Para onde ela foi

by - novembro 03, 2014


Que livro! Que ânsia por cada página.

“Para onde ela foi” é a continuação da história de “Se eu ficar”, ambas da escritora Gayle Forman. Acredito que não tem como eu tentar explicar o porquê do meu encantamento com o livro sem dar um spoiler da história.

Bem, em “Se eu ficar”, conhecemos a história da Mia, uma violoncelista que sofre um acidente de carro com a sua família em uma manhã que parecia normal. Ela perde toda a família, ficando um tempo em coma. Mas, desde o momento do acidente, Mia acompanha cada passo que acontece com ela, mas como uma espectadora. Lembram do filme Gust, quando o Sam sai correndo atrás do bandido que o assaltou, mas quando volta encontra seu corpo nos braços da Molly? Então, é mais ou menos isso o que acontece com a Mia, ela demora um tempo para perceber que também está deitada na estrada, assim como sua família. Mas o Sam está morto, e Mia não. Então ela acompanha o corpo até o hospital e assiste tudo o que acontece ao seu redor, vê sua família, amigos, avós. Vê e ouve tudo o que lhe dizem. Lembram do filme “E se fosse verdade”? É o que também acontece com a Mia, mas ninguém pode ver ela, como no filme da Reese.

A choradeira desembesta quando Mia começa a se questionar se de fato quer viver, quer lutar para voltar à vida, já que voltará órfã, sem pai, mãe e irmão. Tem certeza de que não quer “ficar para trás”, quer seguir com sua família e encontra-los. A não reação dela aos procedimentos médicos demostra que de fato permanecer viva não é um desejo dela, e sim, dos avós. Então um mar de lágrimas surge quando o avô de Mia (que não demonstrava afeto publicamente) tem uma conversa com seu corpo, dizendo que entende se ela decidir partir, pois sabe toda a dor que a neta terá que enfrentar. Ele gostaria que ela ficasse, mas se não o fizer, vai entender.

Kim, sua melhor amiga, faz o contrário: enumera todas as pessoas que fazem vigília no hospital, e lembra à amiga que tem muita gente querendo que ela fique. E o chororo se completa quando Adam, namorado de Mia, entra na UTI, e faz uma promessa para ela: se ela ficar, fará tudo o que ela quiser, mesma que o desejo seja ficar longe dele. Tudo, desde que ela fique. Coloca fones de ouvidos nela, com uma de suas músicas clássicas favoritas. Neste momento, Mia começa a sair do coma.

“Para onde ela foi” começa de um jeito estranho, não dá pra entender muito bem a conexão com o primeiro livro, mas depois tudo se esclarece. Este, ao contrário do primeiro, é contado por Adam. Que se tornou um super astro do rock, mas virou uma pessoa deprimida, solitária, dependente de remédios/cigarros e amargurada, depois que Mia deu um pé nele (Lembram do filme “O som do coração”? Pois é, eles também são um casal banda de rock/violoncelo). É como se uma perda gerasse outra perda, mas ao contrário de Mia, não tem ninguém zelando por Adam ou comovido com sua dor. Ele se afunda na casa dos pais por um ano. Por um ano não encosta em sua guitarra, por um ano fica vegetando e esperando um pedido de desculpas que nunca chegava. Após esse período de “luto”, ela transforma a dor em letras de música, e assim começa sua carreira meteórica. Ele tem tudo, mas também não tem nada. Não tem Mia.

Mas a vida sempre tem suas segundas chances, as coisas se esclarecem e tomam o rumo que tinham, antes daquele caminhão no meio do caminho. Mas até chegar aqui, o coração aperta, a espinha se enrijece e um abraço apertado se faz necessário. Enfim, é preciso saber lidar com perdas, e também saber lidar com aquilo que resta delas.

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