Le Ballon Rouge (1956)
by
Tauana Jeffman
- outubro 24, 2011
Nunca mais irei ver um balão como antes.
Le Baloon Rouge, O Balão Vermelho aqui no Brasil, é um filme ganhador de “diversos prêmios, como a Palma de Ouro e o Oscar de roteiro original (o único nesse formato a ganhar um prêmio na categoria)”, de acordo com o site G1. O Balão Vermelho é um clássico infantil francês que, apesar de terem se passado mais de 50 anos, ainda continua atual, e seu encantamento ainda nos cativa.
No caminho para a escola, o menino encontra um balão vermelho preso no alto de um poste (ou o balão vermelho encontra o menino). Após conseguir resgatar o balão, o menino vai para o colégio levando-o junto consigo. Como não pode entrar na escola com acompanhado do novo companheiro, o menino o entrega-o a um senhor que cuida do pátio do colégio, depois de recomendá-lo para cuidá-lo. Na saÃda da escola, pega seu balão de volta.
Já em casa, a avó do menino solta o balão pela janela, ação que o desolando. Mas, ao invés de ir embora com o vento, como qualquer balão de gás, o balão vermelho não vai embora, e fica ao lado da janela do menino, até este resgatá-lo novamente. A partir daÃ, o filme mostra a magia que envolve a relação entre o menino e o seu balão vermelho. O balão ganha vida a passa a ser o companheiro do menino. Seguindo-o, brincando, acompanhando-o aonde este for. Os dois então passam a descobrir uma pequena França, ruas e lugares antes despercebidos.
Porém, após perceber a relação mágica entre o menino e seu balão, os meninos do bairro sentem-se incomodados com tal situação e passam a perseguir ambos. Na segunda tentativa de roubo do balão, o menino consegue resgatá-lo, o que desencadeia uma perseguição do grupo de meninos atrás dele e de seu balão vermelho.
O grupo consegue emboscar o menino e o balão, o roubam de seu dono, o prendem em uma corda comprida e passam a torná-lo como mira de pedradas. Após inúmeras tentativas de se esquivar das pedradas, o balão é acertado por uma pedra vinda de um estilingue de um dos meninos. Numa das cenas mais emocionantes do filme, o balão vai perdendo altitude e vai caindo ao chão ao compasso de que vai murchando. Quando está no chão, a vida do balão é tirada por um menino que o pisa violentamente, lhe tirando o pouco de ar que ainda lhe restava.
A partir da morte do balão, a cena mais mágica e impressionante do filme se desenrola. Todos os balões do local ganham vida, assim como o balão vermelho. Os balões fogem de seus donos, escapam por portas, janelas e diversos lugares, todos numa dança sincronizada no ar, partindo para a mesma direção. Percebemos que a dor da cena da morte do balão vermelho dá lugar à felicidade de ver o céu repleto de balões, colorindo e animando o céu, bem como as ruas do local.
O menino, sentado no chão, desolado e velando seu companheiro, percebe que todos estes balões coloridos estão indo na sua direção, todos estão direcionando-se ao seu encontro. O menino levanta feliz e começa a segurar a corda de todos os balões. Este é o momento de mudança para o menino, do luto à alegria. E no auge de sua alegria, faz um balanço das cordas dos balões, que o levam ao horizonte.
Ao final do filme, então, podemos nos perguntar: que imaginários o filme nos transmite? Por que o filme nos emociona? Por que o filme ganhou tantos prêmios e consagrou-se como um clássico do cinema Francês? Percebemos que a trama é incrivelmente rica, bem como sua trilha sonora, o que torna a quase total falta de diálogos algo que não atrapalha sua compreensão.
As imagens do filme também são fabulosas e nos transmite uma sensação de nostalgia, sensação de tempo nebuloso. O que percebemos através da predominância de tons opacos e escuros nas cenas. É através desta predominância, que a cor viva e vibrante, como o vermelho do balão, passa a destacar-se nas imagens, como algo fora do comum daquelas cenas. Algo mágico, fabuloso, algo vivo e alegre em meio a falta de cores da cidade.
O filme mexe com a nossa imaginação, já que um balão que possui vida não existe. Mas no filme, isto passa a ser realidade, passa a ser um imaginário partilhado por todos, um imaginário coletivo como afirma Maffesoli (2001), que também afirma que o imaginário é uma realidade.
Durand (2010, p. 40) afirma que "todo o imaginário humano articula-se por meio de estruturas plurais e irredutÃveis, limitadas a três classes que gravitam ao redor dos processos matriciais do 'separar' (heróico), 'incluir' (mÃstico) e 'dramatizar' (disseminador), ou pela distribuição das imagens de uma narrativa ao longo do tempo". O autor argumenta que "o imaginário constitui o conector obrigatório pelo qual forma-se qualquer representação humana", sendo que "todo pensamento humano é uma re-presentação" (DURAND, 2010, p. 40). Logo, todo o pensamento humano forma-se pelo imaginário.
Durand (2010, p. 40) afirma que "todo o imaginário humano articula-se por meio de estruturas plurais e irredutÃveis, limitadas a três classes que gravitam ao redor dos processos matriciais do 'separar' (heróico), 'incluir' (mÃstico) e 'dramatizar' (disseminador), ou pela distribuição das imagens de uma narrativa ao longo do tempo". O autor argumenta que "o imaginário constitui o conector obrigatório pelo qual forma-se qualquer representação humana", sendo que "todo pensamento humano é uma re-presentação" (DURAND, 2010, p. 40). Logo, todo o pensamento humano forma-se pelo imaginário.
Levando o conteúdo exposto acima em consideração, o imaginário que o filme me despertou, ou seja, aquilo que percebi, o minha visão perante a obra, foi uma metáfora do amor. Ou seja, uma metáfora da relação com as pessoas ou coisas que amamos. O menino se relaciona com o balão como alguém que o ama. Era o amor do menino que dava vida ao balão, e este retribuÃa seus sentimentos. Não deixava que ninguém o conduzisse, pois isso só o menino podia. Também defendia o menino daqueles que por algum motivo o fizeram mal.
Como fazemos com quem amamos, o menino protegia o balão da chuva, protegia o balão dos meninos, e enfrentava as conseqüências de sua relação, como a recusa da avó, a impossibilidade de andar de ônibus, ficar de castigo por causa do balão e até mesmo ser expulso da missa. Percebemos que, assim como o menino passava por tais situações pela sua relação com o balão, nós também passamos e vivemos situações com as quais temos que assumir as conseqüências pelas relações que estabelecemos.
Como qualquer relação bem sucedida, a relação do menino e de seu balão vermelho também foi alvo de inveja e de cobiça perante os demais. A relação harmoniosa e exclusiva do menino, gera a raiva e a inveja dos outros meninos que não desfrutam também de tal relação.
O balão, bem como o amor, era o que trazia vida à vida do menino, era o que lhe trazia alegria em seus dias nebulosos, era o que dava luz aquele local escuro. Quando estamos com as pessoas que amamos, sentimos que tudo está colorido, tudo está radiante, como o nosso coração, por mais nebuloso e chuvoso que esteja o mundo lá fora. O balão era o que fazia o menino feliz.
Através da sua relação com o balão vermelho, o menino descobriu o amor, os maus sentimentos e a perda. Através do filme, compreendemos que quando perdemos alguém que amamos muito, seja pelo motivo que for, devemos aproveitar nosso luto, mas não deixar que esse perÃodo dure muito tempo. Assim como o menino sai do luto de seu balão com a ajuda de outros balões, nós quando perdemos alguém que amamos, também contamos com outras pessoas que amamos e nos amam, e estão ao nosso lado nos piores momentos de nossas vidas. E são essas pessoas que nos levam além do que imaginamos um dia chegar.
Apesar de toda perda que podemos ter, devemos sempre lembrar que existem mais pessoas que nos amam e que também amamos. Devemos lembrar que coisas ruins acontecem, mas que a vida sempre nos reserva algo melhor no futuro. É importante sabermos lidar com perdas, e não esquecer a importância que tal pessoa faz em nossas vidas, mas devemos sempre lembrar que a vida segue seu rumo, segue em frente, e com coisas e pessoas maravilhosas nos esperando.
O menino representa então, toda a criança que também somos, pois quando se trata de relações, quaisquer que forem, estamos sempre aprendendo, sempre vivendo experiências novas. Creio que somos uma eterna criança, pois estamos eternamente aprendendo e amadurecendo através da relação com o balão vermelho, ou seja, com o amor.
O amor é algo que vive em nosso imaginário, em nosso peito, em nossa alma. Não podemos quantificar nem visualizar o amor, o amor não é racional. E assim como dizia Shakespeare, “o amor não se vê com os olhos, mas com o coração”.
O amor é algo que vive em nosso imaginário, em nosso peito, em nossa alma. Não podemos quantificar nem visualizar o amor, o amor não é racional. E assim como dizia Shakespeare, “o amor não se vê com os olhos, mas com o coração”.
Referências
DURAND, Gilbert. O imaginário: ensaio acerca das ciências e da filosofia da imagem. 4ª ed. Rio de Janeiro: Difel, 2010.
MAFFESOLI, Michel. O imaginário é uma realidade. Revista FAMECOS. Porto Alegre: n. 15, agosto 2001, p. 74-81.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4.
Informações Técnicas:
TÃtulo no Brasil: O Balão Vermelho
TÃtulo Original: La Ballon Rouge
PaÃs de Origem: França
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 34 minutos
Ano de Lançamento: 1956
Direção: Albert Lamorisse





























