Pensar a internet, por Dominique Wolton
Pensando
a internet, Dominique Wolton (2004, p. 149) afirma: “muitos jovens acreditam de
bom grado, porque todo mundo diz, que tudo vai mudar com a internet. Para evitar
que eles sejam amanhã uma espécie de ‘geração perdida’, vencida pela técnica, é
preciso fazer nascer uma reflexão crítica”. Ou seja, é preciso “pensar a
internet” através da perspectiva da técnica, da cultura e da sociedade.
Para
Wolton (2004, p. 149), o internauta deve estar ciente de que “a internet não
passa de um sistema automatizado de informação; de uma forma ou de outra, são
os homens e as coletividades que integram esses fluxos de informações em suas
comunidades”. Isto é, para o autor, a informação é apenas um segmento, pois que
“faz emergir um sentido”, é a comunicação. Wolton (2004, p. 150) nota que não é
aumentando o número de informações que os homens se compreenderão melhor, pois “são
os planos culturais e sociais de interpretação das informações que contam não o
volume ou a diversidade dessas informações”. E neste aspecto, o autor alerta: “atenção
às solidões interativas!”, afirmando que o internauta deve “sair da comunicação
mediatizada” e praticar as interações humanas, naturais, pessoais, presentes. O
internauta deve sair para ouvir a voz e olhar os olhares.
Sobre
a revolução da internet, Wolton (2004, p. 153) argumenta que é preciso relativizá-la.
Para o autor, “relativizar é também [...] compreender que a sociedade da
informação corre o risco de ser amanhã a sociedade do mesmo, porque ela
favorece a ligação entre indivíduos e comunidades que se parecem, deixando de
lado a questão da heterogeneidade”. É preciso aprender a conviver com as
diferenças, é preciso saber coabitar, e isso é uma questão política, e não
técnica, segundo Wonton (2004, p. 153), que argumenta ainda que “o que está em
jogo hoje é resistir à segmentação da sociedade em pequenas comunidades para
preservar esse mínimo de sentimento de coletividade sem o qual não há sociedade”. Wolton
(2004, p. 154) é enfático ao afirmar que:
Se os
internautas convencidos de uma Internet democrática querem conservar uma real
iniciativa, é preciso uma aliança entre eles e todas as forças culturais,
sociais e políticas que compreenderam que a comunicação é um dos maiores
desafios da sociedade de amanhã. Isso obriga a revalorizar uma visão humanista
das ligações entre informações e comunicação do conceito ‘com’, seguidamente
relacionado ao marketing e à manipulação, enquanto a informação é
subvalorizada, como se ela permanecesse o gênero raro que era no século das
luzes.
Nesta
visão humanista, Wolton (2004, p. 155) destaca que o homem precisa se
relacionar mais com a natureza, com o ambiente físico. Enfim, é preciso viver
mais ao ar livre, pois o homem necessita dos confrontos das “ligações humanas e
com a diversidade das relações sociais na sociedade”. E pensando nessa
diversidade, percebemos a perversidade da sociedade da informação, pois “homogeneíza
tudo e faz desaparecer o homem por detrás dos fluxos da informação”. Para o
autor, é preciso preservar o homem, juntamente com suas forças, suas fraquezas
e suas contradições, porque só o homem “sonha o futuro, pensa sua história e dá
sentido a sua experiência”.
Artigo retirado do livro:
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