Estratégia em Mídias Sociais

by - agosto 26, 2013

                                           
                                                    A inteligência é coletiva e o capital é social  
  
Interessante o livro de Fabio Cipriani. Gostoso de ler (como a maioria desses livros sobre mídias/redes sociais), a obra apresenta-nos conceitos relacionados às mídias sociais, mas vai além por nos guiar de forma objetiva, através de ações, percepções, roteiros e esquemas, na inserção de uma empresa no universo das mídias sociais.

Como outros livros sobre o tema, também ressalta as características das mídias sociais, suas vantagens para os negócios e a transformação que está causando no mercado e na sociedade. Como outras bibliografias, destaca que agora, com a internet, as pessoas tem voz e vez, podem expressar-se, reclamar, interagir, socializar. Conta-nos alguns casos que são citados em grande parte desses livros, como o caso de Jeff Jarvis com a Dell Hell, da Locaweb, entre outros. Lembra também que as empresas não podem ser as mídias sociais apenas como mídias, mas como uma plataforma de relacionamento, de diálogo.

Sua diferenciação se dá na explanação sobre o novo consumidor (autor explica-nos detalhadamente esse novo consumidor através de suas necessidades, decisões, experiências e impressões), mensuração, ROI e métricas em mídias sociais, com a explicação de estratégias que podem ser utilizadas. Além disso, o livro apresenta uma riqueza ímpar em referências bibliográficas, entrevistas, cases e exemplos.


Curiosidades:

Brazilian Internet Phenomenon: denominação utilizada fora do Brasil para a invasão de brasileiros em sites que não foram criados aqui (como o Orkut, o Facebook e o Twitter). p. 04

Bookcrossing: prática de deixar livros em lugares públicos para que outras pessoas peguem e se sintam encorajadas a fazer o mesmo. p. 59

Clube dos autores: é um site onde qualquer autor que tenha escrito e diagramado um livro sobre qualquer assunto pode colocar seu trabalho à venda cobrando o valor dos direitos autorais que achar conveniente. p. 69

Andrew Keen: conhecido como o “anti cristo” do Vale do Silício acredita que as pessoas tornaram-se marcas e que vivemos a nova era do individualismo.

Dooced: termo utilizado por Heather Armstromg para denominar funcionários despedidos por problemas com seus blogs/redes sociais.

WOMMA: a word of mouth marketing association publicou um guia de métricas e mesuração.


Bibliografias interessantes mencionadas na obra

Computer and Dynamo, de Paul David (1989): seu estudo diz que, tanto as lâmpadas, motores elétricos e computadores, primeiro foi necessário uma mudança na forma como as linhas de produção eram estruturadas, depois veio o treinamento dos funcionários que iriam fabricar esses itens e, mais além, os usuários, os clientes precisavam ter suas redes elétricas adaptadas para que toda essa parafernália promissora funcionasse. p. 21

O mundo é plano, de Thomas Friedmann: “os maiores ganhos em produtividade acontecem quando uma nova tecnologia é combinada com novas formas de fazer negócios”.

Capitalismo, socialismo e democracia, de Joseph Schumpeter (1942):, o autor apresenta o conceito de “destruição criativa”, ou seja, o conceito de que as inovações tecnológicas trazidas pelas empresas e pessoas, além de contribuir para o contínuo crescimento econômico, também enfraquecem e podem fechar as empresas que antes exploravam a tecnologia substituída por essa inovação. Exemplos: fitas VHS, Poladóides, máquinas de escrever, etc.

The hyper-social organization, de Morran e Gossieaux (2010): os autores apresentam sua visão sobre alguns impactos que a Web 2.0 está causando na empresa formada por humanos 1.0. Os autores também explicam a transformação de alguns elementos-chaves, de uma empresa atual (segmentação, canais, centrado na empresa, processos) para uma empresa hipersocial (tribos, redes, centrado no ser humano, desordem).

Reinventando o seu próprio sucesso, de Marshall Goldsmith: afirma que as pessoas se comportam segundo uma lei natural movida pelos seus próprios interesses. As pessoas buscam quatro coisas fundamentais na vida: dinheiro, poder, popularidade e status.

A lógica do consumo, de Lindstrom e Vamos às compras!, de Underhill: ambos afirmam que, quando compramos, agimos de forma completamente inesperada segundo a ideia convencional de consumo. Afirmam que sexo não vende, que medo, culpa e religião são coadjuvantes essenciais na decisão irracional e que os nossos cinco sentidos são mais importantes no estabelecimento da necessidade do que antes imaginávamos.

Ibraim, de Gary Small (2008): defende e comprova que a internet está alterando nossa atividade cerebral. Ficamos mais ágeis, rápidos, criativos e filtramos melhor a informação.

O paradoxo da escolha, de Barry Schwartz (2004): fala sobre a confusão mental causada pelo excesso de opções que faz com que deixemos de escolher ou escolhamos errado nas nossas decisões.

Modernidade líquida, de Zygmunt Bauman (2000): “a infelicidade dos consumidores deriva do excesso e não da falta de escolha”.

A nova desordem digital, de David Weinberger (2006): o autor explica que, no mundo digital, onde a informação ficou toda misturada devido à sua avassaladora abundância e crescimento rápido, nós podemos classificar a bagunça com diversas palavras que não se relacionam necessariamente umas com as outras (chamadas de tags).

Fenômenos sociais nos negócios, de Charlene Li (2009): “o relacionamento entre as empresas e os consumidores mudou; em vez de mensagens monodirecionais com o mercado, agora temos diálogos”.

Frases interessantes:

Grandes realizações não são alcançadas por impulso, mas por uma série de pequenas ações conjuntas”, Vicent Van Gogh

Líderes não criam seguidores, eles criam mais líderes”, Tom Peters

Faça o que você faz tão bem que eles vão querer ver de novo e trazer os amigos” Walt Disney


CIPRIANI, Fabio. Estratégia em mídias sociais: como romper o paradoxo das redes sociais e tornar a concorrência irrelevante. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

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