Mídias Sociais

by - outubro 11, 2012



Charlesworth (2010, p. 10) afirma que "a internet proporcionou uma plataforma para vozes individuais serem ouvidas”. Para o autor, o termo mídia social “não se refere só aos meios de comunicação atuais, mas, sobretudo ao seu conteúdo”, ou seja, “tudo o que está disponível para qualquer um ler, contribuir e se envolver”. Charlesworth (2010, p. 10), assim como Lévy (2004), acredita que um dos maiores potenciais das plataformas digitais é a conversação “muitos para muitos”.

Charlesworth (2010, p. 11) organiza as mídias sociais em cinco categorias: redes de relacionamento, que “permitem a conexão com outras pessoas em sites de relacionamento”; redes de aprendizado, onde se pode “aprender a partir de conteúdo gerado pelos outros ou por experts em algum site”; redes sociais, onde se pode compartilhar “conteúdo, fotos, vídeos e interesses através de redes de relacionamento”, como por exemplo: Orkut, Facebook, Youtube e Flicker; Social bookmarking, onde se pode “compartilhar suas páginas favoritas através de sites que permitem” guardá-las e salvá-las. Por exemplo: Digg e Del.icio.ous; e os blogs e microblogs, onde se pode “compartilhar suas fotos e vídeos em sites que permitem fazer o upload de graça”, assim como o Wordpress, Blogger e Twitter.

Segundo a definição de Michael Haenlein e Andreas Kaplan (apud SILVA, 2010, p. 42), “as Mídias Sociais fazem parte de um grupo de aplicações para Internet constituídas com base nos fundamentos ideológicos e tecnológicos da Web 2.0, e que permitem a criação e troca de Conteúdo Gerado pelo Usuário”.  Para Ramalho (2010, p. 11), “o que entendemos hoje como mídias sociais nada mais é do que a forma moderna de se praticar uma das principais necessidades do ser humano: a socialização”.

        Terra (2011. p. 13-14), afirma que as “mídias sociais já fazem parte de nossas discussões diárias e interferem no dia a dia do nosso trabalho”. Para a autora, “as mídias sociais estão em constante evolução e mudanças, mas a essência que se extrai disso é a comunicação em mão dupla”, isto é, “a possibilidade de interação, participação e colaboração de diversas vozes, a capacidade de resposta e retorno e a oportunidade de estabelecer de fato relacionamentos e diálogos com os públicos”.

            A autora (2011, p. 21) argumenta que em tempos de transformações tecnológicas e da Web 2.0, “a comunicação em redes sociais presume mais simetria entre emissores e receptores e constante troca de papéis entre eles, além da aceitação de diálogos, conversações e colaborações”. Pois, para a autora, assim como para demais pensadores da área, com a internet, os usuários adquiriram voz, e assim, também conquistaram o “poder de divulgação e de informação” que antes pertencia apenas a alguns grupos restritos. A esse novo usuário, a autora atribui a denominação de “usuário-mídia”. Nas palavras de Terra (2011, p. 67), “estamos na era da midiatização dos indivíduos, da possibilidade de usarmos mídias digitais como instrumentos de divulgação, exposição e expressões pessoais; daí o termo usuário-mídia”. Ou seja, para a autora, cada indivíduo pode ser um “canal de mídia”, pois tem a possibilidade de produzir, criar, compor, montar, apresentar, e difundir os seus conteúdos. Terra (2011, p. 68, grifo do autor) acredita que esse usuário é um heavy user, tanto da internet quanto das mídias sociais. Isto é, é alguém que domina a tecnologia e que, a partir dela, “produz, dissemina, compartilha conteúdos próprios e de seus pares”. A autora argumenta que “no ciberespaço, cada sujeito é efetivamente produtor de informação”. Nessa perspectiva, Qualman (2011, p. 155) afirma que “toda pessoa hoje é um canal de mídia competitivo em potencial”.    

As possibilidades do usuário-mídia são potencializadas com a internet, pois o internauta ganha “expressividade com as ferramentas de mídia social que podem ser nomeadas de megafones da era digital, pelo poder que é conferido ao usuário”.  Ou seja, o poder de comunicar deixa de pertencer somente a “grandes grupos de mídia, ou conglomerados”, e passa a pertencer também ao usuário, assim como já afirmou Lévy (2004). Enfim, para Terra (2011, p. 46), a grande “finalidade das mídias sociais é o diálogo”, ou, segundo Recuero (2012), as conversações.

Para Gitomer (2012, p. 7-10), “a mídia social tornou-se um fenômeno que vai além de palavras. Centenas de milhões de pessoas no mundo todo se juntam ao grupo. Em um milésimo de segundo, milhões de pessoas conseguem saber tudo sobre tudo e todos”. O autor acredita que as mídias sociais começaram com a força de uma ventania, e hoje, é um “tornado descontrolado passando pela superfície da internet”. Gitomer (2012, p. 13) afirma que as mídias sociais são fluidas, atuais e constantes, além de argumentar que tanto a internet quanto as mídias sociais são instantâneas. Enfim, Gitomer (2012, p. 30) acredita que a “mídia social mudou o mundo”.    

Qualman (2011, p. 15), tratando sobre as mídias sociais e as transformações que estas estão provocando em nossas vidas e no mundo dos negócios, apresenta-nos o conceito de “socialnomics”, que nada mais é do que “o valor criado e compartilhado pelas mídias sociais e sua eficiente influência em resultados”. Isto é, socialnomics “é o efeito boca a boca com aceleradores digitais”. E esse efeito não tem idade, pois “as mídias sociais podem mobilizar tanto jovens quanto adultos”. A necessidade das mídias sociais e sua incrível evolução e desenvolvimento nos últimos anos advém da necessidade do indivíduo saber o que os outros falam, pensam, fazem. Em pouco tempo, ela “tornou-se a atividade mais popular da internet”. Além disso, outro benefício da mídia social é que ela é global, ou seja, ela permite que o usuário permaneça conectado “aos seus amigos e família mesmo geograficamente separados”, afirma Qualman (2011, p. 21-23).

Através das mídias sociais, diz Qualman (2011, p. 26), com uma observação casual, podemos “ficar facilmente lado a lado de quem” queremos nos manter conectados. Qualman (2011, p. 34) explica-nos que as famosas conversas do cafezinho agora são estendidas para o mundo online. Você não precisa esperar a segunda-feira para saber o que seus colegas fizeram no fim de semana, por exemplo. O autor argumenta ainda que as conversas de cafezinho não terminaram, mas com tais processos, temos a possibilidade de uma “conexão mais profunda entre indivíduos [...] em menos tempo”.

Qualman (2011, p. 15-57) argumenta que as mídias sociais estão provocando uma grande transformação da sociedade. Por exemplo, no setor jornalístico, em que jornalistas de fontes oficiais concorrem com uma grande quantidade de blogueiros. Que podem até ser inexperientes, mas muitas vezes, são maiores conhecedores de alguns assuntos, do que as fontes oficiais. Neste caso, cada vez menos estamos procurando a notícia, pois cada vez mais ela vem até nós através das mídias sociais. Além disso, o autor ressalta que, quando o usuário ainda procura a notícia, muitas vezes o faz através das mídias sociais, o que a tornaria o principal concorrente do Google, por exemplo.

Qualman (2011, p. 63) acredita que, “em muitos casos, as mídias sociais podem aproximar famílias, permitindo que pais discretamente acompanhem a vida de seus filhos”. Para o autor, a vida corrida dos pais os impedem de manter maiores laços com seus filhos, sendo que muitos só se encontram na hora do jantar. Por isso, Qualman (2011, p. 63) acredita que, “até certo ponto, as mídias sociais podem unir pessoas das famílias, elas conectam pais e filhos de uma maneira nunca vista antes”.  Argumentando seu ponto de vista, o autor informa-nos que, segundo uma “pesquisa de responsabilidade pessoal e mídias sociais”, 69% dos pais indicaram que “são ‘amigos’ dos seus filhos no Facebook”.

Para Qualman (2011, p. 61-71), com as mídias sociais, pessoas e empresas estão dispostas a manter “diários” online abertos, como uma forma de manterem-se conectados a um grupo maior, como forma de sentirem-se inseridos dentro desse grupo. Mas as mídias sociais não são como os diários tradicionais, onde podíamos escrever coisas que não gostaríamos que os outros soubessem. É preciso ter cuidado com o que colocamos na rede, pois como o próprio autor lembra: “o que acontece em Vegas, fica no Youtube”.

Qualman (2011, p. 75) acredita que as pessoas estão deixando, aos poucos, de assistir a vida dos outro (pela televisão, por exemplo), e dedicando-se a fazer coisas bacanas para serem compartilhadas nas mídias sociais, e assim, quando olharem suas atualizações de status antigas, poderão responder à questão “o que eu fiz da minha vida?”. Neste viés, as “pessoas estão vivendo suas próprias vidas em vez de observar a dos outros”, afirma Qualman (2011, p. 75). Os e-mails também estão perdendo seu lugar e tornando-se arcaicos, para Qualman (2011, p. 78), sendo que esse afirma que “conversas abertas dentro das mídias sociais têm melhor fluidez e se parecem com uma conversa normal. Além disso, o conteúdo da conversa é quebrado em pedaços menores e próximos, mais fáceis de serem encontrados do que uma longa sequência de e-mails”.

Para Qualman (2011, p. 81), as mídias sociais também possuem um papel importante nos relacionamentos. Antigamente, alguém podia lhe pedir seu telefone, hoje, é mais prático e barato alguém lhe perguntar: “tem Facebook?”. Além disso, o autor afirma que mídias sociais “são fantásticas para encontrar novas pessoas e marcar encontros. Se uma garota encontra um cara por aí e eles trocam nomes e conectam via rede social, é uma mina de ouro virtual de dados pessoais”. As mídias sociais, como o Twitter, por exemplo, também tem contribuído de forma significativa em ocasiões de desastres naturais ou situações de conflito e perigo, como no caso do jornalista Karl James Buck, que durante uma reportagem em um conflito no Egito, foi detido junto com manifestantes. Ao postar em seu Twitter a palavra “preso”, Buck movimentou um grande número de pessoas que ativaram poderes locais para libertá-lo. O caso de Buck e os resultados que apenas uma palavra promoveu também são contados por Israel (2010).

Porém, Qualman (2011, p. 49) sabe que, mesmo as mídias sociais tendo um importante papel em nossas vidas, e fazendo parte da maior parte delas, ela não é a cura para todas as coisas. A forma de escrever dos jovens está sendo afetada, muitos vivem em um mundo “que se comunica apenas com 140 caracteres”, sendo que muitos jovens incorporam a forma de escrita da internet em todos os âmbitos. Outro ponto negativo das mídias sociais, é que os jovens têm demonstrado dificuldades nas interações pessoas, ou seja, nas interações cara a cara. As pessoas possuem uma grande barreira quando se trata de falar em público. As conversas e interações são mais fáceis, se as pessoas estão escondidas “atrás de mensagens instantâneas ou ferramentas de mídias sociais do que quando” nos confrontamos pessoalmente, diz Qualman (2011, p. 85). Tal questão faz-nos lembrar o alerta feito por Wolton (2004, p. 150): “atenção às solidões interativas!”.
        
         Contudo, Qualman (2011, p. 128) afirma que mesmo que acreditemos que “a vida com as mídias sociais é ruim” temos que “concordar que ela mudou para sempre o modo como vivemos”. Para o autor, as pessoas têm uma forte tendência em compartilhar, e as mídias sociais são para todos, de todas as idades. As mídias sociais “não são uma moda passageira, são uma mudança fundamental na maneira como nos comunicamos”, conclui Qualman (2011, p. 285).


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