O ciberespaço como um passo metaevolutivo, por Pierre Lévy

by - julho 24, 2012



A raça humana, segundo preceitos de Lévy (2004, p. 157) “está se tornando um superorganismo a construir sua unidade através do ciberespaço”, visto que, devido ao fato de que “este superorganismo está se tornando o principal agente de transformação e manutenção da biosfera, o ciberespaço cresce, por extensão, como se fosse um sistema nervoso dessa biosfera”. O autor acredita que, quando entendemos essa perspectiva, compreendemos que “o ciberespaço está no ápice desta evolução unificada”. Ou seja, Lévy (2004, p. 157-158) argumenta que: “existe uma evolução cultural”; tal evolução “é uma continuação da evolução biológica” e “o desenvolvimento do ciberespaço é o passo mais recente da evolução cultural/biológica e é a base de futuras evoluções”. Para o autor, “a vida é um processo evolutivo”, ressaltando que “quando há reprodução criativa, há vida”, isto é, para Lévy (2004, p. 158), a vida não termina no orgânico, “uma vez que ainda há reprodução de formas em níveis posteriores”.

     O raciocínio de Lévy (2004, p. 158) é que estamos vivendo um processo evolutivo que caminha em direção à virtualização, à digitalização e à inteligência coletiva. A evolução cultural pode ser considerada “a melhoria progressiva das propriedades vivas, reprodutivas, evolutivas dos signos culturais. Esta melhoria leva junto no seu mover a sociedade humana que constitui o ambiente dessa vida de formas”, na visão de Lévy (2004, p. 163); sendo que, “a escrita, o alfabeto, a imprensa, o ciberespaço, cada estágio, cada camada integra a sua precedente e conduz a uma nova diversificação do universo cultural”. Evoluímos com a linguagem, a escrita, o alfabeto, a imprensa, e por fim, com o ciberespaço, que integra estas e mais o “telefone, o cinema, o rádio, a televisão e, adicionalmente, todas as melhorias da comunicação, todos os mecanismos que foram projetados até agora para criar e reproduzir signos”. Então, Lévy (2004, p. 165-166, grifo do autor) considera que “o ciberespaço não é um meio, é um metameio”. O ciberespaço desenvolve e apoia “tecnologias intelectuais que desenvolvem a memória [...], a imaginação”, o raciocínio, a percepção e a criação, enfim, desenvolve a “humanidade em geral”. Ao contrário da imprensa, que possui apenas uma comunicação de “um para muitos”, e dos correios ou da telefonia, que possui apenas uma comunicação de “um para um”, o ciberespaço abrange essas duas possibilidades, mas também permite a comunicação “muitos para muitos”, e em tempo real; fato que, para Lévy (2004, p. 166), “incentiva a inteligência coletiva”. Isso significa que a raça humana possui um “cérebro coletivo”, sendo que a raça humana tem como missão: “fazer crescer o cérebro do mundo. Um cérebro mais e mais poderoso e livre que incluirá o mundo em sua substância”.



Artigo retirado do livro: 

A genealogia do virtual

You May Also Like

0 comentários