Contágio

by - junho 07, 2014



Sinapse:
Se você respondeu propaganda, pense de novo. Hoje as pessoas não dão mais tanta importância para anúncios, elas escutam opiniões. Mas por que falamos mais sobre certos produtos e ideias do que outros? Por que algumas histórias e boatos se espalham com mais facilidade? E o que faz um conteúdo on-line tornar-se viral? Jonah Berger, professor de Marketing de Wharton, passou a última década respondendo essas perguntas. Ele estudou, por exemplo, por que artigos do The New York Times estão sempre na lista dos textos mais enviados por e-mail, ou por que alguns produtos geram boca a boca, e como a influência social define desde os carros que compramos às roupas que vestimos e os nomes que damos a nossos filhos.



Resumo/resenha:
Lançado em 2014, o assunto do livro é tão atual quanto a sua edição. De forma envolvente, explicativa e interpretativa, Jonah Berger mostra-nos os seis passos essenciais para uma ideia/produto/iniciativa pegar. Não são exatamente “as seis regras do contágio”, mas são contextos que os cases virais têm em comum. O autor percebeu esses seis passos no decorrer de longos anos de pesquisas, observando similaridades e discrepâncias entre aquilo que as pessoas mais compartilhavam. A obra, então, é a explicação e a exemplificação de cada passo (onde cada um dos capítulos dedica-se a um deles). 

O primeiro exemplo do autor é a Blendtec. Em 2006, a Blendtec contratou George Wright como diretor de marketing da empresa. Certo dia, ele observou Tom Dickson (dono da empresa) testando os liquidificadores, de modo um tanto quanto peculiar: triturando madeira, entre outras coisas. George então teve uma ideia. Gastou cinquenta dólares na compra de bolas de gude, bolas de golfe e um ancinho; colocou um jaleco branco em Tom, direcionou uma câmera para ele e pediu para que ele repetisse seus testes. Resultado: o liquidificador transformou as bolas de gude em poeira de vidro, George postou o vídeo no YouTube e deu início a um dos maiores virais produzidos por uma empresa: o “Será que vai bater?”. O primeiro vídeo teve mais de 300 milhões de visualizações e “a campanha aumentou as vendas do liquidificador no varejo em 700%”. Hoje em dia Tom tritura de tudo, desde CD’s do Justin Bieber, iPhones até iPads. Para o autor, “a história da Blendtec demonstra um dos principais aspectos do conteúdo contagiante. A viralidade não nasce, ela é produzida”  (p. 26-27).   


Os seis princípios do contágio

Princípio 1: Moeda Social
Que impressão as pessoas causam ao falar sobre um produto ou uma ideia? A maioria prefere parecer esperta em vez de burra, rica em vez de pobre e descolada em vez de panaca. Assim, como as roupas que vestimos e os carros que dirigimos, aquilo que falamos influencia o modo como os outros nos veem. É a moeda social. Saber de coisas bacanas – como um liquidificador que pode despedaçar um IPhone todinho – faz as pessoas parecerem sagazes e antenadas. Assim, para fazer com que as pessoas falem, precisamos elaborar mensagens que as ajude a atingir essas impressões desejadas. Precisamos encontrar a notabilidade interior e fazer com que as pessoas se sintam por dentro do que se passa. Precisamos alavancar uma mecânica de jogo para dar às pessoas formas de alcançar símbolos de status visíveis que elas possam mostrar aos outros. 


A bruxa de Blair (Custou 35 mil dólares. Faturou 248 milhões de dólares)

Fourquare



Princípio 2: Gatilhos
Como lembramos as pessoas de falar sobre nossos produtos e ideias? Gatilhos são estímulos que incitam as pessoas a pensar em coisas relacionadas. Manteiga de amendoim nos faz lembrar de geleia, e a palavra “cachorro” nos faz recordar a palavra “gato”. Se você mora na Filadélfia, ver um sanduíche de filé com queijo pode fazer lembrar daquele de cem dólares da Barclay Prime. As pessoas com frequência falam do que quer que lhes venha à cabeça; portanto, quanto mais as pessoas pensarem em um produto ou ideia, mas ele será falado. Precisamos planejar produtos e ideias que sejam frequentemente acionados pelo ambiente e criar novos gatilhos ligando-os a sugestões prevalentes naquele ambiente. O top of mind acaba na ponta da língua. 


Rebecca Black (e o pico de visualizações no YouTube nas sextas-feiras)


Man drinks fat

Princípio 3: Emoção
Quando nos importamos, compartilhamos. Assim, como podemos elaborar mensagens e ideias que façam as pessoas sentir algo? Conteúdo naturalmente contagiante em geral evoca algum tipo de emoção. Liquidificar um iPhone é surpreendente. Um potencial aumento de impostos é enraivecedor. Coisas emocionais com frequência são compartilhadas. Assim, em vez de martelar sobre a função, precisamos enfocar as sensações. Mas [...] algumas emoções aumentam o compartilhamento, ao passo que outras na verdade o reduzem. Por isso, precisamos escolher as emoções certas para evocar. Precisamos atear fogo. Às vezes, até mesmo emoções negativas podem ser úteis.   




Parisian Love

Princípio 4: Público
As pessoas conseguem ver quando os outros estão usando nosso produto ou se engajando no comportamento desejado por nós? A famosa frase “o macaco vê, o macaco faz” captura mais do que a tendência humana para imitar. Também nos diz que é difícil para o macaco copiar algo que não pode ver. Tornar as coisas mais observáveis facilita que sejam imitadas, o que aumenta a probabilidade de ficarem populares. Desse modo, precisamos tornar nossos produtos e ideias mais públicos. Precisamos planejar produtos e iniciativas que se anunciem por si mesmos e criem resíduo comportamental que perdure mesmo depois de as pessoas terem comprado o produto ou adotado a ideia. 


Princípio 5: Valor prático
Como podemos elaborar conteúdo que pareça útil? As pessoas gostam de ajudar os outros; portanto, se pudermos mostrar que nossos produtos e ideias vão poupar tempo, melhorar a saúde ou economizar dinheiro, elas vão divulgar. Mas, tendo em vista o quanto as pessoas são inundadas por informação, precisamos fazer nossa mensagem sobressair-se. Precisamos realçar o valor incrível do que oferecemos – em termos monetários e outros. E precisamos embalar nosso conhecimento e competência de modo que as pessoas possam passa-la adiante facilmente. 



Princípio 6: Histórias
Em que narrativa mais ampla podemos envolver nossa ideia? As pessoas não compartilham apenas informação, elas contam histórias. Mas, assim como o conto épico do Cavalo de Tróia, as histórias são recipientes que portam coisas como moral e lições. A informação viaja disfarçada do que parece conversa fiada. Assim, precisamos construir nossos cavalos de Troia, embutindo nossos produtos e ideias em histórias que as pessoas queiram contar. Mas precisamos fazer mais do que apenas contar uma bela história. Devemos tornar a viralidade valiosa. Precisamos tornar nossa mensagem tão intrínseca à narrativa a ponto de as pessoas não poderem contar a história sem ela. 



Roller Babies da Evian (história que não deu certo) 

> "Nunca diga não ao Panda" (história que deu certo)



Resumindo:

Moeda social: Compartilhamos coisas que geram uma boa imagem de nós.
Gatilhos: Top of mind, na ponta da língua.
Emoção: Quando nos importamos, compartilhamos.
Público: Feito para aparecer, feito para crescer.
Valor prático: Novidades que se podem usar.
Histórias: A informação viaja disfarçada de conversa fiada. 


Referência:
BERGER, Jonah. Contágio: por que as coisas pegam. Rio de Janeiro: Leya, 2014. 



Sobre o autor:

Jonah Berger é professor de Marketing na The Wharton School e é considerado um prodígio da disciplina. Além de lecionar, o autor dedica-se à investigação sobre a influência social e já publicou vários artigos sobre a temática nos meios académicos e também na imprensa generalista, com destaque para o The New York Times, The Wall Street Journal, The Washington Post, Wired ou BusinessWeek. Berger recebeu várias distinções, nomeadamente os prêmios Iron Professor Teaching Award e MBA Curricular Innovation Award da Wharton School.


Resenhas e links:


Publicidade Viral
Case 1_Somos todos macacos


Relato sobre o livro 5:15


Imagens




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