A história de "O"
by
Tauana Jeffman
- novembro 24, 2014
De vÃdeo em vÃdeo eu acabei descobrindo "A história de 'O'", uma HQ de Guido Crepax. Fiquei interessada e curiosa, mas foi na Feira do Livro de Porto Alegre deste ano que eu a avistei. A HQ foi minha única compra (em benefÃcio próprio).
Depois de ver o vÃdeo da Tati sobre a história, concordo plenamente com ela: é preciso ter estômago. A obra é uma HQ erótica, digamos, mas recheada de sadomasoquismo, submissão e até uma pitada de zoofilia. É chicote pra tudo que é lado. Sexo em ferro e brasa, literalmente. Crepax, com um traço incrÃvel (e detalhes impressionantes) apresenta-nos um conteúdo pesado que fará a umidade relativa do ar aumentar.
Contudo, Crepax é conhecido essencialmente pela obra Valentina, que se não me engano, inspirou o nome do bar erótico de Porto Alegre: o Valentina Bar 18+
Segundo o Skoob, Guido Crepax (n. Guido Crepas, Milão; 15 de julho de 1933 - 31 de julho de 2003) foi um artista, ilustrador e autor de histórias em quadrinhos italiano. Celebrizou-se sobretudo com as histórias de sua personagem Valentina, criada em 1965 e caracterizada por uma série em quadrinhos que envolve conteúdo erótico e artÃstico, sendo bastante representativa do espÃrito estético da década de 1960. Notabilizou-se também pela linguagem sofisticada, "cinematográfica", de seus desenhos. É considerado também um dos principais nomes dos quadrinhos europeus de temática adulta na segunda metade do século XX.
Para onde ela foi
by
Tauana Jeffman
- novembro 03, 2014
Que livro! Que ânsia por cada página.
“Para onde ela foi” é a continuação da
história de “Se eu ficar”, ambas da escritora Gayle Forman. Acredito que
não tem como eu tentar explicar o porquê do meu encantamento com o livro sem
dar um spoiler da história.
Bem, em “Se eu ficar”, conhecemos a
história da Mia, uma violoncelista que sofre um acidente de carro com a sua
famÃlia em uma manhã que parecia normal. Ela perde toda a famÃlia, ficando um
tempo em coma. Mas, desde o momento do acidente, Mia acompanha cada passo que
acontece com ela, mas como uma espectadora. Lembram do filme Gust, quando o Sam sai correndo atrás do bandido que o assaltou, mas quando volta encontra seu corpo nos braços da Molly? Então, é mais ou menos isso o que acontece com a Mia,
ela demora um tempo para perceber que também está deitada na estrada, assim
como sua famÃlia. Mas o Sam está morto, e Mia não. Então ela acompanha o corpo
até o hospital e assiste tudo o que acontece ao seu redor, vê sua famÃlia,
amigos, avós. Vê e ouve tudo o que lhe dizem. Lembram do filme “E se fosse verdade”? É o
que também acontece com a Mia, mas ninguém pode ver ela, como no filme da Reese.
A choradeira desembesta quando Mia
começa a se questionar se de fato quer viver, quer lutar para voltar à vida, já
que voltará órfã, sem pai, mãe e irmão. Tem certeza de que não quer “ficar para
trás”, quer seguir com sua famÃlia e encontra-los. A não reação dela aos
procedimentos médicos demostra que de fato permanecer viva não é um desejo
dela, e sim, dos avós. Então um mar de lágrimas surge quando o avô de Mia (que
não demonstrava afeto publicamente) tem uma conversa com seu corpo, dizendo que
entende se ela decidir partir, pois sabe toda a dor que a neta terá que
enfrentar. Ele gostaria que ela ficasse, mas se não o fizer, vai entender.
Kim, sua melhor amiga, faz o contrário:
enumera todas as pessoas que fazem vigÃlia no hospital, e lembra à amiga que
tem muita gente querendo que ela fique. E o chororo se completa quando Adam,
namorado de Mia, entra na UTI, e faz uma promessa para ela: se ela ficar, fará
tudo o que ela quiser, mesma que o desejo seja ficar longe dele. Tudo, desde que ela
fique. Coloca fones de ouvidos nela, com uma de suas músicas clássicas
favoritas. Neste momento, Mia começa a sair do coma.
“Para onde ela foi” começa de um jeito
estranho, não dá pra entender muito bem a conexão com o primeiro livro, mas
depois tudo se esclarece. Este, ao contrário do primeiro, é contado por Adam.
Que se tornou um super astro do rock, mas virou uma pessoa deprimida, solitária, dependente de remédios/cigarros e amargurada, depois que Mia deu um pé nele (Lembram do filme “O som do coração”?
Pois é, eles também são um casal banda de rock/violoncelo). É como se uma perda
gerasse outra perda, mas ao contrário de Mia, não tem ninguém zelando por Adam
ou comovido com sua dor. Ele se afunda na casa dos pais por um ano. Por um ano
não encosta em sua guitarra, por um ano fica vegetando e esperando um pedido
de desculpas que nunca chegava. Após esse perÃodo de “luto”, ela transforma a
dor em letras de música, e assim começa sua carreira meteórica. Ele tem tudo,
mas também não tem nada. Não tem Mia.
Mas a vida sempre tem suas segundas
chances, as coisas se esclarecem e tomam o rumo que tinham, antes daquele
caminhão no meio do caminho. Mas até chegar aqui, o coração aperta, a espinha
se enrijece e um abraço apertado se faz necessário. Enfim, é preciso saber
lidar com perdas, e também saber lidar com aquilo que resta delas.
Análise de Conteúdo
by
Tauana Jeffman
- novembro 02, 2014
Esta é uma pequena (breve e rasa) explicação sobre o conteúdo do livro. Sabemos e esclarecemos que análise de conteúdo é muito mais que isto, e que estes passos se desenvolvem em outros passos mais. Mas simplificando, estas são as etapas que constituem a análise de conteúdo.
"Descrever a história da análise de conteúdo é essencialmente referenciar as diligências que nos Estados Unidos marcaram o desenvolvimento de um instrumento de análise de comunicações, é seguir passo a passo o crescimento quantitativo e a diversificação qualitativa dos estudos empÃricos apoiados na utilização de uma das técnicas classificadas sob a designação genérica de análise de conteúdo; é observar a posteriori os aperfeiçoamentos materiais e as aplicações abusivas de uma prática que funciona há mais de meio século" (BARDIN, 2011, p.15).
Conceitualmente, para Bardin (2011, p.
48) [grifo do autor], a análise de conteúdo é "um conjunto de técnicas de análise das comunicações
visando obter por procedimentos sistemáticos e objetivos do conteúdo das
mensagens indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de
conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas)
dessas mensagens".
Bardin (2011, p. 44) [grifo do autor]
esclarece-nos ainda, que a análise de conteúdo tem como intenção a “inferência de conhecimentos relativos à s
condições da produção (ou, eventualmente, da recepção), inferência esta que
recorre a indicadores (quantitativos ou não)”. Lembrando que inferir é “deduzir
de maneira lógica”, aliando descrição com interpretação dos vestÃgios com os
quais o analista trabalha.
Bardin (2011, p. 125) propõe uma organização para a análise de conteúdo em três
passos:
1) pré-análise
- a leitura flutuante
- a
escolha dos documentos
- a formulação das hipóteses e objetivos
- a referenciação dos Ãndices e a elaboração de indicadores
- a preparação do material
2) a exploração do material
Que "consiste essencialmente em operações de
codificação, decomposição ou enumeração, em função de regras previamente
formuladas”.
3) o tratamento dos
resultados, a inferência e a interpretação
Nas palavras de Bardin (2011, p. 133), “tratar o
material é codificá-lo”, lembrando que codificação é “o processo pelo qual os
dados brutos são transformados sistematicamente e agregados em unidades, as
quais permitem uma descrição exata das caracterÃsticas pertinentes do conteúdo”.
O ato de codificar o material se procede através de três escolhas: “o recorte (escolha
das unidades); a enumeração (escolhas de regras de contagem), e a classificação
e a agregação (escolha das categorias)”.
Referência:
BARDIN,
Lawrence. Análise de conteúdo. São
Paulo: Edições 70, 2011.
O jeito Zuckerberg de fazer negócios
by
Tauana Jeffman
- novembro 01, 2014
"Não queremos que as pessoas se relacionem com o Facebook, mas sim com outras pessoas".
Mark Zuckerberg.
Sinceramente, o livro me surpreendeu. Achei que fosse dizer nada com coisa alguma. Comprei com a esperança de estar errada e de fato estava. Além disso, a leitura flui muito bem.
O livro não tem como objetivo contar a história do Facebook, mas sim, compreender o que fez dele o negócio que é hoje. Para isso, a autora então relata como a rede social foi criada, como atua, como contrata, como Mark se relaciona com seus funcionários e como a empresa leva a sério o propósito ao qual se dedica: “tornar
o mundo mais aberto e conectado”.
Para entender o negócio do Facebook, bem como da Apple, Zappos, Threadless, Dyson, entre outras, Walter foca-se nos 5 P's que fazem a diferença em uma empresa:
- Paixão
- Propósito
- Pessoas
- Produto
- Parcerias
Enfim, para
Walter (2013, p. 142), três elementos contribuÃram de forma decisiva para o
crescimento e o sucesso do Facebook: a paixão de Mark, “sua visão clara para o
propósito do Facebook e as pessoas que contratou [...] para executar sua visão”.
E pra quem não conhece, esse é o vÃdeo "As coisas que nos conectam", citado pela autora como a comemoração do Facebook quando alcançou 1 bilhão de usuários, em 04 de outubro de 2012.
Referência:
WALTER, Ekaterina. O jeito Zuckerberg de fazer negócio: como o CEO mais improvável do mundo construiu o Facebook. São Paulo: Saraiva, 2013.
Marketing de Guerrilha
by
Tauana Jeffman
- outubro 26, 2014
O Marketing de Guerrilha foi criado em
1982 pelo publicitário americano Jay Conrad Levinson, inspirado na modalidade de guerrilha Bélica.
Armas alternativas, criativas, independentes, improvisadas, entre outras caracterÃsticas eram utilizadas como estratégias de resistência dos exércitos mais fracos frente aos mais fortes.
Assim, o marketing de guerrilha surgiu devido Ã
escassez de recursos de algumas pequenas empresas, que precisavam causar grande
impacto com pouca verba.
“Combate-se” as grandes marcas. No
entanto, grandes marcas e empresas passaram a utilizá-lo.
Conceitualmente, Marketing de guerrilha se traduz na
utilização de táticas de marketing não convencionais, concebidas para obter a máxima exposição, atenção
e resultados a
partir de um consumo mÃnimo
de recursos.
O Marketing de guerrilha não deve
focalizar na empresa, mas sim no
cliente, sendo por isso necessário aproveitar
cada oportunidade para ajudar os potenciais e atuais clientes a obter sucesso. A partir do momento que a empresa realiza
um bom trabalho e consegue gerar “boca-a-boca”,
consegue ter sucesso garantido, surgindo, geralmente, de uma combinação de
jornais, revista, rádio, correio e “passa-palavra”.
O objetivo principal do Marketing de
Guerrilha é promover uma “guerra” apanhando as pessoas de surpresa ou, pelo
menos, num local em que estejam
mais receptivas do
que, por exemplo, no intervalo da novela.
"A chave do Marketing de Guerrilha é
a criatividade, fazer algo diferente” Michael
Leonard.
Assim, é necessário estabelecer uma estratégia criativa, que abranja o objetivo da
mensagem criativa, que saliente os benefÃcios para se cumprir esse objetivo, e
que inclua a personalidade da marca.
Tem infinitas vantagens. É relativamente barato, repercute, dá o que falar, consolida e divulga o nome da marca, etc. Contudo, não há como controlar a reação das pessoas frente à ação, e às vezes, essa reação não é positiva, como no caso do Twix em 2010.
Exemplos bacanas:
Se eu ficar
by
Tauana Jeffman
- outubro 23, 2014
Faz um bom tempo que este livro está na minha lista de desejos literários. Não foram poucas as vezes que eu comprava ele na promoção e quando fechava o pedido o livro saÃa mais caro do que na livraria (estamos de olho dona Saraiva, Submarino...).
Eis que estou na livraria, procurando livros pra tese e vislumbro ele na vitrine. Peço um outro exemplar para a vendedora, que afirma que aquele é o último. Respondo: então é meu. Comprei-o e comecei a ler. Como diz na contra-capa, é "impossÃvel para de ler", mesmo. Mas se você não gosta de sick-lit, fique longe. O livro estará ensopado de lágrimas ao final da leitura.
De uma forma geral, o livro trata sobre escolhas. Ficar ou não. Enfrentar ou não. Lutar ou não, pois "nós fazemos as nossas escolhas, e as nossas escolhas nos fazem".
Muitas vezes, as escolhas não são feitas por nós: um amor, uma música, um instrumento, uma famÃlia, um acidente que mudará o trajeto de nossas vidas. Às vezes, somos escolhidos.
Enfim, livro emocionante.
A capa e a diagramação também estão incrÃveis. s2
Trailer
Músicas e livros citados
Como ter uma vida normal sendo louca
by
Tauana Jeffman
- outubro 05, 2014
Esse livro é engraçadÃssimo. Sério.
Não apresenta nenhuma descoberta, afirmação ou constatação que irá mudar a sua vida. Mas se você for um tanto quanto louca. dará boas risadas.
O livro coloca uma lente de aumento nos problemas e conflitos que de fato existem na vida das mulheres loucas, como eu. Mas o engraçado são os "ensinamentos" para sobreviver a eles e ter uma vida normal ~apesar de ser louca~.
São dicas tão absurdas que chegam a ser engraçadas. Mas apesar de absurdas, tem muita gente com esse manual em baixo do braço, aplicado suas teorias. Apenas acho. (Aqui aplico um ensinamento: as indiretas que movem o mundo heheh).
Enfim, barato (custou 20 dilmas), curtinho (tem 206 páginas) e muito divertido. Ótima dica pra dar de presente para si e para a suas amigas loucas, como eu fiz. :)
Cultura: um conceito antropológico
by
Tauana Jeffman
- outubro 05, 2014
Livrinho muito bom de ler. =]
Roque de Barros Laraia (2014, p. 19, grifo do autor), em sua obra Cultura: um conceito antropológico;
assegura que o termo “Kultur era
utilizado para simbolizar todos os aspectos espirituais de uma comunidade,
enquanto a palavra francesa Civilization referia-se
principalmente à s realizações materiais de um povo”. Contudo, os dois termos
foram resumidos por Edward Tylor no termo inglês Culture¸ que “tomado em seu amplo sentido etnográfico é este todo
complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou
qualquer outra capacidade ou hábito adquiridos pelo homem como membro de uma
sociedade”. Laraia (2014, p. 27) que
o termo cultura abrangeu tantas concepções e definições que, para Geertz, uma
das tarefas da antropologia moderna seria exatamente tentar diminuir a
amplitude que o termo tomou.
Laraia (2014, p. 19) explica-nos
a noção de cultura através da visão dos antropólogos, elucidando questões
importantes para a compreensão desta. O primeiro esclarecimento sobre a cultura
é compreender que esta não é determinada geneticamente, pois “o comportamento
dos indivÃduos depende de um aprendizado”. Em outras palavras, isso significa
que “o homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado. Ele é um
herdeiro de um longo processo acumulativo, que reflete o conhecimento e a
experiência adquirida pelas numerosas gerações que o antecederam”.
As diferenças geográficas estabelecidas pelos limites de ambientes fÃsicos
também não são fatores que condicionam diferenças culturais, obrigatoriamente.
É perfeitamente possÃvel “existir uma grande diversidade cultural localizada em
um mesmo tipo de ambiente fÃsico”.
Laraia (2014, p. 52) lembra-nos que a “comunicação é um processo cultural. Mais
explicitamente, a linguagem humana é um produto da cultura, mas não existiria
cultura se o homem não tivesse a possibilidade de desenvolver um sistema
articulado de comunicação oral”.
O autor resgata as concepções do antropólogo
norte-americano Clifford Geetz onde este, percebendo que o cérebro do
“Australopiteco media 1/3” do tamanho do nosso cérebro, concluiu que “a maior
parte do crescimento cortical humano foi posterior
e não anterior ao inÃcio da
cultura”. Tal constatação significa que o homem é produtor da cultura, mas ao
mesmo tempo é produto desta. Além disto, assim como o
próprio homem, a cultura também é dinâmica, modificando-se com o passar dos
anos. A sociedade, por mais que não queira, sempre se transformará.
Referência:
LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. Rio
de Janeiro: Zahar, 2014.
Tribos
by
Tauana Jeffman
- outubro 02, 2014
![]() |
| Aeroporto Santos Dumond - Rio de Janeiro (27/09/2014) |
Sinceramente
me decepcionei com Seth Godin. Esperava um livro sobre tribos e acabei lendo um
livro de “auto-ajuda-profissional” sobre liderança. A noção de tribo é
utilizada pelo autor somente para explicar que as tribos precisam de um lÃder,
e você pode ser esse lÃder. – Você pode fazer a diferença, vença, mostre do que
é capaz e encontre uma tribo para liderar, pois há várias por aà dando sopa, em
busca de alguém que lhes dê um sentido para existir. Tipo isso.
Se
você, assim como eu, interessa-se pela concepção de tribo, encontrará nas 10
primeiras páginas. As restantes são destinadas à queles que querem ser lÃderes
destas tribos.
Mas
eu posso lhe poupar tal trabalho. Seth Godin (2013, p. 09) afirma que uma tribo
é “um grupo de pessoas conectadas uma à outra, conectadas a um lÃder e
conectadas a uma ideia”. O autor diferencia a noção de grupo para a noção de
tribo. Segundo ele, um grupo necessita apenas de dois elementos para existir: uma
maneira de se comunicar e um interesse comum, ou a fé em uma ideia. Já a tribo,
necessitaria destes dois elementos acrescidos de uma liderança.
Para
incrementar a obra, ainda contamos com algumas metáforas um tanto quanto
peculiares, como unicórnios em fábricas de balões, rebanhos de ovelhas e vacas
roxas.

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