Pedagogia da Autonomia

by - maio 15, 2013



Refletindo sobre a prática educativa e a formação docente, tendo em vista a autonomia dos alunos, Paulo Freire apresenta os saberes que considera necessários e indispensáveis para a prática docente, caracterizada como crítica ou progressista. Tais saberes são agrupados em três áreas: a relação intrínseca docência-discência, ensino como não transferência de conhecimento e ensino como uma especificidade humana. 


1º Não há docência sem discência

"Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender" p. 25

1- Ensinar exige rigorosidade metódica
Freire é contra a "educação bancária", ou seja, o princípio de que o professor depositaria no aluno o conhecimento, e quando necessário, poderia sacá-lo. Para o autor, ensinar não é simplesmente transferir conhecimento de uma mente a outra, como transferimos dinheiro de uma conta a outra. Tanto aluno quanto professor devem tornar-se sujeitos da construção e reconstrução do saber ensinado. 

2- Ensinar exige pesquisa
O professor deve pesquisar para conhecer o que ainda não conhece e comunicar ou anunciar a novidade. O professor deve desenvolver a "curiosidade epistemológica", que leva ao conhecimento mais elaborado do mundo. 

3- Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos
É preciso estabelecer relações entre os saberes curriculares fundamentais e a experiência social dos alunos. 

4- Ensinar exige criticidade
É preciso desenvolver a curiosidade crítica.

5- Ensinar exige ética e estética
O ensino dos conteúdos não deve acontecer de forma a ignorar a formação moral do educandos; por isso é criticável restringir-se a tarefa educativa em aspectos só ligados a treinamento técnico. 

6- Ensinar exige a corporificação das palavras pelo exemplo
Pensar certo é fazer certo. 

7- Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação

8- Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática
É preciso fazer uma operação de distanciamento da prática para melhor analisá-la, percebê-la como é e quais são as suas razões de ser. 

9- Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural


2º Ensinar não é transferir conhecimento
Ensinar é criar possibilidades para a própria construção do conhecimento. 

1- Ensinar exige consciência do inacabamento

2- Ensinar exige o reconhecimento de ser condicionado
"minha presença no mundo não é a de quem se adapta mas a de quem nele se insere. É a posição de quem luta para não ser apenas objeto, mas sujeito também da história". p. 60 Como seres inacabados, estamos num eterno movimento de busca, com o mundo e com os outros. No inacabado, a educação é um processo permanente, cabendo ao professor, não podar a liberdade e a curiosidade do educando, em prol da eficácia e da memorização mecânica do ensino dos conteúdos. 

3- Ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando 

4- Ensinar exige bom senso
É preciso valorizar o conhecimento que o aluno traz de sua vivência, para a escola. 

5- Ensinar exige humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores

6- Ensinar exige apreensão da realidade

7- Ensinar exige alegria e esperança
Sem alegria e esperança no ensinar, o professor cairia na negação do sonho de lutar por um mundo justo. 

8- Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível
"O mundo não é. O mundo está sendo" p. 85

9- Ensinar exige curiosidade


3º Ensinar é uma especifidade humana

1- Ensinar exige segurança, competência profissional e generosidade

2- Ensinar exige comprometimento

3- Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo

4- Ensinar exige liberdade e autoridade
Sem limites, a liberdade resvala para a licenciosidade, e a autoridade para o autoritarismo. 

5- Ensinar exige domada consciente de decisões
A neutralidade na educação não existe. 

6- Ensinar exige saber escutar

7- Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica

8- Ensinar exige disponibilidade para o diálogo

9- Ensinar exige querer bem aos educandos. 


 
                                    



Resumo elaborado a partir da leitura da obra, e da leitura da síntese elaborada pela pedagoga Neusa Cristina Assi. 


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