Dominique Wolton em Porto Alegre (22/06/2012)
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| Fonte: Sul21 |
No dia 22 de junho de 2012, o pensador francês Dominique Wolton palestrou no evento 7º Fórum Político Unimed/RS - "Pensar o mundo, olhar a cidade". Dividindo o debate com o professor Juremir Machado da Silva, e com o jornalista Lazier Martins, Wolton afirma que durante três séculos a humanidade lutou por liberdade, uma liberdade democrática. Falava-se em "emancipação". Porém, o pensador ressalta que não existe liberdade de informação, sem liberdade política.
Neste século XXI, argumenta Wolton, vivemos uma dificuldade de informação, pois recebemos uma quantidade extraordinária de informação, o que não significa que nos comunicamos. Eis a complexidade da comunicação. Não é pelo fato que a cada dia temos a nossa disposição um número maior de canais de comunicação, que nos compreenderemos mais e melhor, pois "as técnicas não mudam o homem". Wolton destaca que a uma diferença crescente entre a evolução da técnica e a evolução da compreensão, da comunicação. Para o pensador francês, "a mudança do homem é uma mudança política e não uma mudança técnica", sendo que, "em 20 anos, não fizemos nenhuma evolução a respeito da compreensão do homem". Já a técnica, teve drásticas mudanças e evoluções neste período. Para ele, a comunicação pode ser um compartilhamento; uma transmissão vertical, como uma comunicação que advém de um chefe, ou de alguém em grau superior e também uma negociação, como a que realizamos no início ou no fim de uma relação amorosa.
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| Fonte: Sul21 |
Wolton destaca que é preciso respeitar as diferenças culturais, as diferentes línguas, as diferentes culturas. É preciso viver em uma democracia, em uma "sociedade que admite que as pessoas posicionem-se de forma diferente". Mas como nos comunicarmos diante das diferenças? "Podemos coabitar?" "Será que eu aceitarei coabitar com pessoas que não tem nada a me dizer?". A técnica, como já afirmou Wolton, não interfere em nossas comunicações e compreensões, visto que, segundo ele, "há povos estritamente equipados, tanto de tecnologia, quanto de ódio".
O grande problema da humanidade, para Wolton, é "fazer o homem se entender". Mas nós acreditamos que as técnicas irão nos salvar. Doce ilusão. Infelizmente, para o pensador, "os homens estão ficando altistas", porque é "mais fácil ficar 12 horas na frente de um computador do que em uma interação humana". A incomuniação é crescente, mesmo com uma comunicação cada vez mais disponível, para Wolton. E por que essa dissonância acontece? um dos motivos é porque "falar é um risco", "quando não falamos, não nos arriscamos".
Dominique Wolton explana sobre tais constatações em seus livros:
Informar não é comunicar
Internet, e depois?
Elogio do grande público
É preciso salvar a comunicação
Pensar a comunicação


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