Adeus, Facebook

by - julho 19, 2014


Sobre a leitura

Antes de começar a leitura, eu já estava com os dois pés atrás. Mas sei que nem tudo são flores, então baixei a crista e fui ler o que o autor pensa por "fim do Facebook". Ele me convenceu, até por ali. Ainda sou do time que defende as redes sociais. No entanto, eu dei muito risada no decorrer do livro, não pelos fatos narrados, mas como foram narrados. Esse cara é demais. Escreve muito bem e de uma forma muito, mas muito divertida. Quem dera se eu pudesse escrever assim os meus trabalhos. Só para exemplificar, ele chama Gutenberg de Gut, pede "meus sais" quando conta-nos alguns despautérios e até coloca algumas letras de música no meio do livro porque o assunto lembrou alguma canção. Ou seja, um cara espirituoso.  


Sobre o livro

Defendendo o surgimento de um “mundo pós-digital”, London (2014) apresenta-nos as mudanças que a sociedade presenciou na linguagem e na comunicação. Argumenta que, da comunicação oral, rumamos para a comunicação escrita reproduzível e, posteriormente, à expressão digital. O auto chama-nos a atenção para esse panorama histórico ao perceber que entre a cultura oral e a cultura escrita reproduzível passou-se 3 mil anos. Já entre a cultura reproduzível e a expressão digital passaram-se apenas 500 anos. Assim, London (2014, p. 14) acredita que “a sociedade pós-digital poderá perfeitamente surgir entre 50 e 100 anos da consolidação da era digital”, levando-se em consideração o encurtamento do tempo entre um marco histórico e outro.
 London (2014, p. 15) define celulares, arquivos em nuvens, internet como “tecnologias de individualização”, alegando que “a maldita internet”, reconfigurou a nossa concepção do que é estar sozinho. Para elucidar a questão, lembra-se de uma pesquisa desenvolvida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico que colocava em pauta a questão: “para vocês, o que é hoje a solidão?”, a resposta da maioria dos pesquisados foi que “solidão é não estar conectado”. London (2014, p. 19) conclui: “essa é a solidão do século 21, que deixa de lado a presença física de outros humanos no mesmo ambiente, mas declara ser imprescindível estar no mesmo ambiente onde estão hoje 2 bilhões de humanos”. Assim, a principal atividade deste “homo tela” será “olhar e interagir com uma tela”. Este é, para o autor, “um mundo de solitários num mundo de massas conectadas”. Neste sentido, London (2014, p. 27) também questiona-nos sobre como eram nossas vidas sem redes sociais como o Facebook e o Twitter, ou sem o auxílio do Google sempre que necessitássemos. London (2014, p. 28) argumenta que há 15 anos vivíamos sem essas plataformas, e, dentre de 15 anos, mais ou menos, voltaremos a viver sem elas. Isso porque, para o autor, “o tempo de tecnologia é curto”. Em outras palavras, a tecnologia “já era”.   
Junto, ou mesmo antes da tecnologia, as redes sociais também se extinguirão, na visão do autor. London (2014, p. 37) conta-nos que em 2009 previu o fim do Orkut. De fato, o Google, proprietário da rede social, anunciou no dia 30 de junho de 2014 que o Orkut será encerrado em 30 de setembro de 2014, dando fim a uma história de 10 anos de uma das redes sociais mais utilizadas pelos brasileiros, e que, por muito tempo, imperou no país. O diretor de engenharia do Google, Paulo Golgher (2014, online), finaliza o texto publicado no blog do Orkut, em que dá a notícia da morte da rede social, afirmando: “Foram 10 anos inesquecíveis. Pedimos desculpas para aqueles que ainda utilizam o Orkut regularmente. Esperamos que vocês encontrem outras comunidades online para alimentar novas conversas e construir ainda mais conexões, na próxima década e muito além”. Depois do Orkut, a próxima rede a se extinguir será o Facebook, constata London (2014, p. 37). O autor chega a esta conclusão apresentando-nos pesquisas que constatam a queda da popularidade, dos acessos e dos rendimentos do Facebook. Alguns jovens americanos, relata-nos London (2014, p. 37), começaram a migrar para outras redes sociais, ao perceberem que o Facebook já não é uma rede social tão moderna. Para Jake Kats (apud LONDON, 2014, p. 37), arquiteto-chefe do site Ypulse, isso se dá porque o Facebook é “um apelo de massas para que multidões incluam seus filhos e familiares como amigos, criando uma conversa familiar e não uma rede social”, afirmando ainda que os jovens buscam uma plataforma nova porque “há um novo sabor de gratificação pessoal na procura de novas redes, papel que o Face já não pode mais cumprir”. Em resumo, o Facebook é um “sites das vovós”, afirma o autor. Além disso, o Twitter também não escapa do pessimismo de London (2014, p. 60), definido pelo autor como “uma variação da Revista do Rádio” do século 21.  
No entanto, antes mesmo das redes sociais se extinguirem, London (2014, p. 42) chama-nos a atenção para algumas estatísticas. Segundo ele, o acesso à internet se dá por três principais motivos: 1º lugar: entretenimento em tempo real; 2º partilha de arquivos (P2P) e 3º lugar: Web, ou seja, “contatos feitos pela rede em sites que englobam pesquisas, textos, comércio eletrônico, acesso remoto a serviços diversos, e-mails, blogs, etc”. Nesta pontuação, as redes sociais são irrelevantes na Ásia e na Europa, na América do Norte pontuam com 2,7% de acessos, sendo notada apenas na América Latina, pontuando 5,9% dos acessos. Para London (2014, p. 42), estes dados podem ser sintetizados de um modo muito simples: se você deseja ser o hype da rede, “redes sociais nem pensar”.
Enfim, London (2014, p. 114) mostra-se como aquele que tem e pede “cautela e passos medidos”, nesta nova conjuntura social. Para o autor, nem todo o empreendedorismo que dá certo é digital, nem tudo que é digital é bom, e nem tudo que é bom é algo novo. Assim, acredita que devemos dar alguns passos para trás, aprendermos a viver menos dependente da tecnologia, empenhando os nossos esforços para acabar ou ao menos diminuir o percentual de analfabetos funcionais no país, ou ainda, com o baixo e vergonhoso índice de leitura anual do brasileiro, e, por fim, percebendo que somos uma sociedade que está envelhecendo.  

Além disso, London ainda fala sobre criatividade, leitura, empreendedorismo, futuro e muito mais. :)


Sugestão do autor

A sugestão do autor é o livro Rápido e Devagar, escrito por um psicólogo e que ganhou o Prêmio Nobel de Economia. 

Sinopse: Do Prêmio Nobel de Economia, Daniel Kahneman. Todos nós acreditamos que o homem por ser dotado de razão, é capaz de conter os instintos e as emoções, avaliando objetivamente as situações e escolhendo, dentre várias alternativas, a que lhe é mais vantajosa. Estudos conduzidos durante anos pelo autor, um dos mais importantes pensadores do século XXI, colocam em xeque a ideia de que a nossa tomada de decisões é essencialmente racional.Em Rápido e Devagar: duas formas de pensar, Kahneman nos leva a uma viagem pela mente humana e explica as duas formas de pensar: uma é rápida, intuitiva e emocional; a outra, mais lenta, deliberativa e lógica. O autor expõe as capacidades extraordinárias - e também os defeitos e vícios - do pensamento rápido e revela o peso das impressões intuitivas nas nossas decisões. 


Sobre do autor

JACK LONDON é economista, consultor, professor e empresário. Foi um dos pioneiros da Internet no Brasil ao criar o site Booknet.com.br, que depois foi vendido e renomeado para Submarino. Fundador e primeiro presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, tem no currículo mais de mil palestras e aulas em vários países sobre tendências da sociedade com os impactos da Tecnologia da Informação. Foi Presidente do Conselho Consultivo da Ideiasnet, a primeira empresa do setor de TI a se tornar pública no Brasil e é professor convidado do ITA, da FGV e da COPPEAD. Foi contratado em 2005 pelo Google para exercer no Brasil a função de Google Ambassador, espécie de Conselheiro Sênior, cargo que exerceu até 2007. É colunista da edição online da revista Pequenas Empresas, Grandes Negócios, onde parte dos textos aqui compilados foram originalmente divulgados. (FONTE)


Resenhas:

Referência:
LONDON, Jack. Adeus, Facebook: o mundo pós-digital. Rio de Janeiro: Valentina, 2014. 

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