Luxúria: A Casa dos Budas Ditosos
by
Tauana Jeffman
- junho 28, 2013
Obviamente, o
livro dedicado à luxúria, pertencente à coleção Plenos Pecados, só pode estar recheado de sacanagem. Muita
sacanagem.
A história - ou
melhor, o relato - é contado por uma baiana de 68 anos que viveu plenamente a
luxúria, não poupou “quase” ninguém. Comeu amigo, primo, irmão (se declara
apaixonadÃssima por seu irmão Rodolfo), cunhada, vizinho, tio, professor,
padre, freira. Queria ter experiências com cavalos e com jegues, só não se
sentia atraÃda por cachorro. Se arrepende de não ter comido até o próprio pai.
Essa baiana, que
não sabemos o nome, acredita que nasceu sabendo a arte da prevaricação, da
sacanagem, da luxúria. Nasceu com o dom. Conta-nos que desde cedo sabia o que
era bom, interessava-se por livros e revistas pornográficas. Aprendeu a gozar
de todas as formas e com todos os tipos de pessoas. Casou-se (vejam só), e ae
começou a sacanagem grupal. Ela e o marido, um tal de Fernando, comiam todo
mundo, juntos, separados, embolados. Era tanta começão que você não sabia quem estava
comendo quem naquela página. No bolo entrava de padre à homossexual, de freira
à aeromoça.
Ela e o marido
intensificaram a atividade grupal quando foram morar nos Estados Unidos. Ae era
sexo e cheiração, mas não os dois juntos, porque cocaÃna é brochante (“Quer pau
ou quer pó?”). Voltaram para a Bahia, mas depois de viver tanta coisa, a Bahia
ficou chata, monótona, então resolveram ir para o Rio. No Rio a cheiração continuou
solta, e cheiravam até com traficantes. “Sentavam a venta”. Segundo a relatora
da história, a vida é curta e temos que aproveitar.
Enfim, no inÃcio
do livro, ela dedica o relato às mulheres, quer que elas se libertem dos
dogmas, dos preconceitos, dos atrasos. Quer que gozem, se masturbem, se
permitam. Quer que as mulheres deixem fluir os seus momentos de puro sexo, onde
o sexo pulsa por todos os lados. Quer que elas enlouqueçam seus companheiros,
descubram companheiras, façam o que tiverem vontade, sem limitação. Ela quer
que a mulher “libere geral”.
Claro que tem
coisas (muitas coisas) que eu li com a sobrancelha direita arcada. Como quando
ela comenta que sexo com camisinha não dá, porque a mulher merece e quer ser
ejaculada (tipo: oi?), ou quando ela compara heterossexuais a unicórnios, ou
seja, não existem. Claro né, é uma ficção, não um manual de educação sexual.
A escrita do
livro é como um relato mesmo, como se ela se utilizasse de uma escrita
“oralizada”. Isso me atrapalhou um pouco a leitura, porque existem poucos
parágrafos, pouca coesão. Ela iniciava um assunto e voltava a retomá-lo páginas
depois. Mas acredito que o estilo de escrita é condizente com o conteúdo do
livro, ela queria falar sobre sexo, e não escrever. Queria escrever sem
preocupações, sem paradigmas e sem limitações, assim como transa. Queria contar
como se sente uma enviada de Deus, para fazer o homem e a mulher descobrirem a
luxúria.
O livro é bom
mesmo, li muito rápido e é claro que a leitura de algumas páginas me deixou
ruborizada, mas as histórias estão longe do Marquês de Sade, por exemplo. Ainda
assim, excitante.






























