O imaginário para Juremir Machado da Silva
Juremir Machado da Silva é professor, jornalista, escritor e tradutor. Realizou mestrado e doutorado em Sociologia da Cultura, sob orientação de Michel Maffesoli, Jean Baudrillard e Edgar Morin, sendo que suas concepções nutrem-se, essencialmente, dos conceitos desenvolvidos por estes três autores.
Em sua obra As Tecnologias do Imaginário (2006), fruto de vários anos de pesquisas, Silva (2006) apresenta-nos um mapa conceitual do termo “imaginário” e do termo “tecnologia”. O autor apresenta-nos as teorias relativas ao imaginário de Gilbert Durand, Jacques Lacan, Gaston Bachelard, Michel Maffesoli, Edgar Morin entre outros. Além de realizar uma análise entre as tecnologias do imaginário e a ideologia, as tecnologias de controle, a técnica, as tecnologias da crença, e as tecnologias do espírito/mente.
Para Silva (2006, p. 07) “todo o imaginário é real. Todo o real é imaginário. O homem só existe na realidade imaginal. Não há vida simbólica fora do imaginário”, é categórico: “o homem só existe no imaginário”. Silva (2006, p. 8) nota que “todo imaginário é uma narrativa. Uma trama. Um ponto de vista. Vista de um ponto [...]. Todo imaginário é um desafio, uma narrativa inacabada, um processo, uma teia, um hipertexto, uma construção coletiva, anônima e sem intenção”. Silva (2006, p. 9) nota que o imaginário não é um álbum de imagens, ou um museu de memória. O imaginário é mais do que isso, ele é “uma rede etérea e movediça de valores e de sensações partilhadas concreta e virtualmente”.
Como já destacamos anteriormente, para Silva (2006, p. 11) o “imaginário é um reservatório/motor”, pois ao mesmo tempo em que guardamos neles nossas experiências, nossas imagens, nossas perspectivas sociais, ele nos impulsiona, nos acelera e nos motiva a realizar uma ação. Nesta ação, encontramos a realidade do imaginário, porque ele “emana do real, estrutura-se como ideal, e retorna ao real como elemento propulsor ”.
Silva (2006, p. 13-14) afirma que o imaginário é racional e também não-racional, sendo assim, ele é “uma fonte de impulsos para a ação, é também uma represe de sentidos, de emoções, de vestígios, de sentimentos, de afetos, de imagens, de símbolos e valores”. Silva (2006, p. 13) entende que o imaginário pode ser individual, e sua construção se dá essencialmente por identificação, apropriação e distorção do outro, ou pode ser coletivo, estruturando-se essencialmente por contágio, ou seja, por “aceitação do modelo do outro (lógica tribal), disseminação (igualdade na diferença) e imitação (distinção do todo por difusão de uma parte)”.
Para Silva (2006, p. 49), “não se crê no imaginário. Vive-se nele”. O autor afirma ainda que não exista verdade nos imaginários, pois neles “tudo é invenção, narrativa, seleção, modo de ser no mundo”. O autor explica-nos que o “imaginário é um estilo, uma impressão digital do indivíduo ou do grupo na cultura”. Ele “surge da relação entre memória, aprendizado, história pessoal e inserção no mundo dos outros. Nesse sentido, o imaginário é sempre uma biografia, uma história de vida ”.
Silva (2006) assinala que o imaginário é “a presença do indivíduo no inconsciente coletivo e na sua própria vida ”, é “um rio [...] é deformação ”, é um “mundo em movimento ”. Enfim, nas palavras de Silva (2006, p. 51) o imaginário é o caminho onde “cada um faz da sua vida uma obra de arte”.

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