Antropológica do espelho
by
Tauana Jeffman
- agosto 26, 2011
O livro trata de uma nova qualificação de vida, uma quarta existência: uma bios virtual (segundo Aristóteles, há três gêneros de existência). Nessa nova vida, a mobilidade ou a circulação das coisas no mundo é uma caracterÃstica da modernidade. As redes são onde as conexões e as interseções tomam lugar do que seria antes pura linearidade. Para Sodré, comunicação é a aceleração do processo circulatório dos produtos informacionais e integra o plano sistêmico da estrutura do poder.
O autor afirma que, a partir do computador, vivemos uma cultura de simulação, de "representação apresentativa", uma nova forma de vida. E a imprensa escrita sempre teve no centro desse processo representativo. Esta imprensa pode ser a) imprensa de opinião: produção artesanal, tiragem, reduzida, razão argumentativa. b) imprensa comercial: organizada com bases mercantis, envolve a publicidade e difusão informativa. c) mÃdia de massa: produção dependente de publicidade e técnicas de marketing - espetáculo. Segundo o autor, a comunicação generalizada é quando a informação insinua-se nas clássicas estruturas socioculturais e permeia as relações intersubjutivas. A sociedade contemporânea rege-se pela midiatização, pela tendência à virtualização, ou telerealização das relações humanas, presente na articulação do múltiplo funcionamento institucional e de determinadas pautas individuais de conduta com as tecnologias da comunicação. Para Sodré, o Espelho midiático não é simples cópia, porque implica uma forma nova de vida, com um novo espaço e modo de interpelação coletiva de indivÃduos, portanto, outros parâmetros para a constituição das identidades pessoais. A midiatização deve ser pensada como tecnologia de sociabilidade ou novo bios, uma espécie de quarto âmbito existencial, onde predomina a esfera dos negócios, com uma qualificação cultural própria. A mÃdia cria o imaginário contemporâneo, uma realidade virtual. Sodré cita McCombs, ao afirmar que a maior parte das pesquisas, tem levado a convicção de que a mÃdia é estruturadora e reestruturadora de percepções e cognições, funcionando como uma espécie de "Agenda Coletiva" (Teoria da Agenda, de McCombs), mas Sodré afirma que a agenda-setting é insuficiente. Sodré explica que agendar significa organizar a pauta de assuntos suscetÃveis de serem levados em conta individual ou coletivamente. O agendamento só funciona por forças das prescrições de natureza moral, potencializadas pela iluminação da tecnologia e do mercado, em consonância com a profunda afetação da vida comum pela tecnocultura. O autor mostra-nos o termo "iluminar", que é centrar o foco em alguns aspectos da realidade, mas fazê-lo em estesia.
Mas, por mais despolitizado que pretenda parecer, o bios midiático implica de fato uma refiguração do mundo pela ideologia norte-americana, caucionada pelo fascÃnio da tecnologia e do mercado. O autor afirma que a mÃdia é uma nova forma de consciência coletiva, com um modo especÃfico de produzir efeitos (o que não está na tv, na internet, nos jornais, não existe). A mÃdia televisiva atua com mais força de influência onde são altas as taxas de analfabetismo. Nesta mÃdia, os polÃticos tornaram-se atores, constroem uma imagem pública, uma aparência, uma sombra. Já o espaço público da contemporaneidade é cada vez mais cosntruÃdo pelas dimensões variadas do entretenimento ou da estética, em sentido amplo, cujos recursos provêm do imaginário social, do ethos sensorial e do subjetivismo. Para o autor, profissionais polÃticos são avatares do irracionalismo competitivo, modelos midiáticos.
Opinião Pública é o novo espaço social dominado por um certo número de agentes. Segundo Sodré, o sujeito é sempre individual e só existe socialmente enquanto tem algo para comprar ou vender, ou pelo menos, assim pense. O Espelho midiático é, em si mesmo, gerador de um novo tipo de controle moral, publicitário-mercadológico. A mÃdia fala do mundo para vendê-lo, ou agilizá-lo em termos circulatórios, sua verdadeira agenda é a do liberalismo comercial. A moral da mÃdia contemporânea é apenas mercadológica. O que a parece na mÃdia deve ser "bom", são imagens, ou seja, princÃpio gerador do real, do quase-real. Sodré cita Chardim, ao expor o "ultra-humano". Chardin associava à s novas tecnologias da comunicação a sua ideia de caminho progressivo da espécie, para um organismo humano planetário. No campo das tecnologias comunicacionais uma verdadeira "rede" de canais, cabos, fibras e mensagens pode ser socialmente representada por um corpo, o "ultra-humano", capaz de modelar numericamente e imagisticamente, uma natureza. A substancialidade orgânica do ultra-humano é feita de informação e capital. Sodré expõem-nos sobre a importância da educação, que para ele é uma atitude ética, necessária para a transformação da disposição interior do agente social, com vistas ao sucesso na ação, à integração responsável na comunidade e à vida feliz. Educar também é incluir e excluir, é tomar distância da condição animal e preparar-se para a cidadania plena. De acordo com o autor, mÃdia e computação são soluções de problemas, tornam a educação como facilidade de acesso à informação.
A Educação tecnicista é aquela desenvolvida como treinamento, adestramento. Na concepção de virtus, a imagem virtual é a forma como vemos no espelho. A realidade artificial e um conceito que inclui modelos de estrutura interna das coisas e sobretudo modelos do seu funcionamento, dos processos que acontecem. Antropologia, segundo o autor,no sentido latu sensu é a descrição das formas estruturantes de uma cultura até a lógica do agir humano dentro de uma formação social. Assim, uma antropológica seria a base reflexiva para uma nova posição interpretativa 'pós-epistemológica' e 'pós-ontológica' do processo comunicacional.
































