Água para elefantes & O Palhaço
Por coincidência, assiste à dois filmes relacionados ao mundo do circo neste fim de semana. Um brasileiro e um estrangeiro. E claro, cada um com um enredo diferente. Mesmo assim, pude notar semelhanças e diferenças nessas duas perspectivas.
O filme Água para elefante é mais romântico, e tem como foco narrativo na história dos personagens Jacob (Robert Pattinson) e Marlena (Reese Witherspoon). Ele, estudante de veterinária, que sai perdido pela estrada, após perder os pais em um acidente de carro e descobrir que suas propriedades pertencem ao banco. Caminhando ao léu, Jacob avista um trem e decide pegá-lo (andando). Trata-se do trem do circo. Neste, Jacob consegue trabalho como ajudante até ser apresentado à August (Christoph Waltz), o dono do circo. Após isto, ele passa a ser o veterinário oficial do circo, e aproxima-se de Marlena, por quem encanta-se no primeiro momento que a vê. Umas das coisas que mais me chamou a atenção, é que Jacob é um rapaz jovem, bonito e muito assediado pelas outras mulheres do circo, mesmo assim, faz de tudo para estar ao lado da mulher por quem se apaixonou, mesmo que ela seja a mais impossível de ter, pois é a mulher do chefe.
Bom, pra resumo da ópera, o marido de Marlena, August, morre e os dois passam uma vida inteira juntos. Com seus 5 filhos, os animais de circo, e claro, Rosie, a elefanta que fazia shows com Marlena e era vítima dos maus tratos de August. Sinceramente, eu esperava lágrimas, o que sinceramente não é muito difícil no meu caso. Mas o filme não é emocionante para tanto. Vale por assistir ao Robert. O que mais me marcou foi a repudia e a pena que senti nas cenas de maus tratos com os animais. De qualquer forma, vale a pena dar uma conferida, mas eu esperava muito mais.
O Palhaço. Simples, meigo, emocionante, verdadeiro, brasileiro. Amei o filme, mesmo eu tendo visto em uma resolução muito ruim. Selton Mello vive um palhaço que perdeu a alegria, que faz os outros rirem, mas se questiona "Mas e quem vai me fazer rir?". Ele é quem cuida da trupe, e passa os dias preocupado com coisas simples, como a necessidade de comprar um ventilador, um sutiã para a mulher do circo, ter sua identidade. Essas coisas pequenas lhe minam a cabeça, e ele não consegue mais abstrair disso.
Depois de não conseguir se apresentar direito durante uma apresentação do circo, ele toma a decisão de deixar o circo. Todos partem chorando, sentidos pela ausência do palhaço. Ele então vai tirar sua carteira de identidade, vai trabalhar em uma loja de ventiladores, e durante um jantar com seus colegas, presta muita atenção em um deles, que conta piadas para divertir e alegrar os outros. O palhaço então, decide voltar, e sua entrada no palco, para se apresentar com o pai, é emocionante, aliás, Selton Mello e Paulo José dão um show de interpretação. O pai lhe pergunta "E o que você faz aqui", durante a apresentação, e o palhaço responde: "O gato bebe leite, o rato come queijo, e eu.. sou palhaço". Emocionados, eles se dão um cumprimento de nariz.
Para mim, que me emocionei do início ao fim, com a interpretação de pai e filho, o filme passa uma mensagem muito simples, mas muito verdadeira. As vezes, pequenas coisas lhe ofuscam a visão de como sua vida é boa e bela, e para que possamos voltar a enxergar, é preciso sair disso, perder o que tínhamos, ir atrás do que "achávamos" importante, e depois disso, perceber qual é o nosso verdadeiro lugar.
Pangaré (Selton Mello), abandona o circo, busca a vida que imaginava e depois de conseguir, percebe que seu lugar é mesmo no picadeiro, ao lado de seu pai. E assim, após reencontrar-se (e adquirir um ventilador), volta a ser um palhaço feliz, num circo sem animais.
Reportagem da Veja sobre o filme.



0 comentários