A vida sexual da mulher feia

by - março 17, 2012


     É gente, a vida não tá fácil pra ninguém, quanto mais pras mulheres feias (brincadeira). Bom, mas uma vez um livrinho da Claudia Tajes por aqui. Sim, adoro a literatura dela tão "vamos rir pra não chorar", porque essa é a vibe que ando nos últimos tempos. A Claudia tem um jeito inteligente e sagaz de tratar qualquer desgraça feminina, desde uma barata no armário, ou 10 tentativas de amores fracassados, mulheres que se sentem fracassadas na vida, e vão à procura de seus ex's, e até mesmo, ter sido trollada pela genética e ser uma mulher feia e gorda (será que essa é a maior trollagem? será trollagem? hum...). 
     Bueno, vamos ao livro que é o que nos interessa. Primeiro, queria lê-lo (lê-lo ia) pelo título dele, no mínimo instigante. Não sei se me considero integrante da classe das "mulheres feias", ou se eu nem chego perto da classe das "mulheres bonitas", só sei que eu achava que o livro era, no mínimo, interessante. Bem, acertei em partes, eu dei bastante risada com as histórias da protagonista, e até fiquei feliz pela vida que tenho, mas eu esperava um pouco mais, e fiquei até com dó da coitada da Jucianara. (Segundo a autora, toda mulher feia, tem um nome que faz jus a sua feiura). 
     O livro conta a história de uma mulher que além de feia, era gorda (a única sogra que ela teve dizia: "onde comem 6, come a Ju"). Mas a autora salienta que tem muita mulher que é bonita, mas é feia de espírito.  A mulher feia é aquela que se sente mais a vontade nos lugares, ela não tem que se fazer, pra chama atenção de alguém. Ela vai chegando, conversando, cumprimentando, e dança todos os tipos de música, com as amigas e aquelas feias mais tímidas, que entram na roda depois que a feia chamou pra dançar. Essas são duas características essenciais da mulher feia: aproveitar cada festa como se fosse a última, e ser solidárias com suas colegas feias. 
    Sobre os casos contados no livro, que a protagonista conta como uma análise científica da vida da mulher feia, sendo ela própria seu objeto de pesquisa, nem vou comentar muito, chega a ser deprimente. Em todos, entendemos que ela nunca foi amada de verdade, e que na maioria das vezes,ou saía com estranhos que não conhecia, e que ela chamava pra sair, ou saia com caras problemáticos que ela acabava se separando. É triste ler coisas como "quando penso nele, acho bem mais interessante a minha atual solidão". Mas olha só, como era de se esperar, já que a mulher feia tinha uma vida amorosa fracassada, ela investiu na vida profissional, e se deu bem (digamos). Virou locutora de um programa na rádio Baticum FM. 
     Bom, não é um dos melhores da Claudia, mas ainda valeu a pena a leitura. O próximo vai ser o "Louca por homem". Vou transcrever um pedaço da conclusão do livro, que acho bem interessante sobre essa história de mulheres feias já estarem condenadas ao fracasso amoroso. Olha, a coisa não é bem assim. 

"imagem é tudo, dizem os nossos dias. No entanto, fatos ao longo deste trabalho me obrigaram, se não a mudar os rumos da conclusão, ao menos a torná-la mais abrangente. Minha nova tese é que não só as mulheres feias se verão, com frequência, diante de desencontros e desencantos, mas que tais situações ocorrerão com as mulheres em geral. e apesar da relevância dos aspectos psicológicos nesse processo, é impossível não observar a importância dos fatores externos na formatação final da espécie. As fábulas com plebeias que viram princesas no último capítulo, a leitura de livretos como Júlia, Sabrina e Bianca, as novelas de televisão com suas heroínas sofredoras, sempre recompensadas por um grande amor no final, a busca desesperada por realizar ideais românticos antes mesmo da realização profissional ou da maturidade emocional, tudo isso torna a desgraça acessível a todas. Obviamente, um rosto ou um corpo fora dos padrões e proporções da nossa época, contribuirão para a desgraça".  

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