A Cauda Longa
Uma breve reflexão que não contempla
todos os conceitos apresentados nos livro.
Anderson (2006, p. 01-02) afirma-nos que a mídia de massa, nos últimos 50
anos, crescia embasada nos grandes sucessos de bilheteria. No entanto, o autor
acredita que atualmente, os consumidores não procuram mais os grandes hits como uma manada, mas sim, se dispersam,
à medida que os produtos também se dispersam e se fragmentam em nichos. Anderson
(2006, p. 05) nota que “a era do tamanho único está chegando ao fim e em seu
lugar está surgindo algo novo, o mercado de variedades”. Deste modo, “o estilhaçamento
da tendência dominante em zilhões de fragmentos culturais multifacetado é algo
que revoluciona em toda a sua extensão os meios de comunicação e a indústria do
entretenimento”.
Atento à fragmentação do mercado e inspirado em análises estatísticas, Anderson
(2006, p. 10) propõe o conceito de “cauda longa”, ou seja, a distribuição de
forma horizontal de produtos/serviços, em comparação ao consumo vertical,
caracterizado como os hits. O que
presenciamos atualmente é a cauda alongar-se cada vez mais e os hits destacarem-se cada vez menos. Assim,
“se a indústria do entretenimento no século XX baseava-se em hits, a do século XXI se concentrará com
a mesma intensidade em nichos”, afirma
Anderson (2006, p. 15). O autor afirma que nossos gostos e preferências não
seguem uma padronização imposta pela tendência dominante, mas sim, mostram-se
cada vez mais variáveis e fragmentadas. Neste caso, produtos de entretenimento
pertencentes aos hits e aos nichos estão em condições de igualdade. Ou
seja, ambos estão acessíveis aos consumidores.
Ao invés de manadas de consumidores em busca dos sucessos de bilheteria, Anderson (2006, p. 38) compreende que estamos nos organizando em tribos, isto é, “grupos cuja coesão decorre mais da afinidade e dos interesses comuns do que da programação padronizada das emissoras”. Para o autor, “estamos evoluindo de um mercado de massa para uma nova forma de cultura de nicho, que se define agora não pela geografia, mas pelos pontos em comum”.
Refletindo sobre os nichos, Anderson (2006, p. 52-55, grifo do autor)
compreende que estes proliferam porque atualmente há a combinação de três
forças: a “democratização das ferramentas
de produção”, a redução dos custos “de
consumo, pela democratização da distribuição” e a “ligação entre oferta e demanda”.
Assim, a internet mostra-se como a principal propulsora destas forças, pois
tornou “mais barato alcançar mais pessoas” e conseqüentemente, aumento o nível
de venda/consumo dos produtos da cauda longa. Na concepção do autor, a economia
digital é a grande responsável pela geração de novos mercados. Neste panorama,
compreendemos que tais fatores nos possibilitam que deixemos de ser apenas
consumidores passivos e nos tornemos (também) produtores ativos. Anderson
(2006, p. 61) acredita que nos tornamos produtores ativos por amor àquilo que
produzimos. A própria palavra “amador” advém do latim “amator, ‘amante’, de amare,
‘amar’”, lembra-nos o autor.
Muitas pessoas amam o que fazem, mas ainda assim não são reconhecidos
pelos grandes meios. Anderson (2006, p. 78-97) afirma que “os desajustados que não são
aceitos pela indústria do entretenimento vão para a internet e ficam populares”.
Neste caso, compreendemos que muitos fenômenos da internet são reconhecidos
pelo público, e não pelas gravadoras ou pela indústria. Mas, destacamos que
muito destes fenômenos não almejam tal reconhecimento. Até o reconhecimento do
público, muitas vezes é uma surpresa grata não esperada. É este público, e não
mais os grandes meios ou as grandes indústrias, que dão visibilidade aos fenômenos,
ou aos astros meteóricos. Sobre tais fenômenos, Anderson
(2006, p. 106) argumenta que “nem todas as celebridades são estrelas de
Hollywood. À medida que nossa cultura se fragmenta em milhões de minúsculas microculturas,
também estamos presenciando a consequente ascensão de microcelebridades”. Para
o autor, a era da cauda longa é a era onde o coletivo controla a mensagem, onde
“os novos formadores de preferência somos nós”. Enfim, onde “as formigas têm
megafones”.
Sobre as microculturas, Anderson (2006, p. 182) afirma que “ao romper, a
cultura de massa não se transforma em outra massa diferente, mas em milhões de
microculturas, que coexistem e interagem umas com as outras”. Desta forma,
destaca o autor, “podemos considerar a cultura, hoje, não como um grande
cobertor, mas como a superposição de muitos fios entrelaçados, cada um dos
quais é acessível individualmente e interliga diferentes grupos de pessoas ao
mesmo tempo”. Em suma, “estamos assistindo ao deslocamento da cultura de massa
para uma enorme variedade de culturas paralelas”. Dentro destas microculturas, Anderson
(2006, p. 182) cita os “memes virais”, demonstrando assim, que as tribos podem
ser diferentes, e que um fenômeno da internet conhecido por uma pessoa, pode
ser desconhecido por outra. Desta forma, os memes atingem uma parcela dos
internautas, ou podemos considerar que atingem uma determinada tribo.
Referência: ANDERSON,
Chris. A Cauda Longa: a nova dinâmica
de marketing e vendas: como lucrar com a fragmentação dos mercados. 9ª ed. Rio
de Janeiro: Elsevier, 2006.
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