Persépolis
É muito difícil escrever sobre um livro tão legal. Até porque, minha capacidade "mental" não alcançaria a magnitude da obra.
Persépolis é uma HQ autobiográfica escrita pela Marjane Satrapi. A autora conta-nos sua vida no Irã, desde a infância até sua ida para a França, já adulta. Através de sua história, conhecemos também a história desse país e as guerras e tragédias que os acompanharam. Satrapi vive em um local onde testemunha a ditadura imposta por Xá e a posterior irrupção do regime fundamentalista dos ayatolás.
Bisneta de um imperador do país, teve uma educação que combinou a tradição da cultura persa com valores ocidentais e de esquerda. Assistiu à derrubada do xá, em 1979, por uma revolução popular que se converteu em uma ditadura islâmica. Revoltada com a violência da guerra Irã-Iraque e o endurecimento do regime, Marjane foi enviada pelos pais para o exílio na Áustria, aos 14 anos. Depois de voltar ao Irã, onde estudos belas-artes (e casar e separar), estabeleceu-se na França como autora e ilustradora (informações contidas na orelha do livro).
Persépolis é uma história que fala sobre liberdade, luta, ditadura, família, resistência, amor. Mas acima de tudo, mostra-nos que, apesar das adversidade, (dos bombardeios, das mortes, da perda dos amigos e parentes, da falta de direitos humanos) precisamos ir além, questionar e não se deixar convencer pelo contexto. E como diz uma tal música, de uma tal Elis Regina, "é preciso força, é preciso raça, é preciso ter gana sempre!".
Aliás, após a leitura desta história, fiquei até com vergonha das reclamações que faço da vida.
"Naquele dia, aprendi uma coisa fundamental: só podemos ter dó de nós mesmos
quando ainda é possível suportar a infelicidade.
Quando ultrapassamos esse limite, o único jeito de suportar o insuportável é rir dele".

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