Imaginários Míticos

by - novembro 11, 2011

O que são imaginários.


 Gilbert Durand (2010, p. 40). argumenta que "o imaginário  constitui o conector obrigatório pelo qual forma-se qualquer representação humana", sendo que "todo pensamento humano é uma re-presentação”. Logo, todo o pensamento humano forma-se pelo imaginárioDurand (2010, p. 103) apresenta-nos então as concepções acerca da "bacia semântica", que para ele, seu conceito "permite a integração das evoluções científicas supracitadas e em seguida, uma análise mais detalhada dos subconjuntos de uma era e área do imaginário: seu estilo, mitos condutores, motivos pictóricos”, ou seja, “propondo uma 'medida' para justificar a mudança de modo mais pertinente do que o menos explícito 'princípios do limite'". 
      A mudança do imaginário ocorre entre 150 a 180 anos, justificada pela duração de três ou quatro gerações. Ou seja, um mesmo imaginário é compartilhado pelo avô, pelo filho e pelo neto, o que daria uma continuidade de cerca de 120 anos. Acrescenta-se então, "o tempo da institucionalização pedagógica de 50 a 60 anos, que permite ao imaginário familiar, sob pressão de eventos extrínsecos, se transformar num imaginário mais coletivo e invadir a sociedade ambiental global" (DURAND, 2010, p. 115).
     O imaginário é uma realidade, é o que afirma o francês Michel Maffesoli. Maffesoli (2001, p. 76) acredita que não exista imaginário individual, mas sim um imaginário coletivo, pois tudo o que temos como visão do real, são concepções formadas a partir de nosso ambiente social, nossas relações, nossas leituras, nossas assimilações de uma sociedade, ou seja, partilhamos os mesmos pensamentos, pois somos frutos de concepções compartilhadas, que acreditamos ser de nossa autoridade, mas foi formada a partir de ideias de terceiros. 

     O autor afirma que o imaginário é "o cimento social", é um "estado de espírito de um grupo", portanto não pode ser individual. Maffesoli (2001, p. 76) argumenta que este imaginário pós-moderno reflete no que ele chama de "tribalismo", onde não existe o teu ou o meu imaginário, mas o imaginário "de um grupo no qual se encontra inserido". Para o referido autor, "o imaginário é determinado pela ideia de fazer parte de algo. Partilha-se uma filosofia de vida, uma linguagem, uma atmosfera, uma ideia de mundo, uma visão das coisas, na encruzilhada racional e não-racional" (MAFFESOLI, 2001, p. 80). 
     De acordo com Silva (2006, p. 07) “todo o imaginário é real. Todo real é imaginário”. Os imaginários são, de acordo com Silva (2006, p. 11-12), um reservatório/motor. De acordo com o referido autor (2006, p. 11-12), o imaginário é um reservatório porque este “agrega imagens, sentimentos, lembranças, experiências, visões do real que realizam o imaginado, leituras de vida e, através de um mecanismo individual/grupal, sedimenta um modo de ver, de ser, de agir, de sentir e de aspirar ao estar no mundo”. 
     O imaginário também é um motor, na medida em que, de acordo com Silva (2006, p. 12), “é um sonho que realiza a realidade, uma força que impulsiona indivíduos ou grupos”. Para Silva (2006, p. 12), o imaginário não é uma “projeção irreal”, ele “emana do real, estrutura-se como ideal e retorna ao real como elemento propulsor”.  


O que são mitos.

Roland Barthes (2007, p. 205), afirma que o mito “é um sistema particular, visto que ele se constrói a partir de uma cadeia semiológica que já existe antes dele: um sistema semiológico segundo" [grifo do autor]. Para o referido autor (2007, p. 214), Mito é um sistema duplo, “no qual se produz uma espécie de ubiqüidade: o ponto de partida do mito é constituído pelo ponto final de um sentido”. 

Eliade (2006, p. 11) afirma que o “mito conta uma história sagrada; ele relata um acontecimento ocorrido no tempo primordial, o tempo fabuloso do ‘princípio’. [...] o mito narra como, graças às façanhas dos Entes Sobrenaturais, uma realidade passou a existir. [...] É sempre, portanto, a narrativa de uma ‘criação’”.    
Para Eliade (2006, p. 13) o mito tem como função “revelar os modelos exemplares de todos os ritos e atividades humanas significativas”. Para o autor, os “mitos narram”, proclamam à sociedade modos de agir, de pensar, modelos de conduta. O autor afirma que são os mitos que narram os acontecimentos primordiais que tornaram o mundo, tal qual conhecemos hoje.

Para Morin (1989, p. 26), mito é “um conjunto de condutas e   situações imaginárias”. Morin (1989, p. 47) afirma ainda que a mitologia da estrela, ou seja, da divindade, é “envolvida por uma dialética do desdobramento, e da reunificação da personalidade, como, aliás, o ator, o escritor, o político”. 


     Para Durand (2010, p. 87), o mito, assim como o onírico, o sonho, o rito, a narrativa da imaginação, trata-se de uma das “manifestações mais típicas do imaginário”.


O que são imaginários míticos

    Para Malrieu (1996), é através de dois níveis distintos que se processa a construção do imaginário mítico: o afetivo e o social. O imaginário mítico surge como o diálogo entre os indivíduos e o seu grupo. Este coloca as questões, sugere as respostas, enquanto o primeiro testa nas suas tarefas a validade de ambas, chegando por vezes a remodelá-las em função das suas descobertas pessoais” (MALRIEU, 1996, p. 79).   

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