Pensar a internet, por Dominique Wolton

by - julho 22, 2012


            Pensando a internet, Dominique Wolton (2004, p. 149) afirma: “muitos jovens acreditam de bom grado, porque todo mundo diz, que tudo vai mudar com a internet. Para evitar que eles sejam amanhã uma espécie de ‘geração perdida’, vencida pela técnica, é preciso fazer nascer uma reflexão crítica”. Ou seja, é preciso “pensar a internet” através da perspectiva da técnica, da cultura e da sociedade.
            Para Wolton (2004, p. 149), o internauta deve estar ciente de que “a internet não passa de um sistema automatizado de informação; de uma forma ou de outra, são os homens e as coletividades que integram esses fluxos de informações em suas comunidades”. Isto é, para o autor, a informação é apenas um segmento, pois que “faz emergir um sentido”, é a comunicação. Wolton (2004, p. 150) nota que não é aumentando o número de informações que os homens se compreenderão melhor, pois “são os planos culturais e sociais de interpretação das informações que contam não o volume ou a diversidade dessas informações”. E neste aspecto, o autor alerta: “atenção às solidões interativas!”, afirmando que o internauta deve “sair da comunicação mediatizada” e praticar as interações humanas, naturais, pessoais, presentes. O internauta deve sair para ouvir a voz e olhar os olhares.  
            Sobre a revolução da internet, Wolton (2004, p. 153) argumenta que é preciso relativizá-la. Para o autor, “relativizar é também [...] compreender que a sociedade da informação corre o risco de ser amanhã a sociedade do mesmo, porque ela favorece a ligação entre indivíduos e comunidades que se parecem, deixando de lado a questão da heterogeneidade”. É preciso aprender a conviver com as diferenças, é preciso saber coabitar, e isso é uma questão política, e não técnica, segundo Wonton (2004, p. 153), que argumenta ainda que “o que está em jogo hoje é resistir à segmentação da sociedade em pequenas comunidades para preservar esse mínimo de sentimento de coletividade sem o qual não há sociedade”. Wolton (2004, p. 154) é enfático ao afirmar que:

Se os internautas convencidos de uma Internet democrática querem conservar uma real iniciativa, é preciso uma aliança entre eles e todas as forças culturais, sociais e políticas que compreenderam que a comunicação é um dos maiores desafios da sociedade de amanhã. Isso obriga a revalorizar uma visão humanista das ligações entre informações e comunicação do conceito ‘com’, seguidamente relacionado ao marketing e à manipulação, enquanto a informação é subvalorizada, como se ela permanecesse o gênero raro que era no século das luzes.  

            Nesta visão humanista, Wolton (2004, p. 155) destaca que o homem precisa se relacionar mais com a natureza, com o ambiente físico. Enfim, é preciso viver mais ao ar livre, pois o homem necessita dos confrontos das “ligações humanas e com a diversidade das relações sociais na sociedade”. E pensando nessa diversidade, percebemos a perversidade da sociedade da informação, pois “homogeneíza tudo e faz desaparecer o homem por detrás dos fluxos da informação”. Para o autor, é preciso preservar o homem, juntamente com suas forças, suas fraquezas e suas contradições, porque só o homem “sonha o futuro, pensa sua história e dá sentido a sua experiência”.  

Artigo retirado do livro: 

A genealogia do virtual

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