De onde surgiu essa ideia?
Acho muito interessante quando descubro a origem de alguns produtos culturais, principalmente quando eles advém de livros que gosto. Parece que quando você vê o produto que o livro inspirou, as ideias deste se tornam um pouco mais claras. É como se houvesse uma "tradução" para o mundo real (se é que ele existe).
Praticamente, todo mundo já viu o "Matrix", mas quem destes sabem que o filme foi inspirado nas teorias do Baudrillard? Poucos, creio eu. Eu também descobri isso a pouco tempo, tentando entender essa tal de hiper-realidade.
Irônico e sagaz, Baudrillard é um severo crítico da pós-modernidade,
afirmando que o real deixa de existir, dando seu lugar às simulações e aos
simulacros, a uma hiper-realidade. Seus livros, com teorias de “fim dos tempos”
e simulacros, inspirou filmes como “Truman Show (1998) e a série Matrix (1999)”.
Machado (1996, p. 128) explica-nos que o simulacro, noção em Baudrillard,
trata-se de uma “hiperinflação da imagem, a ponto de substituir o real por seu
modelo, o ‘efeito real’ camuflando a distância que implica toda a
representação, donde a confusão ‘epistemológica’ entre realidade e signo”. O
autor ressalta, porém, que o simulacro em Baudrillard, ao contrário de Deleuze,
é uma forma “hipertrofiada”.
Nas
palavras do próprio Baudrillard (1991, p. 8, grifo nosso) “a simulação já não é
a simulação de um território, de um ser referencial, de uma substância. É a
geração pelos modelos de um real sem origem nem realidade: hiper-real”. Simulamos uma realidade, e esta
realidade não existe, sendo que, de acordo com Baudrillard (1991, p. 9-10)
“simular é fingir ter o que não se tem”. Para o autor, a “coextensividade
imaginária” deixa de existir, pois o real é “é produzido a partir de células
miniaturizadas, de matrizes e de memórias, de modelos de comando - e pode ser
reproduzido um número indefinido de vezes a partir daí”. Este real, porém, já
não é real porque “não está envolto em nenhum imaginário”, e, portanto, ele é
hiper-real, ou seja, “produto de síntese irradiando modelos combinatórios num
hiperespaço sem atmosfera”, uma “substituição no real dos signos do real”. E
quando há esta passagem do real para o hiper-real, Baudrillard argumenta que “a
nostalgia assume todo o seu sentido. Sobrevalorização dos mitos de origem e dos
signos de realidade”.
Sobre esta relação entre o
hiper-real e o imaginário, Baudrillard (1991, p. 20) ilustra suas concepções
com o exemplo da Disneylândia, que segundo ele “é um modelo perfeito de todos
os tipos de simulacros confundidos”. Nas palavras de Baudrillard (1991, p. 21)
O
imaginário da Disneylândia não é não é verdadeiro nem falso, é uma máquina de
dissuasão encenada para regenerar no plano oposto a ficção do real. Daí a
debilidade deste imaginário, a sua degenerescência infantil. O mundo quer-se
infantil para fazer crer que os adultos estão noutra parte, no mundo ‘real’, e
para esconder que a verdadeira infantilidade está em toda a parte, é a dos
próprios adultos que vêm aqui fingir que são crianças para iludir a sua
infantilidade real.
Entendemos que na Disneylândia, o
imaginário passa a ocupar o lugar da realidade, neste local, vivemos uma
hiper-realidade. Encontramos o Mickey, o Pateta, o Donald e acreditamos que
estamos abraçando e tirando fotografias com os personagens dos desenhos de Wald
Disney, nossa mente simula personagens que não existem, pois não consideramos
que estamos na companhia de trabalhadores contratados para vestir uma roupa de
personagens e alegrar os visitantes do parque. Ao contrário, acreditamos que
ganhamos um abraço do Mickey. Neste mundo da Disney, neste Disney Word, acreditamos
que voltamos a ser crianças, estamos liberados a viver e a acreditar neste
mundo de fantasia, pois os adultos ficaram lá fora, no “mundo real”, longe
desta “fábrica de sonhos”.
Esse encantamento, de acordo com
Baudrillard (1991, p. 23), também pode ser percebido no cenário político, pois,
assim como a Disney, este cenário possui um “efeito imaginário escondendo que
não há mais realidade além como aquém dos limites do perímetro artificial”. Sendo
que neste caso, o escândalo toma o lugar do fato, juntamente com sua denúncia
e, de acordo com Baudrillard (1991, p. 23) “a mesma operação, tendente a
regenerar através do escândalo um princípio moral e político, através do
imaginário um princípio de realidade em dissipação”.
A partir das concepções de Baudrillard, compreendemos que as imagens se
autonomizam, passam a ter vida própria. Elas tornam-se independentes de quem as
construiu, ou as produziu, tornam-se independentes de sua trajetória histórica,
passam a ser independentes de sua realidade.
Outro produto cultural inspirado em uma obra clássica é o Big Brother, que é inspirado na obra de George Orwell, 1984. Eu ainda não consegui terminar de ler este livro, mas já li muitas coisas sobre o livro. A história se passa com um sujeito, que vive numa sociedade comandada pelo "Grande Irmão", aquele que tudo sabe, que tudo vê. E este comanda também as notícias, as conversas, tudo o que essa sociedade lê ou sabe. Nesta, os livros e os dicionário foram editados, sendo que nos dicionário, as palavras "revolução" e "liberdade", por exemplo, foram abolidas. Papéis e lápis e alguns livros são artigos de contrabando, e quem os consegue, necessita de muita habilidade para usá-los, porque em cada casa, há uma câmera, por onde o "Grande Irmão" vigia a vida de todos.
Quer ler mais sobre?
1984: obra que batizou BBB em foco no Clube do Livro




4 comentários
Muito bacana esse texto! Li, adorei e compartilhei!!!
ResponderExcluirTeria que ter um botão "curtir" nos comentários. *-*
ResponderExcluirEu já tinha ouvido falar da criação do matrix.
ResponderExcluirBem relevante mesmo esse tipo de informação =)
gostei do blog
Aê tem post novo, dá uma comentada?
(e se ainda não segue, me siga vai *-*)
www.luliskd.blogspot.com
valeeu
Legal que gostou do post. Vou acompanhar seu blog sim.
ExcluirSegue o meu ae. =]