Morte Súbita

by - fevereiro 14, 2014



Sobre o livro:


J. K. Rowling é J. K. Rowling. Não adianta. Ela é simplesmente sensacional ao descrever qualquer trama. Mas pra quem esperava alguma coisa parecida com Harry Potter, o livro deve ter causado alguma frustração porque não lembra em nada a história do bruxinho, a única semelhança fica na narrativa envolvente e descritiva da autora. Segundo a Tatiane Feltrin, esse livro pode ser considerado uma "novela contemporânea de tema adulto".  Tema adulto porque você encontrará cenas com bullyng, violência doméstica, crimes, roubos, consumo de drogas, estupros e por aí vai. 

Pra mim não foi uma leitura fácil, apesar de ser uma escrita agradável e o papel que foi impresso ser fantástico. Comecei a leitura em meados de junho de 2013 e terminei em meados de janeiro de 2014. Tive um trabalhinho para ler as 500 páginas da história. Mas não sei se por costumo, ou por conta do enredo, as últimas 250 eu li em menos de uma semana. Ou seja, bastou chegar no meio do livro para eu não conseguir mais largá-lo. 

Eu simplesmente adorei essa leitura. Quando li a última página eu chorava compulsivamente. Era só olhar para o livro que eu voltava a chorar. Até a metade do livro você vai conhecendo os diversos personagens que compõem a história, talvez isso tenha deixado a leitura mais chata, mas depois as coisas vão se desenrolando e você começa a desejar saber o que irá acontecer. Achei o livro triste, triste, triste, doído. Senti cada palavra que finalizava essa história. Não imaginava que essa leitura pudesse me tocar tanto. Acredito que J. K. Rowling conseguiu passar um pouco do egoísmo, mesquinhes e dor que compõe nosso dia a dia, e retratou isso falando, essencialmente, sobre perdas, como por exemplo, em uma morte súbita. 


Sobre a história:
Spoiler alert


A história se passa em uma cidadezinha fictícia do interior chamada Pagford, que é dividida entre um bairro rico e um bairro pobre. O início da trama se dá quando Barry morre (eis então a morte súbita). Ele era querido por (praticamente) toda a cidade, era membro do conselho municipal e tinha alguma ligação (era amigo, treinador, colega) com os núcleos familiares que compõe a história. Nós vamos conhecendo essas famílias a partir da reação de cada, perante a morte de Barry. 

No entanto, após essa reação, as pessoas começam a se articular para ocupar o cargo do morto no conselho da cidade. E dividem-se entre aqueles que compartilhavam da opinião dele, de que o bairro pobre deveria permanecer ligado à cidade e ser "protegido e cuidado", digamos assim, por seus responsáveis, e aqueles que acreditavam que o bairro pobre deveria ser desligado de Pagford. E é por intermédio dessa separação de opiniões e pela disputa entre as famílias pela vaga de Barry que descobrimos os seus podres. Todos tinham segredos que os atormentavam. Coisas mesquinhas, pesadas, escrotas demais para serem trazidas à público. 

É a horrível relação que essas famílias tem com seus filhos (eles são pais horríveis e cruéis) que faz esses segredos virem à tona. Sabendo hackear o site do conselho municipal, os adolescente começam a publicar mensagens em nome do Fantasma de Barry FairBrother. Eles, como forma de vingança contra os pais, expõem suas fraquezas e segredos, causando perdas de emprego, mudanças e afastamentos, além de um burburinho na cidade. 

O contexto da história que mais me tocou foi a de Krystal Weedon, uma adolescente problemática de 16 anos, moradora do bairro pobre, que era cuidada por uma bisavó que falece e mora com a mãe viciada em heroína, e o irmãozinho de 3 anos, que em todo o momento é ameaçado ser retirado da família por incapacidade de cuidar do garoto. Ela é uma menina encrenqueira, briguenta, matava aula, "dava" por aí, mas aos poucos vamos percebendo como uma menina incrível se esconde por trás dessa máscara. Ela não sabe quem é seu pai, tem irmãos que não conhece, precisa cuidar do irmão e da mãe, já viu gente morta no seu banheiro, foi estuprada pelo namorado da mãe e ainda assim acredita que consegue uma vida melhor para ela e o irmão (apesar de o meu para chegar a esse fim não seja o mais digno). Com a morte de Barry FairBrother, Krytal perde uma das únicas pessoas que acreditavam em seu potencial, uma das poucas pessoas que via para além da menina problema e enxergava a amiga, irmã e remadora incrível que ela era. Bem, o final dela passa longe de ser um final feliz, e foi aí que meu coração ficou pequenininho e eu só conseguia chorar. 

Enfim, livro incrível. 



Referências:
Título: Morte Súbita
Título Original: The Casual Vacancy
Autor: J. K. Rowling
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2012
Páginas: 504


Resenhas:

Resenha 1
Resenha 2
Resenha 3

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