Seis graus de separação
A
“ciência das redes”, também chamada de “teoria das redes”, teve seu início por
meio da curiosidade científica de Duncan Watts e Steve Strogatz. Ambos os
pesquisadores eram intrigados de como um grupo poderia agir em sincronicidade.
Por exemplo, como um grupo de pessoas sabia qual a hora exata de bater palmas?
Como os vaga-lumes brilham de forma harmônica? Como os grilos cantam em
sincronicidade? Para entender tal dinâmica através da matemática, os dois
pesquisadores buscaram um exemplo no mundo real, e decidiram observar “o grilo de
árvore nevado”, que “chirria de forma muito regular” (WATTS, 2009, p. 16-17,
grifo do autor). Eles, então, capturaram alguns grilos para observar como estes
agiam em sincronia, quem comandava o canto (se é que existia um líder), além de
entender “quem estava ouvindo quem”. Porém,
para a surpresa dos dois pesquisadores, durante a observação, os grilos simplesmente
não chirriaram. Watts e Strogatz compreenderam que observar os grilos
separadamente não daria certo porque a resposta estava no grupo inteiro de
grilos, e na forma como interagiam. Ou seja, era preciso entender o padrão de
conexão entre eles. Foi então que Watts lembrou-se de uma pergunta de seu pai: “você
sabia que está a apenas 6 graus de qualquer pessoa da Terra?”. A partir disso,
os pesquisadores trocaram o estudo dos grilos pelo estudo das redes.
A
teoria dos “seis graus de separação” foi um experimento realizado pelo psicólogo
social Stanley Milgran, no ano de 1967. Milgram objetivava compreender o “problema
do mundo pequeno”. Segundo Watts (2009, p. 19), o que Milgran queria mostrar
era que “mesmo quando alguém não conhece nenhum conhecido nosso [...] ainda
assim essa pessoa conhece alguém, que conhece alguém, que conhece alguém que
nos conhece”. O pesquisador, então, queria saber quantos são esses “alguéns”. Milgran
elaborou o “método do mundo pequeno”, ou seja, entregou cartas a diversas
pessoas, que eram incubidas da tarefa de fazê-las chegar a um único alvo, porém
havia algumas regras: as pessoas não poderiam enviar as cartas diretamente ao
alvo, a não que o conhecessem, e também deveriam passa-las apenas a pessoas que
conhecessem bem. Milgran então percebeu que as cartas passaram pelas mãos de
seis pessoas, em média, até chegar ao destino final, e assim, originou-se a
expressão “seis graus de separação”.
Então,
segundo essa concepção, se conhecêssemos cem pessoas, e essas pessoas conhecem cem
pessoas, estaríamos a dois graus de separação de dez mil pessoas, e a três graus
de separação de um milhão de pessoas. Porém, Watts e Strogatz perceberam um
grande erro nessa teoria: as pessoas dentre as cem que conhecemos, podem ser as
mesmas pessoas que tais pessoas conheçam, pois a nossa tendência é nos
relacionarmos com quem temos afinidades, temos tendência a nos relacionarmos
com pessoas parecidas conosco, e assim, estabelecemos círculos sociais, redes
sociais. Para Watts (2009, p. 21), “o grande paradoxo das redes que o
experimento de Milgran iluminou é que, por um lado, o mundo é altamente
aglomerado [...]. E, no entanto, por outro lado, ainda podemos contatar alguém
em uma média de apenas alguns passos”. Isto é: como o mundo pode ser pequeno e
grande ao mesmo tempo? Os pesquisadores compreenderam que nós nos aglomeramos
em grupos de iguais, mas nossas redes são dinâmicas, ou seja, pessoas entram e
saem de nossas vidas, nós viajamos, nos mudamos, trocamos de empregos. Além
disso, possuímos múltiplos interesses e assim, múltiplos grupos aos quais
pertencemos. Sendo assim, podemos ser o atalho entre grupos totalmente
distintos, como um grupo de estudos e um grupo de dança, pois somos integrantes
de ambos. Os seja, essas conexões aleatórias une o mundo inteiro.
Provando
tal teoria da conectividade através de um jogo chamado “Jogo do Kevin Bacon”, no qual estudantes descobriam o número de
conexões entre qualquer ator e Bacon, Watts e Strogatz perceberam que não só
qualquer autor tinha algum grau de conexão com Kevin Bacon, mas que todos os
atores tinham algum grau de conexão entre si, pois alguns elos aleatórios
encurtavam a distância entre milhares de atores. Essa conectividade de mundos
pequenos mostrou-se tanto em malhas elétricas, quanto em determinados tipos de células.
A conectividade dos mundos pequenos estava em todas as partes, pois Watts (2009,
p. 60-66) percebeu que “o fenômeno do mundo pequeno não depende necessariamente
das características de redes sociais humanas [...]. São, na verdade, muito mais
universais”.
O autor também dedica-se à estudos como epidemias, vírus de computadores, mobilizações sociais, tendências culturais e de consumo, relacionando tais observações com a teoria da rede.
Resenha:
Resenha:
Esse documentário é altamente esclarecedor, depois da leitura do livro.

3 comentários
Espantoso!!! Quanta bobagem... O teste real deve ser de até que ponto podemos chegar de alienação e confusão, quando no coletivo... "Seis graus de separação"... Esta "análise" é uma exposição do que está na "teoria", como lá está... Graus NÃO são medida de "separação" de nada... "Graus"... são UNIDADES de medidas como relacionadas à ângulos... O experimento mostra a CONFUSÃO à que as pessoas de "estudo" chegaram por NÃO se aprofundar em nada, mergulhados que são em uma grande massa de conhecimentos que devem "dominar" para serem aprovados nos cursos "superiores" à que se submetem... É confusão do tipo "tempo" que leva à "viagens" ao passado ou ao futuro... O tempo, apenas uma MEDIDA relativa de transformações que nos cercam para fins de AVALIAÇÃO cerebral das ditas, NÃO existe como ENTIDADE ou REALIDADE positiva... É apenas uma COMPARAÇÃO entre o que QUEREMOS avaliar e outra VARIAÇÃO REPETITIVA, CONHECIDA QUE NOS PERMITE A NOÇÃO das transformações do que nos cercam... É uma "PEGADINHA" levada a sério e que expõe ao RIDÍCULO pesssoas confusas por uma massa de conhecimentos NÃO APROFUNDADOS OU VERIFICADOS à que são submetidas nos nossos "ENSINOS SUPERIORES"... Acorda gente!!!
ResponderExcluirHum, parabéns a autora do post. Acho muito relevante não só o incentivo a leitura, como também a discussão proposta no livro. Quanto ao comentário ao post, fiquei um pouco triste.
ResponderExcluirIdeias divergentes todos temos, mas tratar com descaso e desrespeito foge do que todos pretendemos como pesquisadores: um debate suadável, respeitoso e cordial.
Acrescento ainda que realmente graus é uma medida (assim, escrito em caixa baixa). Mas ao adicionar o numeral 6 a frente da medida 'graus' o autor o transforma em um elemento capaz de diferenciar e distanciar elementos.
Quanto a crítica ao ensino superior ou mesmo aos conhecimentos aprofundados ou verificados, creio que a construção de conhecimento se dá justamente no embate de ideias, nas tentativas e na pesquisa. Talvez se o nosso ensino superior (sem aspas e sem caixa alta) fosse tratado com mais respeito, a figura do pesquisador, do professor e do próprio aluno, fossem tratadas com mais distinção e respeito, tendo assim reconhecimento da sociedade, pela construção, pensamento e elaboração de conhecimento teórico e prático.
Parabenizo, novamente, a autora pela iniciativa e pelo blog.
Obrigada pelo comentário sr Mateus. Concordo com tudo o que falaste. Seis graus de separação é uma teoria fundamentada e pesquisada desde 1967 por diversos pesquisadores, que não se baseiam apenas em achismos, mas em experimentos concretos.
ResponderExcluirTambém ressalto que as resenhas deste blog são apenas uma forma de expor minhas opiniões sobre as obras e apresentá-las a quem tem interesse.
Claudiomar, agradeço o teu comentário, cheio de ênfase através da utilização do recurso da caixa alta. Tens todo o direito de discordar, apenas perde a razão fazendo isso ao desconsiderar pesquisadores, instituições e anos de estudos. Penso que se este estudo fosse bobagem, não teria se concretizado enquanto teoria, muito menos renderia um livro e até documentários. Se você ler a obra, também verá que os estudos são sim, aprofundados, até porque, neste ramo, publicações são ímpares, devido à exigência de descobertas relevantes. Além disso, eu enquanto doutoranda honro e me orgulho de pertencer a uma academia, pois sabemos que isso é privilégio de uma minoria. Mas enfim, viva à leitura e a discussão saudável de nossos queridos livros.