brasileiros num sentido de coletividade, tornando as aspirações e os desejos individuais em aspirações e desejos de toda a Nação. Getúlio Vargas, tendo consciência da importância desse meio, utilizou intensamente suas qualidades para conquistar os brasileiros, propagar seus princípios e levar as notícias do governo e do país para um amplo número de pessoas, que podiam morar em lugares muito distantes e/ou até mesmo serem analfabetos. Conforme Schmidt (1997), o DIP atuou fortemente no rádio, tanto através da censura às letras de músicas e às telenovelas que eram transmitidas, como na utilização desse meio para fazer seu governante chegar às massas.
Em 22 de julho de 1935, o governo lançou o programa “Hora do Brasil”, transmitido para todas as emissoras de rádio. Esse programa foi lançado pelo DPDC (Departamento de Propaganda e Difusão Cultural), tendo como principal objetivo divulgar as realizações do governo, dando maior enfoque para os feriados patrióticos do que para os religiosos. Porém, é a partir de 1937 que o programa ganha caráter compulsório, ou seja, “deveria ser obrigatoriamente transmitido em rede nacional de rádio, todos os dias úteis, das 18h45min às 19h30min, em ondas médias e curtas, e das 19h30min às 19h45min somente em ondas curtas”, com o intuito de divulgar “a cultura, o gosto da boa música e da boa literatura” (HAUSSEN, 2001, p. 41).
Compreendemos, então, que o rádio foi um importante meio de propagação das ideias de Getúlio Vargas e de seu governo. Com um cunho político populista, esse meio era utilizado de forma demasiada e atuava, de forma geral, como um elo mais íntimo entre o Presidente e a população brasileira, pois aumentava o contato entre estes. Seus conselheiros perceberam que, quando a voz do Presidente era ouvida, a população respondia de forma positiva a este toque pessoal. As palavras de Getúlio Vargas chegavam a um número maior de pessoas, visto que, no ano de 1940, existia um milhão de aparelhos de rádio no Brasil, capazes de “sintonizar programas transmitidos no Rio de Janeiro” (LEVINE, 2001, pp. 97-141). A voz tem fundamental importância na construção de relações. No caso de Getúlio Vargas, o rádio possibilitou-lhe estar em diversos lugares ao mesmo tempo, sem precisar movimentar-se, pois as ondas das transmissões radiofônicas transmitiam seus discursos àqueles que se localizavam ao lado de seus aparelhos de rádio, atentos aos pronunciamentos do então Presidente.

Modelo de Pedido de Inserção



                   

Pesquisas
Tabela de preços A tarde FM 
Tabela de preços Rádio Atlântida 

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