Sherlock Holmes: um estudo em vermelho
Com Um estudo em vermelho iniciei minhas leituras de Sir Arthur Conan Doyle. Nunca tinha lido nada sobre o Sherlock Holmes na vida, mas ainda assim, eu sabia exatamente de quem se tratava. Isso é perfeitamente compreensível, se percebermos que há personagens que, mesmo não lidos, tornam-se figuras vivas em nosso imaginário. Um destes personagens é o "detetive consultor". Sobre este contexto, Murch (apud ECO, 1991, p. 60) observa: "há na literatura certos personagens que passaram a possuir uma identidade independente e inconfundível, cujos nomes e qualidades pessoais são familiares a milhares de pessoas que podem não ter nem mesmo lido qualquer das obras nas quais os personagens aparecem. Entre estas deve-se incluir Sherlock Holmes [...]". A narrativa de Doyle é verdadeiramente fantástica, apesar de sua humildade lhe faltar algumas vezes, como quando cita e "menospreza" August Dupin, personagem de Edgar Allan Poe, autor que, digamos assim, o influenciou em tais histórias ao iniciar as narrativas policiais. Mas isso já é outro assunto. A história é realmente envolvente, li o livro em um único dia (o que é fácil pois o livro tem só 120 páginas).
Sobre o livro: a história gira em torno de um crime (aliás, dois assassinatos) que envolvem pistas misteriosas. A polícia é a encarregada da solução do mistério, mas como não consegue avançar em suas investigações, recorre aos conhecimentos e habilidades de Sherlock Holmes. O modo como os assassinatos ocorreram, as pistas deixadas para trás pelo assassino, a palavra Rache escrita na parede com sangue, entre outros fatos, são empecilhos para a solução do problema aos olhos da polícia. Mas para Holmes, cada pista é um passo mais próximo do culpado. O livro é narrado essencialmente por Watson, médico em licença-saúde que vai morar com Holmes. A primeira metade do livro conta-nos como os dois se conheceram, foram morar juntos, o desenrolar dos assassinatos e a prisão do culpado, efetuada por Sherlock Holmes. Na segunda parte do livro, conhecemos a história do assassino e os motivos para tal crime. Ae revelam-se o porquê da palavra Rache (que significa vingança em alemão) e qual a relação entre os crimes e uma aliança feminina. Arrisco-me a falar sobre Sherlock e Doyle, mesmo sem ter intimidade com tal literatura. Passo aqui a visão de uma leiga acerca da história que está longe de ser uma Sherlockiana.

1 comentários
Oi, Tauana,
ResponderExcluirQuanto à suposta falta de humildade de Conan Doyle ao citar Dupin, vale observar que é algo que o autor atribui à arrogância de Holmes, não à própria. No prefácio duma coletânea de Edgar Allan Poe, Doyle escreveu:
"Edgar Allan Poe [...] foi o pai da história de detetive, e cobriu seus limites tão completamente que não consigo ver como seus seguidores podem encontrar algum novo terreno que possam chamar de seu com confiança [...]. O escritor deve caminhar nesse caminho estreito [de criar um personagem 'herói'], e vê as pegadas de Poe sempre à sua frente. Fica feliz se em algum momento encontra uma maneira de escapar e iniciar alguma nova senda alternativa própria."
Alguns especialistas no cânone de Doyle veem essa arrogância apenas como um toque de inveja profissional do caráter de Holmes =)
De qualquer forma, o fato é que o próprio Sherlock reconhece o valor de Dupin no conto "A caixa de papelão", no qual fala do "pensador rigoroso" dos contos de Poe (referindo-se claramente a Dupin).
Tenho gostado muito dos post do seu blog que li até agora. Obrigado por nos brindar com comentários tão interessantes sobre livros!