A Cauda Longa

by - maio 31, 2013



Uma breve reflexão que não contempla
 todos os conceitos apresentados nos livro.

Anderson (2006, p. 01-02) afirma-nos que a mídia de massa, nos últimos 50 anos, crescia embasada nos grandes sucessos de bilheteria. No entanto, o autor acredita que atualmente, os consumidores não procuram mais os grandes hits como uma manada, mas sim, se dispersam, à medida que os produtos também se dispersam e se fragmentam em nichos. Anderson (2006, p. 05) nota que “a era do tamanho único está chegando ao fim e em seu lugar está surgindo algo novo, o mercado de variedades”. Deste modo, “o estilhaçamento da tendência dominante em zilhões de fragmentos culturais multifacetado é algo que revoluciona em toda a sua extensão os meios de comunicação e a indústria do entretenimento”.

Atento à fragmentação do mercado e inspirado em análises estatísticas, Anderson (2006, p. 10) propõe o conceito de “cauda longa”, ou seja, a distribuição de forma horizontal de produtos/serviços, em comparação ao consumo vertical, caracterizado como os hits. O que presenciamos atualmente é a cauda alongar-se cada vez mais e os hits destacarem-se cada vez menos. Assim, “se a indústria do entretenimento no século XX baseava-se em hits, a do século XXI se concentrará com a mesma intensidade em nichos”, afirma Anderson (2006, p. 15). O autor afirma que nossos gostos e preferências não seguem uma padronização imposta pela tendência dominante, mas sim, mostram-se cada vez mais variáveis e fragmentadas. Neste caso, produtos de entretenimento pertencentes aos hits e aos nichos estão em condições de igualdade. Ou seja, ambos estão acessíveis aos consumidores.

Ao invés de manadas de consumidores em busca dos sucessos de bilheteria, Anderson (2006, p. 38) compreende que estamos nos organizando em tribos, isto é, “grupos cuja coesão decorre mais da afinidade e dos interesses comuns do que da programação padronizada das emissoras”. Para o autor, “estamos evoluindo de um mercado de massa para uma nova forma de cultura de nicho, que se define agora não pela geografia, mas pelos pontos em comum”.

Refletindo sobre os nichos, Anderson (2006, p. 52-55, grifo do autor) compreende que estes proliferam porque atualmente há a combinação de três forças: a “democratização das ferramentas de produção”, a redução dos custos “de consumo, pela democratização da distribuição” e a “ligação entre oferta e demanda”. Assim, a internet mostra-se como a principal propulsora destas forças, pois tornou “mais barato alcançar mais pessoas” e conseqüentemente, aumento o nível de venda/consumo dos produtos da cauda longa. Na concepção do autor, a economia digital é a grande responsável pela geração de novos mercados. Neste panorama, compreendemos que tais fatores nos possibilitam que deixemos de ser apenas consumidores passivos e nos tornemos (também) produtores ativos. Anderson (2006, p. 61) acredita que nos tornamos produtores ativos por amor àquilo que produzimos. A própria palavra “amador” advém do latim “amator, ‘amante’, de amare, ‘amar’”, lembra-nos o autor.  

Muitas pessoas amam o que fazem, mas ainda assim não são reconhecidos pelos grandes meios. Anderson (2006, p. 78-97)  afirma que “os desajustados que não são aceitos pela indústria do entretenimento vão para a internet e ficam populares”. Neste caso, compreendemos que muitos fenômenos da internet são reconhecidos pelo público, e não pelas gravadoras ou pela indústria. Mas, destacamos que muito destes fenômenos não almejam tal reconhecimento. Até o reconhecimento do público, muitas vezes é uma surpresa grata não esperada. É este público, e não mais os grandes meios ou as grandes indústrias, que dão visibilidade aos fenômenos, ou aos astros meteóricos. Sobre tais fenômenos, Anderson (2006, p. 106) argumenta que “nem todas as celebridades são estrelas de Hollywood. À medida que nossa cultura se fragmenta em milhões de minúsculas microculturas, também estamos presenciando a consequente ascensão de microcelebridades”. Para o autor, a era da cauda longa é a era onde o coletivo controla a mensagem, onde “os novos formadores de preferência somos nós”. Enfim, onde “as formigas têm megafones”.  

Sobre as microculturas, Anderson (2006, p. 182) afirma que “ao romper, a cultura de massa não se transforma em outra massa diferente, mas em milhões de microculturas, que coexistem e interagem umas com as outras”. Desta forma, destaca o autor, “podemos considerar a cultura, hoje, não como um grande cobertor, mas como a superposição de muitos fios entrelaçados, cada um dos quais é acessível individualmente e interliga diferentes grupos de pessoas ao mesmo tempo”. Em suma, “estamos assistindo ao deslocamento da cultura de massa para uma enorme variedade de culturas paralelas”. Dentro destas microculturas, Anderson (2006, p. 182) cita os “memes virais”, demonstrando assim, que as tribos podem ser diferentes, e que um fenômeno da internet conhecido por uma pessoa, pode ser desconhecido por outra. Desta forma, os memes atingem uma parcela dos internautas, ou podemos considerar que atingem uma determinada tribo.


Referência: ANDERSON, Chris. A Cauda Longa: a nova dinâmica de marketing e vendas: como lucrar com a fragmentação dos mercados. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.



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