Por isso eu sou vingativa

by - novembro 28, 2011



      Amei o livro que a Bruna Teixeira me emprestou. Claudia Tajes, isso já explica o porquê. Tenho gostado cada vez mais dos livros dessa escritora porto alegrense, que consegue nos fazer rir das bizarrices que acontecem nas nossas vidas. Essa vida que oscila na linha tênue entre a tragédia e a comédia. 
     Por isso que sou vingativa conta-nos a história de Sara Gomes, não tão loira, magra, bonita, talentosa e sociável, nem tão aceita pela madrasta, nem tão amada pelo seu pai, nem tão bem sucedida amorosamente quanto sua irmã. Apesar disso, o amor existe entre elas. 
       Sara é uma mulher que larga a faculdade de arquitetura para cuidar do negócio da família, uma lavanderia. A Lave Leve seria sua única ocupação até o dia em que Sara decide elaborar uma lista de ex amores para vingar-se. Sem perspectiva de futuro, já que sua vida se restringia a solidão em meio às roupas sujas de estranhos, ela decide que seus ex devam pagar, por terem a desprezado. 
      Sara busca cada um de seus 8 ex amores, buca saber onde vivem, quem são atualmente, e elabora para cada um uma vingança. Boa o bastante para ser lembrada, leve o bastante para não ser presa. A vingança que mais gostei foi a dedicada à Heitor, colorado doente. Depois de encontrá-lo, Sara conversa com Heitor em um bar, a oportunidade perfeita para que Heitor aprecie sua cerveja batizada com Boa Noite Cinderela. 
     Heitor, já dormindo, é levado por Sara até um quarto de motel longe de sua casa. Acorda todo fardado com o uniforme do Grêmio, depois de várias fotos para registrar o fato. Mas Sara não é tão má, deixa 5,00 reais para que Heitor pegue um ônibus e possa ir embora do motel. Chegando em casa, Sara risca o nome do colorado de sua lista. De azul. 
    O livro não conta um final feliz para Sara, mas conta que após as vinganças feitas, Sara dedica-se a cuidar de si, voltar a fazer o que ela queria, e não o que o destino a empurrou. O final de uma história real, o final que realmente acontece, diferente daquelas histórias que começam com "Era uma vez..."
      O livro termina com frases e declarações de diversas pessoas, sobre a vingança em si, e sobre Claudia Tajes. Claudio Moreno citou uma frase de George Herbert que ao meu ver é perfeita: 

"A melhor vingança é o viver bem"

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