Informar não é comunicar

by - agosto 26, 2011


    O livro é de ótima compreensão e leitura fácil. O desafio desse livro, segundo o próprio autor, é repensar a comunicação no momento do triunfo da informação e das tecnologias que o acompanham. Para o autor, informação é abundante e comunicação é raridade. A comunicação acontece porque nós queremos compartilhar, seduzir ou ter convicção. Os receptores são protagonistas desse processo, eles negociam, filtram, hierarquizam, recusam ou aceitam as mensagens recebidas. Hoje, comunicar é negociar, em situação de igualdade. 
    Com a comunicação, sempre a questão é o outro. A comunicação se dá em três dimensões, são elas: tecnológica, cultural e econômica. Comunicar é conviver, se a informação passa verdade, a comunicação passa compartilhamento. Porém, ambos os processos buscam a relação com o outro. A comunicação é um problema de convivência, e de laço social, característica de uma sociedade de movimento, de interatividade, de velocidade, de liberdade e de igualdade. Wolton critica a ideologia tecnicista, afirmando que esta consiste em atribuir um poder normativo, e excessivo às tecnologias de comunicação, transformadas em principal fator de organização e de sentido na sociedade. Sair da ideologia tecnicista significa lembrar que os avanços da comunicação humana não são proporcionais aos avanços técnicos. Afirma que a midiatização da transmissão e a interação não produzem necessariamente um sistema de comunicação. A internet, por exemplo, não substitui a necessidade de encontros presenciais, ao contrário, amplia essa necessidade. Wolton fala sobre um super-humanismo, que seria a necessidade do ser humano de se conectar com chips interativos dos objetos inanimados. O autor defende uma teoria da comunicação que remete para a tradição do pensamento crítico que deseja manter a diferença de natureza entre as ciências, a sociedade e os homens. 
    O autor defende que velocidade e volume não são sinônimos nem de qualidade nem de pluralidade. Nos pergunta pra que tanta velocidade? A lentidão é o tempo dos homens, a velocidade, o tempo das tecnologias. Hoje, todo mundo tá em pé de igualdade, negocia, responde. O modelo de democracia é de convivência de diferenças. A convivência das diferenças está na globalização. Wolton explica-nos que a abundância de informações cria a necessidade de conhecimento para compreendê-las. O problema não é o volume de informação, mas ter o conhecimento necessário para interpretá-las. O autor concluiu que a comunicação é o aprendizado da convivência num mundo de informações onde a questão da alteridade é central. 
    Não existe vida individual ou coletiva sem comunicação. A comunicação nunca é uma prática natural, mas o resultado de um processo frágil de negociação. Se essa negociação termina bem, alcança-se a convivência. O autor finaliza afirmando que não apenas informação não é comunicar, mas comunicação não é transmitir, mas conviver. É por isso que a informação e a comunicação são uma das grandes questões deste começo de século: a questão da paz e da guerra.

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