O futuro da Internet
by
Tauana Jeffman
- outubro 13, 2012
Um dos
melhores livros que li do André Lemos e do Pierre Lévy. O Futuro da internet
apresenta-se como uma análise e uma defesa da importância da internet e como a
evolução das tecnologias modifica a conjuntura social, econômica e cultural. André
Lemos inicia seu livro falando sobre a nossa esfera pública, trazendo Ã
discussão os preceitos de Habermas sobre tal conceito. Lemos então explica como
essa esfera pública modificou-se com as mÃdias, e depois, com a internet. Fala também
sobre comunidades virtuais, redes sociais e as mutações das mÃdias. Apresenta o
conceito de mÃdias massivas (TV, por exemplo) e pós-massivas (internet),
explanando sobre a diferença entre elas, como elas convergem e convivem
mutuamente. Nessa discussão acerca das mÃdias pós-massivas, Lemos argumenta
sobre as peculiaridades da Web 2.0 e de redes sociais como o Facebook, Orkut,
Twitter, etc. É interessantes ver como ele nos explica coisas óbvias.
O livro também
discute os conceitos acerca da Cibercultura e do ciberespaço, mas seu foco é a
discussão da ciberdemocracia. Onde os usuários teriam a oportunidade de
acompanhar, observar, opinar, criticaras ações do Estado por meio da internet,
e assim, tal Estado se tornaria um Estado transparente. Porém, isso não é uma
utopia, pois o livro nos conta a existência de sites governamentais onde é possÃvel
interagir e observar as ações do governo. Conta-nos até mesmo que já há
pesquisas sendo realizadas no Brasil para a implantação de um sistema de voto
online. Obviamente, o livro trais muito mais conceitos e concepções, e ao meu
ver, é de grande utilidade como referência bibliográfica.
Seis graus de separação
by
Tauana Jeffman
- outubro 13, 2012
A
“ciência das redes”, também chamada de “teoria das redes”, teve seu inÃcio por
meio da curiosidade cientÃfica de Duncan Watts e Steve Strogatz. Ambos os
pesquisadores eram intrigados de como um grupo poderia agir em sincronicidade.
Por exemplo, como um grupo de pessoas sabia qual a hora exata de bater palmas?
Como os vaga-lumes brilham de forma harmônica? Como os grilos cantam em
sincronicidade? Para entender tal dinâmica através da matemática, os dois
pesquisadores buscaram um exemplo no mundo real, e decidiram observar “o grilo de
árvore nevado”, que “chirria de forma muito regular” (WATTS, 2009, p. 16-17,
grifo do autor). Eles, então, capturaram alguns grilos para observar como estes
agiam em sincronia, quem comandava o canto (se é que existia um lÃder), além de
entender “quem estava ouvindo quem”. Porém,
para a surpresa dos dois pesquisadores, durante a observação, os grilos simplesmente
não chirriaram. Watts e Strogatz compreenderam que observar os grilos
separadamente não daria certo porque a resposta estava no grupo inteiro de
grilos, e na forma como interagiam. Ou seja, era preciso entender o padrão de
conexão entre eles. Foi então que Watts lembrou-se de uma pergunta de seu pai: “você
sabia que está a apenas 6 graus de qualquer pessoa da Terra?”. A partir disso,
os pesquisadores trocaram o estudo dos grilos pelo estudo das redes.
A
teoria dos “seis graus de separação” foi um experimento realizado pelo psicólogo
social Stanley Milgran, no ano de 1967. Milgram objetivava compreender o “problema
do mundo pequeno”. Segundo Watts (2009, p. 19), o que Milgran queria mostrar
era que “mesmo quando alguém não conhece nenhum conhecido nosso [...] ainda
assim essa pessoa conhece alguém, que conhece alguém, que conhece alguém que
nos conhece”. O pesquisador, então, queria saber quantos são esses “alguéns”. Milgran
elaborou o “método do mundo pequeno”, ou seja, entregou cartas a diversas
pessoas, que eram incubidas da tarefa de fazê-las chegar a um único alvo, porém
havia algumas regras: as pessoas não poderiam enviar as cartas diretamente ao
alvo, a não que o conhecessem, e também deveriam passa-las apenas a pessoas que
conhecessem bem. Milgran então percebeu que as cartas passaram pelas mãos de
seis pessoas, em média, até chegar ao destino final, e assim, originou-se a
expressão “seis graus de separação”.
Então,
segundo essa concepção, se conhecêssemos cem pessoas, e essas pessoas conhecem cem
pessoas, estarÃamos a dois graus de separação de dez mil pessoas, e a três graus
de separação de um milhão de pessoas. Porém, Watts e Strogatz perceberam um
grande erro nessa teoria: as pessoas dentre as cem que conhecemos, podem ser as
mesmas pessoas que tais pessoas conheçam, pois a nossa tendência é nos
relacionarmos com quem temos afinidades, temos tendência a nos relacionarmos
com pessoas parecidas conosco, e assim, estabelecemos cÃrculos sociais, redes
sociais. Para Watts (2009, p. 21), “o grande paradoxo das redes que o
experimento de Milgran iluminou é que, por um lado, o mundo é altamente
aglomerado [...]. E, no entanto, por outro lado, ainda podemos contatar alguém
em uma média de apenas alguns passos”. Isto é: como o mundo pode ser pequeno e
grande ao mesmo tempo? Os pesquisadores compreenderam que nós nos aglomeramos
em grupos de iguais, mas nossas redes são dinâmicas, ou seja, pessoas entram e
saem de nossas vidas, nós viajamos, nos mudamos, trocamos de empregos. Além
disso, possuÃmos múltiplos interesses e assim, múltiplos grupos aos quais
pertencemos. Sendo assim, podemos ser o atalho entre grupos totalmente
distintos, como um grupo de estudos e um grupo de dança, pois somos integrantes
de ambos. Os seja, essas conexões aleatórias une o mundo inteiro.
Provando
tal teoria da conectividade através de um jogo chamado “Jogo do Kevin Bacon”, no qual estudantes descobriam o número de
conexões entre qualquer ator e Bacon, Watts e Strogatz perceberam que não só
qualquer autor tinha algum grau de conexão com Kevin Bacon, mas que todos os
atores tinham algum grau de conexão entre si, pois alguns elos aleatórios
encurtavam a distância entre milhares de atores. Essa conectividade de mundos
pequenos mostrou-se tanto em malhas elétricas, quanto em determinados tipos de células.
A conectividade dos mundos pequenos estava em todas as partes, pois Watts (2009,
p. 60-66) percebeu que “o fenômeno do mundo pequeno não depende necessariamente
das caracterÃsticas de redes sociais humanas [...]. São, na verdade, muito mais
universais”.
O autor também dedica-se à estudos como epidemias, vÃrus de computadores, mobilizações sociais, tendências culturais e de consumo, relacionando tais observações com a teoria da rede.
Resenha:
Resenha:
Esse documentário é altamente esclarecedor, depois da leitura do livro.
Referências
by
Tauana Jeffman
- outubro 12, 2012
Se você está na graduação ou na pós-graduação, deve estar como eu, buscando referências possuÃda pelo ritmo da ragatanga. E nesse ritmo insano, como mestranda em desespero, as vezes me perco e perco também algumas referências importantes. É muita coisa pra guardar, baixar, arquivar, ler, imprimir, citar. Enfim, aqui organizei algumas referências que pretendo ocupar e tenho ao meu dispor, nesse lindo mundo que é a internet.
Livros
AMARAL, Adriana; RECUERO, Raquel; MONTARDO, Sandra (orgs.). Blogs.com: estudos sobre blogs e comunicação. São Paulo: Momento Editorial, 2009.
ANDERSON, Chris. A cauda longa:A nova dinâmica de marketing e vendas: como lucrar com a fragmentação de mercados. 5.ed. Rio de Janeiro: CAMPUS/Elsevier, 2006.
FLUSSER, Vilém. Filosofia da Caixa Preta. São Paulo: HUSITEC, 1985.
JOHNSON, Steven. Cultura da Interface. Rio de Janeiro: Jorge Zahar , 2001.
______. De onde vêm as boas ideias? Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2011.
MAFFESOLI, Michel. O Tempo das Tribos: O declÃnio do individualismo nas sociedades de massa. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1998.
MARTINS, C.; SILVA, D.; MOTTA, R. (orgs.). Territórios Recombinantes. São Paulo: Cadernos Instituto Sérgio Motta,
2006.
RECUERO, Raquel. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.
WOLTON, Dominique. Pensar a comunicação. BrasÃlia: Editora da Universidade de. BrasÃlia, 2004.
Artigos
AMARAL, Adriana. Redes sociais de música: segmentação, apropriações e práticas de consumo. In: Revista Eletrônica de Jornalismo CientÃfico. No. 121 – 10/09/2010.
LEMOS, André. CIBER-CULTURA-REMIX
______. CIBERCULTURA: Alguns pontos para compreender a nossa época.
PRIMO, Alex. Conhecimento e interação: fronteiras entre o agir humano e inteligência artificial.
REIS, Bruno Pinheiro W. Capital Social e Confiança: questões de teoria e método. Revista
de Sociologia e PolÃtica. Curitiba, 21, p. 35-49, nov. 2003.
SILVA, Ivanda Maria Martins Silva. Tecnologias e Letramento Digital: navegando rumo
aos desafios. In: ETD – Educ. Tem. Dig., Campinas, v.13, n.1, p.27-43, jul./dez. 2011 – ISSN
1676-2592.
Resenhas e Resumos
SIBILIA, Paula. O show do eu: a intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008. 286 p.
LIPOVETSKY, Gilles. Somos hipermodernos.
Fonte das imagens: AMOR PELA LITERATURA
Fonte dos download: Geek
MÃdias Sociais
by
Tauana Jeffman
- outubro 11, 2012
Charlesworth (2010, p.
10) afirma que "a internet proporcionou uma plataforma para vozes
individuais serem ouvidas”. Para o autor, o termo mÃdia social “não se refere
só aos meios de comunicação atuais, mas, sobretudo ao seu conteúdo”, ou seja, “tudo
o que está disponÃvel para qualquer um ler, contribuir e se envolver”. Charlesworth
(2010, p. 10), assim como Lévy (2004), acredita que um dos maiores potenciais
das plataformas digitais é a conversação “muitos para muitos”.
Charlesworth (2010, p.
11) organiza as mÃdias sociais em cinco categorias: redes de relacionamento, que
“permitem a conexão com outras pessoas em sites de relacionamento”; redes de
aprendizado, onde se pode “aprender a partir de conteúdo gerado pelos outros ou
por experts em algum site”; redes sociais, onde se pode compartilhar “conteúdo,
fotos, vÃdeos e interesses através de redes de relacionamento”, como por
exemplo: Orkut, Facebook, Youtube e Flicker; Social bookmarking, onde se pode “compartilhar
suas páginas favoritas através de sites que permitem” guardá-las e salvá-las. Por
exemplo: Digg e Del.icio.ous; e os blogs e microblogs, onde se pode “compartilhar
suas fotos e vÃdeos em sites que permitem fazer o upload de graça”, assim como
o Wordpress, Blogger e Twitter.
Segundo a definição de
Michael Haenlein e Andreas Kaplan (apud SILVA, 2010, p. 42), “as MÃdias Sociais
fazem parte de um grupo de aplicações para Internet constituÃdas com base nos
fundamentos ideológicos e tecnológicos da Web 2.0, e que permitem a criação e
troca de Conteúdo Gerado pelo Usuário”. Para
Ramalho (2010, p. 11), “o que entendemos hoje como mÃdias sociais nada mais é
do que a forma moderna de se praticar uma das principais necessidades do ser
humano: a socialização”.
Terra
(2011. p. 13-14), afirma que as “mÃdias sociais já fazem parte de nossas
discussões diárias e interferem no dia a dia do nosso trabalho”. Para a autora,
“as mÃdias sociais estão em constante evolução e mudanças, mas a essência que
se extrai disso é a comunicação em mão dupla”, isto é, “a possibilidade de
interação, participação e colaboração de diversas vozes, a capacidade de
resposta e retorno e a oportunidade de estabelecer de fato relacionamentos e
diálogos com os públicos”.
A
autora (2011, p. 21) argumenta que em tempos de transformações tecnológicas e
da Web 2.0, “a comunicação em redes sociais presume mais simetria entre
emissores e receptores e constante troca de papéis entre eles, além da
aceitação de diálogos, conversações e colaborações”. Pois, para a autora, assim
como para demais pensadores da área, com a internet, os usuários adquiriram voz,
e assim, também conquistaram o “poder de divulgação e de informação” que antes
pertencia apenas a alguns grupos restritos. A esse novo usuário, a autora
atribui a denominação de “usuário-mÃdia”. Nas palavras de Terra (2011, p. 67),
“estamos na era da midiatização dos indivÃduos, da possibilidade de usarmos
mÃdias digitais como instrumentos de divulgação, exposição e expressões
pessoais; daà o termo usuário-mÃdia”. Ou seja, para a autora, cada indivÃduo
pode ser um “canal de mÃdia”, pois tem a possibilidade de produzir, criar,
compor, montar, apresentar, e difundir os seus conteúdos. Terra (2011, p. 68,
grifo do autor) acredita que esse usuário é um heavy user, tanto da internet quanto das mÃdias sociais. Isto é, é
alguém que domina a tecnologia e que, a partir dela, “produz, dissemina,
compartilha conteúdos próprios e de seus pares”. A autora argumenta que “no
ciberespaço, cada sujeito é efetivamente produtor de informação”. Nessa
perspectiva, Qualman (2011, p. 155) afirma que “toda pessoa hoje é um canal de
mÃdia competitivo em potencial”.
As possibilidades do
usuário-mÃdia são potencializadas com a internet, pois o internauta ganha
“expressividade com as ferramentas de mÃdia social que podem ser nomeadas de
megafones da era digital, pelo poder que é conferido ao usuário”. Ou seja, o poder de comunicar deixa de
pertencer somente a “grandes grupos de mÃdia, ou conglomerados”, e passa a
pertencer também ao usuário, assim como já afirmou Lévy (2004). Enfim, para
Terra (2011, p. 46), a grande “finalidade das mÃdias sociais é o diálogo”, ou,
segundo Recuero (2012), as conversações.
Para Gitomer (2012, p.
7-10), “a mÃdia social tornou-se um fenômeno que vai além de palavras. Centenas
de milhões de pessoas no mundo todo se juntam ao grupo. Em um milésimo de
segundo, milhões de pessoas conseguem saber tudo sobre tudo e todos”. O autor
acredita que as mÃdias sociais começaram com a força de uma ventania, e hoje, é
um “tornado descontrolado passando pela superfÃcie da internet”. Gitomer (2012,
p. 13) afirma que as mÃdias sociais são fluidas, atuais e constantes, além de
argumentar que tanto a internet quanto as mÃdias sociais são instantâneas.
Enfim, Gitomer (2012, p. 30) acredita que a “mÃdia social mudou o mundo”.
Qualman (2011, p. 15),
tratando sobre as mÃdias sociais e as transformações que estas estão provocando
em nossas vidas e no mundo dos negócios, apresenta-nos o conceito de
“socialnomics”, que nada mais é do que “o valor criado e compartilhado pelas
mÃdias sociais e sua eficiente influência em resultados”. Isto é, socialnomics
“é o efeito boca a boca com aceleradores digitais”. E esse efeito não tem
idade, pois “as mÃdias sociais podem mobilizar tanto jovens quanto adultos”. A
necessidade das mÃdias sociais e sua incrÃvel evolução e desenvolvimento nos
últimos anos advém da necessidade do indivÃduo saber o que os outros falam,
pensam, fazem. Em pouco tempo, ela “tornou-se a atividade mais popular da
internet”. Além disso, outro benefÃcio da mÃdia social é que ela é global, ou
seja, ela permite que o usuário permaneça conectado “aos seus amigos e famÃlia
mesmo geograficamente separados”, afirma Qualman (2011, p. 21-23).
Através das mÃdias
sociais, diz Qualman (2011, p. 26), com uma observação casual, podemos “ficar
facilmente lado a lado de quem” queremos nos manter conectados. Qualman (2011,
p. 34) explica-nos que as famosas conversas do cafezinho agora são estendidas
para o mundo online. Você não precisa esperar a segunda-feira para saber o que
seus colegas fizeram no fim de semana, por exemplo. O autor argumenta ainda que
as conversas de cafezinho não terminaram, mas com tais processos, temos a
possibilidade de uma “conexão mais profunda entre indivÃduos [...] em menos
tempo”.
Qualman (2011, p.
15-57) argumenta que as mÃdias sociais estão provocando uma grande
transformação da sociedade. Por exemplo, no setor jornalÃstico, em que
jornalistas de fontes oficiais concorrem com uma grande quantidade de
blogueiros. Que podem até ser inexperientes, mas muitas vezes, são maiores
conhecedores de alguns assuntos, do que as fontes oficiais. Neste caso, cada
vez menos estamos procurando a notÃcia, pois cada vez mais ela vem até nós
através das mÃdias sociais. Além disso, o autor ressalta que, quando o usuário
ainda procura a notÃcia, muitas vezes o faz através das mÃdias sociais, o que a
tornaria o principal concorrente do Google, por exemplo.
Qualman (2011, p. 63)
acredita que, “em muitos casos, as mÃdias sociais podem aproximar famÃlias,
permitindo que pais discretamente acompanhem a vida de seus filhos”. Para o
autor, a vida corrida dos pais os impedem de manter maiores laços com seus
filhos, sendo que muitos só se encontram na hora do jantar. Por isso, Qualman
(2011, p. 63) acredita que, “até certo ponto, as mÃdias sociais podem unir
pessoas das famÃlias, elas conectam pais e filhos de uma maneira nunca vista
antes”. Argumentando seu ponto de vista,
o autor informa-nos que, segundo uma “pesquisa de responsabilidade pessoal e
mÃdias sociais”, 69% dos pais indicaram que “são ‘amigos’ dos seus filhos no
Facebook”.
Para Qualman (2011, p.
61-71), com as mÃdias sociais, pessoas e empresas estão dispostas a manter
“diários” online abertos, como uma forma de manterem-se conectados a um grupo
maior, como forma de sentirem-se inseridos dentro desse grupo. Mas as mÃdias
sociais não são como os diários tradicionais, onde podÃamos escrever coisas que
não gostarÃamos que os outros soubessem. É preciso ter cuidado com o que
colocamos na rede, pois como o próprio autor lembra: “o que acontece em Vegas,
fica no Youtube”.
Qualman (2011, p. 75)
acredita que as pessoas estão deixando, aos poucos, de assistir a vida dos
outro (pela televisão, por exemplo), e dedicando-se a fazer coisas bacanas para
serem compartilhadas nas mÃdias sociais, e assim, quando olharem suas
atualizações de status antigas,
poderão responder à questão “o que eu fiz da minha vida?”. Neste viés, as
“pessoas estão vivendo suas próprias vidas em vez de observar a dos outros”,
afirma Qualman (2011, p. 75). Os e-mails também estão perdendo seu lugar e
tornando-se arcaicos, para Qualman (2011, p. 78), sendo que esse afirma que
“conversas abertas dentro das mÃdias sociais têm melhor fluidez e se parecem
com uma conversa normal. Além disso, o conteúdo da conversa é quebrado em
pedaços menores e próximos, mais fáceis de serem encontrados do que uma longa
sequência de e-mails”.
Para Qualman (2011, p.
81), as mÃdias sociais também possuem um papel importante nos relacionamentos.
Antigamente, alguém podia lhe pedir seu telefone, hoje, é mais prático e barato
alguém lhe perguntar: “tem Facebook?”. Além disso, o autor afirma que mÃdias
sociais “são fantásticas para encontrar novas pessoas e marcar encontros. Se
uma garota encontra um cara por aà e eles trocam nomes e conectam via rede
social, é uma mina de ouro virtual de dados pessoais”. As mÃdias sociais, como
o Twitter, por exemplo, também tem contribuÃdo de forma significativa em
ocasiões de desastres naturais ou situações de conflito e perigo, como no caso
do jornalista Karl James Buck, que durante uma reportagem em um conflito no
Egito, foi detido junto com manifestantes. Ao postar em seu Twitter a palavra
“preso”, Buck movimentou um grande número de pessoas que ativaram poderes
locais para libertá-lo. O caso de Buck e os resultados que apenas uma palavra
promoveu também são contados por Israel (2010).
Porém, Qualman (2011,
p. 49) sabe que, mesmo as mÃdias sociais tendo um importante papel em nossas
vidas, e fazendo parte da maior parte delas, ela não é a cura para todas as
coisas. A forma de escrever dos jovens está sendo afetada, muitos vivem em um
mundo “que se comunica apenas com 140 caracteres”, sendo que muitos jovens
incorporam a forma de escrita da internet em todos os âmbitos. Outro ponto
negativo das mÃdias sociais, é que os jovens têm demonstrado dificuldades nas
interações pessoas, ou seja, nas interações cara a cara. As pessoas possuem uma
grande barreira quando se trata de falar em público. As conversas e interações
são mais fáceis, se as pessoas estão escondidas “atrás de mensagens
instantâneas ou ferramentas de mÃdias sociais do que quando” nos confrontamos
pessoalmente, diz Qualman (2011, p. 85). Tal questão faz-nos lembrar o alerta
feito por Wolton (2004, p. 150): “atenção à s solidões interativas!”.
Contudo, Qualman
(2011, p. 128) afirma que mesmo que acreditemos que “a vida com as mÃdias
sociais é ruim” temos que “concordar que ela mudou para sempre o modo como
vivemos”. Para o autor, as pessoas têm uma forte tendência em compartilhar, e
as mÃdias sociais são para todos, de todas as idades. As mÃdias sociais “não
são uma moda passageira, são uma mudança fundamental na maneira como nos
comunicamos”, conclui Qualman (2011, p. 285).
Comunicação e Tecnologia, por Pierre Lévy
by
Tauana Jeffman
- outubro 11, 2012
Observando a internet Lévy (2003, p. 195-197) argumenta que a "humanidade
reconecta-se consigo mesma". O autor defende essa ideia, lembrando-nos de
como nossa civilização era unida, única, ou seja, "nossos ancestrais mais
diretos habitavam [...] todos a mesma zona geográfica". Com o passar dos
anos, nossos ancestrais se dividiram, se distanciaram, e criaram grupos
diferentes e separados. A segunda grande ruptura foi "a revolução
neolÃtica", que se caracterizou pela "grande mutação técnica, social,
cultural, polÃtica e demográfica cristalizada na invenção da agricultura, da
cidade, do Estado e da escrita". O autor salienta que a história de nossos
ancestrais, que possuÃa "tendência à conexão, à reunião, ou Ã
comunicação", inverte-se e há um "movimento [...] de dispersão".
Lévy (2003, p. 197-200) precisa que a humanidade começou
a reconectar-se a partir do século XV, mais ou menos, pois é quando ocorre um
"certo número de 'revoluções' na demografia, na economia, na organização
polÃtica, no habitat e nas comunicações". Os meios de transporte e a
comunicação começam a se desenvolver, e assim, a reconectar uma sociedade antes
dissipada. Pessoas que antes eram isoladas, umas das outras, passam a
conectar-se, conviver, enfim, passam a se encontrar. De acordo com Lévy (2003),
assim como no inÃcio de nossos tempos, só que de uma maneira diferente, a
humanidade volta a torna-se uma só sociedade.
Como já
percebemos, ao utilizar a internet, praticamente qualquer pessoa pode produzir
textos, mensagens e informações e publicá-las na internet, tornando-a acessÃvel
a todos aqueles que se conectam a rede. Isso não quer dizer que todas essas
informações são verdadeiras, pois Lévy (2003, p. 209) é pertinente ao lembrar
que, "no plano filosófico, ao menos que se aceitem os argumentos de
autoridade, uma notÃcia não é 'verdadeira'". No entanto, a internet nos
oferece uma ampla gama de informações ao nosso dispor, e o que mais ganhamos
com isso é o desenvolvimento de nossas concepções crÃticas. Outro fato a
considerar, é que na internet não há hierarquia, os poderes são iguais,
horizontais. Lévy (2003) afirma que, "como dizia um consultor americano a
um dirigente da IBM, uma criança encontra-se aÃ, em situação de igualdade com
uma multinacional".
Outra
consideração importante de Lévy (2003, p. 214), é quando este afirma que
"a Web articula uma multiplicidade de pontos de vistas". Ou seja,
aqueles que constroem páginas, perfis na rede, expõem seus pontos de vistas.
Tanto sobre um determinado assunto, quanto sobre sua própria vida. Quando
alguém escreve algo em um blog, por exemplo, mostra ali sua opinião, seu ponto
de vista sobre o determinado conteúdo. Quando alguém cria um perfil em uma rede
social, posta suas melhores fotos, seus melhores links, suas melhores frases,
aquilo que ele pensa de si, e da sociedade ao qual está inserido. O autor afirma
que "qualquer um terá a sua página, o seu mapa, o seu site, o seu ou os seus
pontos de vista”, ou seja, “cada um se tornará autor, proprietário de uma
parcela do ciberespaço. Entretanto, essas páginas, sites e mapas dialogam,
interconectam-se e confluem através de canais móveis e labirÃnticos. O autor ou
o proprietário coletivo toma corpo". Cabe lembrar também que o espaço para
material é ilimitado, pois na internet "sempre há mais lugar", uma
informação não exclui a outra. Vivemos essa evolução dia a dia, e como acontece
tudo muito rápido, talvez não percebamos tudo que já mudou em nossa vida, em
nossa sociedade.
Pensando
tais transformações que a internet promove, Lévy (2004, p. 157-158) argumenta
que a raça humana “está se tornando um superorganismo a construir sua unidade
através do ciberespaço”, visto que, devido ao fato de que “este superorganismo
está se tornando o principal agente de transformação e manutenção da biosfera,
o ciberespaço cresce, por extensão, como se fosse um sistema nervoso dessa
biosfera”. O autor acredita que, quando entendemos essa perspectiva, compreendemos
que “o ciberespaço está no ápice desta evolução unificada”. Ou seja, Lévy
(2004) argumenta que: “existe uma evolução cultural”; tal evolução “é uma
continuação da evolução biológica” e “o desenvolvimento do ciberespaço é o
passo mais recente da evolução cultural/biológica e é a base de futuras
evoluções”.
Lévy
(2004, p. 166) entende por ciberespaço, o “espaço de comunicação aberto pela
interconexão global de computadores”, afirmando ainda que este "é hoje o
sistema com o desenvolvimento mais rápido de toda a história das técnicas de
comunicação", além disso, "o ciberespaço encarna um dispositivo de
comunicação qualitativamente original, que se deve bem distinguir das outras
formas de comunicação de suporte técnico" (LÉVY, 2003, p. 206). Lévy
(2003, p. 206-208) salienta que o ciberespaço combina tanto as qualidades dos
meios tradicionais de comunicação, como o rádio, jornal e a televisão, pois
divulga as informações desses em suas páginas, quanto as qualidades do correio
e do telefone, ou seja, troca de mensagens com precisão, e acima de tudo,
reciprocidade. Também afirma que a memória de nossa sociedade, ao invés de
resultar de um emissor "todo poderoso", agora "emerge da
interação entre os participantes". A mensagem é de todos para todos. O
autor considera que a Word Wide Web é, provavelmente, a "maior revolução
na história da escrita, desde a invenção da imprensa”.
Portanto,
Lévy (2004, p. 165-166, grifo do autor) considera que “o ciberespaço não é um meio, é um metameio”, pois este desenvolve e
apoia “tecnologias intelectuais que desenvolvem a memória [...], a imaginação”,
o raciocÃnio, a percepção e a criação, enfim, desenvolve a “humanidade em
geral”. Ao contrário da imprensa, que possui apenas uma comunicação de “um para
muitos”, e dos correios ou da telefonia, que possui apenas uma comunicação de
“um para um”, o ciberespaço abrange essas duas possibilidades, mas também
permite a comunicação “muitos para muitos”, e em tempo real; fato que, para
Lévy (2004), “incentiva a inteligência coletiva[1]”.
Isso significa que a raça humana possui um “cérebro coletivo”, sendo que esta
tem como missão: “fazer crescer o cérebro do mundo. Um cérebro mais e mais
poderoso e livre que incluirá o mundo em sua substância”.
O
raciocÃnio de Lévy (2004, p. 158-163) é que estamos vivendo um processo
evolutivo que caminha em direção à virtualização, à digitalização e Ã
inteligência coletiva. A evolução cultural pode ser considerada “a melhoria
progressiva das propriedades vivas, reprodutivas, evolutivas dos signos
culturais. Esta melhoria leva junto no seu mover a sociedade humana que
constitui o ambiente dessa vida de formas”, na visão de Lévy (2004); sendo que,
“a escrita, o alfabeto, a imprensa, o ciberespaço, cada estágio, cada camada
integra a sua precedente e conduz a uma nova diversificação do universo
cultural”. EvoluÃmos com a linguagem, a escrita, o alfabeto, a imprensa, e por
fim, com o ciberespaço, que integra estas e mais o “telefone, o cinema, o
rádio, a televisão e, adicionalmente, todas as melhorias da comunicação, todos
os mecanismos que foram projetados até agora para criar e reproduzir signos”.
Lévy (1996)
defende que vivemos uma virtualização, nos mais diversos âmbitos, dedicando a
este assunto a obra O que é o virtual?.
Nós podemos vivenciar a virtualização do corpo, da inteligência, da informação,
da economia, do texto, da memória, do computador, do trabalho. Ao contrário do
uso decorrente da palavra “virtual”, designando a falta de realidade, a
ausência de existência, Lévy (1996, p. 15-58, grifo do autor) argumenta que o
virtual não se opõe ao real, mas sim ao atual. Sendo assim, segundo Lévy (1996),
“a virtualização pode ser entendida como
o movimento inverso da atualização”. A virtualização não é o oposto de
realidade, mas sim, “uma mutação de identidade”. Quando fala da virtualização
da informação, por exemplo, Lévy (1996) argumenta que tal informação,
juntamente com o conhecimento, são nossas principais fontes de “produção de
riqueza”, sendo que, a informação não se desgasta nem se destrói, no momento
que a utilizamos, “porque ela é virtual”. Já o conhecimento, “é o fruto de uma
aprendizagem, ou seja, o resultado de uma virtualização da experiência
imediata”.
Em suma,
para Lévy (apud LEMOS, 2010, p. 12), “a internet é um espaço de comunicação
surrealista, do qual nada é excluÃdo, nem o bem, nem o mal, nem suas múltiplas
definições, nem a discussão que tende a separá-los sem jamais conseguir”. O
autor argumenta que “a internet encarna a presença da humanidade nela própria,
já que todas as culturas, todas as disciplinas, todas as paixões aà se
entrelaçam. Já que tudo é possÃvel, ela manifesta a conexão do homem com a sua
própria essência, que é a aspiração a liberdade”.
[1] Para Lévy (1996, p. 119), “o
problema da inteligência coletiva é simples de enunciar, mas difÃcil de
resolver. Grupos humanos podem ser coletivamente mais inteligentes, mais
instruÃdos, mais sábios, mais imaginativos que as pessoas que os compõem? Não
apenas a longo prazo, na duração da história técnica, das instituições e da
cultura, mas aqui e agora, no curso dos acontecimentos e dos atos cotidianos.
Como coordenar as inteligências para que se multipliquem umas através das
outras ao invés de se anularem? Há meio de induzir uma valorização recÃproca,
uma exaltação mútua das capacidades mentais dos indivÃduos em vez de submetê-las
a uma norma ou rebaixá-la ao menos denominador comum? Poder-se-ia interpretar
toda a história das formas institucionais, das linguagens e das tecnologias
cognitivas como tentativa mais ou menos feliz de resolver esses problemas”.
Comunicação e Tecnologia, por Dominique Wolton
by
Tauana Jeffman
- outubro 11, 2012
Dominique Wolton
"Nunca é dito nada de negativo sobre a internet;
quando alguém ousa lançar ressalva,
é logo tachado de reacionário"
Argumentando sobre a tecnologia, a
informação e a comunicação, Wolton (informação verbal)[1]
afirma que durante três séculos a humanidade lutou por liberdade, uma liberdade
democrática. Falava-se em emancipação. Porém, o pensador ressalta que não
existe liberdade de informação, sem liberdade polÃtica. Neste século XXI, argumenta Wolton, vivemos
uma dificuldade de informação, pois recebemos uma quantidade extraordinária de
informação, o que não significa que nos comunicamos: eis a complexidade da
comunicação. Não é pelo fato que a cada dia temos a nossa disposição um número
maior de canais de comunicação, que nos compreenderemos mais e melhor, pois
"as técnicas não mudam o homem". Wolton destaca que há uma diferença
crescente entre a evolução da técnica e a evolução da compreensão, da
comunicação. Para o pensador francês, "a mudança do homem é uma mudança
polÃtica e não uma mudança técnica", sendo que, "em 20 anos, não
fizemos nenhuma evolução a respeito da compreensão do homem". Já a
técnica, teve drásticas mudanças e evoluções neste perÃodo.
Wolton destaca que é
preciso respeitar as diferenças culturais, as diferentes lÃnguas, as diferentes
culturas. É preciso viver em uma democracia, em uma "sociedade que admite
que as pessoas posicionem-se de forma diferente". Mas como nos
comunicarmos diante das diferenças? "Podemos coabitar?" "Será
que eu aceitarei coabitar com pessoas que não tem nada a me dizer?". A
técnica, como já afirmou Wolton, não interfere em nossas comunicações e compreensões,
visto que, segundo ele, "há povos estritamente equipados, tanto de
tecnologia, quanto de ódio".
O grande problema da
humanidade, para Wolton, é "fazer o homem se entender". Mas nós
acreditamos que as técnicas irão nos salvar. Doce ilusão, afirma o autor.
Infelizmente, de acordo com Wolton, "os homens estão ficando
altistas", porque é "mais fácil ficar 12 horas na frente de um
computador do que em uma interação humana". A incomuniação é crescente,
mesmo com uma comunicação cada vez mais disponÃvel, segundo Wolton. E por que
essa dissonância acontece? Um dos motivos é porque "falar é um
risco", pois "quando não falamos não nos arriscamos".
Tais questões também
são analisadas na obra Internet, e
depois?, onde Wolton (2003, p. 10-13) preocupa-se em entender se a internet
configuraria uma real ruptura entre as mÃdias massivas e as novas mÃdias ou,
segundo ele, essas “mÃdias individuais coletivas”. Wolton (2003, p. 11-14,
grifo do autor) acredita que pensamos ingenuamente ao crer na onipresença do computador.
Pensamos ingenuamente quando acreditamos, por meio de um determinismo
tecnológico, que a internet é “uma verdadeira revolução que fará surgir uma
‘nova sociedade’, simplesmente porque supõe que a tecnologia vai mudar diretamente a sociedade e os indivÃduos”.
Desta forma, vivemos “doces utopias”, segundo Wolton (2003, p. 85-86), sendo
que nessa perspectiva, “a web torna-se uma figura de utopia”. Uma “utopia
igualitária e uma utopia social”, pois acreditamos que na web, todos somos
iguais e que a sociedade, estando em maior contato, conversará e se entenderá.
Segundo os preceitos de
Wolton (2003, p. 84-89), alguns pensadores estariam apenas repetindo promessas
já feitas com outros meios, afirmando que a internet nos possibilitaria viver
em uma “sociedade em rede”. Porém, o que Wolton (2003) percebe, é que rumamos
para um “movimento de individualização de nossa sociedade”. A web, então, mesmo tornando-se “um suporte
dos eternos sonhos por uma nova solidariedade”, não evitaria a “defasagem entre
a qualidade destas utopias e as atuações terrivelmente eficazes dos
mercados”. Wolton (2003, p. 187)
acredita que atribuÃmos à técnica, uma importância exacerbada, e funções que
não lhe cabem, pois esse afirma que “o essencial é a maneira com a qual os
homens se comunicam entre eles e como uma sociedade organiza suas relações
coletivas”. O pensador francês conclui: “as novas tecnologias, como de resto as
mÃdias de massa, remetem à mesma sociedade, a sociedade individualista de
massa, com vocações particulares de umas e de outras”. Para Wolton (2003, p.
189), as novas mÃdias não concorrem com as mÃdias de massa, mas atuam como um
complemento a essas, “em relação ao modelo da sociedade individualista de
massa”.
Ainda
pensando a internet, Dominique Wonton (2004, p. 149) afirma: “muitos jovens
acreditam de bom grado, porque todo mundo diz, que tudo vai mudar com a
internet. Para evitar que eles sejam amanhã uma espécie de ‘geração perdida’,
vencida pela técnica, é preciso fazer nascer uma reflexão crÃtica”. Ou seja, é
preciso “pensar a internet” através da perspectiva da técnica, da cultura e da
sociedade.
Para
Wolton (2004, p. 149-150), o internauta deve estar ciente de que “a internet
não passa de um sistema automatizado de informação; de uma forma ou de outra,
são os homens e as coletividades que integram esses fluxos de informações em
suas comunidades”. Isto é, para o autor, a informação é apenas um segmento,
pois quem “faz emergir um sentido”, é a comunicação. Nota o autor, que não é
aumentando o número de informações que os homens se compreenderão melhor, pois
“são os planos culturais e sociais de interpretação das informações que contam
não o volume ou a diversidade dessas informações”. E nesse aspecto, Wolton
(2004) alerta: “atenção à s solidões interativas!”, afirmando que o internauta
deve “sair da comunicação mediatizada” e praticar as interações humanas,
naturais, pessoais, presentes. O internauta deve sair para ouvir as vozes e
olhar os olhares.
Sobre
a revolução da internet, Wolton (2004, p. 153) argumenta que é preciso
relativizá-la. Para o autor, “relativizar é também [...] compreender que a
sociedade da informação corre o risco de ser amanhã a sociedade do mesmo,
porque ela favorece a ligação entre indivÃduos e comunidades que se parecem,
deixando de lado a questão da heterogeneidade”. É preciso aprender a conviver
com as diferenças, é preciso saber coabitar, e isso é uma questão polÃtica, e
não técnica. O teórico argumenta ainda, que “o que está em jogo hoje é resistir
à segmentação da sociedade em pequenas comunidades para preservar esse mÃnimo
de sentimento de coletividade sem o qual não há sociedade”. Wolton (2004, p.
154) é enfático ao afirmar que:
Se os
internautas convencidos de uma Internet democrática querem conservar uma real
iniciativa, é preciso uma aliança entre eles e todas as forças culturais,
sociais e polÃticas que compreenderam que a comunicação é um dos maiores
desafios da sociedade de amanhã. Isso obriga a revalorizar uma visão humanista
das ligações entre informações e comunicação do conceito ‘com’, seguidamente
relacionado ao marketing e à manipulação, enquanto a informação é
subvalorizada, como se ela permanecesse o gênero raro que era no século das
luzes.
Nessa
visão humanista, Wolton (2004, p. 155) destaca que o homem precisa se
relacionar mais com a natureza, com o ambiente fÃsico. Enfim, é preciso viver
mais ao ar livre, pois o homem necessita dos confrontos das “ligações humanas e
com a diversidade das relações sociais na sociedade”. E pensando nessa
diversidade, percebemos a perversidade da sociedade da informação, pois
“homogeneÃza tudo e faz desaparecer o homem por detrás dos fluxos da
informação”. Para o autor, é preciso preservar o homem, juntamente com suas
forças, suas fraquezas e suas contradições, porque só o homem “sonha o futuro,
pensa sua história e dá sentido a sua experiência”.
A
visão de Dominique Wolton nos leva a, no mÃnimo, duas constatações antagônicas:
a primeira é que o pensador é feliz em afirmar que o desenvolvimento
tecnológico não significa obrigatoriamente o desenvolvimento social, pois o
mesmo necessita também de um desenvolvimento econômico e cultural. A
proliferação de informações e o grande acesso a essas, também não nos garante
que possamos nos comunicar mais e melhor, pois informação é diferente de
comunicação. Comunicação pressupõe compreensão, pressupõe saber e querer
coabitar com as diferenças. Nesse sentido, apesar do incrÃvel desenvolvimento
da internet e sua disseminação veloz, sabemos que nem metade dos brasileiros,
por exemplo, possuem internet em casa, muitos são aqueles que não acessam a
internet, ou ao menos tem contato com o computador. Por isso, devemos também
considerar que, quando falamos nas modificações que a internet e as redes
sociais estão promovendo, devemos nos lembrar de que tais modificações ainda
não afetam um amplo número de pessoas.
Por
outro lado, quando Wolton (2003, p. 91) pensa o “depois” da internet, ele
reflete um tempo em que o correio eletrônico é “uma das causas profundas do
sucesso da web”. Ou seja, passaram-se quase 10 anos, e não só o e-mail deixou
de ser uma das principais atrações do usuário da internet, como foram criadas
as redes sociais. No ano de 2003, o Facebook, o Orkut e o Twitter sequer
existiam, e é inegável que com a criação e a disseminação dessas três
plataformas, entre outras, as configurações sociais na web modificaram-se
drasticamente.
[1] Informação verbal fornecida no
dia 22 de junho de 2012, durante o evento 7º Fórum PolÃtico Unimed/RS -
"Pensar o mundo, olhar a cidade", na cidade de Porto Alegre – RS.
A Web 2.0
by
Tauana Jeffman
- outubro 09, 2012
Durante uma conferência
em outubro de 2004, O’Reilly (2005) cunhou o termo Web 2.0, utilizado para se referir à uma segunda fase da Web, ou dos serviços online. O autor argumenta que apesar
deste termo ter sido utilizado essencialmente como um chavão de marketing, é
necessário conceituá-lo, para que assim, diminua-se a grande quantidade de
desacordos sobre o que este significa. Contudo, O’Reilly (2005) considera que o
termo não é algo fechado e concreto, não possui um “limite rÃgido” nem demarcações,
mas sim, um constitui-se como um “núcleo gravitacional”, onde podem ser
inseridos, alguns princÃpios e práticas relativos aos sites e à s plataformas.
Um destes princÃpios
fundamentais é entender a Web como
uma plataforma, e não mais como uma oferta de sites comerciais e seus serviços
tradicionais. Ou seja, as plataformas agora podem ser geridas de forma online, não mais necessitando que o
usuário instale algum tipo de programa ou software
para realizar tal ação. Além de uma maior usabilidade, Primo (2007, p. 02)
lembra-nos que O’Reilly (2005) destaca a “arquitetura da participação”, isto é,
uma plataforma que atue unindo interconexões e compartilhamentos. Com isso,
cada plataforma torna-se melhor para o usuário, na medida em que mais usuários
a utilizam e a aperfeiçoam.
Nesta segunda fase da Web, estamos presenciando uma maior
interatividade[1],
possibilidades de estruturações para as relações entre os usuários, ou seja,
ambientes comunicacionais como as redes sociais; e a possibilidade destes
gerenciarem as informações das plataformas. Esta segunda fase, de acordo com Primo (2007,
p. 01), caracteriza-se pelo poder de potencializar “as formas de publicação,
compartilhamento e organização de informações, além de ampliar os espaços para
a interação entre os participantes do processo”. Porém, a Web 2.0 também se refere a este novo perÃodo da Web, onde presenciamos um novo “conjunto
de estratégias mercadológicas” e um contexto de comunicação e relação mediada
pelo computador.
Nas palavras de Lemos
(2010, p. 52), “a computação social da Web
2.0 aporta para uma modificação essencial no uso da web. Enquanto em sua primeira fase a Web é predominantemente para leitura de informações, esta segunda
fase cria possibilidades de escrita coletiva, de aprendizagem e de colaboração
na e em rede. Exemplos estão em expansão hoje, como comprovam a popularidade de
redes sociais como Facebook, Orkut, My Space, Multiplay, os wikis, blogs, microblogs, os
instrumentos de publicação coletiva de fotos, vÃdeos e músicas [...] e a
emergência de redes cooperativas de ‘etiquetagem’ do espaço urbano com mapas
digitais [...]”. Através das plataformas da Web
2.0, a colaboração virtual é
potencializada.
Na Web 2.0, os usuários
têm a possibilidade de construir uma “escrita coletiva”, aperfeiçoar as
plataformas, ou até mesmo, “targear[3]”
conteúdos para outros usuários, como afirma Primo (2007, p. 03). Com isso,
percebemos que outra caracterÃstica da Web
2.0, é que esta potencializa também a organização, a criação e a
distribuição de conteúdos e informações compartilhadas, por meio de
“associações mentais”, sendo que, o que torna tal produção fidedigna é a
construção coletiva.
Apesar de um dos
aspectos fundamentais da Web 2.0 ser a tecnologia, Primo (2007, p. 05)
lembra-nos que uma rede social não se forma apenas com “conexões de terminais”,
pois uma rede social é um “processo emergente que mantém sua existência através
de interações entre os envolvidos”, isto é, “uma rede social não pode ser
explicada isolando-se suas partes ou por suas condições iniciais. Tampouco pode
sua evolução ser prevista com exatidão”. Além disso, percebemos que tal
interação entre os sujeitos, gera também uma coletividade, nas plataformas da Web 2.0, pois como afirma Primo (2007,
p. 13) “a coletividade não é apenas um mecanismo tecnológico e um estoque
digital”. Quando alguém “escreve em um verbete na Wikipédia, ele está a
princÃpio interagindo com a coletividade”. Neste sentido, Lemos (2010, et.al.,
p. 38) afirma que a Web 2.0 nos
possibilita o “aperfeiçoamento da inteligência coletiva”.
Fala-se hoje também na
Web 3.0, que segundo Lemos (2010, et.al., p. 38), trata-se de um termo que
designa o desenvolvimento futuro de uma “Web semântica”, sendo que tal termo é
criticado por alguns, que o consideram apenas mais uma “jogada de marketing[4]”. Já
Burkeman (2011), quando fala em Web 3.0,
quer dizer que a Web é o mundo. De acordo
com o autor, “a grande ideia de que fala O’Reilly é ‘inteligência coletiva
movida a sensores’. Se a Web 2.0 era o momento em que a promessa colaborativa
da internet parecia finalmente realizar-se – com usuários comuns criando em vez
de apenas consumir em sites que vão de Flickrs ao Facebook e à Wikipedia –, a Web 3.0 é o momento em que eles esquecem
que o estão fazendo”. O autor explica-nos tal constatação:
Quando o sistema GPS em seu telefone ou em seu iPad pode relatar sua
locação a qualquer site ou dispositivo que você preferir, quando o Facebook usa
reconhecimento facial nas fotografias lá postadas, quando suas transações
financeiras são gravadas e quando a localização de seu carro pode influenciar
um esquema em mutação constante movido por sensores, tudo em tempo real, algo
mudou em termos de qualidade. Você ainda está criando a web, mas sem uma necessidade
consciente de fazê-lo. ‘Nossos telefones e câmeras transformam-se em olhos e ouvidos
para aplicações’, escreveu O’Reilly. ‘Sensores de movimento e de localização
dizem onde estamos, para o que estamos olhando e o quão rápido estamos nos
movendo... Cada vez mais, a web é o mundo – tudo e todos em seu mundo projetam
uma ‘sombra de informações’, uma aura de dados, que quando capturados e
processados de modo inteligente, oferece oportunidades extraordinárias e
implicações que afetam a mente’.
Enfim, pensar a Web
também implica pensar as suas modificações, suas novas formas de interação, de
construção coletiva de conhecimento e inteligência, além de pensarmos também, o
importante papel que o sujeito desempenha em tal evolução. Pois como já
mencionou Primo (2007), na Web 2.0, o viés tecnológico é de suma importância, mas
não é nada sem as pessoas, suas interações, relações e participações.
Referências
O’REILLY, Tim. What Is Web 2.0: Design Patterns and
Business Models for the Next Generation of Software. Set. 2005.
DisponÃvel em: . Acesso em: 08 out. 2012.
KOTLER, Philip,
KARTAJAYA, Hermawan; SETIAWAN, Iwan. Marketing3.0:
as forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2010.
PRIMO.
Alex. O aspecto relacional das interações na Web 2.0. E. Compós (BrasÃlia), v. 9, p. 1-21, 2007. DisponÃvel em:
. Acesso em: 08 out. 2012.
BURKEMAN, Oliver. A Web é o mundo. Zero Hora. 2011. Caderno Cultura. (Texto Original).
Notas de Rodapé
[1] De acordo com Primo (2007, p. 07)
“A interação social é caracterizada não apenas pelas mensagens trocadas (o conteúdo)
e pelos interagentes que se encontram em um dado contexto (geográfico, social,
polÃtico, temporal), mas também pelo relacionamento que existe entre eles”.
[2] Ver mais em: JEFFMAN, 2012.
DisponÃvel em: . Acesso em: 08 out. 2012.
[3] Advém da palavra “tagging”, que se refere a “novas formas
de etiquetagem” (LEMOS, et. al., 2010, p. 77)
[4] Podemos entender a relação da
Web 3.0 com o marketing através da publicação de Kotler, um dos mais
conceituados autores da área e conhecido como o “pai do marketing moderno”. Na
obra Marketing 3.0 (2010), o autor defende que tal termo é o “novo modelo de
marketing”, que agora, dirige sua atenção aos valores, e não mais aos produtos
(marketing 1.0), ou ao consumidor (marketing 2.0).








