As estrelas descem à terra
O que as colunas de astrologia realmente dizem?
Adorno mobiliza crítica social e psicanálise freudiano
a fim de expor como a ideologia do capitalismo tardio
tem a força insidiosa de configurar até mesmo o que dizem os astros.
Confesso que senti uma grande felicidade quando terminei de ler o livro. Não sei porque, mas apesar de ser poucas páginas, achei o conteúdo bem denso. Apesar de seu modo de colocar as argumentações ser de fácil compreensão.
Em As estrelas descem à terra, Adorno faz uma análise da coluna do horóscopo do Los Angeles Times. Analisa o que o colunista aconselha para cada signo do Zodíaco, quais são suas interpretações sociais e psicológicas, de forma geral.
É interessante perceber como o pesquisador organiza os conselhos, extrai deles seus sentidos secundários e apresenta-nos conselhos muito semelhantes, apesar de se destinarem à signos diferentes. Na obra, compreendemos que o colunista fala com uma 'mulher mais velha, compulsiva, isolada, ranzinza e pertencente à classe média baixa', que, de acordo com o autor, é o estereótipo dos leitores de tal coluna.
Assim, Adorno identifica conselhos referentes ao trabalho, inseridos no horóscopo como "tarefas de rotina", ao prazer, percebidos como "saia", "divirta-se", entre outras interpretações. O autor também infere sobre o papel dos amigos e da família para o leitor, entre outras peculiaridades ligadas à astrologia. Um fato curioso, é que em vários momentos é "dado a entender", que quem acredita ou esmera-se na astrologia, tende a ter sintomas psicóticos ou "disposições paranóicas".
Como isso é apenas um breve comentário, longe de ser uma resenha, quissá uma resenha que dê conta do assunto, vou deixar no post o link para baixar o livro na íntegra, além de três resenhas da obra, para quem se interessar.


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