De onde surgiu essa ideia?

by - abril 10, 2012


     
     Acho muito interessante quando descubro a origem de alguns produtos culturais, principalmente quando eles advém de livros que gosto. Parece que quando você vê o produto que o livro inspirou, as ideias deste se tornam um pouco mais claras. É como se houvesse uma "tradução" para o mundo real (se é que ele existe). 
     Praticamente, todo mundo já viu o "Matrix", mas quem destes sabem que o filme foi inspirado nas teorias do Baudrillard? Poucos, creio eu. Eu também descobri isso a pouco tempo, tentando entender essa tal de hiper-realidade. 


Irônico e sagaz, Baudrillard é um severo crítico da pós-modernidade, afirmando que o real deixa de existir, dando seu lugar às simulações e aos simulacros, a uma hiper-realidade. Seus livros, com teorias de “fim dos tempos” e simulacros, inspirou filmes como “Truman Show (1998) e a série Matrix (1999)”. Machado (1996, p. 128) explica-nos que o simulacro, noção em Baudrillard, trata-se de uma “hiperinflação da imagem, a ponto de substituir o real por seu modelo, o ‘efeito real’ camuflando a distância que implica toda a representação, donde a confusão ‘epistemológica’ entre realidade e signo”. O autor ressalta, porém, que o simulacro em Baudrillard, ao contrário de Deleuze, é uma forma “hipertrofiada”.
     Nas palavras do próprio Baudrillard (1991, p. 8, grifo nosso) “a simulação já não é a simulação de um território, de um ser referencial, de uma substância. É a geração pelos modelos de um real sem origem nem realidade: hiper-real”. Simulamos uma realidade, e esta realidade não existe, sendo que, de acordo com Baudrillard (1991, p. 9-10) “simular é fingir ter o que não se tem”. Para o autor, a “coextensividade imaginária” deixa de existir, pois o real é “é produzido a partir de células miniaturizadas, de matrizes e de memórias, de modelos de comando - e pode ser reproduzido um número indefinido de vezes a partir daí”. Este real, porém, já não é real porque “não está envolto em nenhum imaginário”, e, portanto, ele é hiper-real, ou seja, “produto de síntese irradiando modelos combinatórios num hiperespaço sem atmosfera”, uma “substituição no real dos signos do real”. E quando há esta passagem do real para o hiper-real, Baudrillard argumenta que “a nostalgia assume todo o seu sentido. Sobrevalorização dos mitos de origem e dos signos de realidade”.  
      Sobre esta relação entre o hiper-real e o imaginário, Baudrillard (1991, p. 20) ilustra suas concepções com o exemplo da Disneylândia, que segundo ele “é um modelo perfeito de todos os tipos de simulacros confundidos”. Nas palavras de Baudrillard (1991, p. 21)

O imaginário da Disneylândia não é não é verdadeiro nem falso, é uma máquina de dissuasão encenada para regenerar no plano oposto a ficção do real. Daí a debilidade deste imaginário, a sua degenerescência infantil. O mundo quer-se infantil para fazer crer que os adultos estão noutra parte, no mundo ‘real’, e para esconder que a verdadeira infantilidade está em toda a parte, é a dos próprios adultos que vêm aqui fingir que são crianças para iludir a sua infantilidade real.

            Entendemos que na Disneylândia, o imaginário passa a ocupar o lugar da realidade, neste local, vivemos uma hiper-realidade. Encontramos o Mickey, o Pateta, o Donald e acreditamos que estamos abraçando e tirando fotografias com os personagens dos desenhos de Wald Disney, nossa mente simula personagens que não existem, pois não consideramos que estamos na companhia de trabalhadores contratados para vestir uma roupa de personagens e alegrar os visitantes do parque. Ao contrário, acreditamos que ganhamos um abraço do Mickey. Neste mundo da Disney, neste Disney Word, acreditamos que voltamos a ser crianças, estamos liberados a viver e a acreditar neste mundo de fantasia, pois os adultos ficaram lá fora, no “mundo real”, longe desta “fábrica de sonhos”.  
     Esse encantamento, de acordo com Baudrillard (1991, p. 23), também pode ser percebido no cenário político, pois, assim como a Disney, este cenário possui um “efeito imaginário escondendo que não há mais realidade além como aquém dos limites do perímetro artificial”. Sendo que neste caso, o escândalo toma o lugar do fato, juntamente com sua denúncia e, de acordo com Baudrillard (1991, p. 23) “a mesma operação, tendente a regenerar através do escândalo um princípio moral e político, através do imaginário um princípio de realidade em dissipação”.
     A partir das concepções de Baudrillard, compreendemos que as imagens se autonomizam, passam a ter vida própria. Elas tornam-se independentes de quem as construiu, ou as produziu, tornam-se independentes de sua trajetória histórica, passam a ser independentes de sua realidade. 

     
     


     Outro produto cultural inspirado em uma obra clássica é o Big Brother, que é inspirado na obra de George Orwell, 1984. Eu ainda não consegui terminar de ler este livro, mas já li muitas coisas sobre o livro. A história se passa com um sujeito, que vive numa sociedade comandada pelo "Grande Irmão", aquele que tudo sabe, que tudo vê. E este comanda também as notícias, as conversas, tudo o que essa sociedade lê ou sabe. Nesta, os livros e os dicionário foram editados, sendo que nos dicionário, as palavras "revolução" e "liberdade", por exemplo, foram abolidas. Papéis e lápis e alguns livros são artigos de contrabando, e quem os consegue, necessita de muita habilidade para usá-los, porque em cada casa, há uma câmera, por onde o "Grande Irmão" vigia a vida de todos. 



Quer ler mais sobre?

Big Brother, 1984 e George Orwell

1984: obra que batizou BBB em foco no Clube do Livro

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4 comentários

  1. Muito bacana esse texto! Li, adorei e compartilhei!!!

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  2. Teria que ter um botão "curtir" nos comentários. *-*

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  3. Eu já tinha ouvido falar da criação do matrix.
    Bem relevante mesmo esse tipo de informação =)
    gostei do blog

    Aê tem post novo, dá uma comentada?
    (e se ainda não segue, me siga vai *-*)
    www.luliskd.blogspot.com

    valeeu

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    1. Legal que gostou do post. Vou acompanhar seu blog sim.
      Segue o meu ae. =]

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